5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados derivados do estudo do comportamento térmico da malha urbana de um bairro na cidade de Bauru- SP demonstraram que há estreita relação entre a formação dos ambientes térmicos urbanos e as características da morfologia do seu entorno.
A análise das temperaturas registradas nos dez pontos urbanos demonstrou que os maiores contrastes ocorreram entre as temperaturas máximas. Os valores máximos de temperatura do ar sofreram uma variação de 5,36°C entre os pontos urbanos. A variação da amplitude térmica também foi significativa, indicando que o ponto com maior amplitude (12,80°C) se localiza numa região verticalizada e adensada, enquanto o a menor amplitude foi de 7,38°C registrada em um ponto menos verticalizado e adensado, adjacente à única área verde da região estudada.
Constatou-se que a temperatura do ar dos pontos urbanos foram, em todos os períodos do dia, superiores às temperaturas da área rural (estação meteorológica rural IPMET), evidenciando a influência da urbanização no clima local. No período noturno essas diferenças caracterizam o desenvolvimento do fenômeno da ilha de calor.
Por meio do cálculo das diferenças médias de temperatura entre os pontos urbanos e o IPMET no período noturno foi feita uma análise que apontou a existência de ilhas de calor em todos os pontos. Elas foram classificadas de acordo com sua intensidade, que variou bastante de acordo com o ponto de medição. Sendo que o local onde houve maior intensidade, apresentou as maiores temperaturas do ar e a maior amplitude térmica.
Foram elaborados mapas temáticos associando o comportamento térmico de cada ponto com alguns parâmetros urbanos. Verificou-se que os atributos urbanos que mais influenciaram o ambiente térmico estudado foram a taxa de ocupação, a altura média das edificações (verticalidade) e as áreas livres. Sendo que dentre estes, os que mais contribuíram para a diminuição da temperatura do ar foram taxas de ocupação menores e maiores áreas livres.
Um dos pontos urbanos (ponto 01) apresentou comportamento muito diferente dos demais. Nele foram registradas a menor temperatura mínima a maior temperatura máxima e foi o único a ter a ilha de calor classificada como fraca, apesar de localizar- se numa região verticalizada e adensada. Esse comportamento pode ser atribuído aos
ventos regionais noturnos, que permeiam a área com facilidade e da heterogeneidade na altura das edificações, que promovem a circulação do ar localizada.
Pode-se afirmar que são expressivas as alterações climáticas decorrentes da urbanização e que essas são conseqüências de uma série de fatores associados entre si. Portanto, o comportamento térmico da malha urbana sofre influência direta do conjunto complexo da estrutura urbana.
Em relação ao conforto térmico do pedestre constatou-se que este também recebe influência direta das características do entorno urbano e do comportamento térmico da malha urbana.
Com o desenvolvimento deste estudo foi possível detectar os efeitos negativos da realização de atividades sob altas temperaturas em ambientes externos. A sensação térmica do pedestre nos espaços urbanos estudados, com diferentes configurações, sofreu grandes variações.
Nos pontos onde foram registradas as menores temperaturas e as maiores porcentagens de umidade relativa do ar, as variáveis de sensação térmica, preferência térmica e grau de satisfação foram classificadas pelos pedestres como confortáveis. Por outro lado, o ponto que atingiu a maior temperatura atmosférica e a menor umidade relativa do ar foi avaliado pelos usuários como desconfortável em duas das três variáveis de resposta.
Quanto à velocidade média do vento, não foi possível obter uma amostra que permita estabelecer a sua relação com a sensação térmica do usuário do espaço urbano.
Verificou-se que o pedestre sente-se desconfortável e tem a sensação térmica de muito calor ao desenvolver qualquer uma das atividades estudadas sob radiação solar direta, principalmente na ausência de massas vegetativas no entorno ou quando os materiais constituintes das superfícies são artificiais. Isso se explica pelo aumento da temperatura nesses locais, com conseqüente diminuição da umidade do ar.
Portanto, a troca dos materiais artificiais por naturais e o aumento da área verde no bairro poderia contribuir para promover temperaturas mais amenas e maior umidade relativa do ar, melhorando o desempenho e a qualidade de vida do homem ao executar suas atividades cotidianas.
A associação entre as repostas dos pedestres e o comportamento térmico da área estudada demonstrou haver relação entre as características das quadras urbanas e a sensação de conforto térmico experimentada pelo pedestre. Portanto, o ambiente térmico atua sobre a qualidade de vida do usuário do ambiente externo.
Percebe-se que o homem com suas ações interfere no comportamento do clima, gerando o clima urbano, que acaba por influenciar a vida do próprio homem. Essa influência acontece em diversos aspectos, como na saúde, no conforto, na fisiologia, nas emoções, no comportamento humano, no desempenho das atividades diárias, podendo ser tanto positiva quanto negativa. Dentre os efeitos diretos e negativos está o desconforto térmico e a conseqüente redução do desempenho humano em todas as suas atividades.
Portanto, o planejamento urbano que leve em consideração os aspectos climáticos de um local pode reduzir os efeitos indesejáveis causados pela urbanização e realçar características do clima regional que promovam o conforto térmico humano, melhorando, desta forma, a relação entre o homem e o ambiente em que vive.
5.1. Recomendações para trabalhos futuros
Recomenda-se que, numa eventual continuação desta pesquisa, seja coletada uma amostra maior de dados para a avaliação do conforto térmico do pedestre, para que estes possam ser analisados mais detalhadamente, a fim de se identificar uma zona de conforto térmico humano para as atividades desenvolvidas no ambiente externo da área de estudo.
Mostra-se importante um aprofundamento no estudo do comportamento térmico da área urbana estudada, incluindo-se outras variáveis como a umidade relativa do ar e a velocidade e direção dos ventos. Também é aqui sugerida a associação dos resultados obtidos por este estudo com outros aspectos da morfologia urbana, com o intuito de um melhor entendimento do desempenho de ambientes térmicos urbanos.
De modo geral, espera-se que os resultados obtidos por esta pesquisa possam ser úteis tanto no desenvolvimento de novos estudos sobre clima e conforto térmico urbano, como num planejamento urbano sustentável que proporcione ambientes favoráveis às atividades humanas.