4. BULGULAR VE TARTIŞMA
4.4. Kaçakların Önlenmesi
Utente consciente, orientada e colaborante, com score 15 na Escala de Comas de Glasgow4.
Para uma avaliação breve do estado mental foi aplicado Mini Mental State Examination (MMSE), apresentando a utente um score de 25 pontos, considerado normal para a população portuguesa, atendendo ao grau de escolaridade. Dificuldade na atenção e cálculo e na evocação; refere alterações de memória desde que foi intervencionada a primeira vez.
A memória recente ou memória de curto prazo, por ser responsável pela retenção da informação durante um curto espaço de tempo, é indispensável para a realização das tarefas diárias (Sequeira, 2010), mas a utente considera que esta diminuição não interfere com a sua vida diária. Impossibilidade de realizar o teste na habilidade construtiva devido ao défice motor que apresenta, hemiparésia direita de predomínio braquial agravado pelo facto de ser dextra. Apresenta afasia discreta que se traduz por pequenas pausas e hesitações. Sem alterações na nomeação.
4
Escala de avaliação de estado de consciência que avalia a melhor resposta do utente em 3 parâmetros: abertura dos olhos, resposta motora e verbal. Apresenta um score de 3 a 15 correspondendo o 3 a um estado de coma profundo e o 15 a um estado de consciência normal (Swearingen & Keen, 2003).
Autónoma e independente 5 nas AVD previamente à entrada no hospital, com um valor de 100
pontos no índice de Barthel6 e oito pontos no Índice de Lawton-Brody7. No momento,
apresenta diminuição da funcionalidade nos itens Banho, Vestir, Alimentação e Transferências, devido em parte à hemiparesia agravada mas também devido às condições existentes no hospital. Macas altas e com rodados que não travam, o que não proporciona apoio. Quando os utentes se levantam, os chinelos que são facultados escorregam com facilidade no piso e são difíceis de manter calçados, o que dificulta a marcha.
De acordo com protocolo de serviço, foi aplicada escala de Braden8 com resultado de
Baixo Risco; e escala de Morse9 com um resultado de 55 pontos significativo de elevado
Risco. Resultado devido a história de queda nos últimos 3 meses, por lipotimia, acesso venoso e marcha lenta com necessidade de implementação de intervenções de prevenção de quedas de alto risco.
Feita avaliação do equilíbrio e da marcha, através do Índice de Tinetti Peformance-Oriented
Assessment of Mobility I – Balance (POMA I)10 verificamos que no equilíbrio estático apresenta
um valor parcial de 13, para um total de 16, e no equilíbrio em marcha apresenta um valor de 11 num total de 12 pontos. No total apresenta um valor de 24 em 28, o que significa um baixo risco de queda. A contradição dos resultados nos instrumentos avaliados pode talvez ser explicada pela diferença dos itens avaliados. A escala de morse prediz o risco de queda e
5 Autonomia é a “perceção da capacidade de controlar, lidar e tomar decisões pessoais do dia-a-dia, de acordo com
as sua próprias regras e preferências” enquanto independência “é comumente entendida como a capacidade de viver independentemente na comunidade sem/ou com pouca ajuda de terceiros” (WHO, 2002, p.13). Ambas dependentes da capacidade funcional, física e cognitiva, e de fatores psicossociais. Enquanto a primeira está relacionada com a capacidade do individuo tomar as suas decisões, a segunda encontra-se associada á capacidade de desempenho das atividades de vida diária. (Sequeira, 2010).
6
Utilizado Índice de Barthel apresentado pela DGS, na norma 054/20 de 27/12/2011. Reconhecido como um instrumento válido e fácil de aplicar na prática, em que a avaliação dos diversos itens, mais importante que o score final, permite identificar o nível de autonomia em cada atividade, o que mostra ser relevante no planeamento de cuidados personalizados (Araújo, Ribeiro, Oliveira & Pinto, 2007).
7
Índice de Lawton-Brody (Adaptado de Lawton and Brody, 1969 por Sequeira, 2007). Instrumento utilizado porque “permite avaliar o grau de dependência nas actividades instrumentais de vida diária, de forma global e também de forma parcelar” (Sequeira, 2010, p.53), sendo as atividades instrumentais de vida diária as “actividades que possibilitam à pessoa adaptar-se ao meio e manter a sua independência na comunidade” (Sequeira, 2010, p.53).
8
Escala de avaliação do risco de desenvolvimento de úlcera de pressão. Elaborada por Barbara Braden e Nancy Bergstrom, em 1987, e validada para português por Carlos Margato, Cristina Miguéns, João Gouveia, Kátia Furtado e Pedro Ferreira, em 2001 (Apóstolo, 2012).
9
Escala preditiva da avaliação do risco de queda, constituída por 6 variáveis (historial de quedas no internamento ou nos últimos 3 meses, existência ou não de diagnóstico secundário, ajuda na mobilização, Terapia endovenosa, Marcha e Estado mental), adaptação cultural e linguística em 2010 pelo Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (Disponível em
http://www.uc.pt/org/ceisuc/RIMAS/Lista/Instrumentos/MFS_PT_c.pdf)
10
Escala criada em 1986 por Tinetti, Williams e Mayewski. É dividida em duas partes, em que uma avalia o equilíbrio e a outra a marcha. Validada para a população portuguesa por Petiz (2002), “a utilização deste instrumento de avaliação tem importantes implicações na qualidade de vida dos idosos, uma vez que possibilita acções preventivas, assistenciais e de reabilitação” (Apóstolo, 2012, p.25).
deve ser considerada uma escala de monitorização do risco enquanto o índice de Tinetti permite a avaliação da marcha e do equilíbrio.
A Sra. M.I.E. apresenta um Índice de massa corporal11 (IMC) - 22,9, considerado normal no
adulto mas se atendermos à adaptação da classificação às pessoas idosas a utente pode estar a desenvolver risco de desnutrição12. Aplicado Mini Nutritional Assessment (MNA)13
apresenta um valor de 13 na triagem que se traduz por um estado nutricional normal. No sentido de conhecer melhor os hábitos alimentares da utente foi realizado o restante instrumento. Ingere poucos líquidos ao longo do dia, não gosta de leite, come iogurtes e queijo mas não de uma forma diária. Na maioria dos dias apenas faz uma refeição completa por dia preferindo ao jantar comer “qualquer coisa” que diz ser fruta, uma sandes ou sopa. Acha que a sua saúde é idêntica às das outras pessoas da sua idade, acha que não tem problemas nutricionais mas sabe que devia alterar as suas refeições, principalmente ao jantar. Refere que não gosta de cozinhar mas que é “obrigada” e continua “ se fosse por mim comia qualquer
coisa mas como tenho de fazer comida para o filho…. Às vezes também tenho de fazer almoço para os netos.
Apresenta um fácies preocupado e triste. À interação responde às perguntas que lhe são formuladas mas a sua atenção parece estar dispersa. À menor distração desvia o olhar e tenta perceber o que se está a passar em redor.
Quando questionada sobre o que gosta de fazer nos tempos livres começa por dizer que não faz muitas coisas, mas após insistência diz que gosta de dançar e de ir a bailes. A sua fisionomia modifica e sorri, por vezes até com riso franco, quando falamos do seu gosto pela dança e pelos bailes, acabando por dizer Tinha uma festa agora no Carnaval…..No dia em que isto me aconteceu tinha ido comprar um vestido novo.
Para avaliação do estado afetivo, aplicou-se a Escala de Depressão Geriátrica (EDG)
11Medida simples do peso em relação à altura. Corresponde ao peso dividido pelo quadrado da altura e exprime-se
em kg/m2 com a seguinte formula IMC = peso (kg) / [altura (m)] ² (DGS, 2005)
12
De acordo com a Associação de Dietistas Portugueses Risco de desnutrição em pessoas idosas (com mais de 65 anos) traduz-se num IMC situado no intervalo 22 - 23.9 pontos.
13
O MNA é considerado uma Ferramenta de triagem em nutrição, para adultos com 65 e mais anos, altamente específico e melhor validado (Skates & Anthony, 2012). Ainda de acordo com os mesmos autores, citando Vellas et al., (1999), o MNA tornou-se, a par com o MMSE, a Escala de Depressão Geriátrica (EDG) e o Índice de Katz, componente fundamental na avaliação compreensiva geriátrica do idoso.
short- form (adaptação de Apóstolo, 2011)14 , com um valor final indicativo de depressão leve.
A Sra. M.I.E. mostra-se muito ansiosa, para além do sucesso da cirurgia, com o fato de a filha ter de cuidar dela quando tiver alta (…) Da outra vez foi diferente, a minha filha estava em
casa, não estava na casa dela, e agora tem de deixar a casa dela e vir tomar conta de mim e do irmão.
Perante a sugestão de o filho ajudar no cuidado ou pelo menos na alimentação a utente responde que não pode ser, explicando “ele é homem” o que na opinião da utente parece significar que o filho por ser homem não pode ser cuidador delegando, no entanto, as decisões neste.