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7. DESTEK

7.1. Kaynaklar

7.1.3. Altyapı

Quando vislumbramos a celeridade e efetividade do processo contra a segurança jurídica temos a impressão de que a coexistência de todos é um eterno conflito, na medida em que se apresenta como solução a redução da celeridade e efetividade perante o ganho de segurança e vice-versa.

Contudo, a expressão segurança jurídica é de conteúdo equívoco, tendo em vista seus múltiplos significados, razão pela qual se faz necessário uma melhor compreensão de sua relação com a celeridade e efetividade.

167 GAJARDONI. Fernando da Fonseca. Revista do Advogado. Associação dos Advogados de São

De fato, quando falamos de segurança jurídica, podemos nos referir a um maior grau de certeza do direito a ser aplicado ou a melhor previsibilidade da decisão a ser proferida – ideias que se relacionam diretamente com o preceito de justiça e adequação pois presumem a isonomia e a consistência da aplicação do direito ao caso concreto.

Contudo, quando empregamos o preceito segurança jurídica ao processo, temos outra acepção. Conforme lição de Cândido Rangel Dinamarco168, no conflito

“entre a necessidade de decisão rápida e a de segurança na defesa do direito dos litigantes”, a ideia de segurança não possui o significado de “certeza jurídica”, mas o conteúdo de estabilidade dos atos processuais, com menor risco de serem anulados.

Este conflito, entre efetividade e segurança como preceito de justiça, sempre é motivo de discórdia entre os conflitantes, mas consistente em ponderação necessária para a coordenação do processo, conforme lição de Hélio Tornaghi:

A melhor maneira de acelerar o processo sem atropelá-lo, conciliando a rapidez com a justiça, consiste na fixação de tempo para a prática de cada ato. A marcação de prazos não é apenas o resultado da conveniência, é o efeito da necessidade de harmonizar a justiça e a economia, a segurança e a rapidez. Quer a lei que o processo seja ordenado, mas sem retardamentos e sem gastos excessivos, de modo a obter-se uma sentença

com máximo de garantia possível e o mínimo de esforço.169

A necessidade do conflito entre segurança e efetividade é notória pois decorrente da natural necessidade de construir ao longo do processo a cognição do arbitro acerca da lide. É um conflito inerente ao processo, conforme bem ensina Maurício Giannico:

(...) sabe-se que a busca da certeza e a eliminação de uma incerteza (Carnelutti) necessariamente demandam uma cognição por parte do órgão jurisdicional, o que necessariamente implica também dispêndio de tempo. É natural que a prestação jurisdicional final de mérito não possa ser oferecida com prontidão. A atividade cognitiva do juiz e as múltiplas oportunidades dadas às partes para participarem em contraditório de todos os atos processuais necessitam de um prazo mínimo para sua concretização. Afinal, a decisão final de mérito, apta a adquirir o status de imutável, deve obrigatoriamente ser concebida mediante cognição vertical ampla e irrestrita.170

168 DINAMARCO, Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. 14 ed. São Paulo: Malheiros,

2009, p. 232.

169 TORNAGHI, Hélio. Comentários ao Código de Processo Civil. V. II. São Paulo: Revista dos

Tribunais, p.1975, p. 57-58.

170 GIANNICO, Maurício. A preclusão no direito processual civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2005,

Mas este conflito, assim como outros preceitos valorativos ligados à preclusão, não precisam ser tidos como diametralmente opostos ao ponto de serem sempre interpretados como contraditórios entre si.

Com efeito, na lição de Fernando Rubin, é possível buscar uma interpretação conciliadora e harmônica do conflito, ao que o autor chama de “formalismo- valorativo”, através do qual se pretende aplicar o processo de forma a adequadamente construir uma solução balanceada. Neste sentido afirma que:

(...) temos que toda demanda judicial deve seguir um procedimento (rito previamente estabelecido em lei), pautado pelo instituto da preclusão (que

determina o fechamento de uma etapa do feito e o início de uma posterior –

numa marcha dinâmica, sempre para a frente) tudo a incrementar os valores da efetividade (celeridade, na prestação jurisdicional) e o da segurança jurídica (confiança no procedimento, inclusive nos seus limites, pelas partes litigantes e demais eventuais terceiros interessados).

Portanto, de todo o exposto, vê-se que o instituto em estudo – devidamente

privilegiando de maneira articulada os valores, constitucionalmente resguardados, da efetividade e da segurança jurídica (na primeira acepção

que será considerada ao longo do presente trabalho) – é um recurso

imprescindível, componente do “formalismo-valorativo” (princípio

processual, portanto), largamente empregado para a razoável concentração do processo, de modo precípuo a orientar a utilização, pelas partes, do direito à intervenções (impulsos) a elas possibilitadas ao longo do procedimento.171

A busca desta harmonização é deveras trabalhosa, penosa e complexa, mas não é impossível. Conforme ensina Heitor Vitor Mendonça Sica, o caminho está em aplicar um regime interpretativo de preclusão mais ou menos rígido, conforme as circunstâncias de cada caso. Assim expõe o autor:

O desafio, então, está em interpretar as normas concernentes à preclusão em harmonia com as demais regras e princípios do sistema. E quanto a isso a epígrafe extraída de escrito de Galeano Lacerda é extremamente oportuna, pois a chave do sistema de preclusões está, sem dúvida, na interpretação de suas normas de modo mais ou menos rigoroso.

Tendo em vista todas as normas que estabelecem limites à atividade das partes e do juiz, poderá este último desconsiderar determinada preclusão, em concessão a outros princípios do sistema, sempre que parecer justo ou razoável ?.172

É da abertura de um sistema preclusivo de regras para um sistema interpretativo da preclusão - pautado na busca pela harmonização de princípios processuais - que faz da preclusão um instituto adequado ao processo moderno.

171 RUBIN, Fernando. A preclusão na dinâmica do processo civil. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 35.

Mas esta adequação do instituto da preclusão, para que alcance sua finalidade de coordenar o processo para uma solução harmônica entre segurança e efetividade, deve pautar-se por critérios científicos e técnicos dos instrumentos processuais disponíveis aos aplicadores do direito. Barbosa Moreira, explica com precisão a questão:

A premissa inafastável à seqüencia (sic) da exposição, e que convém desde logo realçar, é a de que o único modo de adequar às exigências contrapostas presentes no binômio delineado é primar pelo rigor científico na interpretação dos institutos processuais, de modo que se busque a efetividade do processo por intermédio do trato técnico de seus instrumentos.

Para sustentar tal posição, valemo-nos da lição de Barbosa Moreira, que há algum tempo alertou para os três riscos a que um pensamento exclusivamente orientado para a efetividade do processo está sujeito. O primeiro deles está receber esse valor como absoluto no sistema, em sacrifício total de quaisquer outros. O segundo, relacionado ao primeiro, reside na possibilidade de hipertrofia de determinado mecanismo do sistema em detrimento de outros. E, finalmente, o terceiro risco (e definido pelo autor como o mais “insidioso” deles) é o abandono das concepções técnico-científicas atingidas pelos estudiosos que se debruçaram sobre o processo civil, seja porque a deficiência técnica na redação e interpretação dos textos normativos acarreta dúvidas para os tribunais (e dispêndio de tempo para dirimí-las), seja porque geram risco de soluções inadequadas

(em prejuízo, sempre, da efetividade do processo).173

Esta técnica jurídica - que parte do pressuposto de adequado conhecimento dos institutos processuais civis e do processo de arbitragem para a aplicação da preclusão no processo de arbitragem – é que tentamos conceber através do presente trabalho, com intuito de, a partir dele, ser possível a construção de preceitos científicos ainda mais precisos e pragmáticos.

Todavia, sabendo que as vicissitudes do cotidiano forense demandam uma concepção prática do direito pautada por critérios filosóficos que direcionem o caminho a ser trilhado, passamos a conciliar com os critérios técnicos antes sustentados alguns preceitos jus filosóficos do qual concebemos adequado para uma análise ampla do instituto da preclusão no processo de arbitragem.

173 MOREIRA, José Carlos Barbosa. Efetividade do processo e técnica processual in Reformas

Benzer Belgeler