Sendo o projeto “um conjunto global sistemático e organizado de etapas, em que cada uma se articula com a anterior e que de alguma maneira determina a seguinte, com vista à concretização de determinadas finalidades” (Mão de Ferro, 1999, p. 229) o desenvolvimento e implementação deste projeto tinham como finalidade: Desenvolver Competências como Enfermeira Especialista na Área de Enfermagem Médico-Cirúrgica Vertente Pessoa Idosa.
Como objetivos gerais foram delineados os seguintes: 1.Desenvolver competências na prestação de cuidados de enfermagem à pessoa idosa; 2.Implementar avaliação multidimensional sistematizada à pessoa idosa admitida no SONC; 3.Promover a continuidade de cuidados prestados à pessoa idosa com alta do SONC.
Para cada objetivo geral foram traçados objetivos específicos e, em função destes, definidas atividades e respetivos indicadores de avaliação, que podem ser consultados no Apêndice I.
Como recursos a utilizar para o desenvolvimento deste projeto, temos a considerar os recursos humanos, físicos e materiais. Nos recursos humanos, os enfermeiros dos contextos onde se desenvolveram os estágios e restante equipa de profissionais; a enfermeira chefe do contexto hospitalar, também coorientadora deste projeto; a professora da escola de enfermagem, orientadora do projeto; e por fim mas não menos importantes as pessoas idosas e suas famílias. Como recursos físicos, os locais de estágio, num dos quais foi implementado este projeto, e o meu domicílio. Nos recursos materiais, todo o material necessário ao desenvolvimento do trabalho: computador; livros, papel e material de escrita.
Como custos associados há que referir as horas despendidas na elaboração, implementação e avaliação do projeto (estágio, pesquisa, orientação tutorial,
elaboração escrita do projeto e relatório de estágio) pelos diversos intervenientes, não havendo outros custos relevantes associados.
Importante ainda considerar alguns fatores, uns facilitadores outros inibidores, no desenvolvimento deste projeto. Como fatores facilitadores: o apoio da enfermeira chefe do serviço onde foi implementado, e da enfermeira coordenadora do departamento; a equipa de profissionais, jovem e dinâmica; o relacionamento interdisciplinar e multidisciplinar; a possibilidade de interação com outros projetos que estão a ser implementados; não existirem custos monetários associados. Como fatores inibidores: a duração do estágio, que se revelou limitadora para os objetivos estabelecidos inicialmente; o incremento do tempo despendido para avaliação da pessoa idosa que recorre ao SONC; a necessidade de mudança de comportamento dos profissionais, nomeadamente dos enfermeiros, que se revelou um desafio ao longo da implementação deste projeto.
3. METODOLOGIA
Para a elaboração deste trabalho optamos pela metodologia de projeto, em que a teoria se encontra ligada à prática e o trabalho se desenvolve no próprio contexto (Ruivo et al., 2010). Esta metodologia, que permite a aquisição de conhecimento baseado não só na teoria mas também no trabalho desenvolvido em contexto real, face a problemas reais e interagindo com as várias variantes que compõem esse contexto, é constituída por 5 fases (Ruivo et al., 2010): Elaboração do Diagnóstico
da situação – surgido de uma preocupação pessoal e através do trabalho de campo desenvolvido no contexto onde se realizou o estágio; Planificação das atividades,
meios e estratégias – de acordo com os objetivos a que nos propusemos, recursos e tempo disponível; Execução das atividades- de acordo com os objetivos a que nos propusemos e com a planificação realizada; Avaliação - das atividades realizadas;
Divulgação dos resultados obtidos – através da elaboração deste relatório de estágio.
Na consecução dos objetivos a que nos propusemos foi efetuada uma revisão da literatura, “essencial para conhecer o estado actual dos conhecimentos sobre o assunto” (Fortin, 2009), transversal a todo o projeto, através da EBSCOhost e B-on, em diversas bases de dados nomeadamente Medline with full text, CINAHL Plus with
full text, Cochrane Database of Systematic Reviews e Cochrane Central Register of Controlled Trials, utilizando as palavras-chave: Elderly, Older people, Elder, Emergency department, Geriatric assessment, Comprehensive geriatric assessment,
combinadas de diversas formas, utilizando os boleanos AND e OR. Foi ainda utilizada a base de dados da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa assim como o repositório de diversas bibliotecas on line.
Foi também realizada pesquisa bibliográfica manual, a partir das referências bibliográficas dos artigos encontrados, sempre que tal nos pareceu proveitoso para o desenvolvimento do nosso trabalho. Os artigos encontrados foram selecionados primeiramente pela leitura dos abstract, seguindo-se uma leitura dos artigos escolhidos, decidindo-se então a sua inclusão ou exclusão da revisão. Pode-se
verificar a inclusão de referências provenientes de artigos mais antigos, explicando-se tal facto pela importância atribuída ao artigo como fonte primária de informação.
Tendo como base o estado da arte, estabelecemos a implementação deste projeto em duas fases.
Primeira fase – Identificação das pessoas idosas de risco de desenvolver efeitos adversos em saúde através da aplicação de um instrumento de monitorização/rastreio, a escala ISAR.
A escolha deste instrumento deve-se ao facto de ser breve e de fácil aplicação, ter sido especialmente desenhado e validado para o contexto de urgência (McCusker
et al., 1999), ser possível aplicar na admissão ou aquando da alta do doente
(Dendukuri et al., 2004). Acresce ainda como razão já se encontrar traduzido e validado para a população portuguesa por Tavares (2012), tendo sido adotada a designação de Identificação da Pessoa Idosa de Risco (IPIR) (Anexo II). No entanto, durante este trabalho manteremos a sua designação original, por considerarmos que para efeitos de pesquisa é facilitador.
A escala ISAR apresenta um score de 0 a 6, em que valores mais altos representam maior risco de efeitos adversos em saúde. Apesar de possível estabelecer outro valor, neste trabalho, atendendo a diversos estudos efetuados, relativamente à especificidade e sensibilidade da escala, e às recomendações do guia original da escala ISAR, adotou-se o valor ≥ 2, perante o qual a pessoa idosa é considerada em situação de risco (Dendukuri et al., 2004; McCusker et al., 1999, McCusker, Jacobs, et al., 2003; St. Mary's Hospital Center, 2000). Este foi considerado um valor altamente sensível para incluir a maioria das pessoas idosas num programa de prevenção (Salvi et al., 2012).
Para tratamento final dos dados e apresentação dos resultados foi utilizado o programa Office Excel 2007 da Microsoft. Para a análise dos dados foi considerado o período compreendido entre 9/12/2013 e 31/01/2014.
Segunda fase – Implementação de grelha de avaliação multidimensional das pessoas idosas. Esta grelha foi elaborada de acordo com a pesquisa bibliográfica realizada, com o intuito de ser aplicada às pessoas idosas que cumprissem, em simultâneo, os seguintes critérios:
-Identificadas como de risco aumentado, através da aplicação da escala ISAR (ISAR≥2);
-Alta clínica para o domicílio.
A aplicação desta grelha permite a identificação das necessidades e o consequente desenvolvimento das ações consideradas adequadas e referenciação para os serviços da comunidade. Para visualização do projeto consultar fluxograma (Apêndice II).
De salientar a realização de um portefólio ao longo deste percurso, como estratégia de formação contínua e personalizada (Nadal, Alves & Papi, 2004) e sua importância no desenvolvimento profissional e pessoal. Mais do que a apresentação sequencial de várias atividades e o registo narrativo da aquisição de conhecimentos, a realização de um portefólio permite ao seu criador uma visão dos conhecimentos adquiridos assim como a necessidade de aquisição de novos conhecimentos. A sua elaboração permitiu tanto a aquisição de conhecimento de forma singular, como a reflexão no conhecimento adquirido e a consciencialização da necessidade de novas aquisições, ao longo do percurso efetuado.
Queremos ainda salientar as orientações tutoriais como determinantes na formação e desenvolvimento deste projeto. As reuniões realizadas foram essenciais na discussão de estratégias e atividades, promovendo o desenvolvimento de competências num contexto de aquisição de conhecimentos, mobilização de conhecimentos previamente aprendidos ao longo deste percurso académico e, ainda, de análise e reflexão sobre o trabalho desenvolvido.
Também as reuniões com a enfermeira chefe do SONC foram fundamentais no decurso deste percurso. Durante o estágio de diagnóstico de situação, ajudaram na reflexão do tema a desenvolver associando às necessidades do serviço. Durante o estágio de implementação do projeto proporcionaram a discussão e reflexão acerca de diversos aspetos, nomeadamente atividades a desenvolver e estratégias a definir, assim como critérios de implementação da escala ISAR e elaboração da grelha de avaliação.
No decurso deste projeto, e de acordo com o código deontológico do enfermeiro, as questões éticas relativamente ao desenvolvimento de uma prática de cuidados, salvaguardando os direitos e a liberdade das pessoas idosas e dos profissionais, foram sempre consideradas, no sentido de promover desenvolver o autoconhecimento e o conhecimento da equipa de profissionais, com o objetivo de prestar os melhores cuidados (OE, 1998).
Apesar da exigência do cumprimento das normas do código deontológico, este não foi o único aspeto que nos motivou no nosso percurso. Porque as normas podem ser reduzidas apenas a aspetos técnicos e porque, principalmente, no dia-a-dia nos deparamos com a singularidade de cada individuo e com a individualidade das respostas humanas a cada situação tentámos sempre agir tomando em consideração a pessoa como um todo e tentando fazer sempre mais e bem (Neves, 2004).
Focar ainda que, foi pedida autorização ao conselho de Administração para a implementação deste projeto e requerido parecer à comissão de ética do Hospital (Apêndice III). Foi concedida autorização pelos dois organismos embora sem uma autorização escrita formal.