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Karşılıklar, koşullu varlık ve yükümlülükler

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ÖNEMLİ MUHASEBE TAHMİN VE VARSAYIMLARI

16- Karşılıklar, koşullu varlık ve yükümlülükler

Esta participação não ameniza a condição humana. Na verdade, intensifica-a cada vez mais porque dá ao homem a noção de responsabilidade e, sobretudo, de limitação. E esta limitação se reflete no modo como o homem faz e se relaciona com sua História. Mas como ele percebe que tem ou que há uma História? Antes de tudo, deve intuir que o “mundo” tem uma ordem compacta, fundamentada numa atitude

cosmológica, em que o cosmos e as suas variações (estações, sol, lua, estrela,

42 Segundo Mário Ferreira dos Santos, em seu livro Ontologia e Cosmologia (Logos, São Paulo, 1958), o Ser

– ou melhor, o conceito de ser – “é um conceito simplicíssimo, comuníssimo e essencial”. E a partir daí, lista as seguintes definições: “É o primeiro objeto do intelecto (pois o que captamos é); é lógico-formalmente pobre, mas concretamente rico; todo ser é unidade, alguma coisa, bondade (valor), verdadeiro, entidade, relação; o Ser, enquanto tal, não é um gênero e não é um universal; transcende às categorias que são nele, e dele; é o mais comum, por ser o mais inteligível; é uma unidade de simplicidade (em si) e uma unidade de razão (para nós); não existe à parte de outro; é único; é o sujeito de todos os predicados e predicado de todos os sujeitos; é eternamente presente; inserto, nele, está tudo; é a terna presença e eficacidade pura; inclui a finitude e a infinitude, e todas as modalidades de ser; é perfeito, proficiente, pois nada lhe falta, nem nada há fora dele; é a primordialidade de tudo quanto é” (pág. 55). No Tratado de Simbólica (Logos, São Paulo, 1958), Mário Ferreira faz uma precisa definição do que seria a participação: “Participar vem do latim participare, e de participatio, participação. Etimologicamente vem de captio, capere, que dá cipere e de partis, parte, parte cipere, sinônimo de recipere. Em seu sentido etimológico, participar é receber de outrem algo. Mas o que é recebido é recebido não totalmente (totaliter), pois totaliter recipere seria receber em totalidade algo (aliquid). É intuitivo que o conceito de participar implica um receber parcial de algo (aliquid) de outro (ab alio). O que participa é o participante, o qual participa do participável (participabile=o que pode ser recebido) de outro, o participado.

“Participação seria o fato de participar o participante do participável do participado (...)

“Em suma, se alguém participa de alguma perfeição, dela participa segundo o seu modo de ser, isto é, na medida em que é capaz de participar, no grau que é capaz de receber. E o que marca esse grau, essa capacidade, é o próprio recipiente, o participante. Um exemplo permite esclarecer. Numa sala, onde é exposta uma conferência sobre determinado tema, os ouvintes participarão do mesmo na proporção da sua capacidade de participantes. Desse modo, a participação, como fato de receber, será proporcionada ao participante. O participado pode ser de menor grau de perfeição, mas a participação, por parte do participante, dependerá do grau deste” (pags. 48-49).

natureza) determinam a ação do homem com sua medida invisível, ainda não completamente articulada. Não há a participação do ser; há apenas a sensação de pertencer a um lugar onde os deuses não são vistos e, talvez por isso, podem esmagá- lo a qualquer momento. O tempo transforma-se em um quadro repetitivo, circular; o tédio e a falta de um fim com sentido deixam suas impressões na alma. Entretanto, em algum momento, algo acontece: o véu da realidade cosmológica se rompe e o homem percebe que, enfim, existe algo além do muro. Ele o chama de “Deus” ou “Divino” – e esta é a única maneira de expressar um fato que somente deixa enigmas em sua alma. É claro que, ao descobrir a precariedade das suas palavras, também descobre a precariedade das coisas ao seu redor, do mundo que acreditava ser tão sólido em seu cosmos tão bem organizado. E isso lhe dá a sensação exata de que, contra a sua vontade, ele vai morrer.

É a partir daí que começa a História – como a forma simbólica de relacionamento entre o homem e Deus. E ela só pode acontecer se iniciada por uma experiência de transcendência, o arroubo espiritual (spiritual outburst) que revela o ser divino além do mundo em que vivemos e que revela também uma compreensão exata do homem como criatura humana. É o chamado leap in being43 – o salto no

43 “Uma história das idéias políticas era um empreendimento sem sentido, incompatível com o estado atual da

ciência. Descobri que as idéias eram um desenvolvimento conceitual secundário, que começou com os estóicos, ganhou força na Alta Idade Média e se generalizou a partir do século XVIII. As idéias transformam os símbolos, que existem para expressar experiências, em conceitos; os conceitos são encarados como se tivessem por referência uma outra realidade que não a realidade da experiência. E essa outra realidade, que se pretende distinta da realidade da experiência, não existe. Desta feita, as idéias são responsáveis por deformar tanto a verdade das experiências quanto sua simbolização.

“Os pontos que deveriam suscitar inquietação são evidentes. Em primeiro lugar, não existe continuidade entre as idéias dos filósofos gregos entre os séculos VII e IV a.C. e o teor dos textos revelados dos profetas de Israel e do Novo Testamento. Essas duas simbolizações tocam em áreas distintas da experiência e não possuem qualquer vínculo histórico entre si. Além disso, quanto mais distante no passado é o ponto em que convencionamos situar a origem das idéias, mais claro se torna que simbolismos como o mito e a revelação não podem ser classificados, nem mesmo com grande esforço imaginativo, como “idéias”. É preciso reconhecer a existência de uma pluralidade de simbolismos. Uma teogonia de Hesíodo, por exemplo, simplesmente não é uma filosofia no sentido aristotélico, ainda que a estrutura da realidade expressa pelo mito e pela filosofia seja a mesma – uma identidade de estrutura que Aristóteles já reconhecera. Foram surgindo problemas que tentei expressar por meio de conceitos como o de experiência compacta (ou primária) do cosmos e o das diferenciações que levam à verdade da existência no sentido dos clássicos gregos, dos profetas de Israel e do cristianismo primitivo. Para caracterizar a transição decisiva da verdade compacta à verdade diferenciada na história da consciência, empreguei, na época, o termo salto no ser, emprestando a palavra salto do Sprung de Kierkegaard” (VOEGELIN, Eric. Reflexões autobiográficas, É Realizações, 2008, págs. 127-129).

ser que faz o homem entrar ainda mais na estrutura da realidade e não, em hipótese alguma, escapar dela. Não é apenas um acontecimento – mas sim o acontecimento que, conforme seja aceito na consciência do ser humano, orienta todo o curso da História. É justamente essa escolha – que, no fim, nos faz lembrar o mistério do livre-arbítrio – que mostra os diversos modos como o homem procura Deus ou, para sermos mais ousados, como Deus procura sua criação. Essas formas de encontro, que se revelam numa trama de símbolos44 a ser compreendida através da História, podem ter vários nomes; contudo, existem duas constantes e elas aparentam ser opostas,

É de se observar também que Ellis Sandoz, um dos maiores discípulos de Eric Voegelin, confirma a influência de Kierkegaard (que, por sua vez, tomou a expressão salto de fé de Hegel) no termo leap in being em The Voegelinian Revolution (Lousiana University Press, 2000), na terceira nota de rodapé da página 117.

44 Mário Ferreira dos Santos relaciona de forma brilhante a participação no ser com o caminho da via

symbolica:

“Toda perfeição que não é atribuível por essência a um sujeito, é conseqüentemente participada, ou participável. Nesse caso, essa perfeição caberá a um ser em sua plenitude, isto é, por essência. Este pensamento, entretanto, é rejeitado, porque nos levaria à afirmação da subsistência de per si das formalidades, o que se atribuiu ao platonismo. Assim o calor, que é participado pelos seres sensíveis, passaria a ser atributo por essência de um ser em cujo sujeito ele se identificaria. Portanto, o calor seria subsistente de per si. Mas, se considerarmos que essas formalidades, que nós captamos, as quais correspondem ao fundamentado nas coisas, não exigem um sujeito que, com elas, se identifique separadamente, podemos admiti-las como esquemas formais, estruturas ontológicas, fundadas no próprio ser, e segundo a ordem a que pertencem. Neste caso, o calor, como absoluto, é apenas um esquema noético, mas o calor é uma modal de certos seres, os quais participam dessa perfeição, cuja plenitude só se dá na ordem ontológica do ser, e não subsistente de per si, com um sujeito que o seria por essência. (...)

Participar de uma forma é te-la em estado limitado, quando em outro está em estado mais perfeito ou em estado absoluto.

Assim a inteligência humana participa de uma inteligência superior, divina, que está em estado absoluto. O símbolo, portanto, indica com a sua formalidade, em estado limitado, a referência a uma forma em estado superior ou absoluto. Por isso, o símbolo é hierarquicamente inferior ao simbolizado. Exemplifiquemos: o touro revela-se força, potência. A divindade é força, potência e, desse modo, o touro pode simbolizar a divindade, como vemos em diversas religiões, como o culto de Mitra, por ex. Por sua vez o touro pode simbolizar o sol, e este a divindade; há assim uma ascensão hierárquica do símbolo para o simbolizado que, por sua vez, é símbolo do simbolizado superior.

Esse ponto é importante para fazer ressaltar o que chamamos de via symbolica. Porque, se muitas vezes os religiosos escolhem um símbolo para se referirem a um simbolizado, podem, no entanto, prosseguir, através de hierarquias simbólicas, até alcançar um ser per essentia, que é Deus, o grande simbolizado por todas as perfeições que possamos captar das coisas da nossa experiência. Em sua simbólica, todas as religiões referem-se, imediata ou mediatamente, a esse grande simbolizado.

Todas as essências finitas são similitudes e, em suma, símbolos da essência infinita. Assim a perfeição convém à perfeição primeira por essência, e ao ser finito por participação”( SANTOS, Mário Ferreira dos. Tratado de Simbólica, Logos, São Paulo, 1958, págs. 67-68).

É bom ressaltar que utilizaremos o seguinte conceito de símbolo: “é tudo quanto está em lugar de outro, sem acomodação atual à presença desse outro, com o qual tem, ou julgamos ter, qualquer semelhança (intrínseca por analogia), e por meio do qual queremos transmitir ou expressar essa presença não atual no que indicamos” (idem, pág. 27).

mesmo que, afinal, se converjam para um único ponto, sempre desconhecido para nós. Seus nomes são simples e já conhecidos: revelação e razão.

Belgede Bağımsız Denetçi Raporu (sayfa 51-54)

Benzer Belgeler