III. Mesîhî’nin Eserleri
1. BÖLÜM
3.2. Mesîhî Dîvânı’nda İstiâreler
3.2.1.2. Kapalı İstiâre
O Ministério do Trabalho e Emprego é o órgão do Poder Executivo Federal com mais atuação no combate à escravidão. Juntamente com a o Departamento de Polícia Federal, o MTE é responsável pela fiscalização ostensiva acerca do atendimento aos direitos dos trabalhadores, realizando ações nas quais identifica focos de trabalho escravo e toma as primeiras providências no sentido de dar a punição cabível aos infratores.
Em 1994, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal e o Ministério do Trabalho e Emprego firmaram um termo de compromisso no sentido de somar esforços para prevenir, reprimir e erradicar a prática de trabalho escravo, trabalho infantil, crimes contra a organização do trabalho e outras violências aos direitos e à saúde dos trabalhadores. O espírito do termo é exposto logo ao serem elencadas as obrigações dos signatários, vejamos:
Os órgãos signatários comprometem-se a:
a) comunicar, uns aos outros, o teor de todas as denúncias e representações que lhe seja formuladas, para que tenham encaminhamento específico e uniforme;
b) informar aos demais signatários sobre o resultado dos procedimentos de que tenham se desincumbido;
c) solicitar a atuação dos signatários, quando necessário, para ultimar providências que, por sua natureza, estejam afetas a atribuições restritas de cada um;
d) acompanhar o andamento das ações e dos procedimentos em curso, velando pela sua conclusão e adoção de medidas legais cabíveis;
e) implementar e manter um sistema único de informações e cadastro, possibilitando consultas permanentes entre os signatários e demais órgãos interessados;
f) designar, o âmbito de sua instituição, representante com atribuições específicas para o acompanhamento da execução deste Termo de Compromisso;
g) comunicar a órgãos não signatários deste Termo de Compromisso fatos que exijam sua atuação.24
A importância deste termo deve-se ao fato de o mesmo materializar uma soma de esforços do Poder Público no sentido de combater o trabalho escravo. O que mostra que é
24 Ministério do Trabalho e Emprego. Termo de Cooperação do Trabalho Escravo. Disponível em <http://www.mte.gov.br/trab_escravo/termo.pdf> Acesso 05 Mai. 2011.
uma questão que não está sendo deixada de lado. Cada signatário possui obrigações diferenciadas, de acordo com seu âmbito de atuação. Analisemos as incumbências do Ministério do Trabalho e Emprego:
1 – Ao Ministério do Trabalho incumbe;
a) Adotar providências de fiscalização sempre que tomar conhecimento de violação de direito assegurados aos trabalhadores, inclusive no que respeita à saúde e segurança, ou quando houver solicitação dos demais signatários;
b) Acompanhar e coadjuvar os demais signatários nas diligências e investigações que procederem, sempre que solicitado, adotando as medidas legais cabíveis, dentro da respectiva área de atuação;
c) Informar aos demais signatários sobre o resultado das ações que lhe forem especificamente solicitadas.25
Fica clara a posição do MTE de órgão fiscalizador executivo, cabendo ao mesmo proceder às fiscalizações necessárias ao tomar conhecimento de qualquer violação ao objeto do termo, inclusive as que forem comunicadas pelos demais signatários, assim como acompanhar os representantes dos mesmos quando estiverem praticando procedimentos próprios de investigação em suas áreas de atuação. Atividade prática do MTE, a ser posta como exemplo, é a manutenção do ranking do trabalho escravo, lista atualizada semestralmente com os estados campeões em casos de escravidão. O MTE mantém também a chamada “lista suja” do trabalho escravo, relacionando todas as empresas ou pessoas físicas flagradas cometendo o crime de trabalho escravo. Tal lista é reconhecida internacionalmente como um dos principais meios utilizados para combater o trabalho forçado no Brasil e acarreta como conseqüências principais a pressão da opinião pública e sanções econômicas. Quem possui o nome incluso na “lista suja” possui financiamentos e acesso a crédito suspensos em instituições federais.
Após a inclusão do nome do infrator na "lista suja", instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia (Basa), o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também são orientados a não concederem crédito aos relacionados na lista. Outras sanções econômicas são as restrições comerciais e o bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O nome do explorador
25 Ministério do Trabalho e Emprego. Termo de Cooperação do Trabalho Escravo. Disponível em <http://www.mte.gov.br/trab_escravo/termo.pdf> Acesso 05 Mai. 2011.
passa dois anos na lista, após esse prazo o mesmo deve comprovar que regularizou sua situação e quitou as pendências trabalhistas sob pena de permanecer na lista.
Vejamos agora o que cabe ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Trabalho:
2 – Ao Ministério Público Federal incumbe:
a) Utilizar os instrumentos legais de sua atuação, previstos nos artigos 6º 7º e 8º da Lei Complementar nº 75/93, em prol dos objetivos do presente Termo de Compromisso, especialmente os seguintes:
1) inquérito civil e outros procedimentos administrativos;
2) ação civil pública, ação civil coletiva e outras ações necessárias ao exercício de suas funções institucionais, no âmbito da Justiça do Trabalho
b) representar ao órgão judicial competente, visando à aplicação de penalidades por infrações contra as normas de proteção à infância e à juventude, sem prejuízo da promoção da responsabilidade trabalhista do infrator, quando se tratar de trabalho de criança e adolescente;
c) expedir recomendações, visando à melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, bem como ao respeito a interesses, direitos e bens cuja defesa lhe caiba promover, fixando prazo razoável para a adoção das providências cabíveis;
d) requisitar à autoridade competente a instauração de procedimentos administrativos, acompanhá-los e produzir provas;
e) notificar os responsáveis pelo desrespeito aos direitos dos trabalhadores, para que tomem as providências necessárias a prevenir a repetição ou a cessação do desrespeito verificado;
f) adotar as providências previstas no Art. 8º incisos I a IX, da Lei Complementar 75/93;
g) divulgar, no âmbito do Ministério do Trabalho Público do Trabalho, os termos deste compromisso, bem como expedir às Procuradorias Regionais do Trabalho as instruções necessárias à sua implementação;
h) informar aos órgãos signatários sobre os procedimentos instaurados, bem como sobre as ações propostas pelo MPT, cientificando-os quando às medidas adotadas em cada caso.26
O Ministério Público é órgão independente, que possui a função de fiscal da lei em nosso ordenamento jurídico. Cabe a ele a defesa da sociedade em todos os níveis (cível, penal, trabalhista, tributário) e onde quer que haja o risco de violação de direitos atua o Parquet como custus legis. É ainda o titular da ação penal pública.
O termo de combate ao trabalho escravo, então, apenas estipula que cabe ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Trabalho, utilizarem suas prerrogativas legais na defesa dos objetivos do termo, além claro, de colaborar com os demais signatários com atitudes como a informação acerca de procedimentos instaurados e ações propostas pelo MPT.
O Ministério Público do Trabalho atua ao lado do judiciário no que toca o combate a essa chaga social. Por suas características e prerrogativas o MPT dispõe de dois
26 Ministério do Trabalho e Emprego. Termo de Cooperação do Trabalho Escravo. Disponível em <http://www.mte.gov.br/trab_escravo/termo.pdf> Acesso 05 Mai. 2011.
instrumentos principais para fazer com que os exploradores de mão-de-obra sejam responsabilizados na justiça: a ação civil pública e a ação civil coletiva.
A ação civil pública permite ao Órgão Ministerial postular, nos termos da Lei nº 7.347/1985, a condenação do explorador a pagar indenização que recomponha os danos causados ao trabalhador, assim como obrigá-lo a tomar medidas que levem à restauração da dignidade do trabalhador, bem como cessar aquelas que a ofendam. Já a ação civil coletiva, destina-se a responsabilizar o explorador por danos morais e materiais infringidos individualmente aos trabalhadores.
Vejamos, por fim, os dispositivos acerca da Polícia Federal:
4 – À Secretaria de Polícia Federal incumbe:
a) adotar providências de repressão sempre que tomar conhecimento de violação de direitos assegurados aos trabalhadores, ou quando houver solicitação dos demais signatários;
b) acompanhar e coadjuvar os demais signatários nas diligências e investigações que procederem, sempre que solicitado, adotando as medidas legais cabíveis, dentro da respectiva área de atuação;
c) informar aos demais signatários sobre o resultado das ações que lhe forem especificamente solicitadas;
d) articular-se com os órgãos policiais estaduais visando à instauração de inquérito policial, quando o assunto exceder suas atribuições;
e) organizar e manter um cadastro criminal específico, com dados empresariais e pessoais de interesse dos signatários do presente Termo de Compromisso.27
A Polícia Federal é órgão que possui a atribuição constitucional de exercer a segurança pública para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Destarte, tal como nas atribuições do Órgão Ministerial, é estabelecido apenas que cabe ao Departamento de Polícia Federal utilizar de suas obrigações legais no combate às práticas que o termo de compromisso visa coibir, associado à colaboração com os demais signatários. É importante salientar, ainda, a função de articular-se com os órgãos policiais estaduais, quando o objeto de alguma investigação extrapolar sua competência, além da manutenção de um cadastro criminal específico, com dados de interesse dos signatários.
O termo de compromisso, ora em análise, materializa uma intenção efetiva de criar uma rede de combate à exploração de trabalhadores, tendo alcançado bons resultados. No sítio do Ministério do Trabalho e Emprego constam dados de operações realizadas no ano de 2005, contabilizando 04 operações de combate ao trabalho escravo, com 97 trabalhadores encontrados em situação degradante, havendo o resgate de 84 deles. Registra, ainda, 68 autos de infrações lavrados e R$ 134.674,00 (cento e trinta e quatro mil, seiscentos e setenta e
quatro reais) de verbas rescisórias pagas. Há também registros acerca da libertação de 5.877 trabalhadores em 197 fazendas no ano de 2007.
Vários trabalhos estão sendo realizados, mas muitos ainda são necessários para garantir a proteção do trabalhador.