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Busarello (2011, p. 37–41) e Quevedo, Busarello e Vanzin (2011, p. 135–139) apre-

sentaram resultados de pesquisas realizadas sobre as relações dos surdos com a leitura, com foco especial no ensino superior. Estas pesquisas foram encontradas pelos autores a partir de busca sistemática, na base de dados interdisciplinar Web of Science, no mês de janeiro de 2011, a fim de identificar como o surdo aprende. Elas foram desenvolvidas em outros países e refletiram uma forma de leitura e aprendizado comum às pessoas surdas. Em relação às crianças e aprendizagem, estudos identificaram um melhor desempenho de crianças surdas quando se usa imagens, sinais e desenhos (ORMEL et al., 20085

citado por QUEVEDO, 2013; REITSMA; GALEN, 20086

citado por QUEVEDO,2013).

Dentre algumas conclusões focadas em alunos surdos e ensino superior, os autores destacam: a identificação de poucas pesquisas sobre experiências dos alunos surdos e a comunicação como um grande obstáculo no nível educacional (RICHARDSON e WOODLEY, 20017

citado por BUSARELLO, 2011); o aprendizado dos surdos que conhecem LS foi melhor a partir do texto impresso do que através da língua gestual. Comparando-se os surdos com os não surdos, os surdos tiveram menor desempenho. Estes foram resultados de um experimento,

4 SUR10.NET. O Portal da surdez, da comunidade e cultura dos surdos. 2010. Disponível em:<http:

//sur10.net>. Acesso em: 18 de mar. de 2010.

5 ORMEL, E. A. et al. Semantic categorization: A comparison between deaf and hearing children. Journal

of Communication Disorders, 2008.

6

REITSMA, P.; GALEN, M. S. v. Developing access to number magnitude: A study of the SNARC effect in 7- to 9-year-olds. Journal of Experimental Child Psychology 101, PI Research-Vrije Universiteit, Amsterdam, 2008.

7 RICHARDSON, J. T. E.; WOODLEY, A. Approaches to studying and communication preferences among

deaf students in distance education. Higher Education, 42, 2001. Institute of Educational Technology. 2001. Disponível em:<http://oro.open.ac.uk/cgi/export/932/SummaryPage/oro-eprint-932.html>. Acesso em: 9 março 2011.

2.5. Os surdos e suas relações com a linguagem 79

com estudantes universitários surdos e não surdos, a fim de verificar a forma de aprendizagem, a partir de textos científicos (MARSCHARK et al.,2009).

Os mesmo problemas enfrentados pelos surdos no aprendizado da leitura, também se refletem ao aprender uma língua de sinais. Isso implica que a dificuldade em entender textos escritos está além do simples ato de ler. Para chegar a essa conclusão, os autores apresentaram em sua pesquisa propostas para abordagem de diferentes compreensões com o intuito de melhorar a leitura de alunos surdos. Foram realizados dois experimentos com estudantes universitários para examinar suas formas de aprendizagem a partir de textos científicos. Partes dos textos foram apresentadas, de forma oral/gestual e escritas, tanto para alunos surdos, que conheciam a língua Americana de Sinais, como para alunos não surdos. Os resultados indicam que os alunos surdos aprendiam mais, a partir do texto impresso do que através da língua gestual. Entretanto em comparação com indivíduos não surdos, os surdos obtiveram menor desempenho (QUEVEDO; BUSARELLO; VANZIN,2011, p. 135–136).

Também foram apontadas dificuldades em aulas presenciais, com tradução em LS, devido à impossibilidade de alunos surdos universitários manterem a atenção em “duas fontes diferentes de informação visual (professor e intérprete); além “da falta de qualificação de muitos intérpretes quando confrontados com várias interrupções em salas de aula diante de uma grande quantidade de alunos” (MARSCHARK et al.,2008); em um curso a distância, alunos surdos (que não usam LS ou língua falada para se comunicar) “obtiveram maior pontuação na compreensão do conteúdo, em comparação com os não surdos, além de diminuírem seu medo do fracasso, o que é geralmente observado em pessoas com surdez” (RICHARDSON e WOODLEY, 2001 citador por BUSARELLO,2011, p. 39); a importância do papel semântico e da fonologia foi estudada na compreensão de textos escritos pelos surdos. (ORMEL et al., 20088 citado por BUSARELLO, 2011).

Nos casos de uso de fonologia limitada por surdos, presume-se que o conhe- cimento semântico pode prestar apoio à leitura crítica [...] O importante papel do conhecimento semântico, portanto, pode ser particularmente verda- deiro para crianças e adultos surdos. Afinal, a organização semântica é uma parte integrante da aprendizagem de línguas. Por exemplo, o conhecimento semântico está intimamente relacionado com a capacidade de aprendizagem de palavras subsequentes [...] Em contrapartida, conhecimento semântico pode ser aumentado como consequência da experiência de leitura (ORMEL

et al.,2008citado por BUSARELLO,2011, p. 43)

Os resultados dos estudos de Dehaene (2012)9 citados por Quevedo (2013) também reforçam a importância das pessoas surdas e ouvintes exercitarem o cérebro através da leitura.

8 ORMEL, E. A. et al. Semantic categorization: A comparison between deaf and hearing children. Journal

of Communication Disorders, 2008.

9 DEHAENE, S. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Tradução: Leonor

(...) a língua tem bases inatas no cérebro e se localiza em uma região chamada “caixa de letras”, situada no mesmo local do cérebro humano em todas as culturas. O cérebro organiza as letras em determinado local e joga as outras informações para outra posição. A equipe de Dehaene, que realiza suas investigações em colaboração com pesquisador Laurent Cohen, utiliza imageamento cerebral para estudar o processamento da linguagem em indivíduos monolíngues e bilíngues. Eles descobriram que a área visual da palavra é sistematicamente ativada durante a leitura. Não se trata de uma área isolada, mas o estágio final de extração de informações visuais no reconhecimento de letras e palavras. “Cérebros leitores têm regiões ativadas e desenvolvidas. A leitura causa efeito positivo no cérebro, demonstrando capacidade de organização e estruturação” (DEHAENE, 2012). Com a leitura, o cérebro se exercita em todas as suas dimensões. O ser humano ouvinte deve ler. O ser humano surdo deve ler.” (QUEVEDO,2013, p. 344–345),

Estes resultados reforçam a importância da leitura para os surdos (no desenvolvimento do campo semântico da LP) e as contribuições que a EAD pode oferecer, através de seus recursos e recomendações de acessibilidades para os surdos, possibilitando acesso ao aprendizado em cursos planejados em LP. É uma alternativa que merece ser avaliada enquanto perspectivas de inclusão e integração dos surdos no ensino superior.

Benzer Belgeler