Sınıf 4 Varyantı: KLF1’in çinko parmak 2 ( Zinc Finger 2) bölgesindeki oldukça korunmuş 325 amino asitte de novo olarak meydana (p.E325K) gelen ve şiddetl
3.2 K562 Hücre Hattında HbF İndüksiyon Çalışmaları
Conforme dito, o nosso material empírico consiste em textos do site da Feneis e comunidades e fóruns do Orkut. No que diz respeito ao site, procuramos mapear todos os conteúdos que expressassem narrativas de vida.64 Portanto, realizamos uma busca em todas as seções do site, sem exceções. Depois desse mapeamento, encontramos 25 histórias de vida, disponíveis em três seções: a) seção “De surdo para surdo”, encontrada na versão on line da Revista da Feneis; b) seção matérias de destaque; c) seção “Perfil”, também disponível na versão on line da revista da Feneis; e d) seção notícias, que reúne as notícias publicadas em vários outros meios de comunicação. Essas histórias de vida foram apresentadas de duas maneiras: em primeira e em terceira pessoa. Em outras palavras, uma parte desse material foi escrita pelas próprias pessoas que vivenciaram experiências para elas importantes e que se dispuseram a expressá-las no ambiente do site. A outra parte foi feita em formato de reportagem, em que o jornalista escreve um texto sobre a história de vida de um surdo. Optamos por analisar os 6 textos que trazem testemunhos em primeira pessoa. Os outros todos, num total de 19 histórias de vida, são contados por uma outra pessoa, em formato jornalístico.
Já no Orkut, o processo se mostrou mais complexo, uma vez que o conteúdo disponível sobre surdez era bastante numeroso e dos mais variados tipos. Para alcançar uma
64 Todo o mapeamento do site da Feneis, coleta de dados e escolha do material empírico foi feito entre os dias 7 e 10 de setembro de 2007.
quantidade de material adequada à pesquisa e que tornasse a análise exeqüível, estabelecemos alguns critérios para o recorte das comunidades e fóruns.65
1 - Primeiramente, fizemos uma busca pelas seguintes palavras-chave: surdos, surdo, libras, surdez, implante coclear, deficiente auditivo e língua de sinais. Nessa busca encontramos 1.902 comunidades. Acrescentamos mais 13 comunidades sobre o tema não contempladas nessa busca inicial, encontradas por meio de hiperlinks a partir de comunidades relacionadas. Ao todo, foram 1.915 comunidades.
2 - Em seguida, com o objetivo de conhecer melhor a maneira como os temas sobre a surdez são expressos no Orkut, estabelecemos a partir dos títulos das comunidades uma categorização primária, sem fins metodológicos (Apêndice B). Aquelas comunidades que deixavam dúvidas quanto à categoria foram visitadas a fim de encontrarmos mais informações sobre elas. Dessa categorização, concluímos que 836, ou seja, 44%, eram relacionadas a temas que não diziam respeito em nada à luta dos surdos. Pode parecer irônico, mas quando tais comunidades não se referiam ao instrumento musical surdo, traziam metáforas tais como “prefiro ser surdo do que ouvir isso” ou “Somos todos cegos, surdos e loucos”. A estas comunidades damos o nome de off topics.66 Encontramos também alto número de comunidades ligadas à religião (163) ou relacionadas à localidade (111). Aquelas que se propunham, a priori, políticas e que se apresentavam como reivindicatórias perfazem um total de 33 comunidades, tais como “Não discrimine os surdos” ou “Globo-Respeite os surdos”. Outras 37 comunidades se referiam às associações dos surdos.
3 - Como critério de seleção, excluímos primeiramente aquelas com conteúdos off topics e religiosos, já que escapavam totalmente ao nosso escopo de trabalho. Em seguida, excluímos aquelas comunidades que possuíam menos de 50 participantes, guiados pela lógica de que, quanto mais pessoas, mais possibilidades de haver uma discussão e, conseqüentemente, maior possibilidade de manifestação de pontos de vista diferentes.
4 - Dentro das comunidades restantes, visitamos o fórum, onde vários tópicos67 propõem discussões das mais variadas. Inicialmente suprimimos aqueles fóruns com conteúdos comerciais, ofertas de emprego, divulgação de eventos, além daqueles que convidavam os
65 Todas as buscas por palavras-chave foram feitas entre os dias 11 e 30 de setembro de 2007. Os outros passos para a delimitação do objeto empírico, tais como a categorização primária das comunidades e a escolha do material a ser analisado, foram feitos entre novembro de 2007 e janeiro de 2008.
66 O termo já é amplamente utilizado na literatura sobre Internet e caracteriza aqueles comentários que não estão diretamente relacionados ao tema proposto em um fórum ou lista de discussão.
67 Um tópico é o mesmo que uma lista de discussão. Ou seja, dentro de cada comunidade há um fórum e, dentro de cada fórum, vários tópicos de diversos assuntos.
participantes da comunidade a se apresentarem. É verdade que nesses fóruns era possível detectar muitas histórias de vida, mas era preciso estabelecer critérios de seleção que contemplassem fóruns com diferentes pontos de vista, a fim de tornar evidente a luta por reconhecimento. Poucos são os fóruns capazes de mobilizar várias opiniões diferentes, ou, ainda, várias participações. Em geral são fóruns que se propõem apenas a divulgar evento ou notícia curta. Os fóruns com maior participação são aqueles que pedem para cada um se apresentar (tópico “Apresentem-se”), deixar seu contato (tópico “Para um maior contato coloque seu msn aqui!!”), postar frases interessantes (tópico “Pequenas Frases, Grandes Significados.”), ou mostrar porque fazem parte daquela comunidade e contar suas histórias de vida. Em seguida excluímos aqueles fóruns cujas participações eram menores que 30 posts.68 Fomos orientados pela mesma lógica do item acima: fóruns “movimentados” mobilizam maior número de pontos de vista e carregam maior probabilidade de exibirem temas controversos.
5 - Por fim, restaram 25 tópicos (discussões) (Apêndice C) cujas participações contavam com mais de 30 posts e também expressavam diferentes pontos de vista. Os assuntos que envolvem a temática da surdez e que geram controvérsias são muitos. Envolvem, por exemplo, a polêmica sobre o uso ou não da língua de sinais e da oralização, sobre fazer ou não implante coclear nos filhos, quais os métodos educacionais adequados, o papel do intérprete de Libras, inclusão social, o namoro entre surdos e ouvintes, as leis e políticas destinadas aos surdos, dentre outros. A variedade dos debates pode parecer grande, mas depois de um exame mais apurado pudemos perceber que todos derivam de uma mesma questão: a controvérsia entre oralização e sinalização. Dessa maneira, restringimos a análise aos debates com maior participação e que envolviam esta questão primária e fruto de entendimentos distintos sobre o bem viver dos surdos. Chegamos, então, às seguintes comunidades e aos respectivos fóruns:
a) Fórum Vergonha Surdo – Comunidade Amigos entre ouvintes e surdos – 10.852 membros – 404 posts;
b) Fórum “Como fico numa reunião de ouvintes” – Comunidade Surdos Oralizados – 3.897 membros – 76 posts;
c) Fórum Oralização – Comunidade Surdos Oralizados – 3.897 membros – 283 posts; Cada uma dessas conversações reflete uma face do não reconhecimento da língua de sinais como forma de comunicação válida e como delineadora de modos de vida dignos. A primeira traz a discussão sobre ter ou não vergonha de se expressar em língua de sinais. A segunda discute a presença do intérprete de Libras em reuniões e apresenta questionamentos
sobre a dependência dos surdos sinalizados em relação a esse profissional apontando certo assistencialismo. Na terceira, encontramos a opinião dos pais de surdos em relação à questão e a censura a outras formas de comunicação.
Capítulo 4
Discursos homogêneos e conversas controversas: o acionamento dos testemunhos nos diferentes ambientes virtuais
Esta análise visa identificar uma lutar por reconhecimento moralmente motivada e empreendida por pessoas surdas que têm a língua de sinais como forma de comunicação e delineadora de uma cultura e identidade surdas. Nessa luta, buscamos evidenciar como os testemunhos de vida são invocados, em quais situações e de que maneira eles revelam, de um lado, premissas de bem viver e hierarquias de valores socialmente construídas e enraizadas no cotidiano e, de outro, o modo como os surdos querem ser reconhecidos.
Dividimos a nossa análise em três partes. A primeira delas visa examinar os testemunhos coletados no site da Feneis à luz da teoria do reconhecimento e das discussões sobre movimentos sociais e associativismo. Na segunda parte, vamos tratar do material extraído do Orkut, sempre tendo em vista as conversações políticas que se desenrolam nesse ambiente. Iniciamos com a descrição e a análise das comunidades por entendermos que o ambiente em que se expressam as conversações é profundamente definidor destas, sendo alguns mais ou menos favoráveis a uma luta por reconhecimento. Entendemos que os contextos das lutas por reconhecimento influenciam sobremaneira o modo pelo qual elas são levadas a cabo. Nesse sentido, não apenas o contexto social off line, como também o contexto virtual direciona essas expressões que buscam reconhecimento. Ainda nesta segunda parte, examinaremos um a um os tópicos – que, a partir deste ponto e para fins didáticos, denominaremos apenas de discussões –, para compreendermos o conjunto e a trajetória de cada um deles. Em seguida, desenvolveremos uma análise mais fina e a categorização desses debates de modo a evidenciarmos o lugar do testemunho e as diversas maneiras em que ele é convocado na luta por reconhecimento. Na terceira parte, evidenciaremos os principais pontos semelhantes e distintos presentes tanto no site quanto no Orkut.
4.1 O posicionamento institucional: histórias de vida semelhantes, discursos