4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.3. Sentezlenen kaliksaren bazlı silika polimerlerin HPLC de sabit faz olarak
4.3.1. CIMS-1 ile yapılan HPLC çalışmaları
Em seus estudos sobre a filosofia grega, Cícero discute as mais diversas doutrinas de sua época, quais sejam: estoicas, epicurista, ou mesmo céticas. Porém, apesar de muitos o considerarem um cético por aceitar a doutrina probabilista de Carnéades, ao que parece não se enquadrava em nenhuma delas, pois rejeitava tanto o ceticismo pirrônico quanto o dogmatismo exacerbado dos estoicos. Essa característica fez de Cícero um filósofo eclético que dialogava com as diferentes doutrinas daquela época. É evidente a influência das doutrinas helenísticas (ceticismo, estoicismo e epicurismo) na formação do filósofo e estadista Marcus Tullius Cicero, de forma que, dando seguimento à pesquisa, destacamos abaixo um detalhamento segmentado pela visão predominante em cada escola filosófica.
a) O ceticismo no pensamento ciceroniano
Conforme foi mencionado, Cícero incorporou em seu pensamento o probabilismo de Carnéades. Um problema que ele teve de enfrentar ao aceitar tal doutrina foi em relação ao propósito da filosofia, que em sua época consistia em ajudar o homem a encontrar a felicidade. A questão era que o homem (sábio), não podendo encontrar a verdade, como afirmara Carnéades, consequentemente, não poderia jamais encontrar tal felicidade, já que esta estaria, assim como a própria verdade, inacessível ao homem. Nesse caso, qual seria então a razão da existência humana na Terra? Não haveria, pois, qualquer sentido em tudo isso. Para sair dessa espinhosa dificuldade, Cícero vai defender que a felicidade do homem
83 Cicero was a lifelong student and practitioner of Academic philosophy and his philosophical dialogues are
among the richest sources of information about the skeptical Academy. Although he claims to be a mere reporter of other philosophers' views, he went to some trouble in arranging these views in dialogue form and most importantly in supplying his own words to express them. In some cases he coined the words he needed there by teaching philosophy to speak Latin. His philosophical coinages, e.g. essentia, qualitas, beatitudo, have left a lasting imprint on Western philosophy (THE INTERNET ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY, 2011. p. 10).
sábio estaria condicionada à sua busca contínua pela verdade, mesmo sabendo da não possibilidade de um dia encontrá-la. Santo Agostinho cita em Contra Academicos: “Cícero pensava que quem procura a verdade pode ser feliz, mesmo que ele não possa ter êxito em encontrá-la”84 (AUGUSTIN, 1955, p. 41, tradução nossa).
Tal posicionamento de Cícero em favor do ceticismo teria certamente motivado Agostinho a escrever o Contra Academicos. Diante disso, a felicidade não mais se deixaria encontrar por meio do conhecimento, mas tão somente se afastando dele. Pelo menos para a filosofia ciceroniana isso fazia todo sentido.
No entanto, não há como tratar de Marcus Tullius Cicero sem associá-lo à política. Toda sua vida foi dedicada a Roma, como orador, senador ou cônsul romano, destacando-se por sua notável habilidade na arte da oratória, registrada em sua obra Catilinárias, na qual, na tentativa de impedir a conjuração provocada por Lucius Sergius Catilina, põe-se diante dele no senado e inicia seu célebre discurso com as palavras: “Até quando, oh Catilina, abusarás de nossa paciência? Até quando ὐombarás de nós com esta tua loucura?”85 (CICERO, 1945, p.
22, tradução nossa).
A retórica e a eloquência sempre o acompanharam bem de perto. Em se tratando dos seus estudos filosóficos, Cícero sempre procurou direcioná-los para auxiliar a sua carreira como estadista de Roma.
Com isso, muito embora fosse um acadêmico, o seu viés político o impedia de adotar essa doutrina em sua completude, pois isso poderia lhe trazer consequências desastrosas, por exemplo, no campo da ética e da própria política. Basta imaginar as implicações que teria o fato de uma pessoa, que não acredita em nada86, ignorar certos comportamentos éticos e morais do seu tempo. Dessa forma, o mesmo pensamento pode ser aplicado à política. Sendo assim, qual seria, pois, a finalidade da política para o cético? Diante de tais circunstâncias, o cético não se comportaria de modo indiferente? Não é a adiaforia um comportamento típico do cético? As respostas a essas questões serão evidenciadas no tópico ulterior.
b) O estoicismo e suas influências na filosofia e pensamento de Cícero
Para se desvencilhar das dificuldades anteriormente apresentadas, Cícero vai recorrer à doutrina dos estoicos, a qual assegura não somente que o homem deve se dedicar à política,
84 Cf. C. A. I, III, 7: Cicéron a pensé que celui qui cherche la veritè peut être heurêux, alors même qu'il ne
pourrait réussir à la trouver.
85 Cat. I, 1: Quo usque tandem abutere, Catilina, Patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus nos eludet? 86 Muito embora seja esse um comportamento do ceticismo pirrônico, Cícero o rejeitava, talvez pela razão acima exposta.
mas também obedecer a uma série de prescrições ou leis que ordenarão sua forma e conduta de vida. O princípio em que se baseavam para isso era o fato de que o homem vive segundo uma “lei natural”, a qual seria a fonte de todas as outras leisέ assim, deveria se dedicar à política como forma de fazer valer essa lei, favorecendo o bem comum. Esse pensamento apresentou-se bastante agradável aos olhos de Cícero. Não havia por que rejeitá-lo, mesmo se considerando um acadêmico.
Outro fator preponderante na absorção da doutrina estoica por parte de Cícero diz respeito ao fato de os estoicos acreditarem, assim como Platão, que o propósito da vida seria vivê-la segundo a razão, nada mais apropriado para uma pessoa que tentava associar sua filosofia à vida política. Além disso, segundo os estoicos, os deuses norteiam a vida humana, já os céticos nem mesmo acreditavam na possibilidade da existência dos deuses. Cícero tinha suas crenças particulares, como podemos perceber em De Oratore, obra que, segundo Leoni (1958, pέ 51), tratava de “uma exposição límpida e genuína da arte e da fé de Cícero”έ Assim, Cícero tinha todos os motivos para reunir também em seu corpus esse pensamento que, em princípio, tanto se diferenciava daqueles ensinamentos agregados por este na Academia platônica, que agora se tornara cética.
c) Cícero e o epicurismo como justificativa da vida filosófica
O ponto nevrálgico do epicurismo centra-se no prazer como a única forma para se viver bem. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, essa vida prazerosa não diz respeito a uma vida dissoluta, mergulhada nos mais diversos tipos de prazeres. Absolutamente! A vida prazerosa para Epicuro consistia sim num gozo de prazeres, mas num gozo moderado, em que a pessoa pudesse desfrutar das coisas da vida sem, no entanto, desequilibrar-se.
Porém, nem tudo na filosofia epicurista foi absorvido por Cícero. Um ponto na filosofia de Epicuro rejeitado por Cícero foi o fato de que, como o prazer era considerado o único bem para os epicuristas, e sendo a filosofia considerada por este como a atividade capaz de proporcionar o mais elevado grau de prazer, as pessoas deveriam se abster de quaisquer outras atividades para se dedicar unicamente à filosofia. Ao contrário de tudo isso, Cícero não tinha pretensões de deixar a política de Roma, mas sim esperanças de restaurar a república romana que se encontrava decadente.