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II. Maliye Politikasının Tarihsel Gelişimi

1. Küreselleşmenin Tanımı, Mahiyeti ve Kapsamı

Se o construtivismo político pode ser tomado como um desdobramento do modelo construtivista kantiano, ainda assim é possível fazer diferenciações importantes dos mesmos. Se Kant considerava o ideal de autonomia como tendo um papel regulador

para tudo na vida148, ainda assim este modelo pode ser reduzido a uma concepção

142 BARRY, Brian. Theories of justice. California: University California Press, 1989, VII, 33. 143 Idem, ibidem.

144 Idem, ibidem. 145 Idem, ibidem.

146 Freeman indica que diferentes modelos de construtivismo assumem formas diferentes de pressupor um

modelo de razão prática: “Constructivist accounts differ primarily in their accounts of practical reason’s requirements that are to be incorporated into the procedure for “constructing” moral principles. Most, but not all, contractarian conceptions are constructivist” (FREEMAN, S. Rawls. New York: Taylor & Francis Group, 2007, p. 292).

147 Assim, “(...) an incidental effect is that this is a ‘contract argument’ in the most attenuated sense, since

no room is left for disagreement, bargaining, or even relevant differences among the parties” (LYONS, David. “Nature and Soundness of the Contact and Coherence Arguments”. In: DANIELS, Norman. Reading Rawls: Critical Studies of ‘A Theory of Justice’. New York: Basic Books, 1975, pp. 16-53, p. 151).

abrangente no entender de Rawls. Pode até mesmo ser razoável, o que não o torna, entretanto, apto a endossar um liberalismo político, haja vista não ser o modelo mais adequado para fornecer uma base pública de justificação. Por isso, um liberalismo político de cunho construtivista introduz um conceito de autonomia que dependerá do modo como os valores políticos são ordenados. Nesse sentido, diferentemente de uma

autonomia reducionista (a uma doutrina particular), a ordem de valores morais e

políticos provém de uma concepção de razão prática, o que em Rawls é chamado de

autonomia constitutiva. Contrastando-a com o intuicionismo racional, essa concepção

de autonomia não pressupõe a ideia de que exista uma ordem independente de valores que se constitua por si; ao contrário, admite a necessidade de uma atividade, seja ideal ou real, da própria razão prática149. Embora Rawls, a partir de sua concepção de justiça, veja Kant com ‘bons olhos’, não parece ser o caso de uma deontologia liberal assumir a ideia de autonomia constitutiva como suficiente para endossar um modelo de construtivismo político. Pode-se reconhecer o valor do construtivismo moral kantiano150, entrementes as concepções básicas de pessoa e sociedade kantianas estão baseadas em seu idealismo transcendental, e se a proposta é justamente não incorrer em formalismos ou dualismos metafísicos, não é possível admiti-los como sendo políticos151.

Em linhas gerais, a característica central do construtivismo moral kantiano é um procedimento de construção pautado pelo dispositivo do imperativo categórico, a partir do qual imperativos particulares fornecem o conteúdo dos deveres de justiça e de virtude. É sobre esta estrutura e forma de construção moral que pessoas livres e iguais se espelham para uso das suas faculdades da razão prática. Mesmo Rawls identifica o procedimento pelo qual os princípios são especificados (ou construídos) como sintéticos a priori, pois “(...) a forma e a estrutura do procedimento construtivista são vistas como uma representação procedimental de todas as exigências da razão prática, pura e empírica. Acredito [Rawls] que seja a intenção de Kant que o procedimento do imperativo categórico represente todas essas exigências, tanto quanto possível”152.

149 LP, I, conf. III, §2.

150 O problema quanto à origem dos princípios da razão prática ser a consciência moral em Kant, não é

aqui abordado. Evidentemente, Rawls tem ressalvas a fazer.

151 Nesse caso: “O essencial é que a justiça como equidade usa certas ideias fundamentais, que são

política, como ideias organizadoras básicas. O idealismo transcendental e outras doutrinas metafísicas desse tipo não desempenham nenhum papel em sua organização e exposição” (PL, I, conf. III, §2).

O que isso significa? Ou, na verdade, a pergunta mais correta seria: quais as implicações desta configuração construtiva? Isso requereria uma concepção complexa de pessoa, coisa que um intuicionista não necessita para a especificação do conteúdo de sua visão moral, ou seja, uma ideia pouco densa de pessoa, uma vez que o indivíduo só precisa ser capaz de conhecer quais são os princípios para ser movido por esse conhecimento. Nesta, não há a necessidade de que os princípios sejam construídos, de modo que a pessoa precisa apenas reconhecer os princípios e agir a partir destes. É por isso que não se faz necessário uma visão tão elaborada de pessoa para a visão intuicionista, haja vista que o conteúdo dos princípios primeiros já é dado, ao passo que uma visão moral construtivista pressupõe um maior detalhamento sobre a forma, a estrutura e o conteúdo dessa visão. Não seria o caso, então, de dar crédito ao modelo intuicionista? Não necessariamente, pois se a insistência for por um modelo construtivista, um dos motivos é justamente pelas limitações que uma proposta intuicionista oferece para formular princípios políticos de justiça.

Grosso modo, modelos construtivistas permitem formular uma representação procedimental, na qual todos os critérios pertinentes do raciocínio correto (moral no caso das teorias da justiça / lógico para a matemática) sejam postos em evidência. A questão de fundo diz respeito à validade dos juízos e que a mesma só resultará se o procedimento correto partir de premissas verdadeiras. Este parece ser o grande ponto de divergência entre as teorias construtivistas, pois os pressupostos no qual cada uma está calcada delineará seus resultados. Em qualquer teoria construtivista do raciocínio moral (v. g., Kant), a representação procedimental dar-se-á por um dispositivo com bases morais, nas quais estão incorporadas as exigências que a razão prática impõe sobre máximas ou escolhas (no caso de Scanlon, a rejeição razoável). O ponto de convergência dessa análise da doutrina moral será delinear uma deontologia imparcial

construtivista que possa se justificar a partir de uma base contratual de acordo, ou seja,

de uma condição de deliberação e recurso à publicidade.

O fato é que o procedimento do imperativo categórico pressupõe que os seres que dele fazem uso sejam racionais (já que as deliberações dos agentes submetidos às restrições do procedimento sempre recaem sobre o racional) e razoáveis (pois, para Kant, se assim não fosse, não se teria o interesse prático puro pela verificação das máximas diante das exigências do procedimento). Nesse caso, ‘nossa’ motivação, que pode demonstrar interesses e/ou restrições, espelharia essa ‘nossa’ razoabilidade.

Note-se, assim, que pressupostos diferentes exibem condições e resultados diferentes. No caso particular das teorias morais que almejam o político por seu caráter de imparcialidade, o construtivismo exibe não apenas um recurso à razão prática, mas também sua forma e estrutura extraídas das concepções fundamentais para qualquer modelo de justiça procedimental que atualmente dirigem um debate sério acerca dos fundamentos normativos. Ademais, é a partir dessa união dos princípios da razão prática com essas concepções que a forma e a estrutura do procedimento se configurarão. Para falar de Kant, o papel da filosofia era a ‘defesa da fé razoável’ ao tentar encontrar uma base de justificação que demonstrasse a unidade e a coerência da razão. No caso de Rawls: “(...) justiça como equidade tem por objetivo descobrir uma base pública de justificação no que se refere a questões de justiça política, dado o fato do pluralismo razoável”153. De qualquer forma, em ambos os construtivismos faz-se necessário uma crítica comparativa e, contra qualquer forma de status quo, a apresentação de uma alternativa plausível sem perder de vista o objetivo final: uma teoria que responda e apresente soluções aos limites de modelos de construção. Se teoria política consiste, grosseiramente falando, na prática de comparar nosso mundo político com algumas alternativas possíveis de mundo normativo, uma reapropriação da deontologia liberal parece permitir remodelar a corrente liberal para torná-la capaz de enfrentar os novos desafios impostos a ela, justamente a partir dessa revisão dos pressupostos que direcionam a proposta de um construtivismo político.

Benzer Belgeler