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Kaplama Karakterizasyonu 36 

6. DENEYSEL ÇALIŞMALAR

6.4 Kaplama Karakterizasyonu 36 

Como dito anteriormente, a laicidade entendida modernamente como iniciada na França do século XVIII, inicia sua caminhada fundamentada com o descontentamento da sociedade em relação aos privilégios concedidos à nobreza e ao clero. A Revolução Francesa inicia um período difícil para a Igreja Católica na França, porque dentre os ideais iluministas havia sentimentos contrários ao clero católico, mas também um sentimento antirreligioso, visto como avanço da compreensão humana do mundo à sua volta, sem a necessidade de explicações sobrenaturais. A laicidade francesa é resultado da passagem do Estado Monárquico Francês para a República Francesa, que foi se consolidando como país referência dos Direitos Humanos, enquanto o conceito de laicidade foi evoluindo juntamente com a República. Seu processo de separação entre Estado e Igreja inicia-se com a Constituição Civil do Clero, datada de 1790, que definiu uma nova ordem eclesiástica, com os clérigos passando a condição de “funcionários públicos eclesiásticos”, com a perda de todos os direitos feudais e privilégios que a Igreja detinha, dentre os quais o mais importante foi a extinção do dízimo, configurado como uma espécie de tributo devido por todos à Igreja.

O processo iniciado em 1790, retirando poderes políticos, e por que não dizer, religiosos, vai se consolidando, e com a Concordata de 1801, o estado francês desfere mais um golpe assumindo o encargo de realizar e validar dois institutos que caracterizavam o poder e influência da Igreja, o casamento e o registro civil de nascimentos e óbitos. Desta forma, a Igreja vai perdendo sua importância não somente no contexto mais amplo em relação ao Estado, mas no sentido mais específico em relação à comunidade, que não mais precisa se submeter às vontades dos clérigos e às determinações da Igreja em relação a aspectos tão importantes de suas vidas. Isso permite um avanço mais efetivo do Estado contra a Igreja, e em 1882, a lei Jules Ferry estabelece como dever do Estado o oferecimento do ensino público e laico, o que implicava retirar das escolas o ensino religioso, segregando-o aos espaços e indivíduos ligados diretamente às funções essenciais da Igreja, fato que persiste até a atualidade e que caracteriza um dos aspectos da laicidade francesa. Entretanto, o rompimento definitivo entre o Estado e a Igreja se concretiza somente no início do século XX, quando o parlamento francês promulga o projeto de lei que determinava a separação das igrejas do estado francês, de iniciativa do deputado socialista Aristide Briand.

A lei promulgada em 1905, não somente impõe a separação definitiva entre Estado e Igreja, como determina a extinção da Concordata de 1801, uma vez que, essa lei apesar de ter destinado ao Estado a incumbência da realização do casamento e registro civil das pessoas naturais, garantia um sistema de cultos reconhecidos, abolidos com a vigência da nova lei. A partir de 01 de janeiro de 1906, em seu artigo primeiro institui a liberdade de consciência religiosa e livre exercício de culto. “ARTICLE PREMIER. - La République assure la liberté de conscience. Elle garantit le libre exercice des cultes sous les seules restrictions édictées ci- après dans l'intérêt de l'ordre public”.(ASSEMBLÉE NATIONALE, 2013a12). A instituição da liberdade de consciência e culto, seguida da ressalva de possíveis intervenções estatais por interesse da ordem pública, demonstra a supremacia dos interesses do Estado sobre os interesses religiosos. Desse modo, a laicidade francesa, diferentemente de outras, assegura ao Estado instrumentos legais que possibilitam políticas de exceção, capazes de limitar os direitos das instituições religiosas a qualquer momento, pois o texto ambíguo e genérico amplia de forma ilimitada as possibilidades de intervenção estatal nas causas religiosas.

A laicidade francesa, garantida pela lei de 1905, que resguarda e assegura ao cidadão o direito de optar em ter ou não uma religião, é concebida como construtora de uma sociedade livre, onde os direitos e as garantias fundamentais devem ser respeitados a todo custo. Mas, diante de uma análise mais cuidadosa da lei em questão, se pode notar que na realidade os direitos fundamentais são assegurados de forma relativa, e por que não dizer, de modo paradoxal. Ao instituir a possibilidade de intervenção estatal nos domínios religiosos com a justificativa de “manter a ordem pública”, a lei francesa que permite ao cidadão a livre escolha religiosa, pode a qualquer momento e sem quaisquer explicações, impedir o exercício da fé. Nesse caso, sempre a critério do Estado, e somente dele, atos religiosos que sejam vistos como ofensivos, perniciosos ou incompatíveis com os interesses estatais, compreendidos como àqueles que endossam e sustentam laicidade, que nesse caso está mais ligada à uma subordinação da religião ao Estado, do que a proteção contra a ingerência religiosa no cotidiano da sociedade.

Inicialmente, a exemplo do artigo primeiro, o artigo segundo da lei francesa, com redação mais abrangente, reafirma a separação Estado/Igreja ao declarar que a república não reconhece, assalaria ou subsidia qualquer religião. A auto afirmação do Estado passa pela negação do reconhecimento das religiões, deixando claro que no estado francês as religiões estão confinadasao lugar determinado pelo Estado, porém, com uma análise mais aguçada se

12 Tradução livre do autor: Artigo Primeiro - A República garante a liberdade de consciência. Ela garante a liberdade de culto, sujeito apenas às restrições impostas na sequência do interesse da ordem pública.

percebe mais uma vez, que a laicidade francesa utiliza um jogo de poder onde o simbolismo de um estado forte sobrepõe sua vontade sobre as religiões, que são toleradas em razão de uma “preocupação” com o bem estar dos cidadãos franceses e nada mais.

ART. 2.- La République ne reconnaît, ne salarie ni ne subventionne aucun culte. En conséquence, à partir du 1er janvier qui suivra la promulgation de la présente loi, seront supprimées des budgets de l'État, des départements et des communes, toutes dépenses relatives à l'exercice des cultes. Pourront toutefois être inscrites auxdits budgets les dépenses relatives à des services d'aumônerie et destinées à assurer le libre exercice des cultes dans les établissements publics tels que lycées, collèges, écoles, hospices, asiles et prisons. Les établissements publics du culte sont supprimés, sous réserve des dispositions énoncées à l'article 313.(ASSEMBLÉE NATIONALE, 2013a).

O artigo segundo em sua peculiaridade determina que os valores empregados pelo Estado para a garantia dos exercícios dos cultos religiosos, deixem de fazer parte dos orçamentos dos estados, departamentos e municípios a partir da vigência da lei em 01 de janeiro de 1906, extinguindo os últimos elementos que fundiam em uma só as funções de Estado e Religião, as instituições públicas de culto. A parte final do artigo é esclarecedora para o entendimento do posicionamento estatal como desinteressado dos aspectos e valores religiosos, mas muito atento para as necessidades de seus cidadãos, garantindo mesmo em espaços públicos, isentos da sombra da religião, serviços de capelania nas escolas, hospitais, presídios, asilos, faculdades e instituições públicas, que nesse caso podem ser subsidiadas pelo orçamento estatal.

O fato é que a laicidade francesa é caracterizada pela compreensão de que a presença de um Estado forte é a melhor forma de proporcionar ao cidadão o entendimento, sobre qual é o lugar destinado ao ser humano no domínio do mundo à sua volta, razão pela qual o Estado assume a incumbência da formação acadêmica, eliminando toda e qualquer interferência religiosa tida como negativa para o desenvolvimento do intelecto humano. Na verdade, esse posicionamento do Estado francês, arraigado no nacionalismo, tem como fundamentação não somente “eclipsar” a religião,mas se posicionar ele mesmo como uma religião.

Por eso cuando el nacionalismo se afirma de forma historicamente regressiva y muestra su dimension etnicista y excludente, cuando destrona a la religión dogmática e intolerante y se autoconsagra como “el dios de la modernidade” que impone su verdade y la salvación a la sociedade, entonces se convierte em la mayor amenaza a la laicidad14. (VELASCO, 2006, p.22).

13 Tradução livre do autor: A República não reconhece, pagar ou subsidiar qualquer religião. Como resultado, a partir de 1 de Janeiro seguinte à promulgação desta Lei, deve ser retirado dos orçamentos estaduais, departamentos e municípios, todas as despesas relacionadas com o exercício da religião. No entanto pode ser registrado para esta despesa orçamental em serviços de capelania e garantir o livre exercício da religião nas instituições públicas, como escolas, faculdades, escolas, hospícios, asilos e prisões. As instituições públicas de religião são removidas, sem prejuízo do disposto no artigo 3.

14 Tradução livre do autor: Assim quando o nacionalismo se afirma de forma historicamente regressiva e mostra sua dimensão etnocêntrica e excludente quando destrona a religião dogmática e intolerante e se autoconsagra

Esse posicionamento conflitante entre a afirmação do poderio estatal como mantenedor da vida em sociedade, que ao mesmo tempo permite e proíbe o livre exercício da fé religiosa, foi notado nas manifestações e discussões mais recentes a respeito dos diversos assuntos que envolveram a França em conflitos sociais, demonstrando que o entendimento sobre o lugar do Estado e da Religião na sociedade francesa não estão tão delimitados quanto se imagina. As recentes controvérsias a respeito do direito estatal em proibir o uso do véu nas escolas, considerado como ostentação de símbolo religioso em espaço laico, chocou-se com o princípio do direito à educação e ao trabalho, alijando as mulheres muçulmanas desses direitos fundamentais e, consequentemente, o exercício de sua cidadania.

Em dezembro de 2003, o então presidente francês Jacques Chirac se pronunciou publicamente a respeito do uso do véu pelas mulheres islâmicas, nos espaços públicos: “A laicidade é a pedra fundamental da República, é o conjunto de nossos valores comuns de respeito, tolerância e diálogo"(BBC BRASIL, 2013). A declaração de Chirac foi recebida como uma manifestação de apoio à aprovação de uma lei específica para proibição de símbolos religiosos nas escolas do país. O contexto do discurso de Chirac, em relação ao uso do véu, foi fundamentado, não somente na proibição do uso de um símbolo religioso no espaço laico e sim, por ele representar não somente uma determinada expressão religiosa, mas pelo fato de representar a opressão da mulher muçulmana, por seus pais e esposos, que as obrigariam cobrir seus corpos.

O discurso de Chirac apresenta uma manobra linguística carregada de simbolismos que trazem à tona e para a discussão sobre a proibição dos símbolos religiosos, elementos que não deveriam compor o debate a respeito do tema. O uso e exploração da violência masculina, sobre as mulheres muçulmanas, teve como objetivo desviar o foco da real causa para a proibição do uso do véu em espaços públicos franceses, o receio de que terroristas colocassem em prática ataques em território francês, valendo-se do uso do véu, receio intensificado após os ataques às torres gêmeas do World Trade Center. Outro discurso carregado de simbolismo que na realidade representa mais a defesa de um de um estado opressor que democrático foi o do sindicalista e professor Jean-Louis Biot:

As escolas francesas aceitam estudantes de qualquer origem e religião. O fato de não usar símbolos religiosos é uma condição importante para que eles aprendam a viver juntos com suas diferenças, mas sem fazer com que isso incomode outros alunos que não tenham a mesma escolha religiosa. (BBC BRASIL, 2013).

como “o deus da modernidade” que impõe sua verdade e a salvação da sociedade, então se converte na maior ameaça à laicidade.

Como se vê, o discurso de Biot está repleto de simbolismos, construídos para formar uma conscientização popular sobre o uso de quaisquer símbolos religiosos, como agressão àqueles que não professam a mesma fé, criando a forte ilusão de que abdicar desses elementos é o puro exercício da verdadeira tolerância. Na realidade esse discurso em conjunto com o do presidente Jacques Chirac, mostra-se contrário ao estabelecido pelo princípio da laicidade francesa, caracterizada pela defesa das liberdades e consciência individuais, dentre elas o exercício da religiosidade sem a interferência estatal, como garantia fundamental do exercício da cidadania. Atribuir à proibição do véu como luta empreendida pelo estado francês pela liberdade e direitos femininos das mulheres muçulmanas, como forma de manter incólume a identidade francesa, seria compreensível se o estado francês estivesse empreendendo os mesmos esforços para coibir a exposição do corpo feminino em trajes sumários, como objeto de desejona grande mídia.

A questão da eliminação dos símbolos religiosos dos espaços públicos franceses se apresenta, na realidade, como uma forma de intolerância religiosa, pois ao que parece, existe grande confusão na aplicação dos princípios laicos. Na França, o conceito de espaço público é bem abrangente compreendendo não somente as repartições públicas de modo geral, mas também, os parques, as ruas, as praças e os estádios dentre outros, o que significa que são poucos os locais onde se pode exercer a “liberdade de religião”. Esse quadro demonstra que a laicidade francesa na realidade aplica uma verdadeira vedação ao livre exercício de consciência e religião, pois o que se verifica na prática do dia a dia, é uma segregação das religiões a lugares privados como residências, templos e retiros espirituais, o que configura uma política discriminatória do Estado contra as Religiões e seus adeptos, em especial, às mulheres muçulmanas. Essas foram atingidas diretamente em seus usos e costumes religiosos pela lei promulgada em 13 de julho de 2010, legalmente conhecida como a lei que proíbe a ocultação da face no espaço público, popularmente conhecida como a “Lei do Véu”, que apresenta elementos que permitem, sem muitos esforços ao cidadão comum, a compreensão de que o objetivo da lei é somente proibir o uso do véu com fins religiosos, diz a referida lei: “Article 1er Principe selon lequel Nul ne peut, dans l’espace public, porter une tenue destinée à dissimuler son visage15”.(ASSEMBLÉE NATIONALE, 2013b).

Analisando as disposições legais do artigo primeiro da “Lei do Véu”, se depreende que toda e qualquer pessoa que utilizar roupas com a manifesta intenção de cobrir seu rosto em espaço público, incorrerá nas penas previstas por seu descumprimento. A manipulação da

15Tradução livre do autor: "Artigo 1 º O princípio de que ninguém pode, no espaço público, usar roupas com intenção de esconder sua identidade"

linguagem empregada na lei ordinária determinando que “nenhuma pessoa pode” esconder sua fisionomia em espaços públicos, gera um sentimento de que a motivação de sua criação é a manutenção da ordem pública e paz social, contra tudo e todos. Entretanto, uma análise mais apurada da lei como um todo e em especial do artigo segundo, incisos I e II, corroboram o entendimento de que a lei, possuindo em sua origem destinatários próprios, sob o argumento da proteção da sociedade, foi pensada com fins específicos de proibir o “Véu Islâmico”.

Article 2

I. – Pour l’application de l’article 1er, l’espace public est constitué des voies publiques ainsi que des lieux ouverts au public ou affectés à un service public. II. – L’interdiction prévue à l’article 1er ne s’applique pas si la tenue est prescrite ou autorisée par des dispositions législatives ou réglementaires, si elle est justifiée par des raisons de santé ou des motifs professionnels, ou si elle s’inscrit dans le cadre de pratiques sportives, de fêtes ou de manifestations artistiques ou traditionnelles16.(ASSEMBLÉE NATIONALE, 2013b).

Como já dito anteriormente, o estado francês considera público todos os locais onde as pessoas podem socializar e não somente as repartições públicas, motivo pelo qual, toda e qualquer vestimenta que cubra o rosto deveria ser banida da sociedade francesa, entretanto, não é bem assim. O inciso segundo do artigo segundo apresenta algumas situações onde cobrir o rosto é considerado como excludente da tipicidade penal, pelo princípio da adequação social17, o que significa dizer que o Estado determina quais as situações em que cobrir o rosto deve ser considerado como princípio legal de sobreposição dos direitos individuais sobre os direitos coletivos, e o uso dos símbolos religiosos não está elencado entre eles. Cobrir o rosto com máscaras destinadas a impedir o contágio por doenças infectocontagiosas, transmissíveis pelo ar, é de fato importante e abrange uma área específica da atuação estatal para o bem estar da comunidade, todavia, no que difere cobrir o rosto por questões profissionais, artísticas, esportivas ou religiosas?

A “Lei do Véu” possui claramente elementos de intolerância religiosa, e por essa razão, é vista com descrédito por aqueles que pensam a laicidade como elemento sócio- político de interação social, que determina ao Estado uma posição neutra e imparcial em relação às religiões, permitindo suas manifestações em espaços privados e, principalmente públicos, como método para convivência e tolerância entre os povos, como parte de uma política voltada à questão das diversidades sociais e culturais como forma de integração

16 Idem: artigo 2 º I. - Para os efeitos do artigo 1 º, o espaço público é composto de vias públicas e lugares abertos ao público ou utilizado para um serviço público. II. - A proibição prevista no artigo 1 º não se aplica se a conduta é exigida ou autorizada por lei ou regulamento, caso se justifique por razões de saúde ou profissionais, ou se ela faz parte parte das atividades esportivas, festas ou eventos artísticos ou tradicionais.

17 Excludente da tipicidade penal é uma figura jurídica que interpreta restritivamente os elementos que caracterizam o crime. O princípio da adequação social, como o princípio da insignificância e princípio da teoria do domínio do fato, são os elementos que possibilitam a interpretação restritiva. (MOREIRA, 2001).

nacional. A crítica à “Lei do Véu”, como elemento de discriminação religiosa, é reforçada pelo entendimento de que na realidade ela seria dispensável, pois além da permissão de trajes que cubram o rosto dos cidadãos que não estejam reforçando sua religião por seus usos e costumes, uma lei anterior já proibia o uso de símbolos ou roupas que denotassem quaisquer filiações religiosas, nas instituições de ensino público. A lei 2004-228 de 15 de março de 2004 tem a seguinte redação:

Article 1 II est insere, dans le code de l’éducation, après l’article L.141-5, um article L. 141-5-1 ainsi rédigé: Art. L. 141-5 Dans les écoles, les collèges et les lycées publics, le port de signes ou tenues par lesquels les élèves manifestent ostensiblement une appartenance religieuse est interdit.Le règlement intérieur rappelle que la mise en oeuvre d'une procédure disciplinaire est précédée d'un dialogue avec l'élève18. (LEGIFRANCE, 2013).

Com se nota, a lei 2004-228 traz em seu bojo elementos constitutivos da laicidade francesa, extirpando não somente as influências religiosas do âmbito acadêmico, mas toda e qualquer ilação a respeito. O caso do “véu islâmico” amplia não somente as discussões sobre os princípios laicos, mas também, os estudos sobre quais fronteiras avançaram e quais recuaram desde a “invenção francesa” que iniciou a laicidade e a exportou para terras distantes e sem vínculos como os franceses (BAUBÉROT, 1997, p. 2089).

Os estudos e a compreensão da laicidade francesa foram, e continuam sendo, colocados à prova sob os mais variados aspectos. Com a criação da comunidade comum europeia, o “livre trânsito” entre os estados-membros acirrou os sentimentos xenófobos do povo francês, que em conjunto com desemprego e outras questões políticas, colocaram a França sob vários protestos. Esse fenômeno é importante para o estudo da laicidade francesa, uma vez que, seus contornos desempenham papel fundamental nas políticas públicas, voltadas na realidade não para o bem dos cidadãos franceses e sim, para a manutenção de um estado que sempre detém a última palavra.

Recentemente no ano de 2012, as políticas xenófobas de imigração implantadas por Nicolas Sarkozy, demonstram que os princípios laicos de igualdade, fraternidade e liberdade valem somente quando utilizados em prol do Estado. A frase utilizada por Sarkozy “há imigrantes demais na França”( UOL NOTÍCIAS, 2012; VEJA, 2013) pode ser ampliada para “há religião demais no Estado”, sinalizando o incômodo do estado francês em relação as religiões, como se houvesse um complô religioso preparado para aplicar um golpe de estado;

18 Tradução livre do autor: Artigo 1 II é inserido no Código de Educação, após a seção L.141-5, um artigo L. 141-5-1 como se segue: Art. L. 141-5 Nas escolas, faculdades e escolas públicas, o uso de sinais ou vestido pelo qual os alunos abertamente manifesto a afiliação religiosa é proibida. O regimento interno prevê que a implementação de um processo disciplinar é precedida por um diálogo com o aluno

a preocupação parece descabida. A última grande manifestação na França, em que houve

Benzer Belgeler