BÖLÜM 2: ŞĐDDET: KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE
2.2. Aile Đçi Şiddet
2.2.2. Kadına Yönelik Şiddet
sentido(no(discurso(musical(
Na tese de Monteiro, observamos o enfoque imanente do pesquisador em um percurso que vai da substância sonora à constituição dos paradigmas regentes dos sistemas musicais possíveis. O autor aponta que seu objetivo inicial era comprovar a viabilidade da aplicação dos princípios da semiótica musical a um corpus não ocidental:
O presente trabalho estruturou-se inicialmente a partir de um único projeto: fazer as adaptações que se mostrassem necessárias para que o modelo de análise do discurso musical por nós desenvolvido ao longo de nosso programa de mestrado pudesse ser estendido a um corpus não-ocidental, fosse ele um produto genuíno de uma outra tradição ou concepção musical (e.g.: uma raga indiana, o Gagaku japonês ou uma canção egípcia), fosse um canto híbrido tal qual se encontra no Brasil [...] (Monteiro, 2002, p. 15).
Para a sustentação de suas hipóteses e explanações, Monteiro vale-se de longas revisões e discussões históricas, procurando realizar uma espécie de arqueologia dos paradigmas musicais. Entre suas preocupações, notamos a métrica e o sistema escalar, bem como a intenção de cristalizar e avançar questões relativas à semiótica da canção, como no capítulo em que analisa “Yesterday” de Lennon e McCartney.
Uma rápida passada de olhos na sequência de capítulos deixa-nos ver que, embora o autor tivesse sobretudo uma preocupação estruturalista em relação ao discurso, em muitos momentos a busca por um significado histórico acabou por nortear as conclusões do trabalho. Vejamos.
No primeiro capítulo, ele discute a questão métrica, introduzindo um apanhado histórico desde a Grécia clássica até o advento da Ars Nova (sec. XIV). O objetivo do autor é provar a herança grega na música ocidental nos dias de hoje:
[...] Não é tão correto afirmar que a música ocidental se libertou da métrica grega a partir da Ars Nova quanto se demonstrar que a métrica, a prosódia e a teoria musical grega passaram de limites a fundamentos de todo o desenvolvimento subsequente da teoria e da prática musical do ocidente (Monteiro, 2002, p. 23).
Mais adiante, o autor realiza uma análise da canção “Feitio de oração”, de Vadico e Noel Rosa, apoiando-se na métrica grega.
No segundo capítulo, o autor propõe abrangente análise da canção “Yesterday”. Definitivamente, não é possível dizer que a metodologia aqui utilizada tenha sido a semiótica da canção de Luiz Tatit. Ricardo inclui aspectos relacionados a métrica, harmonia, tensões melódicas, culminando em uma espécie de semântica narrativa melódica; finalmente, coteja o plano
de conteúdo melódico e harmônico com o plano de conteúdo verbal.
No terceiro capítulo, o foco desloca-se para discussões sobre os sistemas escalares e seus paradigmas de afinação. Essa discussão a respeito
dos modos de recorte da substância sonora parece ao autor pertinente para a compreensão da significação em outros discursos que não da tradição ocidental. A perspectiva do pesquisador vai ao encontro do nosso ponto de vista, pois, como já dissemos, o tipo de recorte dado à substância sonora é equivalente ao recorte fonético da linguagem verbal; portanto, bastante significativo para a compreensão da construção do sentido. Ressalta Monteiro:
Por detrás da aparente tecnicidade e especificidade da questão da afinação, imperativos culturais e sociológicos condicionam juntamente com as limitações tecnológicas e epistemológicas a escolha de uma entre muitas opções, e a consequente determinação de uma paradigma por sua vez termina por induzir a invenção e o uso daquelas estruturas sintagmáticas que melhor possam inter-relacionar seus elementos de forma a viabilizar à linguagem a estruturação dos gêneros discursivos que melhor respondam às urgências de representação e de produção do sentido de cada complexo social (Monteiro, 2002, p. 61).
Monteiro convoca então a física e a matemática para demonstrar a constituição diatônica das escalas e, novamente, submerge em uma digressão histórica profunda.
O quarto capítulo de sua tese destina-se à análise de uma canção do repertório não ocidental, “Ya garat al-wadi”. Como era de se esperar, o autor se vale das discussões teóricas a respeito de métrica e alturas realizadas nos capítulos anteriores.
O quinto capítulo propõe um dos temas mais complexos e polêmicos da tese, Modulações, modalidades e modos: fundamentos aspectuais para
uma semântica musical. Discute então a existência de uma semântica dos
conteúdos musicais intrínsecos, bastante distinta da semântica extrínseca que veremos mais adiante. Um importante ponto desse capítulo, em nosso modo
de ver, é o tópico que discute a Circularidade e Espiralidade na Estrutura
Mântrica.
“Do Saara ao Ceará: projeções da música árabe na música tradicional
brasileira” é, provavelmente, o capítulo que mais se afasta de uma concepção de significações intrínsecas, visto que se propõe analisar os elementos componentes de uma mistura proveniente de imigrações, a fim de sustentar o modo de funcionamento de determinada música e cultura regionais.
Esses principais capítulos aqui apresentados já nos dão as pistas do modo de pesquisa semiótica proposta por Ricardo Monteiro. Trata-se de um fazer semiótico que investiga da substância sonora da linguagem ao seu estado atual de manifestação nos discursos, percorrendo os desdobramentos históricos de sua constituição. Em todos os capítulos, a análise do discurso imanente é sempre contemplada, mas nunca exclusiva. O pesquisador mergulha em amplas discussões teóricas, visando compreender a construção de seu objeto e da ferramenta semiótica que o analisa; não passa, contudo, por discussões a respeito do tipo de efeito de sentido percebido pelo ouvinte; em outras palavras, não discute questões relativas à percepção do
sujeito em relação a um objeto musical. A tese de Ricardo Monteiro foi, sem
dúvida, um divisor de águas nos trabalhos sobre música no âmbito da semiótica francesa da USP.
Podemos ver a seguir os tipos de enfoque mormente contemplados pelo pesquisador:
Perspectiva Analítica
(Nível) Acento
Poético
Tônica, pois o trabalho realiza farta discussão sobre processos de gênese da linguagem e do discurso.
Estésico
Átona, pois pouco trata do efeito dos discursos sobre os sujeitos da recepção musical.
Neutro
Tônica, pois enorme quantidade de exemplos é submetida a análises de cunho estruturalista, tais como as do tipo harmônicas, melódicas, prosódicas etc.
Tabela 3: Perspectiva analítica da tese de Ricardo Monteiro
Em 2007, duas teses foram defendidas nesse mesmo Departamento, a saber: O arranjo como elemento orgânico ligado à canção popular brasileira:
uma análise semiótica, do pesquisador Márcio Coelho e Melodia e prosódia: um modelo para a interface música-fala com base no estudo comparado do aparelho fonador e dos instrumentos musicais reais e virtuais, de José
Roberto do Carmo Jr. No ano seguinte, Peter Dietrich defendeu a tese
Semiótica do discurso musical: uma discussão a partir das canções de Chico Buarque. Passemos, primeiramente, ao trabalho de Márcio Coelho.
5.2.2. Márcio(Coelho:(O(arranjo(como(elemento(orgânico(ligado(à(