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4. BULGULAR VE DEĞERLENDİRME

4.6. Kadın Öğretim Üyelerinin Din ve Dini İbadetlerle İlgili Tutumları

O estudo de Plinio Corrêa de Oliveira intitulado ―A liberdade da Igreja no Estado Comunista‖ (adiante LIEC) também se configurou num importante mecanismo de divulgação permanente do anticomunismo e pode ser elencado como mais um exemplo a ser analisado da forma como as Revistas Catolicismo e Cruzada se aproximavam e compartilhavam experiências na luta contra o comunismo.

Originalmente publicado como matéria de capa da Revista Catolicismo, em agosto de 1963 (imagem abaixo), o estudo de Plinio objetivou denunciar uma das ações comunistas materializada em ―tentar a desmobilização de incontáveis católicos, embaindo-os com a miragem de que podem viver de consciência tranqüila num regime comunista que suprima a propriedade privada mas ao mesmo tempo conceda à Igreja a liberdade de culto‖ (Oliveira, 1974. p. 2).

Imagem 13 (Catolicismo, agosto de 1963)

A obra também se tornou uma importante referência, constantemente mencionada em artigos e matérias, quando o tema era a querela envolvendo Igreja Católica e comunismo. Além disso, por inúmeras vezes, as Revistas faziam questão de publicar o ―sucesso‖ que causou em alguns setores do catolicismo pelo mundo. Em dezembro de 1965, por exemplo, a Revista brasileira ressaltou a sua repercussão mundial, bem como a sua importância naquele contexto:

Atendendo ao interesse despertado no Brasil e no Exterior pelo estudo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre ‗A Liberdade da Igreja no Estado Comunista‘ [...] a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – Seção Rio de Janeiro fez traduzir em francês, italiano, espanhol e inglês e imprimir em fascículos, aquele momentoso trabalho, cujo o tema está no âmago dos acontecimentos mais importantes de nossa época. (Editorial, Nº 156, 1965)

É preciso destacar que LIEC foi traduzido ao menos em oito línguas (alemão, espanhol, francês, húngaro, inglês, italiano, polonês e ucraniano), tendo um número de aproximadamente 33 edições e 160 mil exemplares, além de ter sido reproduzido na íntegra em diversos jornais e revistas pelo mundo (Oliveira, 1974). Em maio de 1964, coincidentemente na edição de Catolicismo que repercutiu o Golpe no Brasil, o estudo foi reeditado, revisado e ampliado, desta feita fazendo eco às questões políticas do momento, aspecto que será tratado com mais vagar no quarto capítulo. Nas imagens abaixo é possível verificar, primeiramente, o modelo de propaganda do estudo (imagem 13); na seguinte, uma página inteira de Catolicismo dedicada a repercutir a aceitação do LIEC pelo mundo (imagem 15), trazendo, inclusive, a imagem de um jornal italiano comentando a obra de Plinio; e, na terceira (imagem 14), a capa da edição de maio de 1964, que apresentou a reedição do estudo.

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Após decorridos quatro meses do lançamento de LIEC em Catolicismo, a Revista

Cruzada, em sua edição de dezembro de 1963, também publicou o estudo, na íntegra,

ocupando quatro páginas do mensário. Mais do que simplesmente traduzir o reconhecimento da importância da obra, essa publicação também representou a abertura do país argentino para mais um estudo sobre o comunismo, tornando-o, assim como na Revista brasileira, referência quase que obrigatória nos assuntos ligados à Igreja e comunismo. Os editores de Cruzada apresentaram a obra de Plinio com as seguintes palavras:

Cruzada tiene el honor de publicar en la argentina el presente trabajo del Dr Plinio Corrêa de Oliveira aparecido en la Revista ‗Catolicismo‘ del Brasil. Para nuestros lectores es innecesaria toda presentación de este gran pensador. Sus escritos han orientando muchas veces nuestra prédica. Las páginas que reproducimos aclaran, más Allá de toda Duda, la difícil cuestión de las relaciones entre la iglesia y el comunismo. Confiamos en que nuestros lectores las difundirán ampliamente. (Editorial, Nº 046, 1963)

Não obstante da publicação integral do texto de Plinio, em março de 1964, Cruzada novamente repercutiu diversas considerações em relação ao tema ―comunismo e Igreja‖ na matéria intitulada “No hay coexistência possible”, de autoria de José Luis Bravo. Antes de tratar dessa matéria, é preciso mencionar que outro artigo, publicado na capa da mesma

Imagem 16 (Matéria sobre o livro ―A Liberdade da Igreja no Estado Comunista‖)

edição, também imprimiu diversas questões nas quais o tema ―coexistência‖85 foi prioritário. Por ser uma edição que inaugurava as publicações no ano de 1964, o conteúdo do texto da matéria de capa foi considerado pelo autor como uma mensagem sobre as esperanças do Grupo em relação ao ano novo. No subtítulo ―Coexistencia Pacifica‖ pode ser observado o quanto o tema causava preocupação e, ao mesmo tempo, instigava um número cada vez maior de textos que servissem de alerta sobre aquilo que o grupo considerava ―optimismo bobo de nuestros contemporâneos‖. Para os editores de Cruzada, o perigo estava sendo potencializado por alguns católicos que, com sua confiança na paz mundial, a partir da ―coexistência‖, estariam minando o terreno de intransigência representada pelos ―verdadeiros católicos‖:

Quien no advierte que tras las palabras suaves que hoy pronuncia el comunismo no hay otra cosa que una táctica fascinación del enemigo a devorar? Quien no percibe que tras las ambiguas formulas socializantes que pronuncia el Occidente, no hay otra cosa que una encubierta capitulación? (Editorial, Nº 047, 1964)

A matéria do articulista Luis Bravo, por seu turno, acabou sendo um complemento, no que diz respeito aos enunciados anticomunistas transmitidos na matéria de capa. Isso porque, além de tratar de maneira mais completa os possíveis problemas que a ―coexistência‖ representava no âmbito da luta anticomunista, ainda buscou todo aporte teórico no estudo LIEC, o que também sinaliza para a já mencionada cooperação entre as entidades, principalmente no tocante ao combate ao comunismo. Essa questão fica latente quando o autor prioriza mencionar a aceitação positiva que a obra estava provocando pelas mais diversas localidades do planeta, citando desde os jornais que publicaram o texto na íntegra até as cartas de ―felicitaciones‖ que Plinio teria recebido de importantes figuras do catolicismo mundial. Ao justificar sua escolha, pela retomada do artigo ―del gran dirigente católico Plinio Corrêa de Oliveira‖, Bravo corroborou com a difusão das representações sobre o modo com que o comunismo estaria se infiltrando nas fileiras de diversos setores (também do catolicismo) do mundo ocidental:

Este estudio adquiere importancia sobre todo frente a ciertos indicios que parecerían sugerir que Rusia ha inaugurado una táctica nueva para la dominación ideológica y política del mundo. Desde hace un par de años se van ―filtrando‖ – seguramente por obra de los mismos comunistas – noticias de que en Rusia y en sus satélites se está

85 A expressão ―Coexistência Pacífica‖ utilizada por Plínio Corrêa de Oliveira no LIEC e que depois foi

apropriada pelo Grupo da Revista Cruzada não faz referência ao termo da política internacional que se referia à relações entre Estados Unidos e União Soviética no contexto da Guerra Fria. Trata-se, por outro lado, de demarcar, conforme Oliveira (1974, p. 06) a ―liceidade [da convivência] entre a Igreja e o regime comunista, em Estados onde esse regime está em vigor‖.

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implantando lentamente un régimen de libertad de cultos y representativo, eliminando la persecución religiosa y la dictadura policial. (Bravo, Nº 047, 1964)

E, por isso, ao fim de sua matéria, mas com uma explícita determinação combativa, defendeu que todos os católicos buscassem as armas que a doutrina da Igreja colocava à disposição para fazer frente ao que acreditava ser o comunismo e uma de suas maiores periculosidades: ―[...] secta que hace tambalear em su base a la Cristandad entera‖ (Bravo, Nº 047, 1964).

A partir dessa primeira referência de LIEC em Cruzada, diversos foram os textos em que os ensinamentos de Plinio foram direta ou indiretamente utilizados na construção dos argumentos anticomunistas. Entretanto, para mencionar mais um exemplo desses constantes relacionamentos e contribuições, uma matéria publicada em abril de 1965 (“La Libertad de la

Iglesia en el Estado Comunista: eco fidelíssimo de los documentos del supremo Magisterio”),

também de autoria de José Luiz Bravo, fornece importantes considerações sobre a utilização da obra por parte dos membros de Cruzada e, consequentemente, um modelo de prática anticomunista circunscrita para além da materialidade discursiva. Como de costume, a matéria enalteceu a importância da obra e seu autor:

Las varias ediciones en mas de cinco idiomas, inclusive polaco, nos demuestran un real interés. Las personalidades internacionales que se han mostrando interesadas y han concordando con el planteo claro y decisivo que hace el doctor Corrêa de Oliveira convierten a este ensayo en uno de los documentos que creemos pasarán a la historia como un de los aportes más decisivos para la derrota de la Revolución Anticristiana encarnada actualmente en el Comunismo. (Bravo, Nº 056, 1965)

Entretanto, além de reforçar a validade do estudo e legitimar seus usos, o texto menciona outro aspecto que atesta efetivamente o quanto o ideário anticomunista, impresso naquilo que se entende por regularidade discursiva, engendrou práticas, imprimiu e regulou posicionamentos e normatizou condutas. O aspecto em questão pode ser abarcado em duas passagens do texto. Inicialmente, a parte que menciona a importância da passagem de Plinio pelo país vizinho:

En noviembre del año pasado el doctor Corrêa de Oliveira fue invitado para dar una serie de conferencias en nuestro país, siendo la última referente a la libertad de la Iglesia en el Estado Comunista. Personalmente, entonces, pudimos conocer muchas de las repercusiones, pero al mismo tiempo tomamos contacto y tuvimos la noción clara de la importancia que tiene este tema. (Bravo, Nº 056, 1965)

A passagem acima, portanto, indica claramente aquilo que pode ser entendido como a materialidade de uma unificação de objetivos das entidades no tocante à luta anticomunista e pode iluminar as suspeitas do quanto a presença física de Plinio significava para seus confrades argentinos. O que era oferecido, a partir dessa presença, não se resumia apenas ao arsenal teórico da luta anticomunista, mas, efetivamente, implicava na legitimação de um saber e de um fazer anticomunista que, por conseguinte, foram apropriados, ressignificados e também praticados pelos argentinos.

A outra passagem que indica o constante entrelaçamento entre prática e discurso anticomunista – e que, indiretamente, atesta a positividade do significado da obra para os editores de Cruzada – pode ser exemplificada a partir de todo um esforço de Luiz Bravo no tocante em demonstrar (com o texto original, transcrito do número 170, de fevereiro de 1965, da Revista Catolicismo) aos leitores de Cruzada os conflitos e embates que LIEC suscitou ―para além da cortina de ferro‖, comprovando, definitivamente, que possíveis alvos se sentiram atingidos e, portanto, esse aspecto, validava, aos olhos do autor, tudo aquilo que estava sendo defendido. Trata-se da publicação de uma carta-resposta, de autoria de Plinio, direcionada ao diretor de periódicos poloneses (Kierunki e Zycie i Mysi, de Varsóvia), identificados como de concepção ―católicos esquerdista‖ (movimento Pax – presumidamente órgão da polícia secreta comunista). Aqui o objetivo não é examinar o confronto entre os autores (esse aspecto será tratado no segundo capítulo da tese), mas tão somente fazer constar que o mesmo mobilizou ativamente as publicações brasileira e argentina, inclusive, na última, deixando registrado o esforço em reproduzir e difundir os embates que, em última instância, trataram não somente das relações Igreja/Estado em países comunistas, mas também das possíveis influências do ―esquerdismo‖ em quadros do catolicismo:

[...] Cruzada ha decidido hacer una edición argentina de esta obra – LIEC – agregándole como suplemento la polémica del doctor Plinio Correa de Oliveira con el director de los periódicos […]. En este numero de CRUZADA adelantamos la respuesta del doctor Plinio Correa de Oliveira a la réplica del señor Zbignieew Czajkoskien, la cual, con su estilo brillante, da su verdadero sentido a la palabra ―diálogo‖, evidenciando la maniobra que ha dado a esta palabra un contenido hegeliano, de la cual han sido víctima muchos católicos (Bravo, Nº 056, 1965)

Benzer Belgeler