4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.1. Kaliksaren Bileşiklerinin Sentezi
Os princípios presentes na proposta Escola Plural, o direito à educação e a construção de uma escola inclusiva, materializam-se em quatro eixos denominados de Núcleos Vertebradores (BELO HORIZONTE, 1994a).
O primeiro núcleo vertebrador se refere aos Eixos Norteadores da Escola Plural, sendo eles:
a) uma intervenção coletiva mais radical – a intervenção nas estruturas excludentes e seletivas do sistema escolar, tendo em vista os altos índices de evasão, reprovação e fracasso escolar dos setores populares;
b) sensibilidade com a totalidade da formação humana – o resgate da função sócio-cultural da escola, abrindo-se à diversidade da cultura e dos saberes dos alunos e dos profissionais;
c) a escola como tempo de vivência cultural – a articulação com a produção cultural da cidade, com os diversos grupos e com os organismos públicos, suas programações e manifestações;
d) a escola como espaço de produção coletiva – a participação dos profissionais, alunos, pais e comunidade, nos processos de construção do cotidiano escolar e em outros espaços não escolares;
e) as “virtualidades”25 educativas da materialidade da escola – a redefinição dos aspectos da estrutura e da organização da escola: espaços, tempos, processos, organização do trabalho, grade e seriação, com o objetivo de tornar a escola mais formadora para a comunidade escolar;
f) vivência de cada idade de formação sem interrupção – a alteração da concepção de tempo da escola, enquanto tempo de preparação para outros tempos vindouros, considerando a infância e a adolescência como tempos específicos de construção histórica;
g) socialização adequada a cada idade/ciclo e formação – a manutenção de cada aluno com os seus pares de idade de socialização, tendo em vista a importância do convívio entre os alunos da mesma idade, no que se refere à socialização de formação;
h) nova identidade da escola, nova identidade de seu profissional – a participação dos profissionais na construção de uma proposta global para a escola e seu reconhecimento como sujeito sócio-cultural.
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O termo “virtualidades”, no contexto de inovação educativa, se refere “às práticas, aos procedimentos, aos rituais, às vivências que as escolas propiciam, que os professores intencional e pedagogicamente potencializam.” (ARROYO, 1999, p. 157).
O segundo núcleo vertebrador é denominado Reorganização dos tempos escolares em Ciclos de Formação. Dentro de uma perspectiva política de inclusão social e objetivando garantir o direito à educação, o Programa Escola Plural apresenta uma nova lógica temporal que considera mais democrática. Amplia o tempo de permanência do aluno no Ensino Fundamental para nove anos e propõe uma organização por ciclos de formação que busca a continuidade do processo de escolarização e elimina a lógica da seriação. A aprendizagem dos educandos passa a ser o centro do processo educativo, cujo objetivo é a formação e a vivência sociocultural, próprias de cada idade.
Assim, o ensino fundamental é organizado em três ciclos de formação. O primeiro ciclo básico, caracterizado como sendo o da Infância, compreende os alunos da faixa etária de seis a nove anos de idade. O segundo ciclo básico, caracterizado como o da Pré-adolescência, compreende os alunos na faixa etária de 9 a 12 anos de idade. O terceiro ciclo básico, correspondente ao período da Adolescência, compreende os alunos na faixa etária de 12 a 15 anos de idade. Por fim, o quarto e último ciclo de formação corresponde ao Ensino Médio, compreendendo os alunos na faixa etária de 15 a 18 anos de idade.
O tempo pedagógico, de acordo com o documento A construção pedagógica do tempo escolar (SMED-BH, 1999), é considerado como todo o tempo dos alunos e dos profissionais da educação, no período que compreende a permanência desses sujeitos na escola, ou até mesmo fora dela, quando realizam atividades próprias do processo educativo escolar.
O terceiro núcleo vertebrador é Processo de formação plural. Dentro da perspectiva plural, é buscado o rompimento com a lógica que privilegia os conteúdos clássicos, mudando a relação entre a escola e a cultura vivida.
Os processos culturais constituem-se como um eixo da proposta curricular da Escola Plural voltado para as noções de “aprender a aprender” (conhecer) e “aprender a viver” (conviver). Ao se direcionar para essas noções e esses processos culturais, busca-se a
construção de um cidadão plural, segundo a qual o saber e a ação encontram-se interligados e esses objetivos são alcançados por meio do trabalho com os temas transversais e com o conteúdo das disciplinas que configuram a estrutura da proposta curricular.
A associação entre cultura e currículo é incorporada, pela perspectiva da Escola Plural, quando é proposta uma re-significação dos conteúdos escolares, que devem ser contextualizados dentro da realidade dos alunos. Re-significar tem o sentido de fazer com que os conteúdos sejam aprendidos sob o eixo das vivências e culturas dos alunos, e não de seu abandono. Assim, torna-se necessário romper com a estrutura de organização por disciplinas, proporcionando que o processo de ensino e de aprendizagem ocorra de forma globalizante, de modo que a realidade social e as especificidades dos alunos passem a ser os elementos condutores do trabalho em sala de aula e da escola como um todo.
Finalmente, o quarto eixo vertebrador é o da Avaliação. Sendo uma das dimensões a ser considerada, ao se pensar o projeto de escola, a avaliação. Devido a seu caráter formativo, ela permite interpretar a realidade, redefinindo metas e processos. Na proposta da Escola Plural, a avaliação não visa classificar, excluir, aprovar ou reprovar. Ao contrário, deve incidir sobre aspectos globais do processo, inserindo questões ligadas ao processo de ensino e aprendizagem como as que se referem à intervenção do professor, ao projeto curricular da escola, à organização do trabalho escolar, à função socializadora e cultural, à formação das identidades, dos valores, da ética, enfim, ao seu Projeto Político Pedagógico.
O processo de avaliação constitui-se, inicialmente, com a construção do diagnóstico, cujo objetivo é investigar os conhecimentos que o aluno traz à sala de aula, como ele os utiliza em seu grupo, quais as formas culturalmente constituídas para construí-los. Em seguida, a avaliação assume o caráter de continuidade, visando o acompanhamento das aquisições sucessivas do aluno, assim como um aspecto formador, buscando identificar os sucessos, as dificuldades e os erros no percurso.
A avaliação sugere, também, além da análise do professor diante do processo de produção do conhecimento do aluno, outras instâncias, como o conselho de ciclo, as reuniões de pais, as assembléias avaliativas e as reuniões pedagógicas.