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2. TÜRKİYE’DE KADINA YÖNELİK ŞİDDET ARAŞTIRMASI (2007)

2.2. VERİ TOPLAMA ARAÇLARI

É importante pensar nas formações em que o seu aporte teórico esteja em consonância com a prática e a realidade sociocultural daqueles que vão passar pelo processo de ensino- aprendizagem. Isso vale para os cursos de formação inicial e continuada de educadores, mas especialmente, para as classes de Ensino Fundamental e Médio. Na visão do Prof. Espedito Cardoso (ARAÚJO, 2013, p. 67) se acontecer o inverso disso no sertão é possível que alargue ainda mais a distância existente “entre a teoria dos projetos e a realidade dos habitantes do semiárido”. Os conteúdos didáticos não podem estar atrelados a realidades outras que não seja a dos educandos, para que estes não soem falsos e sem sentido. Esse estudioso defende uma melhor educação no semiárido e luta para que esta esteja atrelada a valores reais, que neguem os estereótipos ou as caricaturalizações dos conteúdos. É o mestre quem chama a atenção para o fato que segue:

no semiárido, não só de imagem da seca se vive, assim como, em outras regiões do Brasil, não se vive só de imagens das chuvas. No semiárido, não se tem somente a imagem da vaquinha magra, morta à beira das estradas, como reforçam os meios de comunicação, mas também há o gado gordo, que alimenta e sustenta a economia da região (ARAÚJO, 2013, p. 68).

Adotar abordagens pedagógicas desatualizadas, que escondem a verdade, , é uma postura que pode denegrir e estereotipar o semiárido, a caatinga e a arte que é produzida no sertão. Este é um modo no mínimo perverso de atuar em sala de aula. Não estou dizendo que o educador deva fi car preso aos conteúdos regionais, mas que ele dê a devida atenção às

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questões locais em diálogo com as universais.

Defendo bons cursos de formação inicial e continuada no sertão para que cada educador tenha melhores condições de combater a força da mídia e das ideologias que distorcem e tentam incutir nas pessoas uma noção de que o semiárido é uma região desprivilegiada, naturalmente desfavorecida e, portanto, inferior. Essas ideologias são perversas porque geram a negação da identidade do povo, especialmente das crianças.

Quanto às abordagens que aproximam determinadas regiões do país com o intuito de contrastar aspectos naturais em que uma mostra a vegetação verde e a outra uma imagem negativa da vegetação catingueira, sempre ‘cinzenta’ e ‘sem vida’, é no mínimo uma abordagem de má-fé, aos olhos do Prof. Espedito Cardoso de Araújo. Ouvindo sua voz compreendo que abordagens deste tipo

perpassa pela má-fé de querer negar as belezas que poderiam também estar nos conteúdos e nos livros das escolas do semiárido. Fazendo assim, tira-se da criança que está nessa escola a possibilidade de refl etir, de experimentar e de descrever o milagre da natureza em sua região, a cada novo período chuvoso. Tira-se da criança a possibilidade de entender que, assim como em outras regiões do Brasil, torna-se igualmente importante o período das chuvas e o período das estiagens, pois a natureza também precisa de sol, assim como precisa da água. Procura-se incutir cada vez mais a ideia de combater a seca, como se o homem do semiárido não tivesse a capacidade de buscar meios para conviver com esse fenômeno natural (ARAÚJO, 2013, p. 67-68).

Esse estudioso seridoense tem ciência de que não é possível combater os fenômenos naturais, mas é perfeitamente viável conviver com esses, a partir das buscas de alternativas e de transformações favoráveis a uma boa convivência com a natureza. Aponto à questão da singularidade regional do ensino para que cada educador atente aos modos de receber os conteúdos (prontos) do Estado, por meio dos livros didáticos, sem se distrair na hora de realizar as práticas nas escolas. Para o Prof. Araújo, essa preocupação com o ensino vem atrelada a exigência de um processo de formação de educadores. É importante que esta formação esteja diretamente ligada ao contexto, ao mesmo tempo em que vise resgatar o valor da escola e da vida (ARAÚJO, 2013, p. 69), e eu acrescentaria, da Arte, porque por meio da arte é possível encontrar a potência criadora capaz de desvelar e transcender diversas questões importantes que são inerentes a existência humana.

As políticas educacionais implementadas na atualidade, em certa medida, continuam atreladas a um utilitarismo imediatista, pois são geradas no bojo de um paradigma gerencial, que vem orientando as decisões governamentais desde a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2003). A estudiosa Rose Cléia Ramos da Silva chama a atenção para as políticas formuladas e executadas durante a gestão do Governo Lula, com a implementação de programas

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em que se inserem, também, a modernização dos processos de gestão nas escolas. Silva (2011) evidencia o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), anunciado em 2007 pelo Governo Lula, pois esse trouxe uma série de medidas que visavam à melhoria da educação no Brasil, incluindo à formação dos educadores. No entanto, a estudiosa ressalta algo em suas análises que merece atenção:

o PDE dá sinais de que se caracteriza como um mecanismo político e econômico que não rompe com o modelo de desenvolvimento excludente. Para a educação, algumas ações contidas no PDE parecem conter a lógica do aligeiramento e da massifi cação. É o caso da formação de professores (SILVA, 2011, p. 154-155).

O aligeiramento e a massifi cação na formação dos educadores que são referidos pela pesquisadora devem ser combatidos pela sociedade, pois seguem os preceitos do utilitarismo imediatista, onde a escola tem uma função e uma utilidade, seguindo a lógica da aceleração e do mercado. No entanto, pensando de forma micro41, trazendo a responsabilidade para mim, levanto novas indagações: nós educadores, estamos contentes com o que está posto no campo da formação docente? O que fazemos diante disso, nos paralisamos ou nos mobilizamos? Sabemos o que queremos conseguir? Que estratégias de ação adotamos? Envolvemo-nos e nos articulamos em rede, nos movimentando em prol de políticas educacionais efi cazes que, de fato, mudem para melhorar o ensino em todos os níveis no Brasil?

Diante do exposto aqui, é oportuno que cada educador que atua dentro dos limites do semiárido, mas também aqueles que estão para além destas fronteiras, fi que atento aos processos de formação inicial e continuada que vivencia, cuidando para que ela esteja em consonância com o seu contexto de atuação docente. A apropriação que os educadores fazem dos conteúdos curriculares é importante, pois juntamente com o arsenal teórico/metodológico que é produzido, disponibilizado e utilizado por ele no exercício de suas práticas em sala de aula, de forma crítica e responsável, refl ete diretamente na qualidade das suas ações pedagógicas que são realizadas na escola.