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kapsamında, zarar karşılıkları aşağıdaki esasların herhangi biri ile ölçülür:

Belgede FAALIYET RAPORU 2021 (sayfa 76-79)

692021 Faaliyet Raporu

TFRS 9 kapsamında, zarar karşılıkları aşağıdaki esasların herhangi biri ile ölçülür:

Já a partir da amamentação, primeira e mais básica alimentação do ser humano, pode-se encontrar diferenças fundamentadas nos valores dos grupos, o desmame é feito em momentos diferentes e de maneiras diferentes, conforme descreve José Carlos Rodrigues:

Na transição do seio para alimentos sólidos, as crianças Hopi recebem pequenos pedaços de alimentos previamente mastigados por vários membros da família e que são postos em sua boca, cedo aprendendo a sugar o milho, a carne e frutas, sendo o seio materno apenas uma das muitas fontes de satisfação oral que a criança recebe. A boca é, portanto, um importante instrumento de comunicação com o mundo e com a sociedade, mesmo se se abstrair a comunicação verbal: a criança aprende algo sobre a vida cada vez que se lhe nega, ou que recebe um alimento de tipo particular ou característico de situações especiais.153

57 Através da seleção dos alimentos, da forma de prepará-los e distribuí-los um grupo expressa tudo aquilo que sabe e acredita. Logo, à medida que o ser humano, em seus aspectos sociais, torna-se mais complexo, exigindo novas e mais complexas formas de comunicação projeta isso automaticamente nas várias etapas da alimentação. O “como se prepara”, que é a cozinha, também expressa valores e crenças. Utilizamos aqui a definição de cozinha de Fournier:

cozinha é uma estrutura, um estado de ânimo, um conjunto de regras, uma soma de técnicas, um meio de afirmar a própria identidade cultural, uma forma de nutrir-se partindo do que é oferecido pelo ambiente ao redor.154

Vale ressaltar que especialmente no caso das cozinhas associadas ou derivadas de práticas religiosas, o modo de preparo, bem como quem pode preparar e quando, revela hierarquias e dinâmicas sociais. No hinduísmo, por exemplo, “diferenças entre castas acarretam tabus ao se comer comidas preparadas por alguém de castas inferiores, por isso há uma demanda por Brâmanes [casta superior] que queiram ser cozinheiros”.155

Também quanto a métodos de cocção existem regras: assado, frito, cozido têm seus momentos mais apropriados, segundo aquilo que significam, como relata Levi-Strauss entre os Caingang:

Os Caingang do Brasil proíbem carne cozida a viúvos e viúvas e a qualquer um que tenha matado um inimigo recentemente. Em todos estes casos, a prescrição de carne cozida acompanha um apego afetivo, a prescrição de assados, um relaxamento dos laços familiares e sociais.156

De acordo com Montanari, os métodos de cozimento, desde o início já demonstravam indícios de uma divisão das atividades por gênero. Ele explica que o assado encontra-se muito mais “ao lado da ‘natureza’ e do ‘selvagem’, uma vez que não exige outros meios além do fogo, sobre o qual a carne cozinha violenta e diretamente”157, portanto muito mais masculino, especialmente por

fazer parte do “ritual” pós caça.

154 FOURNIER, D. A cozinha da América e o Intercâmbio colombiano. In: MONTANARI, M. (Org.), 2009, op. cit,.

p. 161.

155 LATHAM, J. E. e GARDELLA, P. In: JONES, L. (Org.) Encyclopedia of Religion. Farmington Hills: Thomson

Gale, 2005, p. 3168. Tradução do autor.

156 LEVI-STRAUSS, C. The Culinary Triangle. In: COUNIHAN, C. And ESTERIK, P. op. cit., p. 38. 157 MONTANARI, M. Comida e Cultura. São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2008, p. 78.

58 “O cozido, em vez disso, que ‘medeia’ por meio de água a relação entre fogo e comida exige o uso de um recipiente – artefato cultural – para conter e cozinhar as carnes tende a assumir significados simbólicos mais ligados à noção de domesticidade”,158 portanto, mais feminino.

Estes traços de comportamento, guardadas as devidas proporções, podem ser encontrados ainda hoje em nossa sociedade quando observamos em diversas culturas o ritual predominantemente masculino do churrasco enquanto a cozinha doméstica fica em grande parte sob responsabilidade das mulheres.

Os chineses também faziam distinção entre si e os mongóis pela forma de consumir os alimentos “valorizando o cozido em oposição aos modos selvagens dos mongóis de comerem alimentos crus e prescrevendo que apenas pedaços pequenos de alimentos devem ser levados à mesa, evitando o uso de facas.”159

[Outro] caso típico é o dos eremitas, que, com consciente coerência intelectual, assumem e às vezes ostentam um modelo de comportamento alimentar que representa a distância do mundo, e para tal finalidade exclui, antes de qualquer coisa, o uso do fogo e das práticas de cozinha, considerada fundamento da identidade civil. Mas ao fazerem isso, eles propõem um gênero diverso de cultura, uma utopia que olha para além do mundo.160

“Esta função de transformação [dos alimentos] pode ser preenchida também por outros elementos intermediários, que realizam um ‘cozimento’ simbólico: talheres, copos, pratos e, palavras...”161 A maneira se servir e de comer implica obrigatoriamente a representação de

valores. Alguns comem em mesas, outros sentados ao chão, uns com talheres, outros com as mãos tais como muçulmanos e hinduístas, demonstrando não um primitivismo, mas a crença numa natureza “sagrada” dos alimentos, que merecem, portanto, serem segurados com a mão. A faca é símbolo de violência, na pode estar à mesa, local de comensalidade e comunhão.

Há culturas em que os mais velhos comem primeiro, outras nas quais as crianças são alimentadas antes. As refeições, em algumas culturas, se fazem normalmente a sós; em outras, com o grupo familiar ou com toda a comunidade [...] certos assuntos podem ser mencionados à refeição, outros são tabu e muitas vezes se exige silêncio.162

158 Ibid., p. 79.

159 DORIA, C. A. op. cit., p. 55.

160 MONTANARI, M. 2008, op. cit., p. 71. 161 RODRIGUES, J. C. op. cit., p. 68.

59 Desse modo,

exatamente como a linguagem, a cozinha [do preparo ao serviço dos alimentos], contém e expressa a cultura de quem a pratica, é depositária das tradições e das identidades do grupo. Constitui assim, um extraordinário veículo de autorrepresentação e de comunicação.163

Em suma, não se pode converter um leão ao vegetarianismo, nem tampouco um coelho ao carnivorismo, ambos possuem sua alimentação condicionadas por seus respectivos programas inatos, contudo no caso do ser humano, onívoro, que não mais consegue viver sem simbolizar tudo que o cerca, mas ainda encontrando-se subordinado, em boa parte à sua condição animal, porém com possibilidade de alterar seus programas inatos; comer ou não comer, bem como a forma de comer certas coisas, significa incorporar, transmitir e/ou reforçar valores.

Tanto é a alimentação uma atividade expressiva que a antropofagia parece ter sido muito raramente praticada com fins pura ou fundamentalmente alimentícios. A rigor, talvez nunca tenha sido assim praticada porque nenhuma alimentação humana é apenas instrumental.164

Belgede FAALIYET RAPORU 2021 (sayfa 76-79)

Benzer Belgeler