4.1. Birinci Alt Probleme İlişkin Bulgular
4.1.2. Kılık Kıyafet Serbestisi ve Başörtüsü Sorunu
Nesse capítulo, procurou-se encontrar padrões geográficos do voto determinados por formas de influência e dependência espacial, relacionando a consistência entre as áreas de destaque alto-alto de um candidato e um índice social que reúne características que potencializam as interações interpessoais e a difusão ideológica. Verificou-se que as forças da “situação” apresentaram bases eleitorais menos visíveis espacialmente, sendo mais dispersas e inconsistentes, o que era esperado, mas que, por outro lado, forneciam a maioria nas urnas, indicando que uma boa proporção do eleitorado não se alinhava ideologicamente e era mais suscetível a fenômenos de campanha e visibilidade dos candidatos ou siglas mais conhecidos.
Verificou-se que o PT e o PDT, partidos de esquerda, foram aqueles que apresentaram grande número de concentrações e com valores mais altos do índice social criado. Além disso, destaca-se que, diferentemente dos partidos de centro, as concentrações da esquerda persistem no tempo, indicando que o índice se relaciona diretamente com a coesão eleitoral.
O PSDB, partido mais vitorioso, demonstrou a importância da dispersão do eleitorado, principalmente no primeiro o turno. A falta de concentração das bases eleitorais desse
partido sugere que a maior parte do eleitorado não é alinhada diretamente a partidos políticos, mas que podem ser mais suscetíveis a tendências inerciais, sendo pouco atingidos por idéias de mudança, o que pode ser inferido a partir dos baixos valores encontrado no índice social nos poucos clusters alto-alto encontrados.
Os demais partidos analisados, PMDB, PDT e PP23, obtiveram destaques eleitorais mais esporádicos, indicando que o voto foi em grande parte influenciado pela figura política dos candidatos e, talvez, menos por uma vinculação partidária, indicando, portanto, uma configuração mais personalista. Esses candidatos apresentaram hot clusters com concentração e consistência moderados, indicando que para esse grupo uma estratégia eficiente deve aliar a exploração publicitária para alcançar mais indecisos e com ênfase no caráter regionalista. Além disso, parece ser eficiente para esses candidatos enfatizarem feitos do passado para poderem captar eleitores mais ligados a valores tradicionais e que possuem expectativas mais definidas quanto ao comportamento desses candidatos.
O caso mineiro é interessante pelo grande tamanho do seu território e sua localização central no país, tornando capaz de aproximar, cultural e economicamente, as áreas urbanas mineiras mais longe da capital das regiões de outros estados, com prováveis conseqüências para a continuidade política mineira. Aplicando um modelo gravitacional para o país capaz de delimitar pólos econômicos e suas áreas de influência, Lemos, Diniz, Guerra e Moro (2003) verificaram que o pólo de Belo Horizonte possui capacidade limitada de polarização sobre o espaço geográfico de mineiro, influenciando somente um entorno industrial direto e regiões menos desenvolvidas e de subsistência. O Triângulo Mineiro seria mais atraído por pólos de São Paulo, a Zona da Mata pelo pólo do Rio de Janeiro e o Noroeste incorporado pelo pólo Brasília-Goiânia.
Através da análise, foi possível detectar que, de modo geral, as bases oposicionistas, principalmente as de esquerda, apresentaram um índice de comunicação social maior. Além disso, essas bases apresentaram maior consistência no tempo que as outras, o que corrobora a teoria da inovação de que as novas forças políticas, para se sustentarem, deveriam apresentar um comportamento consistente, a fim de se difundirem. Contudo o
23 O Partido Progressista, criado em 1994, fundiu-se com o Partido Progressista Reformador (PPR) em 1995, criando o Partido Progressista Brasileiro (PPB), que passou a se chamar Partido Progressista (PP) em 2003.
sucesso eleitoral, não ocorrido, parece indicar limites na insuficiência dos canais de interação horizontal e vertical.
Desse contexto, podemos identificar e indicar algumas estratégias eficientes para os partidos oposicionistas, restando como estratégia para a situação combater as eventuais oportunidades que podem ser aproveitadas pelos desafiantes. Como o objetivo nesse capítulo não era encontrar parâmetros que mensurassem a competição partidária, o que será feito posteriormente, as conclusões desenhadas para esse capítulo enfatizam estratégias pensadas e definidas geograficamente.
Von Thunen (1826) desenvolveu uma teoria sobre a organização econômica no espaço a partir da idéia de que os insumos agrícolas se dispunham na forma de anéis concêntricos, onde a maximização dos rendimentos dos produtores se dava pela minimização do custo de transporte, destacando a importância estratégica da cidade, bem como sua posição central em relação aos anéis espaciais. Os processos elaborados por Von Thunen influenciaram áreas de estudo além da economia, devido à importância de pensar a organização espacial a partir de uma estratégia territorial. Um ramo de estudos que foi influenciado pelo autor possui referência na Geopolítica, envolvendo conceitos que envolvem a conquista de espaço político, inspirados nos fundamentos geográficos da realpolitik alemã. Segundo Steinberger (1997), os temas geográficos eram problemas cruciais para a sociedade alemã não unificada, devido, em grande parte, à falta de articulação entre as várias regiões de fala alemã, que eram organizadas enquanto estados autônomos, o que indicava uma ausência de centralidade geográfica.
Usando o arcabouço realista no fenômeno eleitoral, ou seja, dando um sentido anárquico ao objetivo partidário de conquistar a maioria dos votos, podemos pensar a estratégia eleitoral de forma paralela à necessidade de conquista de espaços político-territoriais enfatizado na geopolítica de Friedrich Ratzel, através do conceito de espaço vital ou lebensraum24. Assim, sugere-se, no contexto da dispersão e desigualdade territorial dos elementos socioeconômicos, uma estratégia dual para os oposicionistas na sua busca pela sobrevivência e conquista de espaços eleitorais no longo e curto prazos, descritas abaixo:
24 O paralelo com o conceito de espaço vital é realizado numa conotação científica ligada ao pensamento estratégico do território, sem qualquer referência política a teorias pangermânicas ou racistas.
1. Estratégia fundada em Heartlands25 ou estratégia a ser implementada em regiões coesas e centrais do ponto de vista de melhores canais de interação social, horizontal e vertical. Nessas regiões, valeria à pena adotar posições ideológicas diferenciadoras, pois os canais de interação são mais eficientes e maiores são as possibilidade de mudança devido a uma maior concentração de energias centrífugas. Além disso, as melhores condições para um comportamento consistente indicam que essas regiões são fundamentais para a influência dos partidos políticos no longo prazo. Como táticas eficientes são ainda indicadas a fomentação da militância partidária e o desenvolvimento de atividades e eventos formadores de redes sociais virtuais ou presenciais, de maior discussão política.
2. Estratégia fundada em Hinterlands (ou Áreas de Borda ou do Interior, em contraposição às áreas centrais) ou estratégia voltada para regiões menos desenvolvidas e de menor fluxo comunicacional e interativo. Nesses locais, seria mais indicada uma estratégia Blitzkrieg (pré-eleitoral, de curto-prazo, e pragmática), ou seja, baseada na aproximação em relação às forças vigentes, pois a influência deve ser mais favorecida por aspetos tradicionais e de visibilidade, com menor espaço para a mudança ideológica. Enfatiza-se, portanto, efeitos de propaganda, disseminados por meios de comunicação de massa, por alto investimento em publicidade, com conteúdos pessoais e de imagem dos candidatos e com discursos pouco intensivos em conteúdos ideológicos.
25 A Área-Pivô ou Heartland foi o termo utilizado por Halford Makckinder (1962) para caracterizar uma causalidade geográfica determinada por um centro espacial que capacitava a expansão do poder estatal pelo favorecimento do desenvolvimento militar e econômico, sendo, portanto, uma área determinante para a sobrevivência do Estado. O Heartland possuiria a qualidade de ser cercado por uma área “amortizadora”, o Crescente Interno, capaz de proteger a manutenção do centro e representando uma área de segurança para a defesa territorial. O termo é utilizado nesse trabalho somente como um paralelo espacial, no sentido de serem regiões essenciais para a sobrevivência num longo prazo, não se inserindo na concepção de uma ordem internacional determinada por um espaço físico, mas sim numa estrutura eleitoral baseada em um espaço social coeso importante para a difusão ideológica geradas por um comportamento consistente.
5. PEEMEDEBIZAÇÃO DO PT: FENÔMENO SOCIAL E