• Sonuç bulunamadı

2.2 Bulut Bilişim Teknolojisi

2.2.4 Tez Uygulamasında Kullanılan Platform ve Araçlar

2.2.4.2 Kaggle Platformu

sobrado de taipa existente anteriormente.

152 AHSP/SOP, V. 112, p. 24 (1896). 153 AHSP/SOP, V. 267, 1900, p. 42. 154

AHSP/SOP, CAIXA DE 1919.

155 AHSP/SOP, CAIXA DE 1921. Interessado: Manoel Asson, construtor. Arquiteto: Giácomo Carberi. 156 AHSP/SOP, V. 61, p. 49 e 58 (1894).

157

Figura 63. Neste projeto (n° 05 de 1886), o andar térreo era destinado ao comércio (Confeitaria Fasoli) e os dois pavimentos superiores para moradia. Por muitos anos abrigou a Óptica Lutz Ferrando atualà .à ,àM àDo ald s . AHSP, V. 112, p. 24. Fonte: O Centro de São Paulo há 100 anos, DPH.

Figura 64. Os frontispícios dos prédios n° 03 e n° 05 foram ligeiramente modificados já na construção e hoje nem se parecem com os originais. AHSP/SOP, V. 112, p. 24 a 29. Fonte: O Centro de São Paulo há 100 anos, DPH.

Nesse prédio, cuja frente media 13,4m, funcionou o escritório da “Light” (The São Paulo Tramway, Light & Power Co. Ltd.), que tinha no andar térreo, a firma “James Mitchell & Cia”, agentes da GE no Brasil que vendiam materiais elétricos (Figura 66). Nessa época, a

Light iniciava suas operações com o bonde elétrico158. As Figuras 65 e 66 ilustram esse prédio.

Mas esse endereço não sossegaria com a construção desse prédio. Menos de 17 anos após a sua construção, a “Guinle & Cia” entraria com pedido159 para demolição e construção de um

novo prédio, o Edifício Guinle, assinado pelos arquitetos Pujol Jr. e Augusto de Toledo. N° 01 N° 03 N° 05 N° 07 e 7A N° 09 N° 11 Palacete Tietê

Figura 65. Os edifícios Baruel (n° 01), da Sociedade de Beneficência Portuguesa (n° 03) e da Confeitaria Fasoli (n° 05), todos construídos por Rossi e Brenni, constituíram um conjunto harmônico na entrada da Rua Direita, a partir da Sé. Com exceção dos prédios ns. 01 e 07, todos permanecem ainda na rua. A numeração é a de 1886. Eletropaulo, A Cidade da Light, 1899-1930, V. 1.

158

A primeira linha ligava o centro (Largo São Bento) à Barra Funda, local onda morava o então prefeito

Antônio da Silva Prado, na Chácara do Carvalho. A segunda linha ligaria o centro ao Bom Retiro. A terceira,

inaugurada 20 dias depois da primeira, era a de Vila Buarque, onde morava a mãe do prefeito, Dona Veridiana

da Silva Prado158. Barros Ferreira, Meio Século de São Paulo, p. 19.

159

Figura 66. Escritório central da Light de 1900 a 1907 nos dois pavimentos superiores do prédio n. 07 da Rua Direita (atual ns. 37/49, Edifício Guinle). Nessa foto notam-seàasàa a has,àpuxadasàaà u o,àosàla pi esàaàg sàeàasàe t adasàdeà FO‘Çáà EàLU) àdeào deàe t ava àeàsaia àosàfiosàa pa adosàpo àisolado esàdeàpo ela a.àNo térreo, a firma James Mitchell & Cia .

À esquerda, no n 05, a Confeitaria Fasoli.

O Edifício Guinle.

No início do século XX, pela força da economia do café, São Paulo havia se transformado num imenso e agitado canteiro de obras, em razão dos alargamentos e retificações viárias que vinham sendo feitas desde o início da gestão (1899/1911) do prefeito Antônio da Silva Prado. Os imóveis atingidos pelas expropriações situavam-se basicamente dentro do Triângulo. Nessa época, as autoridades municipais preocupavam-se em fazer desaparecer os traços da velha arquitetura luso-brasileira que resistia nas ruas mais importantes da cidade que se tornara a Metrópole do Café. As autoridades andavam fazendo acordos com os proprietários das construções para garantir que os edifícios reconstruídos nos novos alinhamentos apresentassem fachadas condizentes com a paisagem urbana que a elite paulistana europeizada desejava. Isso vinha sendo feito na Rua 15 de Novembro desde 1904 a 1913, por exemplo. A Câmara Municipal aplicava-se em aprovar leis que promovessem a renovação dos edifícios da cidade com um nível aceitável de qualidade estética. No mês de setembro de 1912, o Eng. Sá Rocha analisava o projeto de um edifício de “cimento armado”, com oito pavimentos, a ser construído na Rua Direita, n° 07. A obra teria 32 m de altura e isso significava o dobro da altura dos prédios próximos e fronteiros – na maioria, construções de tijolos, com três pavimentos, erguidas a partir dos anos 1890. Contra o projeto em si o engenheiro nada tinha a alegar. Mas a altura que o prédio deveria atingir saía dos padrões até então observados em construções no centro da cidade. Naquele tempo, a construção mais recente era o Prédio Barão de Iguape (1909 - 1912), na esquina da Rua Direita com a Rua São Bento, e sua altura correspondia a cinco pavimentos. A altura de 32 metros e o contraste visual incomodava o pessoal da prefeitura. Enviada a questão à Câmara Municipal, a Comissão de Obras admitiu a conveniência de limitar a altura máxima da construção a ser erguida na Rua Direita. Não deveria exceder duas vezes e meia a largura da via no ponto em que seria levantada. Isso redundava em 28,60m de altura, por ter aí a via pública 11,45m de largura média. A solução proposta, no entanto, não foi aceita pela Comissão de Justiça. Após idas e vindas, finalmente por meio da Resolução n° 32, de 23 de novembro de 1912, a Prefeitura autorizou a construção do prédio, com a altura prevista de 32 m (Figura 68). Com o acréscimo de duas edículas na cobertura, a altura total subiu para cerca de 36m. Consta que foi decisiva para a aprovação do projeto de Hippolyto Pujol Jr. e Augusto de Toledo a visita que fez o eminente engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza, então diretor da Escola Politécnica (sucedido por Ramos de Azevedo em 1917), ao então prefeito Barão de Duprat,

convencendo-o da estabilidade da futura construção160. Em Janeiro de 1913, o eng. Hyppolyto recebeu licença161 para fechar toda a largura do passeio (Figura 69). Em 1915, obteve licença para ligação162 de água e esgoto e, em 1921, autorização163 para construção de caixa forte. O Edifício Guinle possuía dois elevadores e em 2004 ainda podiam-se ver as marcas de seu acesso frontal. Talvez tenham sido um dos primeiros elevadores da Rua Direita, perdendo apenas para o Prédio Barão de Iguape. Elevadores já não eram tão raros em São Paulo, nessa época. O primeiro164 elevador de São Paulo foi construído em 1895 pelo Cel. Antônio Proost

Rodovalho no alto da ladeira da Penha para acessar sua residência, o “Palácio da Penha”. Já o primeiro elevador com sistema de segurança165, com portas independentes, foi instalado, em 1906, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Figura 67. Detalhe da foto (c. 1940) de Hildegard Rosenthal. Casa Italiana (fazendas), Lutz Ferrando (óculos) e o Edifício Guinle compõem o lado esquerdo da primeira quadra da Rua Direita, vindo do Largo da Sé. IMS, Cenas Urbanas, p. 36.

160 Informativo do AHSP, Ano 2, N° 11, Março/Abril 2007. 161 AHSP/SOP, caixa de 1913.

162

AHSP/SOP, caixa de 1915.

163 AHSP/SOP, caixa de 1921. O pedido é feito por Arthur Krug, Maya & Cia. 164 OESP, 03/07/1952, p. 5.

165

O Edifício Guinle, existente até hoje na Rua Direita nº 37/49, foi ocupado pela ‘Eletrotécnica Paulista’, de “Martins & Sant’Anna”, e depois pela “Casa B. Santana & Cia” e pela “Cia Seguradora Brasileira”. Desde 1997, é propriedade da “Mundial Calçados” que o restaurou, como veremos adiante. Foi tombado pela resolução ‘Tombamento Ex-officio’ 5/91 (1991). No lote de número 09, a construção do atual prédio (Figura 70) ocorreu em 1895, a cargo de

José Fernandes Pinto, e foi simultânea166 à do número 07, depois demolido. A princípio seguiu a arquitetura de fachada do prédio de n° 11, construído anteriormente, confundindo-se com este. No final do século XIX, o andar térreo veio a ser ocupado pela empresa Arens

Irmãos, fabricantes de ‘machinas’ (Figura 66). Em 1912, tendo como interessado José Rossi, há um pedido de licença para melhoria das condiçõs de higiene167 no interior do andares superiores e, em1919, tendo como interessado Aderlado Soares Caiuby, há pedidos168 para

construção de W. C., entrada de cimento armado e construção de galeria de madeira. Outro remanescente século XIX, foi relacionado em 1991, com nível de preservação de envoltória.

Figura 68. Fachada do Palacete Guinle, tal como foi aprovada em 1912: com oito pavimentos e ainda sem as edículas da cobertura. DPH/PMSP.

Figura 69. Detalhe da fase de acabamento do edifício em 1914. BMA/TSP (álbuns de fotografias virtuais).

166 AHSP/SOP, v. 82, 1895, p. 1 e 1A. O pedido é para a construção dos prédios n° 07 e 09. 167 AHSP/SOP, CAIXA DE 1910.

168

Figura 70. Número 09: planta do primeiro e do segundo andar e elevação dos três pavimentos. No térreo, loja, e nos andares superiores moradia. AHSP/SOP 1912.001561-PR001.

O lote de número 11 (06 de 1809) - esquina com a Rua do Ouvidor (atual José Bonifácio) propriedade do Mosteiro de São Bento (conforme as Décimas) - pertenceria em 1891 a José

Estanislau do Amaral, que recebeu uma intimação169 em 1893 para demolição da parede divisória com o prédio vizinho (do mesmo proprietário) e confiou a Oscar Vileinschmidt a construção170 do atual e conhecido Prédio de Torreão (1897). Reformado171 que foi, em

169 AHSP, SOP 054, p. s/n° (1893). 170 AHSP, SOP 008, p. s/n° (1897). 171

1906/1907, conforme planta da Figura 71 e tendo como proprietário Manoel Ferreira, viria ser ocupado pela loja de modas (Casa de Costura) ‘La Saison’, que colocou sua marca no torreão (Figura 72). Em 1915, há uma solicitação da “Cia Iniciadora Predial” de transformação172 de duas portas em uma, com a supressão de um pilar. Mas, sem dúvida nenhuma, esse prédio ficou conhecido como o prédio da ‘Drogaria Amarante’, de João

Baptista Amarante e depois “Lima, Amarante e Cia”, que possuía um laboratório para

aviamento de receitas173. Esse prédio também foi ocupado pela Drogasil, que absorveu a Amarante (Figura 73) e está lá até hoje, compondo uma das quadras mais preservadas da Rua Direita, Teve seu tombamento de fachada e volumetria em 1991. Em 1908, esse prédio foi vendido174 por Cândido Ferreira da Silva para José de Paula Leite Barros por 220 contos de reis. Os altos desse edifício abrigaram o ‘Clube dos Tenentes do Diabo’ e o ‘Salão dos Tenentes’ e, na década de 1950, o edifício abrigou o decantado Hotel Triângulo (Figura 74).

Figura 71. Em 14/12/1906, carta do Sr. Manoel Ferreira (na qualidade de interessado), informando que pretendia reformar internamente o 1° e o 2° andar do prédio da Rua direita n° 11 (esquina com José Bonifácio), anexa a planta desse edifício construído em 1897, em escala (original) 1:100. A obra é confiada a Cia Iniciadora Predial. O trecho inferior do frontispício tem cerca de 10 m e está alinhado com a Rua direita e os dois trechos do lado direito estão na Rua José Bonifácio. Os andares superiores foram projetados para abrigar residência e viraram hotel. AHSP/SOP 1906.000513 PR01.

172 AHSP/SOP, CAIXA de 1915.

173 Pedro Luiz Pereira de Sousa, A Casa do Barão de Iguape, p. 18. 174

Figura 72. À direita, o Prédio de Torreão, com a loja Laà“aiso ,à oà o eçoàdoàsé uloàXX.à‘efo adoà ueàfoià essaàépo a,à destaca-se do de número 09, mais escuro, construído em 1895. Os trilhos são para os bondes a burros. À esquerda, na esquina com o Largo da Misericórdia, o globo iluminado a gás do charuteiro Nunes. BMA/TSP.

Figura 73. O mesmo Prédio de Torreão em c. 1918, já tendo ao fundo o Edifício Guinle e abrigando a Drogaria Amarante. Tanto a iluminação como a tração dos bondes já são elétricas. À esquerda, o Palacete Carvalho e, à direita, o edifício I. R. F. Matarazzo. BMA/TSP.

N° 07 N° 09 N° 11

Nunes

Nas palavras de Barros Ferreira:

Na entrada do Jornal do Comércio, na Rua Direita, reuniam-se os intelectuais jovens do tempo para verem as elegantes desfilar. Compareciam175 os automóveis dos últimos

modelos. A ‘Baratinha’ tinha ali a consagração. Os bondes passavam tilintando, pedindo passagem. Gente entrava e saía do Hotel Triângulo, com entrada pela Rua Direita.

Figura 74. Detalhe da foto do final da década de 1920. Aspecto da entrada do Hotel Triângulo, no Prédio de Torreão. Musa, p. 131.

Figura 75. Vista interna da Drogaria Amarante. Álbum Drogasil, 1954.

A Drogaria Amarante (Figura 75) faria sucesso, com bem montada loja na esquina da Rua Direita com a Rua José Bonifácio. Na descrição de Pedro Luiz Pereira de Sousa176:

Drogaria Amarante - Na Rua Direita e começo da José Bonifácio (antiga Ouvidor), com enorme e variado sortimento de drogas e medicamentos especiais, possuindo um excelente laboratório para aviamento das receitas. Era seu proprietário o Sr. João Baptista Amarante, nome respeitado e muito acatado no comércio e na nossa sociedade.

Na Figura 76, desenhamos um esboço do quarteirão com as medidas das frentes, conforme as plantas obtidas. A soma das medidas coincide com a medida total encontrada nas informações

175 Barros Ferreira, O Nobre e Antigo Bairro da Sé, p. 127. 176

Pedro Luiz Pereira de Sousa, A Casa do Barão de Iguape, p. 37. Hotel Triângulo

de emplacamento177 do AHSP. Antes da construção do Edifício Guinle, o prédio de Torreão era o mais caro da quadra, tendo a proprietária Joaquina Angelina da Silva Araújo pago, em 1886, 302$400 réis (trezentos e dois mil e quatrocentos réis) de Imposto Predial178.

Concluímos que nesse período a Quadra A, onde, em meados do Século XIX, predominavam os negócios de fazenda seca, teve seu perfil alterado pelas instalações das drogarias nas suas extremidades (n° 01 e 11) e a construção do Edifício Guinle (n° 7 e 7A), com a empresa “Guinle & Cia”, substituindo empresas também do ramo de eletricidade, como a “Light” e “James Mitchell & Cia”, ladeados pela comerciante de máquinas “Arens Irmãos” (Figura 76). No n° 05 se estabeleceu a “Confeitaria Fasoli” (onde hoje é o “McDonald’s”, Rua Direita n° 33) e no n° 03 a loja de fazendas “Casa Italiana” (onde hoje está “Lojas Marisa”, Rua Direita n° 25). Portanto nesse período a Rua Direita afastou-se nessa quadra da sua vocação mercantil têxtil, para a qual voltou alguns anos depois.

Figura 76. Esboço do Quarteirão/Quadra A, com as dimensões das frentes em metros, conforme as plantas individuais.

177 AHSP, Rua Direita, Emplacamento, livro 14, p. 205 (1938). 178

Imposto Predial lançado em 26/08/1886, publicado no Correio Paulistano de 08/10/1886, p. 2. FASOLI LIGHT ARENS AMARANTE