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“İşletme birleşmelerinde yapılan değişiklikler”;

Belgede FAALIYET RAPORU 2021 (sayfa 80-86)

692021 Faaliyet Raporu

TFRS 3 “İşletme birleşmelerinde yapılan değişiklikler”;

Conforme vimos anteriormente, o homem passou a viver não apenas da realidade crua e concreta, mas através do desenvolvimento da mente que adquiriu formas variadas de explica-la, bem como de recria-la através dos conceitos que extraía de uma esfera e aplicava noutra.

A mente consciente capacitou os humanos a repetir o leitmotiv da regulação da vida por meio de um conjunto de instrumentos culturais – troca econômica, crenças religiosas, convenções sociais e regras éticas, leis, artes, ciência, tecnologia.165

Desse modo o homem cria sistemas de símbolos de onde nasce sua visão de mundo, com o tempo, esta visão, construída a partir da interpretação de algo real, torna-se tão real quanto,

163 MONTANARI, M. 2009, op. cit., p. 11. 164 RODRIGUES, J. C. op. cit., p. 66. 165 DAMASIO, A. op. cit., p.82.

60 passando a modelar pensamentos e ações. Portanto, entendemos a religião como um sistema simbólico com função de interpretar, representar e, portanto, criar um mundo.

Muitos são os sistemas simbólicos que podem gerar comportamentos cooperativos: a filosofia, através da moral e da ética, a psicologia através do trabalho dos conteúdos emocionais do indivíduo, o direito através do sistema penal, também podem moldar o homem pelo processo de recompensa-custo. Resta-nos pensar, então, o quão diferente é a religião de outros sistemas simbólicos, já que todos os sistemas simbólicos podem construir uma realidade, e moldar o homem. Tais sistemas têm a vantagem de serem comprováveis lógica e/ou empiricamente, e também a desvantagem de serem desarticulados diante de boa argumentação lógica ou evidência empírica, enquanto a religião não possui nem a vantagem da prova lógica ou da evidência empírica, porém, nem a vulnerabilidade à desarticulação por nenhuma das duas maneiras, podendo “até mesmo contradizer a razão comum e a experiência cotidiana, pois não necessita destes suportes.”166 Os “Postulados religiosos e axiomas são tomados como verdade sem que

sejam provados.”167 Por vezes, “afirma-se tacitamente que a compreensão mundana deve ser

deixada de lado para que os postulados religiosos sejam compreendidos.”168, colocando-os numa

ordem especial de compreensão que não segue a lógica convencional, mas que a transcende. “A verdade religiosa não pertence á mesma classe das verdades lógicas ou empíricas”169, não pode

ser comprovada objetivamente, mas deve ser acreditada para que exista e tenha efeito. “A falta de lógica das religiões não é uma fraqueza nelas, mas sua força essencial.”170 Acredita-se ou não

num postulado religioso, entretanto, não se pode afirmar que seja falso. E para quem acredita há um peso de autoridade, de absoluto, “a inquestionabilidade é uma propriedade do discurso religioso.”171

Analisando a relação entre homem e religião a partir do ponto de vista evolucionista, podemos afirmar que a religião exerce sobre o homo sapiens um papel “domesticador”. A religião pode tanto reforçar certos programas inatos que favorecem a sobrevivência como oferecer condições para o descondicionamento em relação a programas que privilegiam apenas o indivíduo e que

166 RAPPAPORT, R. op. cit., p. 289. 167 Ibid., p. 287.

168 Ibid., p. 288. 169 Ibid., p. 304.

170 WILSON, E. O. A Conquista Social da Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 313. 171 Ibid., p. 297.

61 possam atrapalhar a cooperação do grupo. Tanto isso é verdade que a seleção natural parece ter privilegiado os seres capazes de crenças religiosas: “a seleção natural favoreceu o surgimento de uma psicologia que acredita no sobrenatural e se dedica a dispendiosas manifestações dessa crença.”172

“Ao se empenhar no ritual, o indivíduo está dizendo: “‘Identifico-me com o grupo e acredito naquilo que lhe é caro.’”173 Rituais dispendiosos em termos físicos ou de recursos, materializam

a intenção do indivíduo ou do grupo.

Entre tais manifestações encontramos muito frequentemente práticas associadas à alimentação. Estes dispêndios apresentam-se na forma de oferendas de alimentos a entidades sobrenaturais, sacrifícios de animais aos mesmos, jejuns severos que custam, por vezes a vitalidade do corpo ou banquetes oferecidos por aqueles que nem sempre são abastados.

A predisposição à crença religiosa é a forca mais complexa da mente humana e muito provavelmente constitui uma parte inextirpável da natureza do homem [...] Ela é um dos aspectos universais do comportamento social e assume forma reconhecível em todas as sociedades, desde os bandos de caçador-coletores até as repúblicas socialistas. Seus rudimentos datam de pelo menos os altares de osso e os ritos funerários do homem de Neandertal. Em Shanidar, no Iraque, sessenta mil anos atrás o povo de Neandertal decorou um túmulo com sete espécies de flores que tinham valor medicinal e econômico, talvez em honra de um feiticeiro. Desde essa época, segundo o antropólogo Anthony F. C. Wallace,a humanidade criou cerca de 100 mil religiões.174

Falar sobre esta função domesticadora da religião não é, porém, tentar simplificar ou reduzir a religião a apenas um processo condicionante, até porque “a religião é uma das principais categorias de comportamento, inegavelmente específica da espécie humana,” 175 mas é,

especialmente, destacar suas propriedades educativas.

Algumas frequências gênicas são alteradas pela seleção eclesiástica de maneira sistemática. Os genes humanos programam o funcionamento dos sistemas nervoso, sensorial e hormonal do corpo, e dessa forma quase certamente influenciam o processo de aprendizagem. Eles restringem a maturação de alguns comportamentos e as regras de aprendizagem de outros. Os tabus de incesto, os tabus em geral [incluindo os alimentares], a xenofobia, a dicotomização dos objetos em sagrados e profanos, o nosismo, os sistemas de dominação hierárquica, a atenção intensa para com lideres, o

172 SOSIS, R. O valor do ritual religioso. Revista Viver: Mente & Cérebro. São Paulo: Editora Abril, 2005, p. 41. 173 SOSIS, R. op. cit. p. 42.

174 WILSON, E. O. op. cit., p. 169. 175 Ibid., p. 175.

62 carisma, o trofismo e a indução de transe acham-se entre os elementos do comportamento religioso que mais provavelmente estão sujeitos a modelagem pelos programas de desenvolvimento e pelas regras de aprendizagem. Todos esses processos agem no sentido de circunscrever um grupo social e agrupar seus membros numa aliança inquestionável.176

Se por um lado o homem apresenta, apesar de toda sua capacidade intelectual, comportamentos animalescos, autômatos, subjugados aos seus instintos, por outro, as diversas religiões, cada uma à sua maneira, parecem ter tido o propósito de ensiná-lo a controlar, educar e até mesmo sublimar tais instintos de modo que o ser humano pudesse se tornar mais cooperativo e assim aumentar as chances de sobrevivência.

Práticas religiosas podem ser vistas como conferindo vantagens biológicas [...] e os genes que as favorecem foram evidentemente selecionados [...] sociedades praticantes de religiões têm muito mais propensão à sobrevivência do que as que não praticam.177

o principal benefício adaptativo da religião é sua capacidade de facilitar a colaboração no interior do grupo em relação a atividades fundamentais em nossa história evolutiva, como a caça, divisão do alimento, defesa contra ataques e organização para a guerra. Mas embora todos ganhem com a cooperação, este ideal é difícil de ser coordenado e alcançado. O problema é que o individuo ganhará ainda mais se todos colaborarem e ele ficar em casa descansando. A cooperação exige mecanismos sociais que impeçam as pessoas de tirarem proveito sem participar dos esforços dos outros. [...] a religião é um desses mecanismos.178

Entre os animais, a cooperação é uma função geneticamente programada, com objetivo de assegurar a continuidade da espécie através dos genes que serão carregados à diante em oposição à breve existência do individuo. Todavia, no ser humano, onde muitos dos programas inatos podem ser voluntariamente interrompidos, são necessários meios simbólicos que promovam tais ações, uma espécie de reprogramação. Neste sentido, a religião exerce papel fundamental, uma vez que seus conteúdos refinam as relações, favorecem a cooperação e, portanto a ação sistêmica, aumentando as chances de permanência, tanto do grupo como do indivíduo. Portanto, não importa se o conteúdo religioso é verdadeiro ou não, o que importa é que seja acreditado o

176 Ibid., p. 177.

177 WILSON, E. O. apud: VERKAMP, B. J. The Evolution of Religion. A Re-examination. New York: University of

Scranton Press, 1995, p. 129. Tradução do autor.

63 suficiente para construir socialmente a realidade. “As crenças são realmente mecanismos propiciadores da sobrevivência.”179

Já em sua natureza biológica “os seres humanos buscam o que percebem ser recompensas e evitam o que percebem ser custos”180, e “para obter uma recompensa, as pessoas aceitam

custos”181; logo, a realidade construída através de sistemas simbólicos apresenta dinâmicas de

recompensas e custos.

A religião pode oferecer as mais diversas recompensas (vantagens), sendo as mesmas concretas ou abstratas e talvez até inalcançáveis no momento ou inexistentes, tais como a vida após a morte ou a reencarnação. Podemos colocar como exemplos de recompensa: felicidade, prosperidade, saúde, cura, salvação, amparo emocional, adiamento da morte, integração social (inclusive com entes já falecidos ou divindades), etc. Para cada recompensa o homem dispõe-se a pagar certo valor, despender certo custo. Logo, se ele acredita que um Deus pode lhe trazer a recompensa desejada estará disposto a sujeitar-se a certas condutas, certos sacrifícios, que de outra forma não faria. “A religião é acima de tudo um processo pelo qual indivíduos são persuadidos a subordinar seus próprios interesses imediatos aos interesses do grupo.”182

Podemos dizer que certos custos revestem-se simbolicamente de valores como solidariedade, caridade, desapego, ação social, ecologia, resignação, autossacrifício, negação ao hedonismo e à sensualidade, obediência, autocontrole físico e emocional, temperança, humildade, gratidão, perdão e tolerância pelo menos entre os membros do próprio grupo e, todas as condutas que se possa nomear de observação e aprimoramento de si mesmo.

Para que estes valores encontrem campo fértil, entretanto, o primeiro e mais fundamental valor a existir é a fé. Há o sacerdote e os outros membros para vigiá-lo, ensiná-lo, educá-lo, mas há também outros seres invisíveis a quem deve algum tipo de reverência, obediência ou que acredite manter relações de troca. Uma pessoa que crê firmemente em algum tipo de punição ou destino de sofrimento após a morte pensará duas vezes antes de cometer algo tido como ilegal ou imoral segundo o sistema de crença que adotou; ou ainda, infringindo tais regras, poderá sentir-se

179 WILSON, E. O. op. cit., p.3.

180 STARK, R. e BAINBRIDGE, W. S. op. cit., p. 37. 181 Ibid., p.38.

64 culpado e poderá tentar redimir-se de forma pública ou íntima, gerando comportamentos afins, expressos, muitas vezes, através da prática de oferendas e sacrifícios.

É claro que o ser humano, bem como outras espécies, pode falsear intenções, ou pode ainda estar buscando outros compensadores, mas a participação em rituais (forma especial de comunicação) diminui consideravelmente esta possibilidade, afinal, certos rituais são bastante custosos, para que deles se participe sem que se tenha uma boa motivação. Muitas religiões implicam certos “sacrifícios”, tais como vestir-se de determinada maneira, horas de dedicação, punições, abdicações, restrições alimentares severas, entre outros. Ninguém sustenta tais ações se não tiver um propósito ou acreditar em algo que compense tais dispêndios.

Belgede FAALIYET RAPORU 2021 (sayfa 80-86)

Benzer Belgeler