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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.2. Kaliksaren bazlı sabit fazların hazırlanması

Se entendermos a história da Academia segundo aquela apresentada por Brochard no início deste capítulo, veremos que a importância de Filo de Larissa na escola de Platão foi tanta que ele foi apontado como fundador de uma quarta Academia. Deve-se também destacar que entre os seus discípulos mais ilustres encontramos Cícero, o que ressalta ainda mais a sua importância para esta pesquisa, visto que Cícero fora a fonte utilizada por Santo Agostinho em Contra Academicos, assim como a de grande parte dos registros sobre o ceticismo propagado na Academia de Platão.

Filo não foi o sucessor direto de Carnéades, mas os seus ensinamentos muito se assimilavam ao deste filósofo, apesar de se diferenciarem no que diz respeito a uma espécie de dogmatismo, que alguns acreditam ter Filo trazido de volta à Academia de Platão. Contudo, o que Filo trouxe à Academia foi uma espécie de ecletismo, no qual tanto o ceticismo quanto o dogmatismo tinham lugar, conforme podemos perceber em όraile: “[όilo] primeiramente professou o ceticismo, a maneira de Carnéades e Clitômaco. Mas depois concordou com o estoicismo, abrindo caminho para o ecletismo” (όRAILE, 1965, pέ 646, tradução nossa)79.

Não obstante, essa postura dogmática que às vezes se percebe nessa fase da Academia se deve primeiramente à semelhança de alguns pontos de sua filosofia com a de Platão, especialmente no que diz respeito à impossibilidade de conhecimento por meio dos sentidos e, depois, ao fato de que, diferentemente de Carnéades, Filo proferiu a existência da verdade, uma postura com a qual os antigos céticos jamais concordariam.

78 En la misma Academia el escepticismo tuvo efectos demoledores. Después de Arcesilau, Carnéades y

Clitómaco, apenas queda en pie nada del edificio platónico. Desaparecen las Ideas (Ontología), la Cosmología, la Moral y la Política. Solamente subsiste la frágil teoría de la probabilidad, aunque pronto sobrevino la reacción ecléctica en sentido de reconstrucción.

79 [Filo] Primeramente profesó el escepticismo, a la manera de Carnéades y Clitómaco. Pero después se inclinó

Essa semelhança com o dogmatismo platônico levou o próprio Filo a se pronunciar em relação às fases da Academia. Segundo ele, não houve duas ou três Academias, mas apenas uma única. Brochard (1959) chama a atenção para o fato de que, sob o ponto de vista de Filo, Platão é considerado cético e, por esse motivo, o filósofo de Larissa unificou todas as fases da Academia em uma só.

No entanto, é estranho considerar o fundador da Academia como um cético. O que se pode perceber são indícios de ceticismo em alguns pontos muito específicos de sua doutrina, conforme mostrado anteriormente. O que pode ter ocorrido foi uma espécie de evolução, em que esses indícios céticos da doutrina platônica, com o decorrer dos anos, tenham dado origem ao ceticismo, que viria a se desenvolver séculos mais tarde.

Entretanto, enquanto o ceticismo se empenhava em destruir o dogmatismo, em especial dos estoicos, ao mesmo tempo também recebia duros golpes. Cícero atestou uma grande objeção feita por Antíoco, que, segundo alguns estudiosos, fora discípulo de Filo, a qual ele teve grande dificuldade em resolver:

Nem mesmo Luculu [fez] você superar as críticas feitas por Antíoco – isso não se questiona, pois é uma das mais famosas – Antíoco, costumava dizer Filo, tinha encontrado [uma crítica] mais perturbadora: é que quando a suposição foi feita primeiramente havia representações falsas, em segundo lugar [elas] não se diferenciavam em nenhum sentido das verdadeiras. Filo não percebeu que, enquanto ele havia admitido a proposição anterior sobre a força aparente da existência de uma certa diferença entre as representações, esse fato foi refutado por esta proposição, a negação de que as representações verdadeiras diferem das falsas, e [dessa forma] nenhum comportamento poderia ser mais inconsistente. Isso bem asseguraria se nós abolíssemos totalmente a verdade, mas nós não [abolimos], pois observamos algumas coisas que são verdadeiras, como observamos algumas que são falsas. Mas há “aparências” comprovadas, ao passo que nós não temos nenhum sinal com base nas representações (CICERO, 1967, p. 608, 610, tradução nossa)80. Essa refutação por parte de Antíoco se refere àquele argumento, abordado por Carnéades, contra os estoicos, que foram acima apresentados. Filo, fiel seguidor do ceticismo dessa escola, se vê na obrigação de resolver esse problema. O argumento apresentado por Antíoco faz um grande sentido. Na primeira sentença, Carnéades afirma haver representações falsas e, logo em seguida, afirma que uma representação falsa é incognoscível. Ora, se uma representação falsa não pode ser conhecida, como saber se ela existe? O mesmo princípio pode ser aplicado ao terceiro argumento.

80 Ne illam quidem praetermisisti, Luculle, reprehensionem Antiochi—nec mirum, in primis enim est nobilis—

qua solebat dicere Antiochus Philonem maxime perturbatum : cum enim sumeretur unum, esse quaedam falsa visa, alterum, nihil ea differre a veris, non attendere superius illud ea re a se esse concessum quod videretur esse quaedam in visis differentia, eam tolli altero quo neget visa a falsis vera differre ; nihil tam repugnare. Id ita esset si nos verum omnino tolleremus ; non facimus, nam tam vera quam falsa cemimus. Sed probandi species est, percipiendi signum nullum habemus (Academica II, XXXIV, 111).

Esse problema, como afirma a citação, incomodou Filo. Sua resposta a ele pode ser encontrada na citação de Cícero que acabamos de expor, que, segundo Brochard (1959), pode ser entendida como a resposta do próprio Filo. Assim, para responder a espinhosa objeção de Antíoco, Filo terá que reconhecer a existência da mesma verdade que o ceticismo antigo tanto combateu. Essa estratégia foi a forma encontrada por Filo para resguardar o probabilismo de Carnéades dos ataques dos dogmáticos.

Contudo, a verdade que Filo afirma existir parece confusa, pois, enquanto afirma a sua existência, ele também defende que ela não pode ser apreendida nem pelos sentidos, nem pela raὐãoέ Brochard questiona esse entendimento: “Como dizer que há verdade se não a conhecemos? Como podemos acreditar que [ela] é, se não sabemos o que é?” (BROCHARD, 1959, p. 198, tradução nossa)81.

Para responder a essas perguntas, Filo recorre novamente ao probabilismo de Carnéades. Para Filo, existem coisas que são tão claras e evidentes que não podem ser questionadas, em relação a essas coisas o cético pode dar seu assentimento. Entretanto, apesar de tais coisas existirem de fato, no que diz respeito ao seu conhecimento genuíno, este, o cético, se abstém, suspendendo seu juízo.

É mister considerar que, embora o pensamento de Filo defenda a não possibilidade de conhecimento das coisas, isso não implica dizer que os acadêmicos não se empenhassem na busca de tal conhecimento. Afinal, como já expressamos anteriormente, eles mesmos se denominavam zhthtikoi, ou seja, aqueles que investigam.

Pode soar estranho o fato de alguém que tem a ciência de que nunca encontrará o que procura continuar sua busca, mesmo consciente dessa condição. Por mais curioso que isso possa parecer, é esse o posicionamento de Filo em relação a essa questão, pois, segundo ele, o sábio se contentará com essa busca. Esse é também um dos muitos aspectos que Santo Agostinho explorou na construção de sua crítica ao ceticismo acadêmico, e por essa razão voltaremos a tocar nesse ponto no capítulo posterior.

Essas são, pois, a filosofia e a doutrina de Filo de Larissa. Suas grandes contribuições ao ceticismo ficaram marcadas por sua arrebatadora afirmação de que a verdade existe, sendo esse um pensamento muito próximo daquele ensinado na Antiga Academia de Platão, cujas lições passariam a ser difundidas no mundo romano por Marcus Tullius Cicero, antigo discípulo de Filo.

81Coἕἕent dire qἡe ἔa ἢerité existe si noἡs neἔa connaison pas? Coἕἕent croire qἡ’eἔἔe est, si noἡs ne saἢons