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3.2. Metot

3.2.3. Kaşar peynirlerinin maya ekli yenilebilir film ile kaplanması 31

Um edifício de habitação em massa, meticulosamente planejado para suprir a demanda diversificada de diferentes tipos familiares, denominado VM, pode ser classificado como um complexo mosaico de peças tridimensionais de habitação, uma releitura inspiradora das lições do mestre Le Corbusier, eternizadas através da Unidade de Habitação de Marselha. Nesse intrincado edifício de 230 unidades residenciais (de 77 a 119 m²), existe uma excessiva diversidade de modelos tipológicos, mais de 70 tipos diferentes de apartamentos, distribuídos em unidades lineares, duplex e triplex - evidências de um empenho compositivo que multiplica as possibilidades espaciais e integra diferentes formas de viver.

O projeto VM (inaugurado em 2005), desenvolvido por Julien De Smedt e Bjarke Ingels (grupo dinamarquês PLOT na ocasião – hoje JDS e BIG), localizado no distrito de Orestad, vetor sul de expansão de Copenhague, Dinamarca, apresenta uma implantação composta por dois blocos residenciais que reproduzem as letras “V” e “M” como alternativa de favorecimento da edificação frente ao complexo entorno do terreno, que se encontra espremido entre a linha elevada do metrô e outros eixos viários de tráfego intenso, e adjacente às áreas de transição do núcleo urbano, carentes de identidade própria. A estratégia de implantação adotada, ao deslocar os eixos dos blocos paralelos foi criar diagonais com visuais mais atrativas, captar iluminação e insolação apropriada e potencializar a privacidade entre os edifícios. Os nichos e ângulos do projeto proporcionam uma série de lugares de reunião informais, caracterizando um ambiente convidativo.

Fig. 100 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Diagramas de implantação dos blocos residenciais VM.

Fig. 101 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Implantação em sítio complexo, com limite de eixos viários elevador e zonas verdes. Fonte: Disponível em: <http://www.vmhusene.dk/>. Acesso em agosto de 2008.

Fig. 102 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Vista aérea dos blocos.

Fonte: Disponível em: <http://skynet.jdsa.eu/wp-content/uploads/VM-proj-15.jpg>. Acesso outubro de 2011.

O sucesso do empreendimento foi comprovado, na comercialização de todas as unidades residenciais em apenas três semanas (80% dos apartamentos foram comprados em apenas duas horas após o início das vendas), com aceitação total do público, que pode escolher muito além das possibilidades do mercado convencional. A repetição invariável de apartamentos foi substituída por uma diversidade incrível de tipologias, com espaços interiores livres, com o mínimo de subdivisões possíveis e o máximo de visibilidade do entorno, compatível com tipos familiares distintos e aspirações individuais. Cada apartamento oferece a oportunidade de readequação às composições familiares em transformação, com sugestões de acréscimo ou supressão de quartos e cômodos caso seja necessário.

Fig. 103 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Esquema combinatório das unidades residenciais no edifício “M”. Trinta e sete tipologias diferenciadas.

Fonte: DURAN, Sergi Costa. High density housing. Arquitectura urbana vertical. Barcelona: Reditar Libros, 2009, p. 181.

Fig. 104 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Edifício “M” – Planta-baixa do 4º pavimento.

Fonte: Disponível em: <http://www.vmhusene.dk/>. Acesso em agosto de 2008.

Fig. 105 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Edifício “M”. Composição das unidades M1, M2 e M3. Tipologias duplex e triplex, com corredor intercalado.

Fonte: DURAN, Sergi Costa. High density housing. Arquitectura urbana vertical. Barcelona: Reditar Libros, 2009, p. 185.

Fig. 106 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Unidade M1 – Opção de unidade residencial com 08 repetições no Edifício “M”.

Flexibilidade da planta-livre.

Fonte: Disponível em: <http://www.vmhusene.dk/>. Acesso em agosto de 2008.

Fig. 107 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Unidade M1 – Opção de unidade residencial com 08 repetições no Edifício “M”. Tipos de

arranjos sugeridos pelos arquitetos, com possibilidade de transformação de apartamento com apenas um dormitório de casal, para três dormitórios.

Fig. 108 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Interiores flexíveis, com diversidade de arranjos e tipos familiares.

Fonte: Disponível em: <http://jdsa.eu/vm/>. Acesso outubro de 2011.

Fig. 109 - VM Housing Complex, Copenhague/ Dinamarca - PLOT (JDS & BIG), 2005. Fachada sul.

Fonte: Disponível em: <http://skynet.jdsa.eu/wp-content/uploads/VM-proj-16.jpg>. Acesso outubro de 2011.

A notoriedade do projeto é potencializada com a extravagante estética da fachada sul, que projeta varandas em balanço, na forma de triângulos, conferindo vistas inusitadas e ritmos burlescos. As demais elevações evidenciam a enorme pluralidade de espaços interiores, como uma miscelânea de estilos de vida.

REFLEXÕES SOBRE AS MANIFESTAÇOES MODERNAS E CONTEMPORÂNEAS

Fig. 110 - "La Trahison des Images”, 1929. René Magritte.

Fonte: Disponível em: <http://www.poster.net/magritte-rene/magritte-rene-le-trahison-des-images- 9960831.jpg>. Acesso em setembro de 2008.

A imagem paradoxal da pintura de Magritte admite a interpretação perturbadora do objeto enquanto representação, ou seja, enquanto signo, reforçado através da frase complementar: Isto não é um cachimbo. Isento de materialidade e utilidade, a pintura representa o objeto cachimbo, sem sê-lo verdadeiramente. Contradizendo a real essência do objeto, a pintura, por outro lado, pode ser interpretada de imediato como um cachimbo, porém, desprovido de função. Sem verdades absolutas, todos os julgamentos são possíveis, assim como a arquitetura, que admite liberdade e diversidade de interpretações, cuja significação está relacionada com o tempo, com a vivência e com a sociedade em constante transformação. A versatilidade da arquitetura, através da polivalência de usos, da adaptabilidade ou das soluções estruturais e técnicas, podem influenciar a trajetória de uma obra ao longo de sua vida útil, com potencial de renovação e sustentabilidade construtiva. A flexibilidade, ao ser considerada, na dinâmica habitacional, estabelece a conservação do habitat, evitando a obsolescência da obra e garantindo maior desempenho perante os desejos do usuário e consequentemente satisfação prolongada em decorrência da nova condição.

O desafio da arquitetura doméstica é justamente acompanhar a evolução das relações sociais e interpessoais, das crises comportamentais do sujeito, da relação com os lugares construídos subjetivamente. A arquitetura alcançou, no contexto contemporâneo, um patamar que transcende o caráter meramente construtivo e material - como produto acabado, pré-determinado - para transformar-se no próprio evento da experiência humana e das emoções. A

arquitetura, nesse contexto, necessita de uma condição dinâmica, flexível, aberta e interativa.

Os exemplos selecionados nesse trabalho compõem uma amostra representativa de edificações habitacionais classificadas conforme diferentes potencialidades de flexibilidade, evidenciando estratégias, componentes e escalas distintas que conduzem soluções equilibradas de transformação do

habitat conforme os estilos de vida. A amostragem foi selecionada

intencionalmente a partir de exemplos que compreendem o século XX e a contemporaneidade, considerando a aproximação da conjuntura social, econômica e cultural que atinge a produção arquitetônica recente. É curioso observar que alguns exemplos simplesmente se demonstraram mais aptos a incorporar requisitos de flexibilidade, sem necessariamente terem sido pré- concebidos.

O caso específico das habitações coletivas verticalizadas, de pisos empilhados, mais complexo do ponto de vista da identidade e personalização, é abordado através de exemplos que alertam para a emergência em ultrapassar as meras soluções especulativas e mercadológicas, permitindo ao usuário anônimo uma condição decorosa que o enaltece perante o universo coletivo homogeneizante. Reflexo da sociedade de consumo, a habitação multifamiliar deve oferecer um diferencial que confira sentido e significado ao cotidiano. “O fim, o objetivo, a

legitimação oficial dessa sociedade é a satisfação” (LEFEBVRE, 1991a, p. 89).

A arquitetura, como preconizou os metabolistas, deve ser concebida como um organismo vivo, capaz de responder aos posicionamentos da sociedade em plena evolução, capaz de incorporar as novas tecnologias, os conflitos, as dúvidas e as incertezas da sociedade.

As espécies, sejam animais ou vegetais, segundo os estudos de Charles Darwin, devem adaptar-se ao seu meio, com o objetivo de sobreviver. O mesmo ocorre com a arquitetura. A arquitetura deve ser, portanto, adaptável, flexível e ter certa capacidade intrínseca para ser modificada ou transformada, para poder se salvar da destruição, e desta forma evitar converter-se, como tantos monumentos do passado, em um suporte de pedras para sucessivas construções. O tempo não poderá cessar e toda construção terminará sendo metamorfoseada ou será destruída (XAVIER, 2008)

C

APÍTULO 6 – FLEXIBILIDADE E CONSTRUTIBILIDADE

Os seres humanos são criaturas flexíveis. Nós mudamos de vontade, manipulamos objetos e atuamos em um grande número de ambientes. Existiu um tempo, não faz muitos anos, em que a existência se baseava na nossa capacidade de movimento e adaptação; de fato, a isto devemos a nossa sobrevivência como espécie. Atualmente, a maioria das culturas leva uma vida mais ou menos sedentária, mas pode ser que a flexibilidade esteja voltando a constituir novamente uma prioridade no desenvolvimento humano e que as mudanças tecnológicas, sociais e econômicas estejam forçando, ao menos alentando, uma nova forma de existência nômade baseada nos mercados globais, na world wide web e no transporte econômico e rápido (KRONENBURG, 2007, p. 9).

A declaração acima revigora o debate a respeito das novas fronteiras arquitetônicas no mundo contemporâneo. Contradizendo a condição milenar que permitiu ilimitadas possibilidades de resposta à vida em contínuo processo de transformação, as soluções arquitetônicas atuais disseminam a criação de objetos rígidos e sólidos, com adequação do usuário a uma condição estática e padronizada, uma verdadeira privação das necessidades individuais. O panorama da habitação coletiva é dominado predominantemente pelo mercado da especulação imobiliária, cujo propósito é resumir o sujeito a uma massa ordinária e uniforme, com desempenho padrão. A finalidade dessa imposição arquitetônica é a máxima rentabilidade, manipulada pela indústria da construção, que reproduz uma infinidade de lares idênticos, produto das fórmulas e das normas construtivas, das altas densidades e da demanda de terrenos.

A pulsão cartesiana transforma-se em instrumento de delimitação estrutural do edifício, conforme linhas estritamente horizontais e verticais, ângulos retos e uma delineação rigorosa do interior do edifício, com limites precisos, fixos, e esqueletos rígidos, que imobilizam a imaginação e o movimento. A ordem global regular e repetitiva é norteadora de todo o conjunto, seguindo a tradição mecanicista. Segundo Balmond (1997), os indivíduos submetidos à rigidez não se movem, ou melhor, agem como soldados de uma parada militar. Os resíduos dessa concepção moderna de arquitetura - posicional, euclidiana e

linear - continuam a serem utilizados em soluções rigorosas do edifício enquanto objeto. Como assinala o matemático Peter T. Saunders (1997, p. 7):

Os próprios físicos já não acreditam no universo eterno, sólido e exato que tanto fundamentou o paradigma determinista. Em seu lugar, se apresenta hoje, um universo dinâmico onde o espaço e o tempo dependem do observador, mas onde também, a maioria das propriedades somente existe de modo incerto.

Balmond (1997) visualiza uma condição irresistível de evolução espacial proveniente do viés tecnológico contemporâneo, a partir da influência exercida pela complexidade da realidade, da diversidade circundante e da irregularidade das relações, que sinalizam as bases para o processo de superação da tradição mecanicista e industrial.

O crescimento populacional ininterrupto agrava o problema habitacional, comprometendo a confecção de residências exclusivas – herança burguesa que ainda seduz os moradores - em detrimento da multiplicação de unidades padronizadas em edifícios multifamiliares. O desencanto com o modelo coletivo, que reproduz infinitamente uma planta-tipo, situa-se, na manipulação da vida cotidiana dos habitantes, sem considerar as necessidades particulares dos grupos heterogêneos.

Segundo French (2006), as estatísticas de 2003 relacionadas às densidades populacionais mencionam situações distintas entre as cidades asiáticas e ocidentais. Na Europa, Paris apresenta a densidade populacional mais alta, com 7.793 habitantes por km², o dobro das cidades de Londres e de Nova Iorque. [...] Tóquio, por sua vez, ainda que possua uma densidade comparável a Paris, 9.660 habitantes por km² é apenas uma fração das densidades de outras cidades asiáticas como Taipei ou Bangkok, com 18.732 e 22.540 habitantes por km², respectivamente e Hong Kong, que encabeça a lista com 95.560, uma densidade vinte vezes superior à de Nova Iorque ou Londres. “Estas grandes populações urbanas na Ásia têm se desenvolvido ao longo dos

últimos 30 anos, e seu resultado é um entorno urbano muito diferente das cidades Europeias” (FRENCH, 2006, p. 20). A Ásia exibe um grau elevado de verticalização, com a presença de torres que correspondem a instalações para grandes empresas multinacionais e habitações residenciais.

No Extremo Oriente, a escala do desenvolvimento urbano supera em muito à do Ocidente e sua – tantas vezes lamentada – antiquada indústria da construção. Em contraste com esta, no Extremo Oriente existe uma sofisticada indústria da construção que, inspirada nos primeiros experimentos do movimento moderno e adaptada para fins específicos, utiliza métodos industriais de construção e produção em série (FRENCH, 2006, p. 20).

As altas densidades, segundo Kronenburg (2007), constituem o meio urbano propício para estabelecer a flexibilidade como uma condição econômica necessária. Essa conjuntura, associada à tradição japonesa, reflete-se, no modo de vida flexível dessa sociedade, incentivado tanto pela tradição, como pela escassez de espaço nas habitações urbanas. A contribuição das soluções flexíveis e a aceitação, nessa direção, é algo natural para grande parte da população japonesa, que cultiva a própria habitação tradicionalmente a partir da reorganização diária do espaço, com mobiliário e instalações flexíveis, espaços híbridos e multifuncionais, e simplicidade construtiva. Constitui um terreno fértil para a reformulação da moradia do futuro. A impressionante perpetuação da tradição espacial japonesa em projetos contemporâneos é uma constatação da compatibilidade entre o repertório construtivo sofisticado e a simplicidade formal necessária à flexibilidade espacial.

O distanciamento das técnicas artesanais e a predileção por tecnologias construtivas industrializadas podem contribuir para a introdução de um vocabulário formal flexível e inovador às edificações multifamiliares. A pesquisa a seguir representa uma crítica ao modelo construtivo tradicional, dominante, e um avanço na consideração dos desejos e anseios do usuário em relação ao espaço residencial coletivo. A intenção deste capítulo é comprovar a eficácia da pré-fabricação e todas as modalidades provenientes desse sistema construtivo como um instrumental de flexibilidade habitacional.

Este capítulo subdivide-se em duas partes: a primeira, Sistemas Construtivos, apresenta uma breve estruturação dos sistemas construtivos abertos e de sua interface com as possibilidades de transformação habitacional, discriminando três grupos específicos que atuam em conjunto para a totalidade da obra segundo parâmetros de flexibilidade: estrutura, vedações e instalações; a segunda, Pré-fabricação, apresenta um breve histórico do processo de pré-

fabricação habitacional a partir do século XX, e destaca os métodos construtivos cujos componentes ou módulos industrializados atuam em diversas instâncias para impulsionar a flexibilidade habitacional, através de processos de montagem posterior in loco. Cada um dos sistemas relacionados - kit-of-parts, sistemas volumétricos, sistema de painéis e sistemas híbridos - são apresentados com estudo de casos que esclarecem cada método e ilustram didaticamente as possibilidades de favorecer a flexibilidade arquitetônica em habitações coletivas.

Benzer Belgeler