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4. Kitapta Yer Alan Öyküler ve Tahlilleri

4.1. Kırık Bilye

O debate entre progresso, desenvolvimento e ambientalismo foi a temática da Conferência de Estolcomo, em 1972, que inaugurou oficialmente a emergência da troca de ideias entre 114 países representados, entre eles o Brasil. Significou que a questão

13 Em palestra “Informação Ambiental: Conhecimento científico, Vontades Públicas e Representações

Políticas do Meio-ambiente" proferida no dia 12/5/2009, na Universidade Federal de Minas Gerais,

promovida pelo IEAT. Disponível em:

<http://www.ufmg.br/ieat/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=165&Itemid=403>. Acesso em: 23 fev. 2011.

ambiental se tornava uma preocupação da comunidade internacional. O evento reuniu cientistas (biólogos, economistas, antropólogos etc.) e conservacionistas para formar uma comunidade epistemológica para tratar questões ambientais. Possibilitou também a ligação entre instituições de pesquisa que, de maneira crescente, começaram a considerar questões políticas como fundamentais para a conservação da natureza. E, obviamente, mobilizaram- se em rede para garantir a posterior troca de informações científicas (biológicas e sociais).

A conferência levou ao surgimento do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) que, embora fosse a principal organização intergovernamental ambiental, tinha menos importância e menos dinheiro e prestígio que outras agências das Nações Unidas, como a Food and Agriculture Organization (FAO) e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), que já publicavam em torno de questões ambientais, como por exemplo, o Código de Conduta para Distribuição e Uso de Pesticidas, da FAO, em 1986 (LYNTON 1990; PORTER; BROWN, 1991).

Durante os anos setenta, poucas organizações ambientais desenvolveram estratégias independentes em torno de questões globais. Problemas começaram a ultrapassar fronteiras geográficas, pois transversal e naturalmente não reconheciam soberanias nacionais, assim exigiam ações em rede e olhares transdisciplinares em busca de soluções. Por exemplo, a pesca de baleias foi uma das principais questões que preocupou cientistas e organizações como Greenpeace, Amigos da Terra15 e outras que, desde década de 1970, utilizavam as tecnologias da informação e comunicação como ‘tecnologias intelectuais’16. Essas instituições usavam e ainda usam de estratégias midiáticas de espetacularização de fatos ambientais e da construção de identidades culturais fomentadas por histórias (construídas por publicitários) para sensibilizar os públicos urbanos. O sucesso dessa campanha, a favor das baleias, estimulou uma pluralidade de atores, entre eles os sistemas bancários internacionais, a lutarem por outras questões. Isso resultou que países do Terceiro Mundo, extremamente dependentes desses sistemas bancários, foram ‘incentivados’ a pautar em suas agendas a temática ambiental.

Em março de 1980, a IUCN17, o WWF e a UNEP lançaram conjuntamente eventos em trinta países para colocar em evidência o debate entre desenvolvimento e ambientalismo. A estratégia dos eventos simultâneos em territórios dispersos geograficamente incluiu sugestões para reformas nas legislações nacionais visando a

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Conhecida mundialmente como Friends of the Earth

16 Tecnologias do Intelecto é um conceito desenvolvido inicialmente por Jack Goody, ao se referir à escrita

em sociedades tradicionais, em 1968. Este conceito foi re-apropriado por Pierre Levy (1993), para pensar as técnicas de comunicação em geral usadas por instituições.

17 Sigla utilizada para definir a The World Conservation Union, Organização ambiental transnacional que

publica, há 40 anos em nível mundial, a Lista Vermelha, com dados sobre seres vivos ameaçados de extinção. Disponível em: <http://www.iucn.org>. Acesso em: 2 fev. 2009.

conservação da natureza e, principalmente, objetivou dar visibilidade à questão ambiental na mídia. A ideia era mostrar que se considerarmos que as pessoas destroem o meio ambiente em países pobres por sua ignorância, o que acontece de fato é que elas destroem porque não tem outra alternativa de vida. Essa foi a primeira vez que se ouviu falar em desenvolvimento sustentável, que seria o “desenvolvimento que une as necessidades do presente com o compromisso de possibilitar às futuras gerações de encontrar suas próprias necessidades”18, conceito publicado no Relatório Brundtland (intitulado ‘Nosso Futuro Comum’), da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), solenemente entregue à Assembléia Geral da ONU em 1987 por ONGs, órgãos governamentais, empresários, bancos e agências multilaterais.

Segundo Ribeiro (1991), a discussão sobre sustentabilidade foi pouco aprofundada em comunidades acadêmicas, ou por “uma prudência quanto aos modismos frequentemente associados às construções de utopias, ou à própria novidade do assunto” (RIBEIRO, 1991, p. 76), o que de certa forma, segundo o autor, continua favorecendo a uma visão capitalista de sustentabilidade do ‘desenvolvimento’ da natureza, pois:

reinvestir no meio ambiente natural para assegurar sua conservação, sua recuperação, seu melhor conhecimento, sua ampliação, sua reposição, é condição essencial para assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento. Para isso, se requerem recursos humanos, técnicos, financeiros, institucionais e legais. Tudo isso exige obter fundos adicionais que tornem possível a mobilização destes recursos para aplicá-los ao cuidado do meio ambiente, que é capital e patrimônio ambiental da sociedade. (RIBEIRO, 1991, p.77)

O termo ‘desenvolvimento sustentável’, desde a Conferência de Estocolmo, representa um projeto desenvolvimentista liberal, relacionado à ecologia. Ou seja, longe de ir contra o progresso econômico, o movimento ambiental é incorporado pelo capitalismo como mais uma estratégia para se alcançar um ‘futuro comum’. Segundo Carvalho, o apelo “ao bem estar dos povos era usado como álibi, sempre citado ao lado dos objetivos de crescimento econômico, emprestando uma preocupação humanista a intenções não tão nobres” (CARVALHO, 1991, p.11).

Essa opinião, especificamente relacionada ao Brasil, corrobora o argumento desenvolvido por Jacobi (2003) que, durante a década de 1970 e início da década de 1980, era impossível a concretização das “promessas desenvolvimentistas” (JACOBI, 2003, p.10), pela não resolução dos problemas sociais e pela desigualdade da distribuição de renda. A crise do modelo de desenvolvimento, de certa forma, levou a aceleração da consciência sobre a devastação ambiental: queimadas na Amazônia e no Cerrado, extinção quase total da Mata Atlântica e a luta contra a extinção de espécies como o mico-leão-dourado e o boto

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World Comission on Environmet and Development, Our Common Future (Oxford: Oxford University

rosa estimularam a articulação entre ONGs europeias, norte-americanas e instituições brasileiras contra o progresso que não mede a destruição do meio ambiente.

Segundo Scherer-Warren (1993), esse movimento se caracterizou pela não centralidade organizacional, mas por relações mais horizontais, complementares e mais abertas ao pluralismo e à diversidade cultural. Agências ambientais estatais e algumas entidades ambientalistas, portanto, segundo Viola e Leis (1992), viviam uma relação dialética entre as agências ambientais e as entidades ambientalistas baseada no conflito e cooperação, pois muitas vezes a necessidade de ‘progresso’ ia contra as aspirações ambientais. Isso porque, no início do movimento ambientalista brasileiro, o problema se restringiu, basicamente, a combater a poluição e apoiar a preservação de ecossistemas naturais, uma visão distante de temas humanistas e de justiça social. Praticamente, não havia diálogo entre ONGs ambientalistas e de direitos humanos, pois as primeiras não levavam em consideração os fatores socioeconômicos da devastação ecológica.

A partir de meados da década de 1980, os meios de comunicação de massa foram levados a dar mais atenção às questões ambientais internacionais. Isso foi motivado por desastres factuais, como o que ocorreu em Chernobyl e Bhopal, e pela descoberta do buraco na camada de Ozônio sobre a Antártida, pelos cientistas, que entravam em consenso e alerta sobre o risco de uma mudança climática no planeta associada à concentração de gases como CO2 e metano. Já no final da década de 80, as organizações

começaram a usar os e-mails para gerenciar listas de associados e assim conseguir criar fundos de capital em campanhas globais.

A atuação dessas instituições se diferenciava. Por exemplo, o Greenpeace e a Amigos da Terra inovavam nas formas de protesto, confrontando governos e fazendo lobbies institucionais, de maneira a chamar atenção da mídia, enquanto a IUCN procurava estratégias de persuadir governos e sistemas bancários. A diversificação da abordagem e das estratégias de organizações conservacionistas determinaram novas táticas de defesa, por exemplo, pressionar bancos que atuavam em países subdesenvolvidos (BROWNSTEIN, 1983).

Benzer Belgeler