I. BÖLÜM
2.1. KÜRESEL VATANDAŞLIK
2.1.3. Küresel Vatandaşlık
De acordo com Rabello e Passos (s.d.) Erikson começou a construir a sua teoria psicossocial do desenvolvimento humano, em meados do século XX, tendo em conta os vários conceitos apontados por Freud e considerando sempre o ser humano como um ser social, um ser que vive em grupo e que sofre a pressão e a influência deste. Tal como Freud, Piaget e outras figuras da época, Erikson distribuiu o desenvolvimento humano em fases, tendo o seu modelo algumas caraterísticas peculiares: Desviou o foco fundamental da sexualidade para as relações sociais; ampliou a proposta de Freud pois sugeriu estágios psicossociais que envolvem outras artes do ciclo vital além da infância (observou que aquilo que construímos na infância relativamente à personalidade não é fixo e pode sofrer modificações através de experiências posteriores); em cada estágio apontado por Erikson o ego passa por uma crise (que dá o nome ao estágio), sendo que esta crise pode ter um desfecho positivo ou negativo (do desfecho positivo surge um ego mais rico e forte, enquanto que do desfecho negativo surge um ego mais fragilizado). Erikson criou vários estágios que ele denominou de psicossociais, onde descreveu algumas crises pelas quais o ego passa.
Erikson (citado por Veríssimo, 2002, pp. 13-23) apontou oito estágios relativos às crises do ego, sendo elas:
Confiança / Desconfiança Básica (até cerca dos 18 meses): A criança vai construindo a sua teoria sobre o mundo tendo em conta a informação que lhe chega através dos seus sentidos. Inicialmente a atenção do bebé está voltada para o adulto, nomeadamente a mãe, tendo por base uma relação afetiva em que o prazer resulta essencialmente da alimentação. Nesta fase, de forma a despontar a confiança por parte do bebé, está em causa a mutualidade do reconhecimento da mãe. Isto significa que, se a figura materna reagir de uma forma positiva aos sinais da criança, conferindo tranquilidade e coerência nos seus cuidados, esta reconhecerá algo constante, acolhedor, caloroso e não ameaçador no ambiente. Assim, a criança conseguirá desenvolver sentimentos de segurança em relação ao adulto, crescendo confiante. Por outro lado, se a mãe transmite um comportamento em que não está atenta e não demonstra sensibilidade perante os sinais do bebé, o mundo fica imprevisível e caótico para este, que fica com carência de afeto, crescendo receoso, medroso, assustado e consolida a desconfiança.
34 Autonomia / Vergonha e Dúvida (dos 18 meses até cerca dos 3 anos): A criança irá começar a explorar de uma forma bastante ativa o meio onde se encontra inserida. Se os adultos aceitarem esta exploração e encorajarem as suas novas habilidades, tais como andar, falar, trepar, entre outras, a criança vai interagindo melhor com os adultos de uma forma progressiva desenvolvendo assim a independência e a sua autonomia. Por outro lado, se os pais forem muito protetores, críticos e se limitarem a liberdade da exploração da criança, esta sentir-se-á retraída e com dúvidas, sentindo-se também culpada e com uma grande incerteza relativamente às suas capacidades. O adulto deverá encontrar um meio-termo de modo a encontrar um equilíbrio adequado entre o extremo da proteção excessiva e o desleixo quanto à supervisão das atividades das crianças. Não se deve é impedir a criança de explorar e experimentar todas as habilidades e situações que surgem.
Iniciativa / Culpa (dos 3 aos 5 anos): Nesta fase a criança vai aprendendo a fazer coisas por sua iniciativa própria, ou seja, brinca, explora, planeia, entre outras situações. Este tipo de iniciativa irá permitir à criança lidar com o meio que a rodeia de uma forma mais eficaz, tentando alcançar os seus próprios fins. Quando a criança brinca ao faz de conta consegue experimentar diversos papéis e vai testando projetos imaginários, aprendendo assim a tomar iniciativas. Com todo este controlo, principalmente a nível motor, aumenta a gravidade dos perigos a que a criança está sujeita pelo que os pais ficam com uma preocupação acrescida. Ainda assim, se a vigilância der lugar a uma severa proibição e se desvalorizarem os projetos que as crianças imaginaram e todas as atividades, para além de não se estar a ensinar nada, ainda se está a desencorajar a curiosidade e a sua capacidade de tomar iniciativas. Pode então estabelecer-se uma falta de propósitos, criando-se sentimentos de vergonha e culpa pois a criança fica a pensar que os tais projetos são impróprios.
Diligência / Inferioridade (dos 5 até cerca dos 13 anos): A confiança, a autonomia e a iniciativa desenvolvem-se ainda mais ao longo desta fase. O facto de a criança possuir mais capacidades permite-lhe controlar melhor os impulsos que cedem lugar a um prazer mais mediato, ou seja, a criança já é capaz de antecipar uma recompensa pelo que, mesmo assim, aceita sacrificar-se na ausência da gratificação imediata. Isto permite à criança estar atenta e ser diligente, perseverante, esforçada e responsável. O mundo estende-se agora também à escola e se durante este tempo os pais elogiam os resultados positivos, a criança sentir-se-á feliz e orgulhosa daquilo que consegue realizar. Por outro
35 lado, se os pais desvalorizarem o esforço da criança para alcançar o sucesso, podem surgir sentimentos de inadequação e inferioridade.
Identidade / Confusão de Identidade (dos 13 anos até cerca dos 21 anos): Após a infância dá-se início à puberdade, nesta fase ocorre uma revolução à qual acresce os problemas de identidade, ou seja uma crise de identidade. Apesar de ainda estar longe de ser um adulto, a maturidade biológica (a nível da genitália) e a capacidade intelectual, deixam-no fora do mundo infantil. É entre este dois mundos, o infantil e o adulto, que tem de desempenhar diversos papéis de entre os vários que lhe oferecem. É em todo este contexto que o seu ego tenta estabelecer uma coerência, levando o adolescente a perguntar-se sobre quem é como pessoa, o que vale, qual a impressão que causa nas outras pessoas, entre outros. Ao longo deste processo o jovem vai estabelecendo aquilo que é ou quer ser, aquilo que não é e em que não se revê, aquilo de que gosta e aquilo de que não gosta. Com esta confusão de papéis pode sentir-se isolado, vazio, angustiado e indeciso, podendo o jovem não aceitar a sua integração no mundo dos adultos.
Intimidade / Isolamento (dos 21 anos até cerca dos 40 anos): O jovem que desenvolveu uma identidade com a qual se identifica e se sente à vontade, pode agora desenvolver relações de intimidade com os outros, sejam de índole sexual ou não, pois não tem medo de perder o sentido de si mesmo. Estas relações podem ser bastante gratificantes mas também podem demonstrar ser perigosas, pois por desacordo, dominação, hostilidade ou desilusão, podem não resultar. A pessoa com medo que isto possa acontecer, com medo de ser rejeitado pode evitar este tipo de situações. Assim, se a pessoa não ultrapassar este receio pode, eventualmente, ocorrer um evitamento ou ate mesmo um isolamento da pessoa.
Generatividade / Estagnação (dos 40 anos até cerca dos 60 anos): Generatividade inclui casar, ter filhos e o sentido de trabalhar de forma produtiva e criativa. Inclui ainda algum altruísmo e um grande desejo de ajudar os outros. Nesta fase o adulto exprime uma preocupação geral, não só pelo bem estar em sua casa mas também pelo bem estar da comunidade. Ou seja, o adulto demonstra estar satisfeito com o seu trabalho, com a sua família e mostra-se disponível para ajudar os outros. Por outro lado, podemos deparar-nos com outro tipo de adulto, um individuo que não se interessa muito pelos
36 outros, um egocêntrico que vê a sua vida estagnada onde a sua única satisfação na vida resulta de uma gratificação pessoal.
Integridade / Desespero (a partir dos 60 anos): Nesta fase o individuo sente que está a aproximar-se do fim da vida, começando a recordar-se do que fez e do que não fez, o que foi como pessoa, tendo um sentido de integridade e satisfação ou então de amargura e de inaceitação do confronto com a morte. Esta é, portanto, uma altura em que se faz um balanço de tudo o que se viveu e faz-se também uma profunda reflexão. Tendo em conta o primeiro e o último estágio, Erikson refere que as crianças que crescem saudáveis não terão receio da morte.