BÖLÜM 11 TBMM’NİN GÖREV VE YETKİLERİ
A. Kanun Hükmünde Kararnameler (KHK’ler) 1.Olağan Dönem Kanun Hükmünde Kararnameleri
As características discutidas a respeito da construção da personagem não estão limitadas apenas à literatura. Para Paulo Emílio Salles Gomes (2011, p. 103 – 119), as formas de apreender e situar a personagem fílmica são similares àquelas do romance e a posição e a função do narrador são análogas em ambas às modalidades. Deste modo, podemos encontrar personagens mais complexas e mais simples na narrativa fílmica, isto é, personagens redondas e planas. Outro aspecto comum é o da câmera como narradora; ação que ocorre de maneira que a imagem apresentada ao espectador é posta a partir do ponto de vista de uma personagem ou organizada de modo linear, expondo os acontecimentos sem que seja preciso diálogos para a compreensão da imagem. A respeito de tal analogia, Rosenfeld comenta que:
[...] no cinema ou romance, a personagem pode permanecer calada durante bastante tempo, porque as palavras ou imagens do narrador ou da câmera narradora se encarregam de comunicar-nos os seus pensamentos, ou simplesmente, os seus afazeres, o seu passeio solitário etc (ROSENFELD, 2011, p. 32).
Percebe-se que cinema e literatura compartilham de mais uma característica em comum, contudo, explorada de forma distinta. Na literatura, usam-se recursos tais como: palavras, pontos, vírgulas, sinais de interrogação, de exclamação, travessões, aspas, entre outros elementos formados a partir do efeito estético que os vocábulos adquirem para estruturar a personagem. No cinema, além do emprego de palavras, há, também, as diferentes tomadas de ângulo da câmera, o roteiro, as cores, a música, a luz, a direção e a própria presença do ator. Elementos estes que, dentro de seu contexto, estruturam e dão vida à personagem de ficção.
No que tange ao emprego das palavras no cinema, Gomes (2011, p. 110) argumenta que sua função sempre está amparada pela imagem. Dessa forma, é possível ao espectador ser apresentado a uma personagem por meio de sua descrição a partir da voz de outrem e, ao mesmo tempo, pode-se ter o emprego de imagens que se referem à personagem apresentada, como: objetos, paisagens, roupas ou, ainda, a própria personagem mencionada executando determinada ação, apresentada pela voz do narrador. O autor declara que:
A personagem de romance afinal é feita exclusivamente de palavras escritas, e já vimos que mesmo nos casos minoritários e extremos em que a palavra falada no cinema tem papel preponderante na constituição de uma personagem, a cristalização definitiva desta fica condicionada a um contexto visual (GOMES, 2011, p. 111).
Destarte, o espectador contemporâneo não contempla apenas frases apresentadas de formas interpoladas com as imagens em telas de cinema, como ocorria durante as primeiras décadas de exibição fílmica, pois a imagem tem função elementar na composição da narrativa cinematográfica e em sua significação. Por isso, a personagem fílmica é estruturada a partir da escolha do ator, da forma de se vestir, dos elementos que estarão no cenário, dos movimentos de câmera, da luz e da sombra e, também, da leitura do interprete, isto é, do ator. Todos esses elementos estruturam a personagem fílmica.
Outro ponto em comum entre a personagem literária e a personagem cinematográfica, apresentado por Gomes (2011, p. 107), está relacionado à perspectiva no qual a história é contada. No cinema, o narrador pode ser identificado por meio da lente da câmera e dos recursos associados a essa ferramenta, por exemplo: movimentos em direções diversas, enquadramentos panorâmicos, aproximações e distanciamentos de determinados objetos, bem como dos atores. Tudo isso associado ao som e às cores. Há, ainda, a perspectiva apresentada por meio das personagens e, neste caso, a câmera também é usada para indicar tal enfoque. No entanto, o foco recai sobre a figura dramática, por meio da posição de espaço apresentada, centrando-se em uma personagem e, em outra, de maneira intermitente.
Tal abordagem iniciou-se no início do século XX, porém, a partir da década de 1960 foi aprofundada devido às inovações promovidas por cineastas daquela geração, como Jean-Luc Godard, por exemplo, que introduziu novas formas de utilização da câmera, configurando renovação na estética cinematográfica e a câmera, como consequência, tornou- se o equivalente à “pena do escritor” (CORRIGAN, 2010, p. 37). Por meio dessa nova abordagem, começou-se a explorar maneiras inovadoras de filmar e editar as imagens, a fim de se conseguir construir novos efeitos e significados no filme.
Essa inovação refletiu-se, também, na composição da personagem cinematográfica. Portanto, de maneira similar ao que ocorre na literatura, subsídios internos da narrativa fílmica, neste caso o mise-en-scène, isto é, elementos do próprio cenário, corroboram a composição psicológica ou emocional da personagem fílmica, constituindo, do mesmo modo, a própria estética do filme. Consequentemente, a personagem cinematográfica necessita, igualmente, ser inserida no contexto de sua produção de forma coerente com a estrutura interna de sua narrativa.
Outro meio indispensável para a existência da personagem fílmica é a presença do ator. Este ser real encarna elementos que remetem a um ente produzido – a partir de palavras – e o personifica diante das câmeras. Gomes (2011, p. 114), contudo, aponta alguns problemas no que tange à personificação da personagem pelo ator, principalmente, quando se trata de uma adaptação de obra literária.
Para o autor, o ator é, quando famoso, uma personagem em si, pois ao estabelecer um público cativo ele deve seguir padrões de comportamento e composição física que correspondam à demanda daquele público e não, necessariamente, à sua personalidade, tornando-se o que o autor chama de mito. Assim, de acordo com Gomes (2011, p. 115), ao encarnar uma personagem, esta está condicionada à imagem criada pelo ator, isto é, a presença do ser que interpreta sobressai-se à da personagem (literária ou fílmica65), portanto, o mito é responsável por representar a personagem no filme. Nesse sentido, Gomes (2011, p. 115) infere que “O que persiste não é propriamente o ator ou a atriz, mas essa personagem de ficção cujas raízes sociológicas são muito mais poderosas do que a pura emanação dramática”. De outro modo, a figura pública criada sobre a imagem da pessoa ator, isto é, o mito, será o divulgador da personagem fictícia nas telas, bem como poderá influenciar sua composição.
Consideramos que, em se tratando de tradução, quando um ator “mito” encarna uma personagem literária, esta será ressignificada para seu público alvo, dessa maneira, adaptada para a audiência daquela personalidade, bem como a outros públicos leitores e não leitores de obras literárias. Processo que ocorre de acordo com as demandas internas do contexto sociocultural que recebe o filme.
65 Personagem fílmica aqui se refere àquelas criadas sem vínculo com textos literários, dos chamados ‘roteiros
No que se refere à personagem Elizabeth Bennet, consideramos ser uma personagem redonda e simbólica, assumindo no texto de Austen uma função crítica. Entendemos que a elaboração de Lizzy pode ser relacionada a dois dos processos inicias discutidos por Candido, que são: o número seis, onde a personagem é criada a partir da existência de vários modelos inicias, não remetendo a um único ponto de partida; e o número sete, no qual a personagem toma relevância. Além disso, concordamos com Bakhtin (2011, p. 7) quando este afirma que é possível autor manifestar uma crítica por meio da personagem, desde que isso ocorra dentro da harmonia textual, isto é, quando a figura dramática está em concordância com os acontecimentos internos do texto e assume sua natureza plenamente estética.
Portanto, além dos costumes, dos lugares e dos discursos que são apresentados pelo narrador em Pride & Prejudice, em nada mais Lizzy remete a uma mulher inglesa real pertencente ao início do século XIX. A natureza literária da obra (a ficção) e o conceito referente aos escritos de mulheres (a novela, uma categoria de menor prestígio) permitiram que Elizabeth fosse configurada de forma que questionasse a postura submissa e a limitação imposta às mulheres de sua época, a partir da apresentação dessas características. No entanto, em um aspecto mais amplo, remete também a toda uma estrutura social baseada no poder econômico e em tradições que estavam em processo de mudança. Em suma: Lizzy é uma personagem que questiona os valores e as categorias de poder vigentes naquele período, valores estes que podem ser identificados atualmente como as relações de poder na sociedade contemporânea.
Levando em consideração tais considerações, indagamo-nos como se deu o processo de tradução da personagem Elizabeth Bennet do romance de Jane Austen, para o filme Pride and Prejudice de Robert Z. Leonard, exibido em 1940.