8.6 Kur unlu Jeotermal Alan zleyici Deneyi Çal mas
8.6.2 K-17 re-enjeksiyon Kuyusunda Yap lan zleyici Deneyi
Tal como Eisenman, a experiência de R-O-B é relevante por evidenciar as fronteiras e limites extremos das metamorfoses da prática de construir na era digital. Mas, voltemos agora ao nosso personagem principal, o escritório de Frank Gehry, que não apenas é um agente da inovação no campo do projeto informatizado como também um dos grupos que mais tem colaborado com a introdução de automação digital nos canteiros, cujas aplicações tem sido mais amplamente difundidas em obras complexas e que exploram a ‘renda da forma’. Não foram apenas as transformações das forças produtivas no escritório de arquitetura, mas também na pré-fabricação e no canteiro, que tornaram exequíveis as estruturas informes da alta-arquitetura.
A construção do Guggenheim de Bilbao foi igualmente um ponto de inlexão no processo produtivo, além das inovações de projeto. Trata-se da primeira grande experiência de construção pré-fabricada no paradigma lexível, com milhares de peças únicas sendo produzidas sob medida para serem montadas em canteiro. Nenhuma exigência de seriação e padronização restringiu a industrialização de grande parte dos componentes. O arquiteto Javier Cantalejo, um dos responsáveis pela construção da obra, airma que “foram inova- dores 80% dos sistemas construtivos empregados e boa parte dos materiais”, o que obrigou sua equipe a “reinventar os manuais de arquitetura”.59 A obra de Bilbao também se beneiciou do
seu contexto industrial – o país Basco é o centro da indústria naval e aeronáutica espanhola –, que forneceu tecnologia, equipamentos e trabalhadores que tornaram possível parte dessas iniciativas heterodoxas.60
A inovação neste e nos demais projetos que mencionaremos, ocorre sem grandes investimentos em capital ixo, pois as máquinas programáveis utilizadas na produção lexível permitem executar uma ampla variedade de ações sobre as matérias-primas, sem a necessidade de investimentos em moldes, facas e peças industriais. Além disso, possibilitam que cada nova ação seja diferente da anterior, sendo apenas reprogramada, sem custo adicional. Desse modo, exigências de padronização e seriação para obter ganhos de escala não são mais determinantes no processo produtivo. Os componentes pré-fabricados não constituem, como no fordismo,
mente a máquinas de pré-fabricação e na instrução de montagem em canteiro, dispensando em grande medida a necessidade de representação convencional em papel (corte, planta, elevação). Essa transferência de informações reduz as intermediações na transferência de dados e que podem dar margem a equívocos diversos, além de acelerar a passagem do projeto à produção. A passagem de instruções diretamente do computador de projeto para máquinas e operadores de execução na grande indústria é fato corriqueiro e ocorre há décadas. No caso da arquite- tura, contudo, a saída de dados do projeto, de um escritório de arquitetura para fabricantes ou para canteiro, sempre se deu na forma de pranchas e caixas de papéis impressos. A idéia de um ‘luxo contínuo’ entre projeto e produção na arquitetura, ou de um continuum digital, na expressão de Kolarevic, é um fenômeno recente, datado do início dos anos 1990.
Por sua vez, as formas complexas geradas no projeto digital e qualiicadas nos BIMs, encontram enormes diiculdades de serem transportadas para representações bidimensio- nais convencionais. Apesar disso, muitas vezes é o que ocorre, como airma Dennis Shelden, do escritório Frank Gehry, pois empresas fabricantes de peças, projetistas externos e cons- trutoras nem sempre estão atualizados tecnologicamente para receber um luxo contínuo de informações paramétricas tridimensionais. Nesses casos, o BIM é revertido para descri- ções simpliicadas em CAD convencional, que exigem um trabalho de redesenho parcial, prancha por prancha, passando a ser atualizado separadamente e em paralelo ao modelo multidimensional. São esses desenhos que seguem em obra instruindo diversos serviços e que são plotados em escala 1:1 quando é preciso fazer mockups em tamanho real ou a execução artesanal de peças especiais.
A primeira etapa do luxo contínuo ocorre entre projetistas e fabricantes de compo- nentes, antes de chegar ao canteiro. A procura pelo ineditismo que move a ‘renda da forma’, como vimos, estimula a elaboração de projetos não apenas distintos entre si, mas cada peça que o compõe tem grande variabilidade. O projeto digital e a produção lexível permitem tanto projetos únicos como peças únicas. Para cada desenho uma peça diferente, um para um, o que só é possível em fabricação industrial recente, com máquinas programáveis permitindo a realização de várias operações para a produção de peças únicas. São elas as máquinas de
Frank Gehry Experience Music Project Seattle 1995–2000
de raios sequenciais; ou ainda realizar moldes para peças complexas de dupla curvatura esca- vando em materiais como o poliestireno, onde depois é despejado material líquido, como é concreto ou acrílico. As máquinas programáveis também permitem que protótipos de trecho do sistema construtivo adotado sejam veriicados com facilidade, não com o objetivo de serem replicados em série, mas para análise de detalhes construtivos, acabamentos, testes de ixação e provas de resistência.
O escritório de Gehry experimentou essas três modalidades de uso da pré-fabricação não-padronizada em diversos projetos. Uma máquina de CNC para corte de pedras em diversos formatos foi instalada no canteiro de obras do Guggenheim Bilbao. Seu principal feito foi o corte das peças para a torre escultural que marca a entrada da cidade pela Puente de la Salve, e cuja volumetria complexa e encurvada exigiu dos montadores o máximo esforço no encaixe de peças pesadas e planas dispostas para obter o efeito de curvatura suave.62 Todas
as peles das superfícies irregulares dos edifícios de Gehry são cortadas em CNC – por vezes, longe do canteiro, como no caso das placas de titânio de Bilbao, feitas na Itália, a partir de chapas importadas dos EUA e fabricadas com minério extraído na Austrália. Isso permitiu, por exemplo, que no projeto do edifício cultural “Experiência da Música”, em Seattle, a superfície fosse composta por 21 mil placas diferentes umas das outras63 de modo a favorecer um efeito
visual mais suave e contínuo graças à melhor adaptação de cada peça à sua curvatura (como indicara no projeto a análise gauseana dos pontos críticos no desenvolvimento da superfície). Para que uma peça bidimensional cortada pela máquina possa ser moldada à curvatura dese- jada em sua montagem, não apenas o material deve permitir a lexibilidade exigida, como o corte deve ser feito a partir do desdobramento do projeto tridimensional em coordenadas bidimensionais. Apenas assim uma chapa plana pode adquirir a forma curvada no momento da montagem e o encaixe preciso com as peças circundantes. Essa transformação do tridi- mensional em bidimensional para depois retornar ao estado tridimensional é diicílima de ser feita manualmente sem a ajuda do computador na representação e na instrução do corte. Na montagem, exige operários especializados, diversos deles vindos da indústria naval.
Frank Gehry DG Bank Berlim 1995–2001
sima e não permitiria a solução mais convencional adotada nos projetos de Bilbao e do Disney Hall, o que conduziu a equipe de Gehry a assumir (e modiicar) a técnica de projeto e construção naval.
Na cobertura envidraçada do DG Bank, em Berlim, com também foi o caso da cober- tura toroidal desenhada por Foster para o British Museum, as máquinas CNC foram impres- cindíveis. O engenheiro Jorg Schlaich que havia sido convidado por Gehry para calcular a cobertura do banco alemão procurou regrar o desenvolvimento da curvatura para que ela fosse composta por triângulos iguais, de modo que todos os vidros e conectores fossem padro- nizados. Mas a equipe de Gehry quis manter a forma livre de tal condicionante, o que só pode ser viabilizado pelo fato de que a máquina de CNC permitiu que todos os nós de conexão fossem cortados um a um com angulações diferentes, bem como os 1,5 mil vidros. O mesmo realizou Foster ao deformar o toroide do British Museum, achatando-o levemente, o que resultou em 1,5 mil conectores, 4,8 mil barras metálicas e 3,3 mil vidros diferentes entre si, a serem montados em canteiro.64
Por im, a última variante de utilização do CNC que a equipe de Gehry realizou foi na execução de paredes de concreto com formas complexas, por vezes com curvatura dupla, no projeto das ondulantes Zolhof Towers, em Dusseldorf. No CATIA, o computador faz uma imagem em negativo de cada peça para instruir com coordenadas paramétricas cada molde individual. A partir de um bloco maciço de poliestireno (styrofoam), a máquina de CNC corta as cavidades dos moldes, um a um. O poliestireno é então retirado da área de corte e levado para a de concretagem, onde recebe a tela de armadura em aço e é entornado o concreto líquido. O acabamento inal é feito manualmente, com o uso de desempenadeiras. Depois de desenformada, a placa de concreto curada é transportada para a obra e o poliestireno pode ser reciclado para novo uso.
Além do concreto, os moldes também foram utilizados para vidros curvos. Na cons- trução de Bilbao, um ponto crítico de execução na obra foi a instalação de vidros planos sobre as estruturas irregulares do enorme átrio central. Problemas de montagem e de estanqueidade, no caso das fachadas externas, exigiram soluções trabalhosas.65 Em um projeto posterior, para
das peças. O sistema BIM favorece o planejamento do luxo de abastecimento da obra, de acordo com o planejamento da 4ª dimensão, temporal, que foi feito no modelo. Os tempos de execução e de transporte de peças para o canteiro são informados ao modelo, que esta- belece um cronograma dinâmico de encomendas de peças e seu recebimento em canteiro no momento exato, otimizando o sistema just-in-time, que já é próprio ao gerenciamento de estoques na construção. Esse planejamento pode ser combinado aos tradicionais sistemas de gestão de tempo, herdeiros do fordismo, como os do tipo PERT.
Cada componente chega marcado à obra por um código de barras, que é lido por um scanner de mão. No código de barras são fornecidas as coordenadas exatas de posi- cionamento da peça e suas intersecções com as adjacentes. A informação, assim obtida, alimenta os computadores da obra e os sistemas de locação e posicionamento a laser das peças, por meio de máquinas de rastreamento do tipo ‘estação total’, que são utilizadas por topógrafos, ou estações CATIA, da indústria aeronáutica.66 A peça é, em geral, içada
por grua, e os montadores, posicionados em andaimes ou em plataformas móveis erguidas por guindaste, recebem a orientação de encaixe, posicionam e fixam a peça. Com isso, obras complexas como o museu de Bilbao, puderam ser executadas sem a necessidade de nenhuma fita métrica ou instrumentos tradicionais de medição de prumo, nível e alinhamento.67
O sistema de pré-fabricação lexível não é apenas adotado pelo escritório de Frank Gehry, mas, cada vez mais, pelo conjunto da alta-arquitetura, que procura associar à precisão mecânica a possibilidade da execução de formas únicas. Gehry e sua equipe estão aqui, nova- mente, no grupo dos pioneiros e principais agentes da inovação dessa transição. O tipo de pré- fabricação em curso parece ser tanto o mais favorável ao regime de variabilidade da construção civil, o que permite uma convergência entre acumulação lexível e produção da arquitetura, como também fornece a base material para os ganhos esperados na modalidade de ‘renda da forma’. Assim, mais do que noutros setores, a lógica do lexível é levada ao paroxismo. Uma (ir)racionalidade que é própria à economia do luxo, da alta costura à joalheria, problema ao qual retomaremos no inal deste capítulo.
logos da arquitetura na era digital, cunhou o termo information master-builder para designar a possível nova condição de comando total do arquiteto sobre o processo construtivo.68 Segundo
ele, os arquitetos estavam progressivamente perdendo o poder sobre as decisões da construção para outros agentes, como engenheiros, construtores, incorporadores e fabricantes de mate- riais e, com isso, tornado-se quase irrelevantes, na condição de mestres apenas na produção de ‘efeitos especiais’.
Nos EUA, por exemplo, os arquitetos são atualmente proibidos de assumir a respon- sabilidade legal em canteiros de obras segundo os códigos que regulam sua prática prois- sional. Segundo declaração da AIA “o arquiteto não deverá ter controle ou ser responsável pelos meios de construção, seus métodos, técnicas, sequências e procedimentos”.69 Sua saída
completa do canteiro, o que poderia signiicar maior autonomia para dedicar-se à concepção dos projetos, acabou por outro lado, resultando em desatualização técnica, perda de prestígio proissional e progressiva marginalização.
Michael Ball airma que uma das razões para essa perda crescente de importância, que ele veriica desde os anos 1960 – uma vez que “no pós-guerra os arquitetos tiveram um poder sem precedentes” na reconstrução e no boom imobiliário que se seguiu – é provavel- mente decorrente da sua fragmentação em muitas e pequenas irmas semi-artesanais, que se mostraram ineicientes, do ponto de vista dos interesses de seus clientes, em coordenar projeto e construção e planejar de forma realista e competente custos, prazos e resultados. O mesmo ocorreu no setor público, com os fracassos sucessivos no planejamento urbano e na provisão habitacional. Com isso, e um divulgado “catálogo de desastres ediicados”, a proissão “caía em desgraça miseravelmente”.70 Nos anos 1980, os arquitetos passaram a ser
vistos como “desorientados ou grandiosos amadores, incapazes de gerir as complexidades do processo construtivo”.O mundo da construção mudava naqueles anos e o arquiteto perdia seu status de “coordenador supremo” – coniar-lhe o exercício de tal função já era consi- derado uma temeridade – para ser visto como um proissional arcaico, solicitado apenas para resolver problemas de gosto. Com o crescimento da complexidade da construção e a expansão da subcontratação, o que ampliou a fragmentação e a imprevisibilidade na cons- trução, os “arquitetos não tinham mais meios e nem vontade de impor uma disciplina orga- nizacional para essas questões”.71
A solução para esse impasse já era discutida no Royal Institut of British Architecture. Em artigo no journal do RIBA, Esher e Davis airmavam que, se os arquitetos não desenvol- vessem novas habilidades integradas de management da construção, iriam “cada vez mais
68 “Information master building” em Kolarevic, op. cit. 69 Citado em Kolarevic, op.cit., p.58.
70 Michael Ball, Rebuilding construction (1988), p.205-206. 71 Idem, p.206.
se encontrar, antes do previsto, na periferia das tomadas de decisão mais que em seu centro, atuando como estilistas para produtos de outros agentes”.72
A ‘revolução digital’ na construção civil, que possibilitou a concentração de informa- ções em um único modelo uniicado de dados, capaz de gerenciar e coordenar a quase totali- dade dos processos de projeto e obra, aparece para os arquitetos como a chance de retomada de seu posto. Quem controlar a gestão das informações comandará todo o processo, como já sabia ‘Hal 9000’, o computador da segunda Odisséia — agora, no espaço. Segundo Kolarevic, a era digital abre uma “oportunidade sem precedentes para que os arquitetos reconquistem a autoridade que um dia tiveram sobre a produção de ediicações, não apenas no seu design, mas também na sua construção”.73
O luxo contínuo entre modelo, fabricação e montagem, sob comando do desenho, favorecido pelas novas tecnologias digitais, permitiria redeinir a relação entre arquitetos, engenheiros, fabricantes e empreiteiros, sob o comando dos primeiros. Segundo Kolarevic e demais apologetas, apenas o arquiteto poderia promover a unidade de todos, na igura de um novo master-builder – o construtor com domínio pleno sobre a totalidade de decisões do processo construtivo, cujo apogeu se deu no Renascimento. O arquiteto demiurgo da era digital deve associar o conhecimento do artesanato da fabricação com as novas técnicas apuradas de desenho digital e, sobretudo, assumir a capacidade de manager habilitado para inovar em uma das áreas mais importantes do business, que é a construção civil e o circuito imobiliário de reprodução do capital. Se essa combinação for atingida, airma Chris Luebkeman, diretor da Ove Arup, a mega-empresa de engenharia que também comanda parte das inovações na arquitetura, estaremos “cada vez mais próximos de achar o ‘santo graal’ de um novo tipo de mastering”.74
O modelo digital uniicado de projeto, como foi pioneiramente desenvolvido pela equipe de Gehry até assumir a forma comercial denominada BIM, permitiu que sua equipe retomasse o papel de principal produtora e coordenadora de informações entre os vários parti- cipantes do processo de desenho e fabricação. A liderança assumida por Gehry e seus colabo- radores mais próximos, em todas as etapas de projeto e obra, permitiria designá-los como um
da qual, aliás, é mais um espectador do trabalho de seus colaboradores. A sua comparação com a velha imagem do arquiteto com o master-builder é, por isso, mais verossímil, dada sua formação ampla e sua trajetória pré-digital.
“Nada de iguras sedutoras”, airma Jim Glymph, sócio de Gehry, a modelagem digital que o escritório procura é a que permite conectar o projetista diretamente com o fabricante que está construindo os edifícios. “É a velha igura do arquiteto como master-builder” e que permite que “o controle volte a quem lhe é de direito, o arquiteto, do início ao im do processo”, airma.76 A equipe de Gehry está tentando constituir um novo tipo de coordenação
do processo produtivo que dispensaria as grandes empresas construtoras – “se elas entram no negócio, caímos fora” – para assumir diretamente a coordenação de projeto junto a fabri- cantes e subcontratados. “Fizemos isso em Bilbao e Praga”, airma.77
Os arquitetos ingleses, segundo Michael Ball, tentaram o mesmo, nos anos 1980, por meio do que denominaram de Alternative Method of Management (AMM).78 Por esse
método, a construtora principal era posta de lado e os arquitetos assumiam o comando de gestão dos demais subcontratados. Isso era possível na medida em que as construtoras encar- regadas estavam se tornando cada vez mais gerenciadoras de outras empresas subcontratadas do que efetivamente empregadoras de operários. Contudo, a posição debilitada em que se encontravam os arquitetos, diante do poder das construtoras, impediu que seus planos de tomada do poder vingassem. Naquele momento, os arquitetos ingleses “fracassaram em se colocar no topo da pirâmide da gestão da construção”.79 Mas a chance foi renovada nos anos
1990, graças ao fortalecimento do projeto por meio das novas ferramentas digitais. Como indicavam Gehry e sua equipe, os escritórios de arquitetura que estiverem preparados para tanto, poderão tentar substituir as construtoras, na medida em que são os programadores dos modelos digitais que acumulam todas as informações de fabricação, incluindo planejamento e custos. Assim, o arquiteto deverá se preparar para gerir, como manager, a cadeia de subcon- tratações de fabricantes e montadores diretamente, retirando uma parcela das camadas de intermediação que afastam o projetar do construir.
Comunicar diretamente o que se quer construir aos construtores, como airma Jim Gymph e propuseram os ingleses em seu AMM, é também o meio para se obter maior eici- ência e economia, e acelerar o ritmo de inovações em um setor que se mostra historicamente conservador. David Gann resume esse conservadorismo como decorrente da fragmentação do processo de produção, da separação entre projeto e produção e de sua racionalidade econômica própria, o que faz com que construtores estejam mais interessados em aperfeiçoar processos
76 Em Gehry talks (2002), p.17. 77 Idem, ibidem.
78 Ball, op. cit., pp.208-209. 79 Idem, p.209.
de gestão, como forma de ampliar seus ganhos, do que introduzir inovações tecnológicas. Quando uma inovação ocorre, sua difusão é sempre lenta. Colaboram para esse “sistema travado”, segundo Gann, a especialização crescente, os códigos que regem a prática, os proce- dimentos padronizados e normatizações da construção e a defesa das práticas tradicionais, como a defesa do emprego pelos sindicatos.80 Como já airmara Sérgio Ferro, há um inusitado
“interesse comum” entre capitalistas e operários, sobretudo os semi-qualiicados, em manter os patamares conservadores como forma de preservação da sua própria reprodução social. Contudo, “os interesses que se somam têm pesos diferentes pela própria posição no processo de produção – o interesse do operário é, praticamente, não determinante”.81
Nessas condições, a retomada do poder pelo arquiteto favorece a aceleração das inova-