3. KIRMIZI ÇAMUR VE OLUŞUMU
3.7. Kırmızı Çamurun Değerlendirilmesi
3.7.5. Kırmızı çamur ile ilgili yapılan diğer çalışmalar
O município de Feira de Santana está localizado na zona de planície, entre o Recôncavo baiano e os tabuleiros semiáridos do nordeste baiano. Desde 2011, passou a sediar a região metropolitana com mais cinco municípios. Possui área territorial de 1.338km² e população de 556.642 habitantes, sendo 263.999 homens e 292.643 mulheres. Faz limites ao norte com os municípios de Santa Bárbara e Santanópolis, ao sul com Antônio Cardoso e São Gonçalo dos Campos, a sudeste com Conceição do Jacuípe, a leste com Conceição de Maria e a oeste com Anguera e Serra Preta (IBGE, 2010).
Geograficamente está a 109km da capital do Estado. Encontra-se em posição privilegiada, no encontro das BRs 101, 116 e 324, que servem como ponto de passagem para quem vem das regiões do sul e centro-oeste do país. Apresenta relevo aplainado e suavemente ondulado, clima considerado tropical, quente e semiárido, com chuvas dos meses de março a setembro. Predomina, na vegetação, a caatinga (SAMPAIO JUNIOR, 2012).
Segundo registros, até o ano de 1960 o município possuía uma população rural maior do que a zona urbana. O setor agropecuário foi a fonte econômica mais forte, porém, com a instalação de indústrias, a população da zona rural migrou acentuadamente para a zona urbana na década de 90, destacando-se atualmente o setor de serviços (SAMPAIO JUNIOR, 2012).
Na figura 3 da pirâmide etária percebe-se que no município há predomínio da população feminina, a partir da faixa etária de 15 anos. A concentração dos habitantes está na faixa de 20 a 29 anos, com acentuada hegemonia feminina. Quando os dados são comparados com outros anos, ocorreu aumento dos que têm acima de 60 anos, totalizando 48.365, representando 8,7% dessa população, ainda pouco envelhecida se se
75 considerar a porcentagem de idosos brasileiros, que é de 12, 1% (IBGE, 2010).
Figura 3
Fonte: IBGE (2010)
Em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM62) do município foi de 0,712, ocupando a 1546ª posição, em relação aos 5.565 municípios do Brasil. Em relação aos 417 municípios da Bahia, Feira de Santana ocupa a 5ª posição, sendo que 4 (0,96%) municípios estão em situação melhor e 413 (99,04%) municípios igual ou pior (ATLAS, 2013).
62Medido a partir de três pilares (saúde, educação e renda), mensurados da seguinte forma: expectativa de vida; acesso ao conhecimento (educação) a) média de anos de educação de adultos, que é o número médio de anos de educação recebidos durante a vida por pessoa a partir de 25 anos; b) expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar, que é o número total de anos de escolaridade que uma criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idade permanecerem os mesmos durante a vida da criança; padrão de vida (renda).
76 Devem ser destacadas peculiaridades sobre o índice de violência no município: ocupa a 35ª posição no número de homicídios e óbitos por arma de fogo entre os municípios com mais de 20 mil habitantes63, o que
evidencia deficiências e insuficiências do aparelho do Estado, somadas à transição do processo econômico local (WAISELFISZ, 2013).
Em 2010, dos 3.183 óbitos do município no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério de Saúde, 20,90% foram por causas externas64. Quando comparados aos índices do Estado e do país, os óbitos
representaram 15,90% e 12,60%, respectivamente. Verificou-se que 74,92% dos óbitos por causas externas no múnicípio se concentraram na faixa etária de 15 a 39 anos (DATASUS).
Quando separados os óbitos de causas externas por faixa etária e sexo, encontram-se 16,30% na faixa etária de 15 a 19 anos de idade; esse percentual aumenta para 35% na faixa etária de 20 a 29 de idade e vai diminuindo com o aumento da idade, 19,36% na faixa etária de 30 a 39 anos, todos do sexo masculino. Se comparados os dados ao sexo feminino, os óbitos são, respectivamente, 0,70%, 1,95% e 1,50%. Os dados revelam o alto indice de mortes violentas que acometem indivíduos do sexo masculino (DATASUS).
Quanto os dados são comparados à mortalidade das pessoas a partir de 60 anos de idade no município, constata-se outro panorama, que inverte as causas de óbitos entre as pessoas da faixa etária de 15 a 39 anos. Verifica-se que os óbitos por causas externas a partir de 60 anos representam 2% dos óbitos do município no ano de 2010, média nacional. Entretanto, 52,30% dos óbitos concentrados nessa faixa estavam relacionados a doenças do aparelho circulatório (20,20%), seguido pelas neoplasias (8,85%), doenças do aparelho respiratório (5,74%), doenças endócrinas nutricionais e metabólicas (5,52%), as demais doenças em quantitativo menos expressivo (DATASUS).
63Do total de 5.565 cidades existentes no país no ano de 2010, 1.651 municípios tinham mais de 20 mil habitantes. Apesar de representarem apenas 29,7% dos municípios, concentravam 82,9% da população e 93,5% dos óbitos por arma de fogo nesse ano.
64
Na Classificação Internacional das Doenças – CID/10, violência e acidentes estão classificados como “causas externas”.
77 Os jovens do município, principalmente do sexo masculino, estão passando por seleção de sobrevivência de gerações. Quando conseguem ultrapassar, enfrentam a debilidade de seu estado de saúde com o acometimento de doenças crônicas, o que requer aumentar as ações de promoção de saúde e prevenção de doenças, evitando que as pessoas envelheçam acometidas por comorbidades.
Entende-se que as manifestações não são fatos isolados ou acidentais, mas reconfiguradas no contexto familiar, institucional, social e político, diferindo pela capacidade de enfrentamento de cada sujeito, a partir da estrutura e dos recursos que dispõem no acesso à cidadania.
2.
Locus da pesquisa
Na investigação proposta importou descrever o espaço do qual foram extraídos os casos de violência contra idosos, registrados no MP65 como
forma de reparação do suposto agressor e tomadas de medidas de proteção à pessoa vitimada. Trata-se de uma das instituições que compõem o Sistema de Garantia de Direitos, no eixo de defesa, cujas funções foram alteradas a partir da Constituição Federal de 1988.
A instituição tem como campo de atuação a materialização de quatro ordens de valores os quais deve zelar: defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos individuais indisponíveis e coletivos (ART. 127 – CF/1988).
A ordem jurídica diz respeito ao elenco de normas em consonância com a legislação máxima de um Estado, que orientam o convívio e o desenvolvimento humano e da sociedade;
O regime democrático evoca o respeito ao exercício dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e aos direitos humanos;
65
A Constituição Federal, no seu artigo 128, prevê a estrutura para o Ministério Público: I - o Ministério Público da União, que compreende: a) o Ministério Público Federal; b) o Ministério Público do Trabalho; c) o Ministério Público Militar; d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; II - os Ministérios Públicos dos Estados.
78 Os interesses sociais são os interesses da coletividade, dos quais decorrem os valores da educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade, à infância, ou seja, aqueles assegurados no artigo 6º da Constituição;
Os direitos individuais indisponíveis são direitos de personalidade; de a pessoa defender o que lhe é próprio, entre eles a vida, a integridade, liberdade, sociabilidade, reputação, honra, imagem, privacidade e autoria; e dentre eles também estão:
Os direitos individuais homogêneos, aqueles que decorrem da origem comum e são compartilhados na mesma medida por um grupo determinado; com relação a estes, cabe ao MP atuar quando há repercussão no interesse público ou social, compatível com a finalidade institucional (MANFRINI, 2007).
Ainda representado no tradicional papel acusatório, na seara criminal, na atualidade o MP vive intensos desafios que ultrapassam o restrito campo da atuação jurídica, ao assumir caráter político e pedagógico na defesa e promoção dos direitos humanos.
a força política do Ministério Público está estreitamente ligada à normatização dos direitos difusos, coletivos e individuais, indisponíveis e homogêneos (questões relacionadas ao meio ambiente, ao patrimônio histórico e cultural, aos direitos do consumidor, à defesa do patrimônio público, ao controle da administração pública e aos serviços de relevância pública, que envolvem direitos fundamentais, como educação, moradia, trabalho, saúde, segurança, entre outros). (DELL’AGNOLO; apud. MANFRINI 2007, p. 32).
Em um contexto no qual grande parte da população não exercita a cidadania, é indispensável que a instituição que tem como missão constitucional a defesa dos direitos fundamentais (art. 127 e 129 – caput II da CF/88) intervenha além das práticas tradicionais, ou seja, da via judicial, intensificando as ações de promoção dos direitos relacionados à cidadania com atuação no âmbito extrajudicial.
79 A atuação no espaço extrajudicial é uma forma de mediação de maior agilidade para dirimir, prevenir conflitos e buscar soluções, envolvendo a sociedade civil e os setores interessados, sobretudo as políticas sociais públicas da área de educação, saúde e assistência social (MANFRINI, 2007).
Observa-se que a instituição ganha agilidade e receptividade quando mantém recursos como negociação e diálogo. Quando fiscaliza se coloca como parceira, o que requer ser agente político de transformação social, defensor de direitos humanos e mediador de conflitos sociais, o que ainda está em fase de solidificação no espaço do MP.
O promotor de Justiça deve abandonar a clausura de seu gabinete e manter-se acessível e disponível ao povo, destinatário primeiro e último da sua função; portanto, para fortalecer a legitimidade de sua atuação, deverá, sempre que possível, promover audiências públicas e participar de conferências, com o intuito de buscar subsídios que lhe permitam transformar positivamente a realidade social, verdadeira missão constitucional do Ministério Público no Estado Democrático de Direito. (MOURA e BERCLAZ, 2007, p. 25)
De igual modo, a interdisciplinaridade é prática recente, suscitada pelas novas atribuições da Constituição. Isso demandou a incorporação, à estrutura organizacional, de profissionais de outras áreas. Na execução das funções ministeriais, as Promotorias de Justiça, órgãos de execução do MP, têm órgãos auxiliares, assessoria técnica para apresentar elementos complementares que possibilitam fundamentar as providências a serem tomadas pelos órgãos de execução em favor do interesse público, ou seja, a proteção dos direitos coletivos e individuais indisponíveis.
A definição da política institucional de recursos humanos precisa compreender o Ministério Público como espaço profissional para atuação de membros66 (gestores) e servidores67 (colaboradores), uma vez que
ambas as categorias desempenham atividade voltada
66
Promotores de Justiça. 67
80 ao cumprimento da missão constitucional. (MOURA e BERCLAZ, 2007, p. 25)
Entre os órgãos auxiliares está o profissional de Serviço Social, que ocupa posição confortável na instituição, pela convergência do seu projeto ético-político, pois os princípios e diretrizes delineados no Código de Ética comungam com a missão institucional: ambos buscam, pela transformação da realidade, contribuir para a consolidação da democracia e da justiça social no país.
Por se tratar de novo espaço de atuação profissional, depara-se cotidianamente com o processo de construção de parâmetros identitários, pois vigoram práticas diferenciadas no fazer e no demandar as atribuições do Serviço Social no Ministério Público, além dos entendimentos precipitados de práticas que conotam a substituição dos serviços do Poder Executivo pela insuficiência em suas ofertas.
Ainda com número reduzido de profissionais da área, são incessantes os esforços estratégicos e políticos da categoria para construção dos parâmetros técnicos de atuação centrados em subsidiar as Promotorias de Justiças, por meio do desenvolvimento de atividades de suporte técnico em matéria de Serviço Social, envolvendo assessoramento, planejamento, coordenação, execução, acompanhamento, supervisão e avaliação de programas, projetos e ações das áreas meio e fim do Ministério Público (ATO NORMATIVO INSTITUCIONAL Nº 003/2011).
No que se refere à competência técnica, o profissional de Serviço Social assessora os órgãos de execução do MP, possibilita sua aproximação aos espaços de debates das políticas públicas, identifica serviços que se apresentam insuficientes, sugere alternativas de intervenções, contribuindo como fomentador dos serviços que compõem o SGDPI.
Entretanto, as ações enfrentam um paradoxo: de um lado, a complexidade de discutir parâmetros de atuação interdisciplinar no Sistema de Justiça, que, segundo Nogueira Neto (2012), carrega um histórico muito mais de poder do que de serviços; por outro lado, a dinâmica do Serviço Social com a tradição de trabalhos intersetoriais com seu próprio espaço de atuação, mas não exclusivo.
81 De início, o maior desafio foi entender a dinâmica institucional e construir um fluxo para a atuação interventiva. Apesar de o Serviço Social ter histórico de atuação no Ministério Público Estadual da Bahia desde 1998, foi a partir do 2º Concurso Público, em 2008, que ocorreu um avanço para a categoria, pela especificação de área de atuação68 – denominando Serviço
Social – e a abertura de duas vagas para o profissional de Serviço Social no interior do Estado. Estavam, até então, lotados na Capital, escolhidas, entre as 28 Regionais do Ministério Público Estadual, a Regional de Feira de Santana e a Regional de Vitória da Conquista, por estarem localizadas nas duas cidades do interior mais populosas do Estado.
Atualmente, da sede da Regional do Ministério Público Estadual de Feira de Santana (comarca de Feira de Santana) constam 23 Promotorias de Justiça, que atuam com atribuições específicas - crime, improbidade administrativa, sonegação fiscal, cidadania, infância e juventude, proteção aos idosos e deficientes, consumidor etc. O Serviço Social, como setor de subsídios para as Promotorias de Justiça, passa a ser acionado quando o titular69 da causa sentir necessidade de sugestão em matéria de Serviço Social.
Por ser espaço recente de inserção profissional, depara-se com a necessidade de estabelecer mecanismos de acompanhamento e avaliação pelos membros do órgão quanto à utilização do trabalho do Serviço Social, o que possibilitaria estímulo à interdisciplinaridade e fortalecimento das competências e atribuições do profissional, ultrapassando a perspectiva funcionalista.
A lógica institucional prevê que o Serviço Social seja acionado pelos órgãos de execução; porém, as frequentes demandas que chegam ao setor são espontâneas ou decorrem de encaminhamento informal da rede de serviços, envolvendo famílias que enfrentavam violação de direitos, na maioria das vezes expressa pela falta de acesso aos direitos civis, sociais e políticos.
68
No primeiro concurso público foi previsto o provimento de servidores públicos analistas das diversas áreas das ciências humanas, não por áreas específicas.
82 Paralelamente, a deficiência de profissionais preparados para identificar as situações vivenciadas pelas famílias resulta em protocolos institucionais executados por um modelo cartesiano e a incompreensão das questões apresentadas70.
Nesses casos, o Serviço Social atua com orientações e encaminhamentos; nos casos que configuram atuação ministerial, dirige o cidadão ao setor de triagem para fazer a distribuição da demanda entre as Promotorias de Justiça com atribuição específica da área.
Nos casos em que o Serviço Social foi acionado pelas Promotorias de Justiça percebeu-se, a partir da averiguação da situação, que são famílias que enfrentam situações adversas, que dificilmente têm registro de intervenções ou acompanhamento nos serviços das políticas sociais básicas, entre elas a atenção básica da saúde e de proteção da assistência social. Na maioria das vezes, as denúncias estão relacionadas à falta de informações sobre a forma de acesso aos serviços. Em decorrência, há violações de direitos; casos envolvendo conflitos familiares que se originam de as famílias conviverem com membros acometidos de doenças crônicas (demências, drogadição, doença mental), levando ao isolamento social, rejeição, abandono, que exigem orientações, acompanhamentos continuados, ou mesmo medidas de providências do órgão ministerial.
3.
Abordagem metodológica
A escolha de um tema de pesquisa não se define de modo imparcial ou neutro, mas revela a intencionalidade de estudos e vivências do pesquisador, que traz em sua bagagem de vida pessoal e profissional. Estudos e vivências que permeiam a intencionalidade do movimento e os
70 Os indivíduos, quando procuram os serviços, muitas vezes não sabem qual será a melhor solução, mas relatam o que desejam. Cabe aos profissionais a capacidade técnica de diagnosticar e refletir sobre possíveis meios a partir dos quais pode alcançar o desejável. Vários deles decorrerão de mudanças de rotinas, comportamentos, reflexões de valores, os quais nem sempre o indivíduo está preparado para enfrentar de imediato. Entra aí a elaboração de um plano, de curto, médio ou longo prazo, visando a uma estruturação do projeto de vida pessoal e familiar, ou à necessidade de acionar outros serviços que podem colaborar na superação da situação adversa.
83 propósitos, ou seja, levam o pesquisador a iniciar, persistir e terminar uma atividade, ou mesmo que impulsionam, dirigem e mantêm as atividades.
O tema da pesquisa está vinculado à busca de um saber, a partir da sistematização de documento sigiloso em arquivos para um conhecimento compartilhado. A partir dela, torna-se possível repensar a práxis; possui uma intencionalidade, sendo um exercício político, pois afirma um posicionamento por um projeto político de sociedade.
Segundo Minayo, a pesquisa e as questões de investigação são fruto de determinada inserção no real, e nelas encontramos suas razões e seus objetivos. A autora menciona ainda:
(...) nada pode ser intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeira instância, um problema da vida prática. Isto quer dizer que a escolha de um tema não emerge espontaneamente, da mesma forma que o conhecimento não é espontâneo. Surge de interesses e circunstâncias socialmente condicionadas, frutos de determinada inserção no real, nele encontrando suas razões e seus objetivos (1998 p. 90).
A presente investigação caracteriza-se como pesquisa exploratória, descritiva, quanti-qualitativa e documental. A complementação da pesquisa qualitativa favorece o aprofundamento da análise e interpretação das equações, que nem sempre estão visíveis ou palpáveis, pois é possível utilizar meios descritivos oriundos de observações e entrevistas, que traduzem o mundo dos significados e contribuem para explicitar o objeto pesquisado.
A escolha de caráter exploratório ocorreu diante da incipiente divulgação de dados. No que se refere ao descritivo foi para apresentar um panorama detalhado do problema apresentado, de modo a extrair as relações, conhecer as variáveis associados e fixar as orientações para a prova das hipóteses (SORIANO apud FALEIROS, 2007).
Para conhecer o contexto que perpassa a violação de direitos foram utilizados do levantamento os registros documentais para mapear os motivos dos atos de violência sofridos pelos idosos com procedimentos, em
84 andamento, na 16ª Promotoria de Justiça de Feira de Santana, no período de maio a setembro de 2012.
A partir desses procedimentos, traçou-se o perfil sociodemográfico dos idosos com suspeita ou que sofreram atos de violência, com identificação do sexo e idade, e se foram informadas deficiência ou comorbidade no momento da queixa. Optou-se em separar os casos de idosos que haviam informado sequela (deficiência ou comorbidade), para identificar se a situação indicaria maior exposição à violência e quais o tipos estavam relacionados.
Buscou-se mapear os bairros com maior frequência de denúncias, a fim de refletir se os locais apresentam histórico de violência ou se existem indicativos de reconhecimento da comunidade quanto ao enfrentamento e rompimento dos atos de violência. Em seguida, foi identificado o tipo de violação de direitos, classificadas por categorias, a partir das principais demandas que chegaram ao órgão, divididas em violência interpessoal; cuidados com saúde; violência institucional e busca por serviços. Posteriormente foram identificados os autores responsáveis ou suspeitos pelas violações, classificados em familiar, sociedade, Estado; quando não aparecia agressor, outro71. Por fim, foram indicadas as origens das denúncias que chegaram à 16ª PJFS, agrupadas por informações do disque denúncia (disque 100); setor de triagem da Regional do Ministério Público Estadual de Feira de Santana e; encaminhamentos da rede de serviços ou órgãos de proteção.
O fato de a pesquisadora desenvolver intervenções no campo da pesquisa, com estudo social sobre os motivos da violação de direitos registrados contra idosos, a partir de visita domiciliar, institucional, entrevista social, possibilitou aprofundar os resultados a partir de complementação de dados qualitativos.
Segundo May (2004), um documento representa o reflexo da realidade, tornando-se um meio pelo qual o pesquisador procura uma correspondência entre a sua descrição e os eventos aos quais ele se refere. Os documentos têm o potencial de informar e estruturar as decisões que as
71
Para os casos que não aparece agressor, por exemplo, abandono do idoso por morte do cuidador.
85 pessoas tomam diariamente e em longo prazo; constitui-se de leituras particulares dos eventos sociais.
O risco do método é levar a incompreensões; daí o fato de o método não ter sido, até há pouco, bem reconhecido. Todavia,