Contaminação de 1976, que estabelecia padrões gerais e medidas de prevenção e controle de contaminação. Em 1991, a nova Lei de Mineração definiu, pela primeira vez, três regulamentos ambientais: 1) a obrigatoriedade de realizar estudos de impacto ambiental e planos de manejo previamente ao inicio de qualquer atividade de mineração; 2) o estabelecimento, como causal de caducidade do titulo minero, de um desastre ambiental grave; e, 3) a restrição de atividades mineiras em áreas naturais protegidas, a menos que estas sejam declaradas de interesse nacional.
Em 1977 promulgou-se o Regulamento Ambiental para Atividades Mineiras na Republica do Equador, onde se estabeleceu regulamentos mais precisos sobre os estudos de impacto ambiental, planos de manejo, distinguindo as distintas fases do processo que inclui as atividades de beneficiamento e industrialização de produtos de mineração. Também institui a obrigatoriedade da realização de auditorias anuais e normas para o fechamento de minas. Esta regulamentação ratifica a proibição de mineração em áreas protegidas e a necessidade de uma autorização, previa à concessão, por parte da autoridade competente para realizar mineração em áreas de patrimônio florestal ou bosques protegidos. Pela primeira vez cria-se uma garantia por dano ambiental e estabelece a possibilidade de que os pequenos mineradores apresentem estudos e planos conjuntos para o manejo integral de certas áreas.
Em geral, o principal instrumento de gestão é o estudo de impacto ambiental que tende a ampliar-se, e inclui avaliações ambientais para as atividades em andamento, com o fim de legalizar sua situação. Sem duvida, estes estudos mostram, todavia, níveis insuficientes de qualidade técnica e existem enormes debilidades no seguimento para a aplicação dos mesmos. De fato, na prática se observa que apesar de alguns minerações terem introduzido algumas medidas de controle e prevenção de impactos, estas todavia encontram-se longe do que se exige a norma.
Para identificar alguns temas de importância sobre a gestão ambiental da mineração no Equador, deve-se considerar que a preocupação sobre o tema é recente e que os estudos e avaliações a respeito são ainda insuficientes. Este fato é mais característico, no caso da mineração de minerais não metálicos, que se encontra espalhada ao longo do país, e que em geral tem sido motivo de menor controvérsia ambiental que a mineração de bens metálicos.
3.8.1 Visão ambiental da mineração no Equador.
Com relação à atividades de mineração de bens minerais não metálicos, sua localização é mais dispersa no país e como se encontra associada mais diretamente ao desenvolvimento de processos construtivos ou a certas indústrias, se trata de territórios mais integrados e portanto não se detectam problemas de reorganização territorial significativa.
Existem poucos estudos e avaliações sobre a gestão ambiental neste tipo de mineração. Entretanto, muitas das operações de pequena escala, relacionada com a obtenção de materiais de construção, apresentam graves deficiências técnicas ocasionando o colapso de pedreiras e a intervenção das autoridades para o fechamento das minas. Neste sentido, pode-se destacar ao menos três problemas:
1. Manejo inapropriado da extração do minério que produz o colapso das pedreiras;
2. contaminação da atmosfera, e;
3. significativas modificações da paisagem local.
No caso das cimenteiras, as duas empresas mais importantes têm desenvolvido um sistema de filtros que permite controlar as emissões de partículas à atmosfera e de resíduos de combustão de combustíveis; têm desenvolvido programas de compensação orientados a melhorar o manejo de determinadas áreas ricas em biodiversidade, e têm implantado programas de reflorestamento e desenvolvimento comunitário.
Em contrapartida, as outras duas empresas apresentam ainda deficiências por emissões de partículas que afeta o entorno e deteriora os solos de uso agrícola, as moradias, os cultivos e os corpos de água; com evidentes impactos sobre a saúde humana.
Em geral preocupam os impactos que a atividade mineira pode ter na qualidade de vida e sobretudo na saúde, tanto das pessoas diretamente envolvidas na produção (trabalhadores) como na população circundante que mora nos assentamentos mineiros ou que enfrentam riscos pelo aproveitamento de recursos como o água, contaminadas pela atividade.
Identificam-se como principais riscos, a intoxicação por sustâncias químicas e/ou partículas, os riscos por explosões, os problemas pulmonares e os derivados do esforço físico por posições inadequadas de trabalho (especialmente no caso das artesanais).
Na mineração não metálica não se detectam maiores problemas que ocasionem uma reorganização territorial significativa. A indústria do cimento que não tem incorporado filtros, acusa uma evidente deterioração do solo num raio de 8 a 12 Km, concretamente, no entorno das empresas Chimborazo e Guapán, localizadas em zonas agrícolas, campesinas e indígenas com altos índices de pobreza. Com relação às pedreiras, a disseminação no pais dificulta uma valoração de passivos ambientais. Os de maior magnitude localizam-se em duas áreas perto de Quito onde se precedeu ao fechamento da mina pelo inadequado manejo da mesma e riscos de deslizamentos. Nestas áreas, não há evidências de nenhum trabalho de recuperação ambiental.
A legislação equatoriana determina que o causador do impacto deve adotar medidas necessárias para prevenir, mitigar e erradicar os impactos ambientais. Portanto, na medida em que muitos de estes impactos resultam da ação de múltiplos atores e concessionários, na maioria dos casos fica difícil estabelecer responsabilidades individuais.
Em algumas áreas mineiras tem se conseguido conveniar aportes dos mineradores de pequena escala para realizar obras de mitigação de impactos e recuperação de danos. Nestes casos, também se espera um aporte estadual. Porém esta tentativa não se chego a concretizar.
O fechamento de minas está previsto no Regulamento Ambiental para Atividades Mineiras na República do Equador (1997), e tem por marco regulamentar a avaliação de impactos ambientais, o plano de manejo ambiental e a correspondente auditoria ambiental. Todas as operações de desmantelamento e recondicionamento das áreas se realizam em conformidade com o previsto nos estudos ambientais apresentados ao inicio das atividades, quando da avaliação do impacto ambiental. Para isto, deve-se contar com o planejamento, consulta e aprovação da autoridade competente. É responsabilidade do titular dos direitos mineiros, remediar os danos ao ambiente que se
produzam antes e depois ao fechamento de mina; assim como reabilitar e compensar os danos e alterações ao ambiente cuja origem seja a atividade de mineração.