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TEDARİKÇİ MÜŞTERİ

2.2.11. Kaizen’in İçerdikler

Problemas relacionados ao efeito estufa e ao aquecimento global pressionam a agricultura a ser cada vez mais eficiente e menos danosa ao ambiente. No Brasil, a fermentação entérica dos animais de criação (basicamente CH4 produzido pela

(CERRI et al., 2009). Uma vaca gera grande quantidade de CH4, podendo chegar a 500

L ou 357 g/dia (NEWBOLD; RODE, 2006). Pesquisadores brasileiros quantificaram a emissão de CH4 por vacas como sendo entre 278 a 403 g/d (PRIMAVESI et al., 2004).

Ao considerarmos o Estado de São Paulo, onde o desmatamento é nulo e a industrialização só tende a crescer, é de se imaginar que as reduções nas emissões antrópicas de gases de efeito estufa recairão em grande parte sobre o setor agropecuário. A Política Estadual de Mudanças Climáticas do Estado determinou que as emissões de 2020 deverão ser 20% menores do que as registradas em 2005.

É amplamente conhecido o conceito de que a produção de CH4 gera perdas

energéticas ao animal, variando entre 2 a 12% da energia bruta total consumida (VAN SOEST, 1994). Em contrapartida, a geração de CH4 pelas Archaea é vital ao equilíbrio

ruminal. O rúmen é ambiente extremamente redutor (potencial redox entre -250 e -450 mV) e, por esse motivo, produzir CH4 é a principal via de remoção de hidrogênio (H+).

Caso haja acúmulo de H+, há alta inibição dos sistemas enzimáticos microbianos, principalmente os que envolvem a regeneração de nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADH + H+ → NAD+ + H2; RUSSELL, 2002).

Sob certas condições, alguns óleos essenciais possuem capacidade, à semelhança dos ionóforos, de atuar seletivamente sobre as populações microbianas do rúmen (CALSAMIGLIA et al., 2007; BENCHAAR et al., 2008). Alterar o padrão fermentativo, reduzindo a relação C2:C3, torna o rúmen energicamente mais eficiente e

reduz a geração de CH4. Ao se produzir propionato não há produção de H+ como

observado para as rotas que levam à produção de acetato e butirato. Além disso, as vias metabólicas de produção de propionato servem de dreno de H+ (VAN SOEST, 1994; RUSSELL, 2002). Logo, maximizar a produção de propionato é competir com as metanogênicas por substrato.

Observou-se in vitro que o óleo de alho e o di-alil-di-sulfeto (300 mg/L) reduziram a produção de CH4 em 74% e 69%, respectivamente, efeito inclusive mais pronunciado

do que o observado para a monensina (42% de redução; BUSQUET et al., 2005b). O mesmo grupo de pesquisadores verificou que estas substâncias aumentaram a proporção de propionato e reduziram a de acetato (BUSQUET et al., 2005a, 2005b).

Além do efeito indireto na redução de CH4 pelo aumento de propionato, sugere-

se que o óleo de alho possui efeito direto sobre as metanogênicas, mediada pela ação de seus compostos organossulfurados sobre a enzima HMG-CoA (ver seção 2.2; BUSQUET et al., 2005a, 2005b). Em estudo in vitro de mais longa duração, a adição de 20 µg/mL de alicina reduziu a produção de CH4 sem efeitos sobre o padrão de AGCC e

a concentração de NH3 (McALLISTER; NEWBOLD, 2008). Por análises por PCR

(reação em cadeia da polimerase) em tempo real, estes autores observaram diminuição do DNA metanogênico sem alteração na quantidade de DNA bacteriano total.

Também com técnicas moleculares, confirmou-se que outros óleos essenciais (cinamaldeído, óleo de zimbro, além do óleo de alho) alteraram a diversidade dos microrganismos metanogênicos ruminais, todavia sem efeitos sobre a quantidade total de DNA metanogênico (OHENE-ADJEI et al., 2008).

Protozoários são colonizados em sua superfície por bactérias exo e endo- simbiontes, sendo expressiva a quantidade de Archaea metanogênicas (RUSSELL, 2002). Estudos demonstraram que 9 a 25% do total de metanogênicas encontradas no rúmen estão associadas aos protozoários (NEWBOLD; LASSALAS; JOUANY, 1995). Sugere-se que, quando existentes, os efeitos dos óleos essenciais na redução de CH4

estejam parcialmente associados à defaunação.

Os extratos metanólicos e etanólicos de funcho (Foeniculum vulgare), cravo-da- índia (Syzygium aromaticum) e alho (Allium sativum) inibiram a produção in vitro de CH4, com efeitos variados sobre a degradação (KAMRA; AGARWAL; CHAUDHARY,

2006). Dentre os materiais testados, o extrato metanólico de alho apresentou o melhor resultado, com 64% de redução na produção de CH4, sem afetar a atividade das

enzimas fibrolíticas e a degradabilidade da matéria seca (MS).

O conhecimento dos efeitos dos óleos essenciais sobre a metanogênese é muito carente de experimentos in vivo, principalmente os de longa duração. Os resultados existentes são bastante variados, com alguns trabalhos mostrando resultados promissores. O óleo encapsulado de raiz-forte (20 g/kg de MS consumida) apresentou 19% de redução de CH4 em novilhos, sem efeitos sobre a população de protozoários ou

a digestibilidade ruminal (MOHAMMED et al., 2004). Efeitos mais prolongados foram observados quando 250 mg/d de mistura de óleos de orégano reduziram em 12% o CH4

produzido por ovinos no decorrer de 15 dias (WANG; WANG; ZHOU, 2009). Da mesma forma, 2 g/kg de MS consumida de di-alil-di-sulfeto reduziram em 11% a emissão de CH4 em ovinos, com efeitos que perduraram por 23 dias (KLEVENHUSEN et al., 2010).

Folhas de orégano moídas (500 g/d) diminuíram em 40% a produção de CH4 em

vacas leiteiras, com aumento na eficiência alimentar e produção de leite corrigida para gordura (HRISTOV et al., 2010). Trabalho nacional demonstrou que 10 mL de óleo de eucalipto reduziram em 31% a emissão de CH4 em ovinos, novamente sem efeitos

negativos sobre a digestibilidade (SALLAM et al., 2009).

Por outro lado, há trabalhos com ausência de efeito, como ao usar 1 g/d de mistura comercial de óleos essenciais (Crina® Ruminants; timol, limoneno e guaiacol) para bovinos de corte (BEAUCHEMIN; MCGINN, 2006). Em outro estudo, o óleo de alho (5 g/d) e de zimbro (Juniperus communis; 2 g/d) também não foram capazes de reduzir a produção de CH4 de vacas em lactação (MEALE et al., 2010).

Por fim, mesmo com todas as preocupações ambientais, políticas e econômicas que tendem a se agravar com a iminência das mudanças climáticas, é compreensível que pecuaristas somente aceitem utilizar aditivos mitigadores de CH4 caso haja

benefícios diretos ou indiretos ao sistema de produção. Assim, torna-se claro que pesquisas visando reduzir a agressão ao meio ambiente e as consequências do câmbio climático devem sempre estar aliadas àquelas que gerem maior eficiência produtiva.