II. BÖLÜM
2.3 Gıda Sanayi Alt Sektörleri
2.3.1 Mezbaha Ürünleri Sanayi
2.3.1.1 Kırmızı Et Sanayi
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) possui missão e objetivos relacionados com o desenvolvimento, a regulação e a fiscalização do mercado de capitais. Em 2002, a CVM lançou uma cartilha com as principais recomendações centradas em questões como
assembléias, estruturas acionárias, proteção a minoritários, conselho de administração, conselho fiscal, auditoria independente, dando uma clara sinalização do reconhecimento desse órgão regulador quanto os benefícios que a boa GC pode trazer para o desenvolvimento do mercado de capitais e para o crescimento econômico do país, via expansão da poupança interna e externa aplicada na capitalização das empresas (ANDRADE; ROSSETTI, 2006).
O setor elétrico, em termos de GC, a partir da revisão de literatura das práticas e recomendações brasileiras como: a Lei das S/A, Novo Mercado da BOVESPA, Incentivos do BNDES, Plano Diretor do Mercado de Capitais e Novas Regras para os Fundos de Pensão mostra sinais de que está bem posicionado e consolidado frente aos outros setores. Resta identificar se as práticas realizadas estão de acordo com o que é desejado pelos acionistas e se são suficientes e relevantes a ponto de ganhar destaque para a tomada de decisão de investimentos, o que é o objetivo deste trabalho.
3 SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO
A importância da oferta de energia elétrica para o crescimento econômico brasileiro requer atenção especial aos problemas vividos por este setor de infra-estrutura (GOMES et al., 2006). O marco inicial do setor elétrico brasileiro ocorre em 1879, quando foi inaugurado no Rio de Janeiro, o serviço permanente de iluminação elétrica interna da Ferrovia Dom Pedro II (GOMES et al., 2006). A população brasileira cresceu de 17 milhões de habitantes para 31 milhões entre 1900 e 1920. O aumento populacional pressionou a demanda por serviços urbanos e fez surgir um mercado interno que justificava o fornecimento de energia (GOMES et al., 2006).
A crise de 29 deixou claro o esgotamento do modelo agroexportador vigente até então no Brasil e a urgência de redefinir o papel do Estado no processo de industrialização (GOMES et al., 2006). O primeiro código de regulamentação do setor elétrico ocorreu em Julho de 1934, onde materializava o projeto estatal e intervencionista no setor de energia elétrica (GOMES et al., 2006).
A Light, primeira e maior companhia brasileira da época, já começava centrar suas críticas na questão tarifária. O modelo brasileiro já nasceu com uma disparidade entre a oferta e a demanda de energia (GOMES et al., 2006). Em 1946, o governo federal apresentou um programa de concentração de investimentos em usinas elétricas de pequeno e médio porte para tentar solucionar a demanda por eletricidade. Cabendo ao Estado, o papel de coordenador (GOMES et al., 2006).
A década de 50 pode ser considerada um momento de mudanças na industrialização brasileira. Desse modo, o novo estágio dependia de mudanças estruturais que viabilizassem a implantação da indústria pesada, da indústria de bens de capital e de bens de consumo. Pela primeira vez foi negociado aportes de capitais estrangeiros para financiamentos de projetos no setor de energia elétrica no Brasil (GOMES et al., 2006).
No início da década de 60, o projeto de desenvolvimento do setor elétrico sob o comando da empresa pública, cria a maior parte das companhias estaduais de energia elétrica e de geradoras federais, como a Central Elétrica de Furnas no estado de Minas Gerais (GOMES et al., 2006). Entre 1952 e 1962, foram aprovadas 141 operações de crédito para projetos no setor elétrico. Em 1962, o desenho do setor é novamente alterado com a criação das Centrais Elétricas do Brasil (ELETROBRÁS) (GOMES et al., 2006).
No final da década de 60, ocorre um novo ciclo de expansão da economia brasileira. O governo militar retoma fortemente os investimentos do governo e das empresas estatais em obras de infra-estrutura capazes de manter o bom atendimento da demanda por energia. Cada concessionária possuía certa liberdade para negociação de suas tarifas (GOMES et al., 2006).
Em 1974, o governo federal institui a equalização tarifária buscando estabelecer tarifas igualitárias em todo o território nacional, gerando muito desconforto entre as diversas concessionárias estaduais (GOMES et al., 2006). A partir de 1979, o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e a entrada de capital privado foram responsáveis pela continuidade do bom serviço de distribuição e geração de energia elétrica. O modelo estatal elétrico, no inicio da década de 80, começava dar sinais de enfraquecimento (GOMES et al., 2006).
O sistema BNDES continuava dando seu apoio a projetos das empresas públicas e privadas de energia elétrica Na década de 80 foram financiados pelo governo diversas usinas hidrelétricas. Nessa época houve problemas técnicos na construção dessas usinas que resultou em problemas de fornecimento de energia, uma vez que a capacidade instalada para geração de energia sempre operava com ociosidade (GOMES et al., 2006).
O fornecimento de energia só não ficou mais comprometido no início da década de 90, pois ocorreu um ciclo hidrológico amplamente favorável (GOMES et al., 2006). A situação de falência do modelo de financiamento estatal gerou debates na tentativa de superar a crise e eliminar os problemas institucionais. Os resultados desses debates foi aprovação de modificações nas regras de funcionamento do setor em Março de 1993 (GOMES et al., 2006).
O marco regulatório de 1993 em conjunto com o Plano Nacional de Desestatização (PND), desverticaliza a cadeia produtiva do setor elétrico separando as atividades de geração, transmissão, comercialização e distribuição, tal como é atualmente (GOMES et al., 2006).
As empresas do setor sofrem em função das regulamentações, com o desenho do setor e também pela intervenção do Estado. Desde a década de 30 existe um conflito entre os interesses do governo, que regulamenta e fiscaliza o setor, e as empresas que ofertam energia no mercado livre (GOMES et al., 2006). Em 1995, sem marcos regulatórios que garantissem alguma condição de qualidade na prestação do serviço, as empresas estatais começam a ser vendidas para grupos privados. Os marcos regulatórios referentes ao processo de privatização só entram em vigor em 1997 (GOMES et al., 2006), conforme apresentado na seção 3.1.
As práticas de governança corporativa, em um setor tão complexo e regulamentado, podem ser mais importantes como vantagem competitiva do que em setores tradicionais, onde a iniciativa privada é dominante (ELETROBRÀS, 1999). A necessidade do serviço como bem
público, justifica a regulamentação e a intervenção do Estado. Mesmo assim a partir de 1997, o setor começa a ganhar um novo desenho baseado no que vinha se aplicando no resto do mundo. As privatizações ocorridas em 1997 não foram suficientes para garantir uma prestação de serviço de qualidade por parte das empresas (PIRES, 2000).
Um bom exemplo sobre a má administração e má gestão dos serviços que evidencia a crise de oferta de energia foi o evento do racionamento ocorrido em 2001 (ARAÚJO, 2001). As empresas começaram a ser fiscalizadas pelas agências reguladoras e pelo próprio Ministério de Minas e Energia, forçando tais companhias a adotarem diversas práticas de boa gestão, incluindo políticas de GC. As causas e a condução desse programa também são apresentadas nesse capítulo.
Os marcos regulatórios posteriores ao racionamento, através da Lei 10.848 de 2004 que alterou o desenho do setor, retirando boa parte da viabilidade e da competitividade das empresas do setor, também serão apresentados nesse Capítulo 3, assim como as diversas instituições públicas que regem, regulamentam e fiscalizam o setor.
Em razão da crise fiscal que se abateu sobre o Estado brasileiro no final dos anos 80 e esgotou as possibilidades do modelo vigente, caracterizado pelo controle estatal, as necessidades de expansão da oferta passaram a ser postergadas, elevando os riscos de déficit de energia e ocasionando deterioração na qualidade dos serviços. A dimensão do problema do setor elétrico pode ser obtida com a comparação das necessidades de expansão da capacidade instalada de geração do país e com o nível de investimentos realizados nos últimos anos (ELETROBRÁS, 1999).
Para o período 1999/2008 estava previsto o crescimento da capacidade instalada de 61.300 MW para 104.600 MW, criando uma necessidade de novos projetos de oferta de geração de energia da ordem de 4.330 MW por ano, e exigindo, nos primeiros cinco anos, investimentos totais da ordem de R$ 8,5 bilhões por ano (ELETROBRÁS, 1999). No entanto, o ritmo de aumento da capacidade de geração de energia vem reduzindo-se gradualmente ao longo das décadas por falta de investimentos na área e em detrimento de estudos para geração de energia através de fontes alternativas que ainda não estão consolidadas (ELETROBRÁS, 1999).
Em virtude da impossibilidade das empresas estatais sustentarem os investimentos necessários, o setor de energia elétrica brasileiro vem sendo alvo de um processo de reformas, desde meados dos anos 90, ainda não concluídos, em razão de uma série de dificuldades políticas e institucionais, com ênfase na entrada da iniciativa privada e privatização dos ativos existentes (OLIVEIRA, 1999).
Essas mudanças vêm sendo inspiradas na experiência internacional, marcada por políticas regulatórias. A especificidade do caso brasileiro e dos países em desenvolvimento é que, além de objetivarem reduzir os custos de produção, aumentar a eficiência energética e encontrar alternativas para a mitigação dos riscos ambientais, as reformas do setor elétrico têm que encontrar rápidas respostas para as necessidades de expansão dos sistemas elétricos (PINHEIRO, 1999).
A Seção 1 do presente capítulo trata do processo de privatização iniciado em 1997. Da seção 2 a 5 são apresentados os principais órgãos reguladores do Estado, as instituições e as agências que regulamentam e fiscalizam o setor. A Seção 6 evidencia a experiência brasileira do racionamento de energia ocorrido em 2001, assim como suas causas, suas lições e conseqüências. E por último, a Seção 7 trata sobre o Novo Marco Regulatório de 2004 que modificou as regras de comercialização, distribuição, geração e transmissão do setor de energia elétrica.