Para valorar a importância da produção da pequena mineração (de subsistência, artesanal e em pequena escala) no Equador, é suficiente mencionar que no ano 2000, conforme a produção estimada por tipo de mineiro, o aporte estimado da pequena mineração foi de 83,5% e estima-se que sua participação na produção de outro tipo de minerais, particularmente minerais não metálicos (materiais de construção, argila, feldspatos, bentonita, sílica, mármore, gesso, pómez, dióxido de carbono, barita, zeólita etc) foi aproximadamente de 30%. Com relação ao emprego de mão de obra em atividades de pequena mineração, estima-se que no ano 2000 esta atividade produtiva gerou um total de 92.000 postos de trabalho, dos quais o 65,2% correspondem a mineração metálica (aurífera em especial) e o restante 43,8% a mineração de minerais não metálicos.
3.4.1 Desenvolvimento local.
A atividade de mineração em geral é um ramo importante na geração de recursos para o desenvolvimento, geração de emprego e de importantes níveis de satisfação do consumo
nesta direção é da mineração de minerais não metálicos e de materiais de construção, que tem uma incidência nacional.
Por outra parte, a mineração de metálicos tem também impactos importantes, mais restritos, na dinamização das economias locais. Assim, a mineração aurífera do sul do Equador gera diretamente empregos e ingressos, e indiretamente estimula outras atividades econômicas; sem duvida, seu impacto global nacional é ainda débil.
Neste sentido, com base na decisão 1994/308 do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, o Comitê de Recursos Naturais deste organismo em seu terceiro período de sessão, recomendou prestar assistência técnica à mineração artesanal, em igual forma que da assistência em esferas como atividades optativas que gerem ingressos, na educação, na saúde e no apoio a mulher, visto que a mineração artesanal constitui um suporte fundamental de sobrevivência, que pode ser propícia para incrementar atividades de desenvolvimento sócio-econômico integral e multiseccional, a partir do fato aceito pelas Nações Unidas de que:
“... a mineração em pequena escala tem que ser considerada desde um ponto de vista mais amplo do desenvolvimento sócio-econômico e a erradicação da pobreza para um grande número de pessoas que participam na mineração artesanal em todo o mundo, as atividades de mineração constitui uma rede de segurança já que proporcionam ingressos durante épocas econômicas difíceis. Dado que a maioria destas atividades se desenvolvem em zonas rurais, a mineração artesanal é uma arma eficaz contra a pobreza rural e a migração de zonas rurais à urbanas, e como tal, tem que receber apoio. Quando um governo toma medidas para criar um entorno mais adequado para os mineiros artesanais, está aumentando também o acesso da população a uma rede de segurança dos ingressos e gerando capacidade para libertar-se da pobreza. A assistência a esse setor pode servir também de mecanismo importante na ajuda social que tanto necessita a população e as zonas envolvidas...”.
Paralelamente, são muitos ainda os impactos sociais negativos (conflitos entre diversos atores, incremento da violência social nas zonas de influência) onde confluem empresas, pequenos mineradores e artesãos. Esses impactos sociais negativos são menos graves em áreas onde predominam as atividades individuais.
Dados os problemas que se registram nas localidades onde se realizam atividades mineiras, é compreensível que as populações aí assentadas esperem que estas contribuam efetivamente nas soluções requeridas. Pesa muito nesta percepção o fato de que não existem normas que regulem a captação de benefícios no nível local.
Assim mesmo, as populações diretamente relacionadas com a atividade de mineração esperam que esta atividade gere suficientes oportunidades de emprego para sua força de trabalho, o qual não é possível porque os empresários preferem trabalhadores de outros lugares do país, para evitar conflitos, ou porque tem que responder às exigências de pessoal especializados, que não existem nas zonas de mineração.
Neste tema converge o papel que os governos locais têm a desempenhar, caracterizado pela superposição de funções das autoridades, no contexto dos desafios que os processos de descentralização implicam para o planejamento do desenvolvimento local. A perspectiva da descentralização do Estado interessa aos diversos atores vinculados com a mineração ficar atentos, e na medida de possível, compatibilizar os processos de planejamento do desenvolvimento local com o da atividade mineira. Há nos mineiros uma vontade de participação nos processos de descentralização, através, por exemplo, dos comitês locais de gestão ambiental, visando harmonizar a relação da atividade mineira com os interesse das comunidades, particularmente, no exercício de um controle participativo dos possíveis impactos de suas atividades sobre o entorno.
Os temas de desenvolvimento local são preocupação tanto dos governos locais, como das comunidades e das ONGs, consultores, universidades e cooperação internacional.
3.4.2 Emprego e salário.
As estatísticas disponíveis são insuficientes para configurar um quadro aceitável da situação real do emprego mineiro. Da informação disponível, uma das características principais é a incorporação permanente e temporal de um importante número de pessoas trabalhando em pequena mineração, muitos dos quais geram oportunidades de emprego para familiares, afiliados ou terceiros em atividades que não exigem maior qualificação. Por certo, o emprego mineiro segue as flutuações próprias da atividade.
Sobre a base de informação do Censo populacional de 2001 pode-se fazer algumas considerações em torno ao problema da magnitude do emprego mineiro. Nesta data o ramo de atividade “Explotação de minas e pedreiras” somente corresponde a menos de 1% da População Economicamente Ativa Total (Tabela 9), o que denota a pouca contribuição deste ramo na geração de emprego, porém, seguramente, neste contexto os dados são subestimados.
Com respeito aos salários, convém registrar que na pequena mineração este tem um peso importante os trabalhadores por conta própria e que é muito difícil estabelecer um salário médio. Portanto, estima-se que o pessoal contratado geralmente recebe salários superiores aos básicos estabelecidos, ainda que, no geral não se encontrem cobertos pelo sistema de seguridade social do estado.
Tabela 9 - Pequena Mineração e emprego em América Latina.