Do método analítico utilizado, foi possível detectar na fração bagaço/semente teores de Ba, Cu, Ni e Zn. Com relação ao tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras, foram observadas médias superiores para os teores de Ba, Ni e Zn nos tratamentos que foram irrigados com água residuária ( Tabela 16).
Tabela 16. Teores médios de metais pesados (Ba, Cu, Ni e Zn) na fração bagaço/semente de laranjas em função dos tipos de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
FV GL Ba Cu Ni Zn Teste F Dose 5 79,91* 17,48* 11,62* 8,12* Água 1 8,09* 0,67NS 7,08* 6,05* D x A 5 8,85* 3,05* 5,36* 13,85* Água --- mg dm-3--- A.P. 5,41 b 3,06 0,18 b 8,24 b A.R. 5,95 a 3,12 0,21 a 9,00 a CV(%) 10,1 7,63 15,63 10,73
A.P. - Água Potável e A.R. - Água Residuária. Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem significativamente ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
Apesar da interação significativa, não houve adequação da equação de regressão entre doses e os teores de Ba, Cu, Ni e Zn na fração bagaço/semente (Tabela 17).
Tabela 17. Médias dos teores de Ba, Cu, Ni e Zn na fração bagaço/semente em função das doses de lodo de esgoto compostado e tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
Dose (t ha-1) 0 12 24 36 48 60 Água --- Ba (mg dm-3) --- A.P. 1,60 8,21 6,73 6,50 4,76 7,94 A.R. 1,70 7,07 5,99 6,37 6,17 5,17 Média 1,65 7,64 6,36 6,44 5,47 6,56 --- Cu (mg dm-3) --- A.P. 2,4 2,92 3,17 3,09 3,25 3,51 A.R. 2,29 3,44 2,77 3,32 3,54 3,38 Média 2,35 3,18 2,97 3,21 3,40 3,45 --- Ni (mg dm-3) --- A.P. 0,17 0,16 0,14 0,2 0,15 0,26 A.R. 0,11 0,26 0,16 0,25 0,23 0,24 Média 0,14 0,21 0,15 0,23 0,19 0,25 --- Zn (mg dm-3) --- A.P. 7,4 10,87 7,96 7,04 7,99 8,18 A.R. 7,75 7,25 10,52 8,41 12,55 7,51 Média 7,58 9,06 9,24 7,73 10,27 7,85
Assim como na fração bagaço/semente foi detectado na casca das laranjas teores de Ba, Cu, Ni e Zn. Houve diferença significativa quanto ao tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras, os tratamentos que foram irrigados com água residuária apresentaram teores mais elevados de Cu na casca (Tabela 18).
Tabela 18. Teores médios de metais pesados (Ba, Cu, Ni e Zn) na fração casca de laranjas em função do tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
FV GL Ba Cu Ni Zn Teste F Dose 5 34,63* 27,90* 96,88* 28,46* Água 1 1,42NS 65,30* 2,42NS 2,78NS D x A 5 6,99* 22,27* 5,78* 16,45* Água --- mg dm-3 --- A.P. 7,00 1,81 b 0,20 16,36 A.R. 7,26 2,33 a 0,21 17,23 CV(%) 9,09 9,28 7,97 9,35
A.P. - Água Potável e A.R. - Água Residuária. Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem
significativamente ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
Apesar da interação significativa, não houve adequação da equação de regressão entre dose e o teor de Ba na casca das laranjeiras (Tabela 19).
Tabela 19. Médias dos teores de Ba na fração casca em função das doses de lodo de esgoto compostado e tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
Dose (t ha-1) 0 12 24 36 48 60
Água ---Ba (mg dm-3)---
A.P. 4,90 9,91 8,17 7,24 5,80 7,55
A.R. 4,72 9,39 7,06 6,33 8,28 6,24
Média 4,81 9,65 7,62 6,79 7,04 6,90
Figura 15. Teores médios de Cu, Ni e Zn na casca da laranja em função das doses de lodos de esgoto aplicadas e do tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
Santos et al. (2011) evidenciaram baixos teores de metais pesados na casca de tangerinas ´Ponkan`, sendo detectado baixos teores de Cr e Pb, visto que a determinação dos outros metais pesados não atingiram a sensibilidade do método analítico utilizado.
No suco da laranja foi possível detectar teores de Cu e Zn, sendo que houve diferença significativa nos teores de Zn que foram maiores nos tratamentos irrigados com água residuária (Tabela 20).
Tabela 20. Teores médios de metais pesados (Cu e Zn) no suco de laranjas em função do tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
FV GL Cu Zn Teste F Dose 5 18,66* 15,89* Água 1 0,12NS 23,77* D x A 5 2,81* 10,17* Água --- mg kg-1--- A.P. 0,20 0,34 b A.R. 0,19 0,42 a CV(%) 11,41 13,37
A.P. - Água Potável e A.R. - Água Residuária. Médias seguidas por letras distintas na coluna diferem significativamente ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
De acordo com a figura 16 é possível verificar que com o aumento das doses de lodo de esgoto compostado aplicadas houve aumento nos teores de Cu e Zn.
Figura 16. Teores médios de metais pesados (Cu e Zn) no suco de laranja em função das doses de lodos de esgoto aplicadas e do tipo de água utilizada na irrigação das laranjeiras.
Apesar das diferenças encontradas, os teores de metais pesados em todos os tratamentos estão abaixo do limite máximo de tolerância estabelecido no Decreto nº 55.871, de 26 de março de 1965 (BRASIL, 1965), ainda em vigor, sendo os limites máximos de tolerância (LMT) em frutas (matéria seca) para os elementos Cu e Zn, 30 e 25 mg kg-1 respectivamente.
É importante ressaltar que, muitas vezes o risco de contaminação dos pomares por metais pesados não se dá apenas pela utilização do lodo de esgoto, há também o risco inerente de contaminação do pomar pela aplicação de fertilizantes e corretivos que podem conter altos teores de metais pesados (MARCHIORI JÚNIOR, 2002)
5 CONCLUSÕES
A aplicação do lodo de esgoto compostado no solo proporcionou redução do pH e dos teores de K e Mg e aumento dos teores de M.O., P, CTC, V%, Ca, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn.
O lodo de esgoto compostado não foi capaz de fornecer quantidades adequadas de Mn para as laranjeiras e forneceu teores de S acima da faixa considerada adequada.
O lodo de esgoto compostado foi capaz de suprir a demanda de N pelas laranjeiras.
Os teores de metais pesados detectados não apresentam risco de contaminação do solo e os teores encontrados nos frutos apresentam-se muito abaixo dos limites estabelecidos pela legislação.
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