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BÖLÜM 3: EV HİZMETİNDE ÇALIŞAN KADINLARA YÖNELİK BİR

3.1. Araştırmanın Bulguları

3.1.3. Kadınların Çalışma Hayatına Bakış Açısına Yönelik Değerlendirmeler

O desejo de levar The Children's Hour para as telas tal como a peça era nunca foi abandonado por William Wyler. Em 1960, ele retoma o projeto em associação com a United Artists, arriscando, se necessário fosse, produzir o filme sem o selo de aprovação137 do Código de Produção. Com o projeto da refilmagem de The Children´s Hour em andamento, além da pressão que os estúdios faziam para que o Código diminuísse suas restrições, houve uma revisão de regras em 1961, mostrando sinais de abrandamento que, embora tímidos, possibilitariam que a nova versão não ficasse sem o selo. Como informa Alison A. Grounds (2006):

Em três de outubro de 1961, a Associação de Cinema da América (MPAA) aprovou uma mudança no Código de Produção permitindo a representação da homossexualidade e outras aberrações sexuais quando 'tratadas com cuidado, discrição e prudência'.138

137 O selo era uma forma da Associação de Cinema da América (MPAA) garantir o controle da produção, uma vez que as salas de cinema não exibiriam filmes que não tivessem o selo de aprovação.

138 “In October 3, 1961, the Motion Picture Association of America approved a change in the Production Code to allow the depiction of homosexuality and other sexual aberrations when 'treated with care, discretion and restraint'.”

Em outras palavras, a representação da homossexualidade estava sendo liberada de forma apenas parcial e com uma espécie de controle de qualidade do Código, sendo possível afirmar que, trinta anos após a instauração dele na indústria cinematográfica, a proposta de mudança nos anos 1960 ainda era bastante tímida, indicando o atraso social em relação à questão.

Hellman foi convidada por Wyler para roteirizar novamente a peça, dessa vez com liberdade de manter o enredo original. A priori ela aceitou, contudo a morte de seu companheiro Dashiell Hammett, em 1961, causou-lhe desinteresse, o que a fez abandonar o roteiro, em seguida assumido por John Michael Hayes, roteirista até então conhecido por seu excelente trabalho com o diretor inglês Alfred Hitchcock em filmes como Rear Window (Janela Indiscreta – 1954) e The Man Who Knew Too Much (O Homem que Sabia Demais – 1956).

O roteiro de Hayes, embora apresente inúmeras pequenas modificações em relação à peça, mantém os principais eventos, assim com a linha narrativa central. Uma modificação, porém, merece comentários: o suicídio de Martha após saber da verdade pela própria Sra. Tilford. Na peça, a Sra. Tilford tenta telefonar para a escola para falar que descobriu a verdade, porém as professoras não atendem. Após a confissão de seu amor por Karen, Martha suicida-se e só então a Sra. Tilford chega. Hayes modificou tal cena de forma considerável, de modo que, quando a Sra. Tilford chega à escola para contar que descobriu a mentira que a neta contou e a chantagem para que Rosalie corroborasse com sua história, Martha e Karen ouvem-na. Essa mudança é importantíssima: na peça, Martha não teve a chance de saber; agora ela sabe e mesmo assim enforca-se. A alteração rendeu nas telas a seqüência cinematograficamente mais bela do filme: após a saída da Sra. Tilford da escola, Martha recolhe-se em seu quarto e Karen vai caminhar. Enquanto caminha, Karen olha para a janela de Martha e vê que ela está fechando-a. Continua a andar, pressente que há algo errado

e volta para a casa (a música reforça o clima). O quarto de Martha está trancado. Karen chama-a, ela não responde, o que obriga Karen a forçar a porta com um candelabro. A câmera mostra a porta na qual Karen bate, dessa vez por dentro do quarto, podendo ser vista a sombra de uma corda em linha reta. Ao entrar, a câmera mostra em close o rosto de Karen, em desespero e corta para dentro do quarto, no nível do chão, o que só permite ver uma cadeira caída, a sombra de dois pés balançando e um sapato próximo à cadeira139.

Para Westbrook, o suicídio de Martha após o pedido de perdão e reparos da Sra. Tilford enfraquece o filme: “Continuar o filme depois das revelações da Sra. Tilford tem o mesmo efeito que terminar a peça com o suicídio de Martha. O centro do drama afasta-se do problema da Sra. Tilford e de como ela exerce poder”140 (WESTBROOK, 2006a). Isso implica dizer que, uma vez sabendo da verdade, Martha não precisaria se suicidar, pois teria sua vida devidamente restaurada. É nesse ponto que o filme avança em relação à peça: mesmo passados trinta anos da estréia, a homossexualidade permanecia um assunto tabu, a ponto de não interessar mais a Martha ter sua escola de volta e sua moral perante a sociedade restituída. O que Martha descobre é que realmente ama Karen e que tal sentimento é anormal por não saber lidar com ele. Mesmo com o apoio de Karen ao dizer que “Esse não é um novo pecado que eles dizem que nós cometemos. Outras pessoas não foram destruídas por ele”141, Martha sabe que, por não compreendê-lo e não aceitá-lo, ela não pode viver como as outras pessoas: “Essas são as pessoas que querem isso. Que acreditam nisso. Que escolheram isso para elas. Isso deve ser muito diferente”142. Logo, querer, acreditar e escolher são opções muito diferentes de alguém como ela que não consegue lidar com o que descobriu. O suicídio, mesmo após a visita da Sra. Tilford, faz sentido, porque reforça a opção da personagem em

139 Ao final dessa seção, encontram-se algumas fotos de cena comentadas dos filmes The Children´s Hour e

These Three.

140Continuing the film beyond the point of Mrs. Tilford's revelations has the same effect as ending the play with Martha's suicide. The center of the drama shifts each time away from the problem of Mrs. Tilford and how she exercises power.”

141“But this isn´t a new sin they tell us we´ve done. Other people aren´t destroyed by it.” HELLMAN, 1971a, p. 64.

não poder viver em um mundo no qual não há espaço para um amor como o dela e uma pessoa como ela. Embora Karen tente imaginar um mundo melhor, Martha tem consciência de que seus dias não seriam nada fáceis. O filme mostra que a perspectiva de reparação financeira e moral em nada alteraria a posição de Martha, pois o que a sociedade pensa e a forma como a sociedade trata pessoas como ela ficou evidenciada de várias formas: a retirada das meninas da escola, o veredicto do júri, a desconfiança de Joe.

Segundo Grounds (2006), o suicídio de Martha era uma solução comum nos filmes:

A resolução de The Children's Hour é característica do destino de personagens homossexuais nos filmes dos anos 1960. Embora a questão da invisibilidade fosse remediada, a crescente visibilidade de lésbicas vinha acompanhada de retratos de homossexuais violentas, predatórias, manifestas ou solitárias. The Children's Hour representa a típica caracterização na qual uma homossexual reprimida e atormentada suicida-se porque parece ser a única opção viável para lidar com desejos sexuais tão inaceitáveis.143

É tentador aceitar a opinião de Grounds. No entanto, não se deve considerar Martha uma personagem deslocada da realidade apresentada na peça. A questão para Martha não é apenas aceitar seus desejos sexuais e, principalmente, afetivos – embora esses não sejam mencionados na crítica – mas aceitá-los após o que ela vivenciou naqueles meses. Assumir a homossexualidade naquele momento seria atribuir a si mesma uma condição que ela não poderia suportar. Assim, a forma como Martha foi retratada em The Children's Hour não está apenas em conformidade com o tratamento “cuidadoso, discreto e prudente” solicitado pelo Código; também está em conformidade com a repressão que a sociedade oferecia àqueles que se desviavam de sua norma de conduta. É esse o grande ganho do filme: mostrar que o suicídio não é uma decisão pessoal e isolada da esfera social, pelo contrário, é incentivado por ela.

143 “The resolution of The Children’s Hour is characteristic of the fate of homosexual characters in the movies of the 1960s. Although the issue of invisibility was remedied, the increasing visibility of lesbians was accompanied by portrayals of violent, predatory, overt or lonely homosexuals. The Children’s Hour represents a typical characterization in which a repressed, tortured homosexual commits suicide because it appears to be the only viable option to dealing with such unacceptable sexual desires.”

Ao final do filme, Martha é enterrada e Karen despede-se colocando uma flor em seu caixão. A Sra. Mortar, que assiste ao gesto de Karen sentada, é em seguida colocada em um táxi. Joe e a Sra. Tilford assistem à cena enquanto Karen sai andando sem olhar para ninguém. Tal final apresenta uma espécie de resolução mais explicativa para as platéias de cinema: apesar de tudo, Karen venceu a infâmia e a injustiça e, apesar da morte da amiga, ela pode caminhar digna e de cabeça erguida novamente. Sem dúvida, a cena final resolve um problema para o espectador que a peça deixa em aberto: o final de Karen é incerto, pois não se sabe se ela vai procurar Joe; se ela vai aceitar a proposta da Sra. Tilford; se ela vai ficar na cidade ou vai embora; e, principalmente, se ela algum dia vai se recuperar de tudo aquilo. O filme mostra uma Karen já recuperada, porém ainda consciente do mal imposto pela sociedade.