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II. BÖLÜM:ARAŞTIRMANIN YAPILDIĞI KULP İLÇESİ HAKKINDA GENEL

2.11. Kulp’ta Göç ve Sosyal Değişim

2.11.1. Kırdan Kente Göç

Foi a partir da Era Vargas, nos anos 30, que o Estado passou a intervir, gradualmente, na economia, na cultura e na organização da sociedade, além de centralizar o poder, configurando um modelo de administração altamente burocrática. O Estado surge como principal interventor no setor produtivo de bens e serviços do país, tornando-

se um Estado “empresário”, centralizado, paternalista e intervencionista, que contava, ao

mesmo tempo, com um setor empresarial extremamente dependente de autorizações, proteções e benesses oficiais.

No Estado Novo (1937-1945), a matriz autoritária de pensamento, que confere ao Estado o poder máximo da organização social, vai adquirir contornos mais definidos. As elites intelectuais, das mais diversas correntes de pensamento, passam a identificar o Estado como o cerne da nacionalidade brasileira. Esse período contempla a montagem de uma propaganda sistemática do governo, destinada a difundir e popularizar a ideologia do regime junto às diferentes camadas sociais. Para dar conta de tal empreendimento, é criado um eficiente aparato cultural: o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) diretamente subordinado ao Executivo (VELLOSO, 1987).

A reestruturação de ministérios, a criação de agências estatais e de empresas para atuação no setor produtivo e a consolidação das normas administrativas, empreendidas a partir de 1937, são apenas alguns exemplos de como o Estado passa a se organizar para enfrentar os desafios contemporâneos. Mas, segundo Wahrlich (1974:29), o líder inconteste da reforma e, em grande parte, o executor daquela que se pode chamar de a primeira reforma - marcante - do aparelho do Estado brasileiro foi, de fato, o Departamento Administrativo do Serviço Público, mais conhecido como DASP27, órgão então subordinado diretamente ao Presidente da República.

27 Órgão previsto pela Constituição de 1937 e criado em 30 de julho de 1938, com o objetivo de aprofundar a reforma administrativa destinada a organizar e a racionalizar o serviço público no país, iniciada anos antes por Getúlio Vargas. Coerente com os princípios do Estado Novo, o DASP via uma incompatibilidade entre a 'racionalidade' da administração e a 'irracionalidade' da política.

60 Essa primeira experiência de reforma de acentuado alcance inspirava-se no modelo weberiano de burocracia28, mas também nas ideias de Taylor29 e Fayol30, que buscavam o caráter legal das normas e regulamentos, privilegiando a impessoalidade; a hierarquia da autoridade; rotinas e procedimentos padronizados; competência técnica e meritocracia. A ênfase maior era dada à gestão de meios e às atividades de administração em geral, sem se preocupar com a racionalidade das atividades substantivas (COSTA, 2008). Foi, portanto, o primeiro esforço sistemático de superação do patrimonialismo e uma ação deliberada e ambiciosa no sentido da burocratização do Estado brasileiro (MARCELINO, 1987). Em essência, no contexto dos principais objetivos, buscava-se combater a corrupção e o nepotismo.

A criação do DASP, em julho de 1938, representou não apenas a primeira reforma administrativa do país, com a implantação da administração pública burocrática, mas também, e principalmente, a afirmação dos princípios centralizadores e hierárquicos da burocracia clássica.

Nesse ambiente, o setor cultura esteve inscrito no Ministério da Educação e Saúde, nos termos da Lei nº 378, de 13 de janeiro de 1937, conforme abaixo. Note-se que, à exceção do Instituto Nacional de Cinema Educativo, considerado uma instituição (item 2

do Capítulo III) de “educação escolar”, os demais órgãos culturais (item 3 do Capítulo

III) enquadravam-se como de “educação extraescolar”. Talvez esse “extra” contribua para explicar a formatação, mais tarde, em 1953, do Ministério da Educação e Cultura, mudança que, além de dar autonomia à área da saúde, passava a reconhecer expressamente o tema cultura.

…“CAPITULO III

DOS ORGÃOS DE EXECUÇÃO

SECÇÃO III

Dos serviços relativos á educação

2) Instituições de educação escolar

Art. 40. Fica creado o Instituto Nacional de Cinema Educativo, destinado a promover e orientar a utilização da cineamatographia, especialmente como processo auxiliar do ensino, e ainda como meio de educação popular em geral.

28 Segundo Weber, a “burocracia moderna” é compreendida a partir de três aspectos, funcionando da seguinte forma: sistema com normas e regras, formado por profissionais especializados, selecionados segundo os critérios racionais e que se encarregam de diversas tarefas importantes dentro do sistema. 29 Taylorismo ou Administração científica é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro norte-americano Frederick Taylor (1856-1915), considerado o pai da administração científica. Caracteriza-se pela ênfase nas tarefas, objetivando o aumento da eficiência ao nível operacional. 30 Henri Fayol contribuiu para o desenvolvimento do conhecimento administrativo moderno. Uma das contribuições da teoria criada e divulgada por ele foi o desenvolvimento da abordagem conhecida como Gestão Administrativa, onde pela primeira vez falou-se em administração como disciplina e profissão, que por sua vez, poderia ser ensinada através de uma Teoria Geral da Administração.

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3) Instituições de educação extraescolar

Art. 43. Fica mantida a Bibliotheca Nacional, com as attribuições que ora lhe competem.

§ 1º Fica creada, na Bibliotheca Nacional, para leitura de cegos, uma secção Braille, que será dirigida por um cego de comprovada competencia.

§ 2º Na Bibliotheca Nacional, será mantido o curso de bibliotheconomia ali existente.

Art. 44. Fica creado o Instituto Cayrú, que terá por finalidade organizar e publicar a Encyclopedia Brasileira.

Art. 45. A Casa de Ruy Barbosa se mantém com o objectivo de cultuar a memoria de Ruy Barbosa, velando pela sua bibliotheca e todos os objectos que lhe pertenceram, e promovendo a publicação de seu archivo e de suas obras completas.

Art. 46. Fica creado o Serviço do Patrimonio Historico e Artístico Nacional, com a finalidade de promover, em todo o Paiz e de modo permanente, o tombamento, a conservação, o enriquecimento e o conhecimento do patrimonio historico e artístico nacional.

§ 1º O Serviço do Patrimonio Historico e Artístico Nacional terá, além de outros orgãos que se tornarem necessarios ao seu funccionamento, o Conselho Consultivo.

§ 2º O Conselho Consultivo se constituirá do director do Serviço do Patrimonio Historico e Artistico Nacional, dos directores dos museus nacionaes de coisas historicas ou artísticas, e de mais dez membros, nomeados pelo Presidente da Republica.

§ 3º O Museu Historico Nacional, o Museu Nacional de Bellas Artes e outros museus nacionaes de coisas historicas ou artísticas, que forem creados, cooperarão nas actividades do Serviço do Patrimonio Historico e Artistico Nacional, pela fórma que fôr estabelecida em regulamento.

Art. 47. O Museu Historico Nacional é mantido como estabelecimento destinado á guarda, conservação e exposição das relíquias referentes ao passado do Paiz e pertencentes ao patrimonio federal.

Paragrapho unico. No Museu Historico Nacional funccionará o curso de museologia alli existente.

Art. 48. Fica creado o Museu Nacional de Bellas Artes, destinado a recolher, conservar e expor as obras de arte pertencentes ao patrimonio federal. Art. 49. Fica instituída, como orgão de caracter permanente, a Commissão de Theatro Nacional, a que competirá estudar, em todos os seus aspectos, o problema do theatro nacional, e propôr ao Governo as medidas que devam ser tomadas para a sua conveniente solução.

Art. 50. Fica instituido o Serviço de Radiodiffusão Educativa, destinado a promover, permanentemente, a irradiação de programmas de caracter educativo...31

São criados também, nesse período, o Serviço Nacional do Teatro - Decreto-lei nº 92 de 21/12/1937 (que extingue a Comissão de Teatro Nacional) -, o Instituto Nacional do Livro - Decreto-lei nº 93 de 21/12/1937-, o Serviço de Radiodifusão Educativa – a partir da doação feita por Roquete Pinto ao Estado, em 1936, e o Conselho Nacional de Cultura - Decreto-lei nº 526 em 1938. Essa gama de instituições parece coadunar-se com o preceito estampado na Constituição de 1937 (art. 128), que diz que é dever do Estado fundar instituições artísticas.

62 A rigor, o projeto dessa época possuía dois níveis de atuação e estratégia: a do Ministério da Educação (Gustavo Capanema) e a do DIP32 (Lourival Fontes). Entre essas entidades ocorreria uma espécie de divisão do trabalho, visando atingir distintas clientelas: o ministério Capanema voltava-se para a formação de uma cultura erudita, preocupando-se com a educação formal; enquanto o DIP buscava, através do controle das comunicações, orientar as manifestações da cultura popular (VELLOSO, 1987:4). Segundo Velloso (1987:49), é essa concepção do popular que vai permear todo o projeto cultural do Estado Novo. O Estado mostra-se mais preocupado em converter a cultura em instrumento de doutrinação do que propriamente de pesquisa e de reflexão (VELLOSO, 1987:44).

O campo organizacional das instituições culturais estatais, portanto, pouco tem a ver com a satisfação de direitos culturais, na medida em que funcionavam, principalmente, como uma ferramenta de manipulação da sociedade em benefício dos detentores do poder e da manutenção do regime político.

O contexto envolvendo a criação de órgãos culturais, a promulgação da Constituição (que não cita a expressão cultura), em novembro de 1937, e a reforma administrativa, em julho de 1938, mescla elementos próprios de um regime autoritário, de uma forte burocracia, e de uma gestão altamente centralizada33, seja na Presidência da República ou no Ministério da Educação e Saúde. Esse panorama sofrerá avanços e retrocessos no tocante à gestão pública de cultura quando da implementação das ulteriores reformas, havidas nas décadas de 60 e 90, as quais serão abordadas na sequência.

Benzer Belgeler