3.2. ALLAH’IN NİMETLERİNE KARŞI NANKÖRLÜĞÜN NETİCESİNİ
3.2.4. Kıssadan Alınacak İbret
As medidas de salvaguarda consistem em um meio, direcionado principalmente para os países em desenvolvimento, no qual estes são autorizados a aplicar medidas restritivas em relação às importações. Essas medidas, em regra, não são cabíveis, exceto quando o país que adota tal medida logra êxito em comprovar a existência de lesão ou perigo de lesão à indústria nacional em virtude das importações e a seriedade do perigo. Necessário ressaltar, que quando imposta uma medida de salvaguarda esta deve ser aplicada apenas na proporção necessária para prevenir ou reparar um prejuízo grave e para auxiliar a indústria a se ajustar. Ademais, havendo a situação de restrição das importações por uma nação, com vistas a proteger seus produtores domésticos, preferencialmente deverá oferecer uma contrapartida, como indenização. Entretanto, se nenhum acordo for avençado, o país exportador pode retaliar a medida de salvaguarda, v.g. aumentando as tarifas de importação para produtos oriundos do país que está aplicando a medida de salvaguarda. A dificuldade surge quando a medida governamental questionada não é explicitamente discriminatória, como frequentemente ocorre
muito embora seja veementemente negado pelos Estados, ou quando a medida é criada de forma discricionária, sem a apresentação dos fundamentos necessários ou debates acerca do tema. (WTO, 2013-B).
Interessante anotar que a relação entre o Brasil, os órgãos reguladores da Ordem Econômica internacional e outros Estados, frequentemente61 volta a ser matéria de disputa no âmbito da OMC, dos quais, dois serão analisados no tópico específico dos casos concretos, o pacote de medidas que reduziram o IPI para eletrodomésticos da linha branca e o aumento do IPI para automóveis importados, ocasionado pela vigência do Decreto de n° 7.567, de 15 de setembro de 2011. Discute-se se a possibilidade de as medidas terem sido discriminatórias e logo, contrárias aos ditames da OMC. No que, após pesquisa, parece, no primeiro caso, não haver existido uma situação discriminatória, tendo em vista que a redução do IPI foi estendida a todos os agentes econômicos. Já no segundo caso, uma vez que apenas os automóveis importados sofreram com a majoração do IPI, permanecendo a alíquota zero para carros nacionais, é possível afirmar que, de fato, existiu uma situação de discriminação vedada pela OMC.
Os casos concretos ajudam a demonstrar que os riscos e consequências criados pela globalização, em especial pela concorrência fiscal, são incertos e variantes, caindo sobre muitas pessoas ao mesmo tempo em um padrão imprevisível, por isso a necessidade de se observar as situações caso a caso. Por exemplo, no Brasil, a flutuação do IPI, em um caso foi utilizado de forma correta, enquanto em outro momento, isso não se repetiu. O mesmo imposto, com consequências completamente distintas.
O conselho padrão dado por instituições internacionais como o Banco Mundial e o FMI para países em desenvolvimento é pela busca em reduzir a quantidade de incentivos fiscais oferecidos para investidores estrangeiros. Da mesma forma, estudos do Banco Mundial sobre a Europa Central e Oriental recomendam pela eliminação de todos os incentivos fiscais, uma vez que, muito mais eficiente que executar uma tributação extremamente baixa ou mesmo nula, por meio de incentivos fiscais específicos, a atração de investidores estrangeiros é muito mais eficiente quando se disponibiliza uma composição política, econômica e social mais atraente, incluindo aqui fatores como um governo estável, uma força de trabalho bem educada, e boa infraestrutura. Este ponto de vista também é amplamente compartilhada por
61 O Brasil recorreu a OMC 26 vezes como reclamante e 15 vezes como requerido. Fonte: OMC. Disponível em:
<http://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/find_dispu_cases_e.htm?year=none&subject=none&agreement=n one&member1=BRA&member2=none&complainant1=false&complainant2=false&respondent1=true&responde nt2=false&thirdparty1=false&thirdparty2=false#results>. Acesso em: 11 jul. 2014.
acadêmicos, que concordam que há pouca evidência de que os incentivos fiscais são capazes de atrair investimento estrangeiro de forma eficaz. (AVI-YONAH, 2000, p. 1643-1644).
A assertiva acima enquadra-se perfeitamente no caso concreto que trouxe o aumento do IPI. Buscou-se proteger a indústria nacional minando o livre comércio e a livre concorrência, todavia, é preciso evitar medidas que somente visem resultados de curto a médio prazo, ou grupos específicos com forte poder de influência dentro dos governos, como a adotada através do aumento do IPI para importados. A criação de vantagens artificiais em um longo prazo traz mais malefícios que acréscimos à nação. Uma realidade de transparência e previsibilidade, de respeito à igualdade entre as partes, equilibrando-se o princípio da não discriminação com as peculiaridades dos países em desenvolvimento e a busca da renovação tecnológica é que tornam um setor da economia forte e isto é que deve ser perseguido e estimulado pelos governos.
Naturalmente, não se quer, com isso, afirmar que a existência de incentivos fiscais ou de um sistema de cobrança mais reduzido, em absolutamente nenhum caso poderá auxiliar o desenvolvimento de uma determinada nação. Se um Estado pratica uma tributação muito alta, tal situação irá influenciar na decisão de investidores, acerca de qual nação escolher para investir. E, mais uma vez, o caso concreto que tratou da redução da tributação em relação ao IPI, irá demonstrar que foi capaz de alterar o quadro de crise enfrentado no Brasil, por meio da atração e estímulo a permanência dos agentes econômicos brasileiros ou estrangeiros no mercado.
O que há de se evitar é o chamado “race to the bottom”, no qual incentivos específicos são concedidos indiscriminadamente, custando aos países que concorrem, preciosas receitas, as quais não poderiam ser dispensadas, uma vez que improvável que venham a ser adequadamente compensadas pelos benefícios decorrentes dos investimentos estrangeiros. É necessário, portanto, haver uma cooperação entre as nações, a fim de que as condições oferecidas sejam minimamente equivalentes e os fatores determinantes para a decisão sejam outros, alheios aos aspectos fiscais, tais como anteriormente ditos, educação, segurança jurídica e política e uma boa infraestrutura que comporte os investimentos a serem efetuados.
A manutenção tanto da globalização como da Segurança Social vai exigir medidas que limitem a concorrência fiscal, mas preservem a capacidade de cada Estado democrático para determinar o tamanho do seu setor público, ressaltando que a segurança social se aplica a países em desenvolvimento com força ainda maior, porque a pobreza desses países faz com que as consequências da desoneração tributária muito mais grave. Em alguns países em
desenvolvimento, são necessárias receitas fiscais para garantir a própria sobrevivência do governo organizado. (AVI-YONAH, 2000, p. 1640-1641).
Espera-se que ocorra uma progressiva harmonização a nível mundial, dos sistemas fiscais, assente numa realidade que caminha, de um lado, da órbita nacional para a órbita internacional ou para a órbita internacional. A concorrência fiscal internacional vem forçando os Estados a buscarem soluções que implicam em certa relativização da soberania por parte dos Estados, por meio da cooperação internacional. Há que lançar as fundações da construção de um Estado fiscal internacional simultaneamente democrático e social, ou, por outras palavras, um Estado fiscal social que, ultrapassando os limitados territórios nacionais, ofereça uma cobertura jurídico-constitucional adequada às amplas zonas de integração econômica que o mercado vai engendrando.
De todo o exposto é possível depreender que a globalização e a concorrência fiscal fizeram surgir a necessidade de se buscar a cooperação entre os Estados, uma vez que os países que insistem em manter uma atuação unilateral, divorciada do contexto internacional, ou mesmo aqueles que instituem acordos bilaterais (e não multilaterais), já não são capazes de atingir um regramento em matéria fiscal que evite a erosão do seu sistema, uma vez que a mobilidade do capital livre de qualquer tributação se apoia na desunião entre as nações, movendo-se livremente através das fronteiras nacionais. Assim, a concorrência fiscal somente será refreada e minimamente contida através da cooperação entre Estados, especialmente por meio de tratados multilaterais, como os trazidos pela OMC, portanto, essencial para que os objetivos fundamentais da tributação sejam preservados, somente organizações com um alcance igualmente mundial pode regular e tributar as atividades do mercado privado.
Assim, a doutrina majoritária entende que a concorrência fiscal internacional (aqui incluído o seu desdobramento protecionista), torna-se um fenômeno prejudicial quando ausentes critérios de legitimação e de eficiência, pois que impõe um alto ônus aos Estados que conferem auxílios, frequentemente sem atingir os resultados visados, como o aumento de investimentos estrangeiros, melhoria nas taxas de desemprego, desenvolvimento econômico e social; gerando mais ineficiência que consequências benéficas para a nação. (ELALI, 2010, p. 156-157; 160; 162).
É tarefa árdua buscar compatibilizar os ditames internos da Constituição Federal brasileira, em face de acordos multilaterais dos quais a nação tornou-se signatária. Entretanto, a dificuldade não afasta a imprescindibilidade dessa medida. O país não pode mais adotar incentivos fiscais ou medidas protecionistas, sem o devido planejamento e sem a observância
5 CASOS CONCRETOS
Neste tópico serão apresentados casos práticos nos quais foram adotadas medidas com finalidades extrafiscais, principalmente através de incentivos fiscais, dando-se atenção também às situações na quais o mesmo tributo tenha sofrido majoração, a fim de garantir a análise do máximo de peculiaridades acerca da flutuação tributária com o intuito de induzir comportamentos por parte dos contribuintes, para assim observar se as normas e princípios que regem a concessão, alteração e revogação dos tributos foram seguidos e se foram capazes de atingir os objetivos visados.
Assim, para cada tributo a ser analisado, será feita uma breve introdução contendo seu regime jurídico, ou seja, o conjunto de princípios e normas, os quais norteiam a aplicação do tributo, contendo a hipótese de incidência, sujeito ativo, passivo, alíquota e base de cálculo, assim como peculiaridades importantes, como o uso para fins extrafiscais, eventual possibilidade de relativização de princípios como o da legalidade ou anterioridade, para então se adentrar nos casos concretos e confrontar as regras que os regem na teoria, em face do seu uso prático.