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HÜRRİYET - OTORİTE DENGESİ

KUTU: KAVRAMLAR

E. HÜRRİYET - OTORİTE DENGESİ

As mães, haja vista o diagnóstico da doença renal do filho, vivenciam sentimentos ambíguos, que vão desde a ruptura do vínculo mãe-bebê imaginário, até um futuro de incertezas. Essa realidade é transpassada pelas dificuldades na aquisição do medicamento pelo SUS, que ora disponibiliza o medicamento fora dos padrões de dispensação para o público infantil, ora não é encontrado na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais. Em adição,

fatores dificultadores na gestão desse setor específico ocasionam o desencontro do que a política pública de medicamentos preconiza e a realidade no cotidiano dos serviços.

Com efeito, há uma alteração na rotina familiar e laboral, pois as mães relatam que passam a se dedicar integralmente aos cuidados do filho, acarretando uma sobrecarga emocional, tanto para a criança como para a mãe.

A relação comunicacional médico e mãe encontra-se hierarquizada: a mãe acredita no médico e cumpre rigorosamente as rotinas por ele estabelecidas. Percebemos que é necessário um incremento mais humanizado nessa prática, proporcionando, dessa forma,uma desalienação do cuidador; ou seja, que a mãe possa se achar cogestora e não meramente executora de condutas prescritivas, pois isso leva a erros na adaptação e seguimento da rotina de medicamentos, além de não ressaltar, e de não aclarar a importância do cumprimento correto da prescrição.

Outros problemas evidenciados neste estudo, foram a ineficiência da gestão dos medicamentos dentro das unidades de saúde e a ausência do farmacêutico, levando a mãe à peregrinação entre postos de saúde e hospital e a cometer erros durante o preparo e administração dos medicamentos no domicílio. As mães veem a unidade apenas como um local reservado para a busca do fármaco, fato que está ocorrendo no Município de Fortaleza. Além disso, evidenciamos a falta de uma política que tenha como prioridade atender às necessidades das crianças em termos de medicamentos. Outrossim, sugerimos, com os achados deste estudo, a elaboração de uma lista de medicamentos essenciais para crianças que siga os moldes da Organização Mundial de Saúde.

Os pontos suscitados neste estudo ao debate e vão da humanização do SUS ao suporte oferecido para os familiares, em se tratando da distribuição de medicamentos pelas unidades de saúde. Além de evidenciar a necessidade urgente de políticas neste setor voltadas para garantia do acesso e formulações adequadas do fármaco para o público infantil no Brasil permitindo assim que as crianças tenham acesso a medicamentos apropriados a sua faixa etária.

8 CAPITULO D: PERCEPÇÃO DAS MÃES ACERCA DO USO DE MEDICAMENTOS EM CRIANÇAS ASMÁTICAS NO DOMICÍLIO

8.1 Introdução

A asma em crianças é um reconhecido problema de saúde pública que afeta de 7 a 10% da população mundial. A sua prevalência é maior entre crianças e seus valores vêm aumentando nas últimas décadas, em decorrência de mudanças no estilo de vida, na urbanização e no aumento à exposição de alérgenos (CRUZ, 2007). Sua distribuição ocorre de forma desigual e suas prevalências variam de 2,5% em alguns países do leste europeu (MASOLI et al., 2004) até 30% na Austrália (HABY et al., 2001).

No Brasil, a prevalência possui valores variáveis que vão desde 8,5% (BARROS et al., 2006) até 46,6%. (BOECHAT et al., 2005), sua distribuição ocorre de forma irregular, de acordo com a região estudada, sendo mais elevada para as regiões norte, nordeste e sul, acometendo principalmente as faixas etárias de 6 a 7 anos e de 13 a 14 anos (SOLÉ et al., 2006). Estudo realizado entre adolescentes, em Fortaleza, confirmam esses dados (DE LUNA; DE ALMEIDA;DA SILVA, 2009).

Em âmbito nacional, a asma é uma das 3 principais causas de internações hospitalares na atenção primária e em menores de 20 anos. A região nordeste apresentou os maiores índices de internação, atingindo principalmente a faixa etária de 1 a 14 anos (MEDINA et al., 2010).

O diagnóstico diferencial da asma em crianças até os 5 anos é difícil de ser realizado, pois a patologia pode ser facilmente confundida com bronquiolite, bronquite ou pneumonia. Outro fator confundidor é a inflamação das vias aéreas causadas pelos vírus, entretanto o número elevado de crianças com sintomas de asma está associado às particularidades anatômicas e fisiológicas desta faixa etária, caracterizada por menor diâmetro das vias aéreas e fluxo aéreo turbulento e com alta velocidade. (DO REGO ROCHA; ROCHA FILHO;CRONEMBERGER; GAMA;BENGUIGUI, 1998).

A sibilância recorrente é um sintoma muito frequente em lactentes, que pode ser a manifestação clínica de uma ampla variedade de problemas localizados nas vias respiratórias. É fundamental a utilização de alguns índices baseados em parâmetros clínicos específicos capazes de identificar de forma simples as crianças que irão desenvolver sibilância recorrente e asma posteriormente. Esses índices utilizam critérios de história clínica, como existência de asma parental, presença de dermatite atópica, eosinofilia igual ou maior do que 4%, sibilância na ausência de resfriado e rinite (CASTRO-RODRIGUEZ et al., 2000).

evitar exacerbações por períodos prolongados, levando-se em consideração o estágio da doença, os efeitos adversos dos medicamentos, as interações medicamentosas potenciais e o custo do tratamento (SAS; WARMAN et al., 1999; RESSEL, 2003; REEVES et al., 2006; SRIRBULOV; BERND;SOLÉ, 2006; ANDERSON;THOMAS, 2010; DE RISCO ESTRATÉGIAS, 2012).

As crianças, dependendo de sua faixa etária, necessitam de um responsável pela administração do medicamento, geralmente é a mãe, tornando o problema complexo (SANO et al., 2002). Esse papel cresce em importância devido às dificuldades em administrar alguns medicamentos à criança, bem como a necessidade de adaptar formulações, formas farmacêuticas ou dispositivos, ocasionada pela carência de produtos adequados à idade, principalmente no Sistema Único de Saúde (COSTA; LIMA;COELHO, 2009). Tal problema vem sendo investigado no Brasil em outras realidades, mostrando a necessidade de desenvolvimento de formulações infantis apropriadas à esta população (GAVASKAR et al.; DUARTE, 2006; BREITKREUTZ, 2008).

Para a manutenção do controle da asma em crianças são utilizados corticosteróides inalatórios para asma leve, os beta agonistas de ação prolongada associado aos corticosteroides inalatórios para crianças acima de 4 anos que apresentam asma moderada ou grave e imunoterapia específica com alérgenos indicada apenas na asma alérgica (SRIRBULOV; BERND;SOLÉ, 2006; ANDERSON;THOMAS, 2010).

O tratamento de escolha dos sintomas agudos é realizado através do uso de agonistas beta-2 adrenérgicos inalatórios de curta duração associado aos glicocorticoides orais (aproximadamente 7 dias). Nas exacerbações graves é padronizado o uso dos corticosteróides inalatórios em doses elevadas associado aos beta-2 adrenérgicos de curta duração (BERMUDEZ et al., 2002; SRIRBULOV; BERND;SOLÉ, 2006; ANDERSON;THOMAS, 2010).

A lista de medicamentos essenciais para crianças definida pela Organização Mundial da Saúde (2009) apresenta 6 apresentações de medicamentos antiasmáticos. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2009b). Já no Brasil, a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) (2010) inclui 15 apresentações de medicamentos para o tratamento da asma, sem a informação sobre o uso pediátrico (DA SILVEIRA;DE ARAÚJO CALFO). A lista de medicamentos essenciais do município de Fortaleza inclui 8 fármacos, adotando os medicamentos propostos pela Rename (PREFEITURA MUNICIPAL DE, 2003), conforme podemos observar na Figura 3.

Figura 3 - Medicamentos indicados no tratamento da asma. Lista de medicamentos

essenciais para a criança (OMS, 2009)

Rename (2010) Lista de medicamentos essenciais do Município de Fortaleza - budesonida, em aerossol de 100 μg e 200 μg por dose - adrenalina em 1mg em ampola de 1 ml;

- salbutamol aerossol oral de 100 μg por dose, solução injetável 0,5 mg por mL e solução inalante 6 mg por ml

- dipropionato de beclometasona, em pó, solução inalante ou aerossol oral de 50 μg, 200 μg e 250 μg por dose; - succinato sódico de hidrocortisona*, em pó para solução injetável 100 mg e 500 mg; - brometo de ipratrópio, na apresentação de solução inalante 0,25 mg/mL e aerossol oral 0,02 mg por dose;

- fosfato sódico de

prednisolona em solução oral com 4,02 mg por mL,

- prednisona como

comprimido de 5 mg e 20 mg - sulfato de salbutamol nas apresentações aerossol oral de 100 μg por dose, solução inalante 6 mg por ml e solução injetável * 0,5 mg por mL .

- dipropionato de

beclometasona aerossol oral, de 50 μg e 250 μg por dose; - brometo de ipratrópio em solução inalante 0,25 mg por ml;

- fosfato sódico de

prednisolona em solução oral com 4,02 mg por ml;

- prednisona como

comprimido de 5 mg e 20 mg;

- sulfato de salbutamol nas apresentações aerossol oral de 100 μg por dose e solução inalante 6 mg por ml

De acordo com a pesquisa realizada no bulário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, todos os fármacos que compõem a Rename apresentam indicação pediátrica, destes fármacos apenas 4 (fosfato sódico de prednisolona, prednisona 5mg e 20 mg e succinato sódico de hidrocortisona) podem ser utilizados em qualquer faixa etária. Os medicamentos em aerossol tornam-se indicados para crianças acima de 6 ou 7 anos, o brometo de ipratrópio é indicado para crianças acima de 6 anos e o salbutamol em solução inalante para crianças maiores de 18 meses.

Em 1999, o Governo Federal brasileiro criou o Plano Nacional de Controle da Asma a fim de oferecer atenção padronizada ao asmático em toda a rede pública de Saúde. A partir daí foram criados, consolidados e expandidos alguns programas de controle e atenção à asma (NETO; FERREIRA FILHO;BUENO). Na realidade cearense, a preocupação com a asma em crianças resultou na criação de um programa municipal denominado Programa de Atenção Integral a Criança com Asma (Proaica), em 1996, implantada em algumas unidades básicas de saúde. (DA SOCIEDADE;DE PEDIATRIA, 2002). No período da pesquisa, das 86 unidades de saúde do município de Fortaleza apenas 29 dispunham desse serviço, onde as famílias deveriam recorrer para a obtenção de medicamentos, inclusive aqueles prescritos na alta hospitalar.

O objetivo deste trabalho é identificar as possíveis dificuldades que as mães de crianças portadoras de asma enfrentam para obter e administrar medicamentos aos seus filhos no domicílio.