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Şekil 6.7. A kodlu toz bileşiminin SEM görüntüsü ve EDS analizi (genel)

6.8. Kırık Yüzey İncelemeleri

Quando sofrem agressões, as mulheres chegam aos serviços de saúde e, em geral, não expõem o que se passa, pois mesmo elas têm dificuldade de defini-lo. A violência de gênero envolve muitas demandas, mas nem por isso ela é evidente, até por que, por medo ou vergonha, as mulheres mantêm-na em segredo. Acreditam tratar-se de assunto privado e se sentem culpadas por não conseguirem suprir as necessidades do companheiro, que constantemente lhes afirma isso.

Diante disso, nos atendimentos, os profissionais se deparam com situações inesperadas. À medida em vão investigando, os problemas vão

aparecendo e de certa maneira se avolumando, pois os casos que envolvem violência de gênero carregam outros problemas como a dependência, o amor-desamor pelos filhos, as dificuldades para manutenção do casamento e outros. Os profissionais então, associam a situação, a uma bola de neve.

(Discurso do grupo) Uma bola, numa bola de neve, pensando que quando atendemos a pessoa, pensamos que é uma coisa, mas quando você vê, desencadeia um monte de outras coisas juntas, e vai aumentando, então a bola representa isso.

O desconforto sentido pelos profissionais durante o atendimento à mulher agredida pode ter sua origem na insegurança do novo e do desconhecido, referido por eles como uma caixinha surpresa. Essa incógnita, tanto pode ser boa, diante de um problema conhecido ou de fácil solução ou ruim quando eles se defrontam com algo de difícil solução.

(Discurso do grupo) A caixa de presentes como se fosse uma caixinha surpresa, pois a pessoa que aparece para nós pode ser uma surpresa boa, pode ser uma surpresa ruim.

Nessa fala, os profissionais exprimem a sensação de não dar conta de tantas queixas. Não são apenas os profissionais de saúde de Araraquara que expõem tal dificuldade, esse sentimento já foi descrito, em trabalho anterior, como se fosse a abertura da caixa de Pandora (Kronbauer, Meneghel, 2005). Oriunda da mitologia grega, essa expressão é utilizada para designar qualquer coisa que incita a curiosidade, mas na qual é preferível não tocar, pois expõe os males do mundo.

Quando as mulheres procuram ajuda, expondo a violência no atendimento expõem inúmeras situações-problema que os profissionais de saúde não conseguem abordar, a despeito das expectativas de ambos.

Na fala a seguir, os profissionais dizem-se espectadores por se sentirem mexendo numa situação de difícil controle, apesar de potencialmente ser passível de mudança. Evidenciam a expectativa da mulher, mas não conseguem avaliá-la. É difícil prever o desfecho, mas em havendo oportunidade de prestar ajuda, ela não deve ser desperdiçada, pois as mulheres têm muita dificuldade de falar sobre isso. Se não atendidas, podem abandonar o serviço.

Além disso, acreditam que a mulher quando procura o serviço de saúde não quer ajuda, porque não leva adiante a denúncia feita à polícia. Desta forma, ao acreditar que a única ajuda possível seria a jurídica, revelam-se presos às concepções ortodoxas que prescrevem unicamente o rompimento como solução para a violência de gênero.

(Discurso do grupo) Existe muita expectativa, mas não se sabe o que há de expectativa do outro também. Então, pode ser uma bomba que explode ou pode apagar o fogo; enfim, uma expectativa tanto para o bem quanto para o mal, pode ser usada dos dois jeitos.

(Discurso do grupo) (...) depois que a mulher é agredida, ela procura, mas ela não quer ajuda, ela não quer que o caso chegue até a polícia, não quer por medo. Então nós ficamos de mãos atadas também, é como se amarrassem nossas mãos e nossas atitudes, porque ficamos sem saber o que fazer.

As respostas às demandas apresentadas pelas mulheres em situação de violência doméstica são muitas, como: atenção psicológica, direito civil, trabalho, moradia, creche, escola, enfim, um mundo de necessidades derivadas do desrespeito sistemático aos direitos humanos, à cidadania e a conseqüente vulnerabilidade alta dessas mulheres e meninas aos agravos biopsico e sociais, demandas estas que vão além da esfera criminal (Schraiber et al., 2005).

Além da dificuldade financeira a que estariam expostas, a impunidade, o medo, a dependência emocional e o constrangimento de ter a sua vida revelada, são motivos que fazem com que muitas desistam da denúncia policial ou de seguir com a ação penal.

“O preconceito e o despreparo das autoridades e funcionários em atender a mulher violentada, também são barreiras que dificultam o acesso destas à justiça, já que muitas vezes são tidas como causadoras da situação que gerou a violência” (Garbin et al., 2006:2568).

Esses sentimentos refletem a submissão construída socialmente para as mulheres. Entre outras coisas, elas não notificam as agressões por considerarem-se inferiores ao agressor (Garbin et al., 2006).

Mesmo entre aquelas que passaram por situação de violência, algumas mulheres não o consideram motivo suficiente para uma punição

mais severa do agressor, principalmente se o fato ocorreu sob a forma de ameaças, sem a prática da violência física (Silva, 2003).

Para os profissionais de saúde, em geral, a equipe não sabe lidar com casos envolvendo violência de gênero. Admitem que há muito o que aprender em relação ao tema. Vários estudos realizados no âmbito do PSF mostram o despreparo e a impotência dos profissionais em relação a este tipo de assistência, admitindo que há muito a aprender sobre violência de gênero e assim preparar-se para o atendimento. O despreparo, que gera impotência, aliado à falta de tempo, de recursos, medo de ofender a mulher ao perguntar, são fatores já considerados em outros estudos (Kronbauer, Meneghel, 2005; Schraiber et al., 2005).

Sobre a falta de preparo, o trabalho realizado por Oliveira, evidenciou a fragilidade dos profissionais diante das demandas advindas de situações de violência em geral, principalmente de violência sexual contra a mulher. Para tanto, não basta o treinamento em técnicas e aplicações de alguns

protocolos. É preciso incluir espaços mais reflexivos que possibilitem ampliar o conhecimento acerca da violência de gênero e seus determinantes, entre eles os conceitos de dominação – subalternidade e suas conseqüências (Oliveira, 2005).

(Discurso do grupo) (...) a falta de preparo de alguns profissionais, mesmo de PSF. Não é porque é PSF que todo mundo é dez ou mil, ainda há muito que aprender em relação a grupo, em relação à pessoa, a respeito, a acolher.

(Discurso do grupo) (...) falta de preparo dos profissionais, que às vezes, os profissionais querem ajudar, mas eles não estão preparados para isso.

Na fala a seguir, a impotência dos profissionais é tanta, que beira a resignação...

(Discurso do grupo) (...) pensando no bem-estar dela porque, depois de uma briga, depois de ter apanhado, nada como uma música, uma boa música, já que a gente não pode fazer nada mesmo, ouvir uma boa música pra ficar feliz, nem que seja um pouquinho.

A ausência de espaço físico adequado que propicie às mulheres a privacidade necessária para a verbalização da violência foi referida pelo

grupo como uma preocupação, pois, nessa situação, elas se encontram fragilizadas, vulneráveis demais para confiar e o espaço, nesse caso, deve representar segurança, sigilo.

(Discurso do grupo) O espaço físico inadequado e muitas vezes a pessoa tem medo de se expor, de expor o problema.

Um estudo testou prospectivamente o conforto de 40 mães, com pelo menos um filho de 3 a 12 anos, sobre rastreamento de violência doméstica e mostrou que elas ficavam mais confortáveis em responder às questões sozinhas do que na presença das crianças, especialmente com relação a risco sexual e depressão. Elas expressam facilidade de falar em violência doméstica com médicos que criam um ambiente amigável e humano na consulta, além de informal. As questões mais abertas e vagas propiciam a elas sinalizarem que há algo errado, e que, posteriormente pode ser discutido, na ausência da criança. Ir da questão mais geral para a mais específica é mais confortável para essas mulheres (Zink et al., 2006).