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2. ANADOLU SELÇUKLU DEVLETİNDE SERAMİK SANATI VE MİMARİ

2.2. Günümüze Ulaşmış Selçuklu Dönemi Çini Süslemeli Konya Yapılarından

2.2.2. Karatay Medresesi

2.2.2.1. Kapalı Avlu Pencere Kemer Köşelikleri

Os moradores da comunidade, com os quais entrei em contato, ao longo da realização da pesquisa quando questionados sobre a origem da comunidade, utilizaram- se alguns marcos para delimitá-la. Os moradores tiveram a intenção de apresentar os lugares apropriados pela comunidade e que apontam para o sentimento de pertencimento daquele grupo. Marcos esses importantes para a configuração sócio- territorial da Vila Santo Isidoro. Aqui, neste trabalho, o termo marco será utilizado para se referir aos lugares em que os moradores construíram um vínculo afetivo, como o

Córrego do povo, o Cruzeiro, a praça, a igreja, o museu, o engenho, a escola, o poço. Notou-se que tais marcos são mais do que referenciais locais, que assumem papel importante no território da comunidade e que estão associados à identidade. Nessa perspectiva, esses marcos podem fornecer dados acerca da experiência de indivíduos ou do grupo que foi construída ao longo do tempo e do espaço. E, por isso, podem ser identificados como símbolos importantes que contribuem para o sentimento de pertencimento a um lugar45. Nesse sentido,

[...] o lugar é uma unidade entre outras unidades ligadas pela rede de circulação; [...] o lugar, no entanto, tem mais substância do que nos sugere a palavra localização: ele é uma entidade única, um conjunto 'especial', que tem história e significado. O lugar encarna as experiências e aspirações das pessoas. O lugar não é só um fato a ser explicado na ampla estrutura do espaço, ele é a realidade a ser esclarecida e compreendida sob a perspectiva das pessoas que lhe dão significado. (TUAN apud HOLZER,1999, p.70).

Alguns marcos territoriais da comunidade foram construídos pelos moradores, outros fazem parte do meio ambiente natural, foram humanizados ao serem nomeados e utilizados por eles. Esses marcos fazem parte da história da Comunidade de Vila Santo Isidoro, e dão significados a muitas ações desenvolvidas naquele território, e são eleitos pelos membros da comunidade como lugares, objetos que constituem um conjunto complexo de símbolos que carregam aspectos relevantes sobre a comunidade propiciam a compreensão de quais são os marcos símbolos na Vila Santo Isidoro. A estruturação do espaço na comunidade, a partir da experiência vivida pelo indivíduo ou pelo grupo propicia a construção do vínculo afetivo pelo indivíduo ou pelo grupo (TUAN apud HOLZER, 1999, p.70).

Observam-se marcos no território que apontam para atividades realizadas no passado, mas que influenciam o cotidiano da comunidade: o museu, o engenho, o cruzeiro e o córrego do povo. Além disso, vê-se outros marcos que apontam para o presente, como a praça e a escola. Muitos dos marcos simbólicos estão localizados no núcleo principal da comunidade. Em relação aos marcos do passado, cada um deles será apresentado adiante. O primeiro se refere ao museu, espaço localizado próximo à igreja. Tal edificação é um espaço que possui diversas territorialidades, por ser utilizado com

45Neste trabalho não se procurou afunilar a discussão sobre a Categoria Lugar, no entanto, a categoria é

muito importante dentro dos estudos que buscam abordar uma visão simbólica e afetiva do espaço geográfico. Como estudiosos dessa temática têm-se: Werther Holzer, Yi-Fu Tuan, Salete Kozel, Fremont, entre outros.

funções diferentes, conforme aponta Sack (2013). Assim, utiliza-se o espaço como

museu ― a comunidade, aliada à escola, agrupou objetos que foram e são importantes

para o grupo. Esses objetos remetem ao modo de vida cultivado por antigos moradores. A partir da observação de tais objetos, é possível notar as inúmeras atividades que outrora estiveram presentes no cotidiano dos moradores, como, por exemplo, bateias, tear, panelas construídas em barro, vassouras construídas com materiais da região, pilão para socar milho, torrador de farinha, entre outros. Através do resgate desses objetos, a comunidade acredita que se pode valorizar o modo de vida que seus antepassados cultivaram.

Uma das atividades desenvolvidas no passado é a fiação de algodão utilizando- se o tear. Segundo Lúcia, moradora da comunidade, ela costumava fiar e vendê-lo.

Ainda acrescentou que “moça, vou falar com você. Eu criei meus meninos, com sete

dias de resguardo eu fiava para vender. O pessoal falava não pode fiar de resguardi, eu falava não posso passar é fome.” (Aposentada, ex-lavradora, fiandeira, 84 anos). As mulheres da comunidade juntavam-se em uma casa e praticavam a fiação de algodão; para a moradora, era uma atividade muito prazerosa, pois fiavam e cantavam. Ainda acrescentou que um de seus filhos, que mora e trabalha em São Paulo, costumava falar para jogar o tear fora, e ela o respondia dizendo que não poderia jogar os braços e as pernas dela fora, já que os seus filhos foram criados com o trabalho desenvolvido ali, ou seja, a fiação. Disse ainda ao filho que se jogasse o tear fora, teria de jogar os filhos

também: “Se eu criei vocês foi fiando e vendendo para comprar trem para vocês

comerem, é minha história; agora, eu vou jogar minha história fora? Jogo não, ela está velha, mas não jogo. Fica no meu quarto de dormir.” (Aposentada, ex-lavradora, fiandeira, 84 anos).

Além dessa atividade, praticava-se a mineração nos Rios Capivari e Araçuaí, e nos córregos próximos, com o instrumento denominado bateia. De acordo com (aposentada, 68 anos), após o trabalho na roça ela e o marido iam praticar a “lavagem de

areia”, isto é, procura por ouro de aluvião nos cursos d‟água. A moradora disse ter

conseguido lavar muito ouro e, quando chegava em casa, secava no fogo e guardava no papel para vender no centro de Berilo, pois já havia compradores para o ouro achado. Mas, geralmente, quem fazia esse trabalho eram as mulheres.

O espaço onde se construiu o museu também é utilizado para reuniões da associação da comunidade e para o ensaio da Banda Filarmônica de Santo Isidoro. Nas

fotografias 34 e 35, a seguir, estão representados objetos que pertenceram a pessoas da comunidade e que fizeram parte das atividades dos mesmos.

Foto 34: O Museu (Centro Cultural) Foto 35: Os objetos em exposição no museu (Centro Cultural)

Fonte: José Eustáquio, 2014. Fonte: José Eustáquio, 2014.

O engenho (FOTOS 36; 37) é um local considerado pela comunidade como um marco simbólico, dentre outros, pelos seguintes motivos por ser: local onde outrora se realizava a fabricação artesanal de rapadura e melado; local de uma atividade que, segundo os moradores, identifica-os como quilombolas. Há plantação de cana de açúcar próximo às margens do Rio Capivari, fruto utilizado no processo. O engenho presente na comunidade é movido por tração animal ― esse tipo de engenho é conhecido como trapiche. A produção da rapadura já se configurou como uma atividade importante na comunidade, porém, atualmente, a produção da rapadura ocorre apenas para o consumo próprio. Os moradores e os donos do engenho manifestaram interesse em retomar a atividade, com intuito de alcançar uma maior produtividade e, assim, contribuir para a vida econômica local. Contudo, para que esse processo se torne realidade seriam necessários investimentos no empreendimento.

Foto 36: A moenda da cana de açúcar Foto 37: A fabricação da rapadura

Fonte: José Eustáquio, 2012. Fonte: José Eustáquio, 2012.

O cruzeiro (FOTO 38) é outro marco simbólico eleito pelos moradores e faz referência ao passado da comunidade, isto é, ao período de formação do agrupamento. Ele fica na parte da frente da Igreja Católica de Santo Isidoro.

Foto 38: O Cruzeiro

Fonte: Própria autora,2014.

A Praça, um local de encontros, é onde convergem vários acontecimentos na comunidade. São alguns deles: o ponto de parada para o escolar que traz os professores e busca os alunos(FOTO 39); algumas aulas de educação física; o intervalo (recreio) escolar; as festas da comunidade;a existência do poço d‟água (FOTO 40).

Foto 39: A parada do ônibus na praça Foto 40: O poço artesiano na praça

Fonte: Própria autora, 2014. Fonte: Própria autora, 2014.

A igreja católica (FOTO 41) é outro marco simbólico muito representativo para a maioria da comunidade, que se intitula pertencente a essa manifestação religiosa. Essa valorização religiosa começa pelo nome do padroeiro da igreja, Santo Isidoro, que foi escolhido devido à prática da agricultura desenvolvida no local, e a comunidade recebeu o mesmo nome do padroeiro e passou a ser conhecida por Vila Santo Isidoro. Há algumas festas na comunidade de cunho religioso como a festa de Santo Isidoro, que ocorre no mês de setembro, e a festa de São João, que ocorre em junho. Os membros da igreja costumam participar de atividades religiosas que ocorrem no centro de Berilo e, geralmente, a banda filarmônica é convidada para tocar nesses eventos. Na comunidade quilombola de Vila Santo Isidoro, as ações desenvolvidas envolvem os sujeitos que circulam por outros espaços dentro comunidade. Por exemplo, alguns membros da comunidade que trabalham na escola têm grande envolvimento em atividades da igreja.

Foto 41: A igreja

Os marcos simbólicos apresentados neste subtópico ampliam a visão sobre a organização de alguns acontecimentos na comunidade quilombola. A dimensão simbólica, nessa perspectiva abarca o discurso daquilo que é importante para a comunidade, a partir da visão deles mesmos.

4.3.2 Outros aspectos que apontam para o modo de vida quilombola na Vila Santo

Benzer Belgeler