7. DESTEK
7.5. Dokümante Edilmiş Bilgi
7.5.3. Dokümante Edilmiş Bilginin Kontrolü
Estudos cujo foco é o exercício da paternidade, quais os sentimentos e os significados que os pais atribuem a esse seu papel, o que pensam ser prioritário nele, quais os desafios envolvidos, suas vicissitudes, estresse, enfrentamentos, são escassos e pouco comuns. De fato o que não é muito comum são estudos cujo foco é o homem, como já pontuou Michael Kimmel (2000a). Geralmente, o foco de interesse dos investigadores é a criança, o cuidado recebido, se é ou não adequado, suficiente, se exercido pelo pai, pela mãe ou por alguém que seja cuidador e quais as implicações desse fato. Pensar nos significados que os pais auferem no exercício de sua paternidade é particularmente inovador. Buscamos na autora Ofra Mayseless (2006), que desenvolveu estudos sobre
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Termo bastante genérico, político, não se traduz. Para Judith Stacey (1998) é tudo que se opõe à normatização, às regras dadas; ser queer é ser diferente, inovador, é ser aberto às diferenças, que não se enquadra.
representações parentais sob a ótica da teoria do apego, alguns elementos para apoiar essa nossa reflexão.
Segundo a teoria do apego (BOWLBY, 1990), existem importantes trocas comunicacionais entre o cuidador e quem recebe o cuidado. Todo sistema biológico do cuidador é ativado para perceber e responder satisfatoriamente, atendendo à necessidade de quem depende dele. Alguns aspectos são observáveis, como choro, riso, olhar, sorriso, grito, conversas, proximidade; alguns outros não são tão visíveis, como a presteza em atender, o grau de estresse do cuidador, a percepção adequada da necessidade de um bebê. A resposta do cuidador estabelece a relação de cuidado que é intermediada pelo vínculo, sendo isso o que propicia “a base segura” de suporte que permite à criança explorar o mundo. Há apegos de diversos tipos: desde os que promovem crescimento, porque têm uma base segura, até outros que podem não propiciar o desejado desenvolvimento harmonioso que conduz à autonomia e independência, gerando, ao contrário, insegurança e limitação.
Assim descrito, observa-se que cuidado não é competência única e exclusiva da mãe, embora, em sua maior parte, seja realizado a partir do comportamento materno. O cuidado envolve o atendimento das necessidades básicas promotoras de desenvolvimento, de sociabilidade, além da sobrevivência da espécie, respeitando aspectos da individualidade. O cuidador é aquela figura que supre, dá limites, socializa, variando muito na forma, no estilo, e no momento que acontece. Há também interferência de fatores externos e internos para se perceber sua funcionalidade, para ser ou não avaliado como adequado ou pertinente. O que é adequado e bom num dado momento, numa dada cultura, e/ou classe social, pode não ser em outra, variando ainda quanto à situação, à hora e aos aspectos desenvolvimentais, entre outros fatores.
É muito complexo e difícil se discutir práticas educativas parentais; é necessário avaliar recursos, o nível do estresse do cuidador, a rede de apoio, o grau de apego e sua adequação e pertinência no atendimento das necessidades. Fatores intergeracionais também interferem, além de diferir de um grupo familiar para outro o significado do que é apego, vínculo, cuidado, apoio e afeto. O que parece ser, sem dúvida, um denominador comum é que nas famílias o cuidado existe e sem este a espécie humana não vingaria.
Ofra Mayseless (2006) discute parentalidade sob a ótica da teoria do apego e assinala que o comportamento parental, que irá atender de fato à necessidade da criança, dependerá do quanto ele – o cuidador – está conectado e sensível a seu funcionamento
psicossocial, estabelecendo então o sistema de cuidado. O sistema motivacional do cuidador, as representações dos parentais sobre ser um cuidador são baseadas em sua própria experiência de ter sido cuidado, que são seus modelos internos de cuidado; também se baseiam em experiências de ter cuidado de alguém, além do aprendizado ao longo da vida através de outros modelos, até mesmo do aprendizado teórico. Os pais podem ter diversas representações de cuidado, para situações e para crianças diferentes, que por certo refletem parte da história do relacionamento desse parental com a criança cuidada.
Apesar da maior parte de as “ações parentais” dizer respeito às mulheres, pois são as mães que, freqüentemente, são referidas como responsáveis pelo cuidado direto dos filhos e, como já assinalamos, não abrem mão desse papel naturalizado, destacamos a seguir algumas implicações sobre os homens, como pais e cuidadores, que são de interesse para esta nossa investigação.
Os autores de um artigo que identifica fatores cognitivos na paternidade (LA ROSSA; SIMONDS; REITZES, 2005) propõem algumas fases-chave desse processo, como a tomada de decisão de “se tornarem pais”, decisão na gravidez e no nascimento, e os cuidados com a criança, sendo que a estrutura familiar e o contexto sociocultural mostram-se com alguns aspectos que podem estressar de formas diferentes os indivíduos envolvidos no cuidado.
Os autores prosseguem argumentando que a maioria dos casais tem essa percepção de serem pais através da parentalidade biológica, ficando a adoção como alternativa depois de esgotarem muitas tentativas. Homens e mulheres experimentam de forma diferente situações como a infertilidade. É comum a mulher, por exemplo, se submeter a infindáveis tratamentos e intervenções para tentar engravidar, acessíveis apenas às classes sociais mais privilegiadas, e só depois de muito empenho, além de despesa, optar pela adoção. Esse movimento, observam os autores, é mais encontrado na mulher, pouco comum no homem, cuja primeira opção diante da infertilidade pode ser, sim, a adoção.
É importante destacarmos que esses estudos sobre parentalidade não contemplam a homoparentalidade sendo ainda bastante distinta a maternidade lésbica da paternidade homoafetiva, o que requer um aprofundamento dessa investigação. Observa-se, por exemplo, que existem demandas diferentes quando se trata de infertilidade por parte de homens ou de mulheres, acarretando outras intercorrências o fato de eles formarem ou não um casal homoafetivo.
É observável o quanto a parentalidade vem mudando ao longo dos tempos. Hoje ser pai ou ser mãe é muito diferente do que há séculos, e é diferente também na escala dos mamíferos, já que animais também são pais e mães e cuidam para que sua cria sobreviva perpetuando a espécie (MAYSELESS, 2006).
A parentalidade se expressa, em humanos, no sistema de apego e cuidado que envolve ter e criar filhos. A estrutura familiar e o contexto sociocultural são aspectos importantes nas interações familiares ao longo do ciclo vital e impõem maior estresse a alguns indivíduos do que a outros. Pais e mães dividem as tarefas familiares e essa divisão tem a ver com o sistema de poder, de satisfação e de bem-estar, mas acaba não entrando muito em jogo o que é ou não de direito ou justo nessa divisão, ou seja, ela não é igualitária e varia bastante dependendo de cultura, classe social, sexo e gênero.