Segundo Köche (2011, p. 122) “o planejamento de uma pesquisa depende tanto do problema a ser investigado, da sua natureza e situação espaçotemporal em que se encontra, quanto da natureza e nível de conhecimento do investigador”. Dessa forma, é necessário investigar profundamente os fatos de acordo com a realidade do problema científico, buscando através do alinhamento da teoria com o resultado do corpus empírico, as respostas para a elucidação dos fatos.
A primeira etapa desta pesquisa surge na fase exploratória, em que segundo Gil (2008, p. 27) “Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira etapa de uma investigação mais ampla. Quando o tema escolhido é bastante genérico, tornam-se necessários seus esclarecimentos e delimitação, o que exige revisão da literatura [...]”. Para o autor, a partir do estudo exploratório, o problema se torna mais claro e definido, sujeito a verificações, de forma a proporcionar interpretação e compreensão amplas para o investigador sobre a elucidação dos fatos.
Em seguida, o aspecto científico e estratégico para a direção desta pesquisa é caracterizado como descritivo, pois de acordo com Sampieri, Collado e Lucio (2006, p. 100), nos estudos descritivos “o objetivo do pesquisador consiste em descrever situações, acontecimentos e feitos, isto é, dizer como é e como se manifesta determinado fenômeno”. Ou seja, a pesquisa descritiva objetiva minuciosamente retratar as características de determinado objeto de estudo, a fim de facilitar o seu reconhecimento a partir de seus atributos mais importantes sem manipulação de seus dados.
Sobre o pensamento de Köche (2011, p. 124), “na pesquisa descritiva não há a manipulação a priori das variáveis. É feita a constatação de sua manifestação a posteriori”.
O estudo descritivo procura mensurar, examinar ou reunir informações a respeito dos elementos que fazem parte do objeto de estudo, descrevendo-o cientificamente, por meio da
seleção de informações de vários questionamentos, mensurando ou recolhendo as informações mais relevantes para descrever este estudo. Dessa maneira, o estudo descritivo tem como finalidade a mensuração ou a reunião das informações independentemente ou conjuntamente a respeito dos pensamentos ou sobre a variável mencionada (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006).
Esta pesquisa se caracteriza por sua abordagem quantitativa-qualitativa, em virtude de prevalecerem a integração entre os métodos, e estes entram em cena por meio da necessidade de se analisarem dados estruturados e fechados, que precisam ser quantificados, bem como interpretação das informações no contexto da pesquisa.
Segundo Sampieri, Collado e Lucio (2006, p. 4), sobre o enfoque quantitativo e qualitativo “[...] ambos os enfoques, quando utilizados em conjunto, enriquecem a pesquisa. Não se excluem, nem se substituem”, demonstrando que o modelo misto, ou seja, a utilização do método quantitativo-qualitativo proporciona uma maior precisão na obtenção de resultados.
Na pesquisa quantitativa para Marconi e Lakatos (2008), o pesquisador busca utilizar grandes amostras e informações quantificáveis, a fim de obter um resultado satisfatório que seja condizente com a realidade, em que devem ser esclarecidas três linhas em seu interior, a objetividade, a estruturação e mensuração dos conceitos que são destacados por meio da comunicabilidade.
Nesse sentido, Sampieri, Collado e Lucio (2006, p. 5) afirmam que a pesquisa quantitativa “utiliza a coleta e análise de dados para responder às questões de pesquisa e testar as hipóteses estabelecidas previamente, e confia na medição numérica, na contagem, e frequentemente no uso da estatística para estabelecer com exatidão os padrões de comportamento [...]”, oferecendo uma visão precisa dos resultados da pesquisa.
Segundo Prodanov e Freitas (2013, p. 128) na abordagem qualitativa “o ambiente natural é fonte direta para coleta de dados, interpretação de fenômenos, e atribuição de significados”. Tem-se o ambiente como fonte renovável de informações, em que o investigador mantém relação direta com este local e com o objeto a ser estudado, sem poder manipulá-lo.
Para Marconi e Lakatos (2008), a metodologia qualitativa pretende explorar e compreender de forma mais completa o campo de estudo, de forma a possibilitar uma explicação intensa do comportamento do indivíduo. Na percepção de Pereira (2001, p. 21), “o
dado qualitativo é uma forma de quantificação do evento qualitativo que normatiza e confere um caráter subjetivo à sua observação”.
Assim, a pesquisa qualitativa se torna um caminho para averiguar ocorrências de cunho qualitativo, utilizando referencial teórico menos limitado e com maior possibilidade de analisar a subjetividade dos indivíduos observados.
Na visão de Sampieri, Collado e Lucio (2006, p. 18), a respeito do modelo misto, que aborda a agregação entre o método qualitativo e quantitativo, “ambos se combinam durante todo o processo de pesquisa, ou pelo menos, na maioria de suas etapas. Esse modelo exige um domínio completo dos dois enfoques e uma mentalidade aberta. Agrega complexidade ao projeto de estudo [...]”.
Assim, o enfoque desta pesquisa caracteriza-se como quantitativo-qualitativo, haja vista que busca compreender através desse viés a percepção dos servidores técnico- administrativos da UFCG – Campus Cajazeiras, sobre a capacitação profissional por meio da EAD, promovida pelo Programa de Capacitação e Desenvolvimento de Talentos da UFCG.
Ainda na visão de Marconi e Lakatos (2008, p. 93), “a vantagem do método consiste em respeitar a „totalidade solitária‟ dos grupos, ao estudar, em primeiro lugar, a vida do grupo em sua unidade concreta, evitando, portanto, a prematura dissociação de seus elementos”.
Este estudo também se caracteriza como uma pesquisa de campo, e de acordo com Minayo (2001, p. 26), “estabelece-se o trabalho de campo que consiste no recorte empírico da construção teórica elaborada no momento”. Para a autora, esta etapa proporciona um forte relacionamento com a aplicabilidade, que possui importância no campo exploratório, pois certifica ou contrapõe as hipóteses e o levantamento das teorias.
Gil (2008, p. 57) afirma que “[...] no estudo de campo estuda-se um único grupo ou comunidade em termos de sua estrutura social, ou seja, ressaltando a interação de seus componentes”. Assim, a pesquisa de campo se refere ao espaço estudado de acordo com a problemática a ser investigada, em que é possível coletar os dados necessários ao andamento da pesquisa e, neste estudo, especificamente, o campo empírico correspondeu à UFCG - Campus Cajazeiras, tendo em vista a proximidade com a pesquisadora.
A escolha deste campo se deve ao fato de a Instituição de Ensino Superior (IES) mencionada, que é uma ramificação do Campus sede, ser também contemplada com cursos de capacitação na modalidade a distância para sua equipe de trabalho.
A respeito da caracterização do campo deste estudo, tem-se a Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, implantada através da Lei nº 10.419 de 09/04/2002, decorrente da desintegração da Universidade Federal da Paraíba – UFPB.
A UFCG possui matriz na cidade de Campina Grande, contando com uma estrutura em sete Campi, ou seja,além deCampina Grande, também está presente nas cidades de Cuité, Sumé, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, que integram onze Centros ao total difundidos no estado da Paraíba, são eles: Centro de Ciências e Tecnologia (CCT); Centro de Humanidades (CH); Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS); Centro de Engenharia Elétrica e Informática (CEEI); Centro de Tecnologia e Recursos Naturais (CTRN); Centro de Formação de Professores (CFP); Centro de Ciências Jurídicas e Sociais (CCJS); Centro de Saúde e Tecnologia Rural (CSTR); Centro de Educação e Saúde (CES); Centro de Ciências e Tecnologia Agro-alimentar (CCTA) e Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido (CDSA).
Após 14 anos de existência, a UFCG se ampliou e diversificou os cursos ofertados em todo o estado da Paraíba, favorecendo a integração da sociedade, bem como o avanço da economia e tecnologia, e diante dos novos paradigmas existentes de crescimento, a UFCG beneficiou a diversos atores da sociedade com um programa de universidade englobando, atualmente, a modalidade de EAD. Assim, lançando-se em um novo modelo de inclusão da educação, centrado em causas baseadas na mudança e melhoria organizacional, utilizando-se de metodologias e tecnologias modernas, bem como posturas pedagógicas, originou-se a UFCG Virtual, lançando como meio de trabalho os métodos e recursos de tecnologia (UFCG VIRTUAL, 2015).
O Programa de Capacitação e Desenvolvimento de Talentos da UFCG possuía inicialmente um espaço virtual, o chamado Blog de Capacitação do Servidor da UFCG, onde os servidores tomavam conhecimento de todas as informações referentes aos cursos que seriam ofertados, bem como informações a respeito dos editais, professores/tutores, inscrições, legislação, progressão por capacitação, estágio probatório, galeria de fotos, levantamento das necessidades de capacitação e biblioteca.
Este programa oferece cursos presenciais, bem como cursos a distância para os servidores técnico-administrativos que desejam se qualificar, porém, nesta pesquisa, serão estudados especificamente, os cursos na modalidade de EAD.
Esta modalidade foi implantada inicialmente no ano de 2013 e, posteriormente, foi continuada no ano de 2014, porém, no ano de 2015 em virtude da ocorrência de greve na
instituição, não foram ofertados cursos EAD, com previsão de retorno da oferta neste ano de 2017, segundo informações da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) da UFCG.
O ambiente virtual de aprendizagem utilizado é a plataforma da UFCG/SRH Virtual. O blog de capacitação do servidor pode ser acessado na seguinte página da internet, como mostra a Figura 1:
Figura 1 - Blog de Capacitação do Servidor - UFCG
Fonte: <http://capacitacaoufcg.blogspot.com.br/>. Acesso em: 27 ago. 2016.
O blog era caracterizado como um espaço interativo e dinâmico de acesso às informações sobre os cursos de capacitação profissional, promovendo a integração dos servidores técnico-administrativos, influenciando-os a se atualizarem.
Porém, promovendo melhorias no ambiente virtual de comunicação, de forma a interligar e facilitar o acesso dos interessados às informações dos cursos disponibilizados bem como informações da instituição, além de padronizar todos os ambientes de navegação eletrônica na organização, no ano de 2016, todas as notícias passaram a ser incluídas no site da UFCG, no link da SRH, acessando a seção da Coordenação de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (CGDP).
O novo ambiente virtual da SRH/CGDP pode ser acessado na seguinte página da internet, como mostra a Figura 2:
Figura 2 - Ambiente Virtual de Informações da CGDP - UFCG
Fonte: <http:// www.srh.ufcg.edu.br/index.php/cgdp/>. Acesso em: 04 abr. 2017.