5. BÖLÜM KLASİK GİTAR MİKROFONLAMA TEKNİKLERİ
5.4. Karışık Tekniklerden Elde Edilen Bulgular
uma releitura de San Tiago Dantas*
INTRODUÇÃO
Ninguém, sobretudo os que se preocupam com os incertos caminhos de nossa educação jurídica, deveria desconhecer a aula inaugural dos cur- sos da Faculdade Nacional de Direito, proferida em 1955, por San Tiago Dantas. Se desconhecem, permitam estimulá-los a uma urgente leitura.
Trata-se de uma aula, que publicada posteriormente em forma de ar- tigo1, transformou-se em um dos principais textos sobre nosso ensino do
direito, sua crise e sua reforma.
A descrição que San Tiago faz da crise, que existia antes de 1955, é tão concorde à realidade, e o esboço de solução que apresenta, de soluções tão evidentes, que o leitor, ao encontrar no texto exatamente aquilo que per- cebe em sua experiência quotidiana, fica com poucas opções a escolher. Em geral, adere a San Tiago. Seja ele professor ou estudante, advogado, educador ou pesquisador.
A partir desta adesão, seus conceitos passaram a fundamentar a maioria dos trabalhos teóricos, e seu esboço de solução a legitimar e a impulsionar quase todas as principais experiências de reforma de nosso ensino, sobre- tudo nestes últimos dez anos. No entanto, se compararmos a situação de 1955 com a atual de 1976, constatamos que pouco mudou2.
A crise resiste e persiste como que incólume a todos os esforços de superação – fundamentados ou não em San Tiago. Ao constatarmos essa persistência algumas perguntas nos surgem:
* Publicado na Revista da Ordem dos Advogados do Brasil, em 1977.
1. DANTAS, San Tiago. A educação jurídica e a crise brasileira. Revista Forense, nº 159, p. 453, 1955.
2. MIRALLES, M. T. e ARRUDA FALCÃO, J. Atitudes dos professores e alunos das faculdades de Direito do Rio de Janeiro e São Paulo capital face ao ensino jurídico e sua reforma. – Edição Departamento de Ciências Jurídicas, PUC-RJ, p. 111 e 112, 1974, Rio de Janeiro.
• Será que no decorrer destes vinte anos, a adesão dos leitores não conseguiu se traduzir na ação inovadora do professor ou do estu- dante?
• Será que o destino da aula de San Tiago é o mesmo que ele iden- tificava para a meditação em voz alta em que consistia a didática tradicional – um discurso que cai no vácuo?
Para responder a essas perguntas sugeridos rápido olhar atento para o que tem se passado de 1955 até hoje.
Cumpre reconhecer que as palavras de San Tiago não encontraram de início repercussão suficiente para se transformarem em projetos específi- cos de ação3. Nos últimos dez anos, no entanto, os adeptos começaram
a surgir. Diversas iniciativas foram tomadas visando à superação da crise. Faculdades, professores e estudantes, associações profissionais têm se reu- nido. Projetos têm sido elaborados e complementados. Resoluções têm sido substituídas e currículos modificados4.
Ainda não se encontrou, no entanto, a não ser em momentâneas ex- periências setoriais, a saída que todos procuram. As iniciativas tomadas, não conseguindo reverter a situação, insistem por certo tempo, e depois praticamente desaparecem, como que exangues diante da imensidão da tarefa. É quando então abrem mão de sua ambição primeira – a de se constituírem em focos geradores de uma reforma necessária – e estabele- cem um modus vivendi com o ensino em crise.
As perguntas que formulamos nos encaminham a outras.
• Será que o esboço de solução apresentado por San Tiago não era, nem é factível? Ou será que as iniciativas que pretenderam imple- mentá-las não lhe guardaram a necessária fidelidade?
• Errou o autor, ou entendeu-lhe mal o leitor?
3. Ver – VENANCIO Filho, Alberto. San Tiago Dantas e o Ensino Jurídico. Cadernos da PUC-RJ, nº 03/74, p. 20, Rio de Janeiro. O professor Evaristo de Moraes Filho retomou o tema da reforma do ensino, logo após San Tiago, em sua aula inaugural na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, 1959 – in A transformação do Direito e a renova- ção do ensino jurídico, publicação Universidade do Brasil, Faculdade Nacional de Direito.
4. O autor refere-se especiicamente à resolução nº 162/72, do Conselho Federal de Educação, e às reuniões das Facul- dades de Direito, denominadas Encontro de Faculdades de Direito, que são realizadas anualmente depois do esforço pioneiro do prof. Almir de Oliveira, em Juiz de Fora – 1971.
As respostas a essas novas perguntas nos impõem uma releitura de San Tiago. Não a releitura que faz o exegeta isolado do mundo que o cerca. Ao contrário, releitura que justamente leve em consideração este mundo, sobretudo, o que se passou nestes últimos vinte anos: a indiferença inicial, as diversas tentativas que se seguiram tentando implementar a reforma e a impertinente resistência da crise do ensino de direito. Mais ainda, que leve em consideração os eventuais avanços tanto da ciência jurídica quan- to da ciência da educação, e sobretudo a evolução da sociedade brasileira onde esta problemática se insere.
As notas que seguem resultam de nossa releitura de San Tiago Dantas como tentativa de encontrar respostas a essas e as outras perguntas que a experiência vivida nos colocou.
Nosso objetivo não foi nem o de reafirmar, nem o de negar San Tiago. Ao contrário, foi o de revisitá-lo, levando conosco o relato destes vinte anos passados, e com ele estabelecer um diálogo. Foi o de ir procurar na aula inaugural seus conceitos eventualmente esquecidos, de sublinhar as importâncias que estes anos ainda não souberam reconhecer e de vivificar suas principais diretrizes. A partir daí, o texto de San Tiago serve como ponto de partida para o desenvolvimento de nossas próprias idéiais, de nossa argumentação. O que não implica – muito pelo contrário – atitude de permanente concordância. O diálogo estabelecido foi essencialmente um diálogo crítico.
A releitura demonstrou que o texto de San Tiago permanece nos dias que correm, como importante fonte de inspiração para ação.
A adesão que provocou, e que provoca ainda, é muito importante para todos os que se preocupam com o difícil destino da educação jurídica brasileira. A releitura que fizemos, e as considerações algumas vezes diver- gentes que tecemos pretendem contribuir para uma renovação de ação, e não para a crítica do pouco que foi feito, e do muito que não se fez.
O diálogo centra-se em duas propostas didáticas feitas por San Tiago. Justamente as que nestes anos agruparam maior número de experiências e igual número de divergências. A primeira é a proposta que o próprio au- tor denominou de a “nova didática”, que contém duas medidas distintas interligadas: a que sugere a adoção do ensino casuístico, e a que estimula a participação do aluno no processo didático, entendida como um cha-
mamento à aula dialogada. A segunda opõe à formação geral a formação especializada, e ensaia uma solução de compromisso, a se concretizar pela adoção de currículos flexíveis, e ramos de especializações.
As perguntas iniciais que formulamos, e que são demasiadamente ge- rais, podem pois ser especificadas em torno destes novos temas, assumin- do então a seguinte forma:
• Em que deve consistir o ensino casuístico? • Em que deve consistir a participação do aluno? • Em que deve consistir a formação especializada?
São perguntas aparentemente autônomas, mas que na verdade se en- trelaçam e se completam. Cada uma exige a resposta da outra, e todas, exigem uma concepção coerente do ensino jurídico, do direito, e da fun- ção de ambos na sociedade brasileira atual.
Daqui para frente o caminho que percorremos é o seguinte:
A parte I é dedicada ao pensamento de San Tiago Dantas, que apre- sentamos, através de três temas: as propostas didáticas, a missão do en- sino jurídico, e a crise brasileira. Concluímos esta parte inicial com uma apreciação crítica.
A parte II responde às perguntas que formulamos, o que fazemos a partir das propostas de San Tiago. As respostas são no entanto muito mais nossas, do que dele. Foram três os temas estudados: o ensino casuístico, a aula dialogada e a formação especializada.
Na parte III, antes de concluirmos, esboçamos as linhas gerais de uma nova proposição didática, que denominamos a proposição do caso gerador, e que pretende não somente integrar as proposições anteriores, mas tam- bém fazê-las avançar em direção à renovação do nosso ensino jurídico.