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3.7. Veri Madenciliği Yöntemleri

3.7.2. Kümeleme Yöntemleri

a possibilidade de algum dinheiro “fácil”. O cabeleireiro e advogado Antônio Lisboa Neto, conheceu o seu algoz Márcio Pinto do Monte neste espaço e em seguida o conduziu a sua residência onde foi assassinado com 14 golpes de faca de mesa, no dia 27 de julho de 1998.

É um caso também que passa a apresentar um ingrediente novo quanto aos assassinos, à participação de menores, neste episódio o mesmo tinha 17 anos.

O fato ocorreu em um matagal nas imediações da Avenida Simeão Sobral, em Aracaju. Segundo relatos dos agressores, a vítima prometeu uma quantia pela relação sexual e após o ato informou que não teria como pagar. Revoltados com a informação passaram a agredir o mesmo até deixá-lo sem vida.

A vítima abordou os acusados no Calçadão da Rua João Pessoa, centro de Aracaju, tradicional ponto de paquera homossexual nos anos 1980. Ao se deslocarem até o hotel, a vítima José Gomes considerou o preço elevado para o quarto e, resolveu aceitar o convite dos dois rapazes para irem até um matagal próximo. No referido local, o crime foi praticado a pauladas e facadas e, somente no dia seguinte o corpo foi encontrado por populares. A respeito do feito, o relatório policial corrobora para a demonstração da homofobia deslavada presente na Polícia nesta época, quando o Delegado em relatório afirma que:

Celibatário, 45 anos de idade e tendo sua vocação de “Gay”, José Gomes da Silva não escapou à regra, e teve sua vida ceifada de um modo violento e triste, eis que seu corpo, cheio de golpes de faca peixeira e pauladas surgiu, num terreno baldio, altas horas da madrugada, próximo da “Antártica”, nesta Capital, no dia 17 de dezembro do ano passado [...] nunca soube que a vítima fosse um pederasta, mesmo porque ele teve duas mulheres em sua vida e, de uma delas, teve um filho (Processo nº 199020506642, p. 42).

Nota-se que os inquéritos presididos pelo mesmo delegado que conduziu o de José Gomes da Silva, tinha uma preocupação muito forte em indicar e desqualificar a orientação sexual da vítima e, por conseguinte de amigos próximos, como uma espécie de justiça feita de forma antecipada no ambiente da delegacia de polícia.

Gráfico 8 – Casos de assassinatos de LGBT em Sergipe, entre 1980 e 2010

Fonte: Pesquisa de Campo.

O Gráfico 8 possibilita ilustra o desenvolvimento do fenômeno dos assassinatos de LGBT em Sergipe, nas décadas de 1980 a 2010, quando se registra uma média de 3,4 casos ao ano.

A década de 1990 apresenta como o período mais crítico, quando a curva alcançou os sete (7) casos e, nos anos 2000, a curva chegou a alcançar duas vezes o índice de seis (6) incidências. O movimento de descidas e subidas abruptas demonstra que é um fenômeno em formação e que não houve estabilização, por isso requer a construção de estratégias de enfrentamento, tanto por parte da sociedade civil, quanto do Estado.

O fato da analise procurar desvendar um fenômeno inserido no contexto da sociedade nordestina, ainda fortemente marcada pela cultura machista, pode ser um indicativo para a compreensão da utilização recorrente de arma branca (peixeira ou mesmo faca de mesa), como instrumento perfuro-cortante utilizado para ceifar a vida de 22 homossexuais. O primeiro impulso é considerar que os crimes de honra devem ser executados com este tipo de arma, mas o imaginário não é o mesmo há algum tempo, pois os homens na região metropolitana de Aracaju não cultivam o hábito de andarem com uma faca embainhada na cintura, como fui acostumado a conviver em minha infância no interior e, saber da ocorrência de crimes de honra no início das noites nas bodegas, nas festas, entre outras situações. Acreditamos que a melhor explicação para a recorrência do uso deste instrumento deva ser visto como uma ferramenta fácil de localizar e utilizar quando se encontra no interior da casa da vítima.

Gráfico 9 - Casos de assassinatos de LGBT em Sergipe, por tipo de arma utilizado no crime, entre 1980 e 2010

Fonte: Pesquisa de Campo.

Nota-se, ainda, a recorrência de outros instrumentos na mesma categoria da faca, como o facão, o estilete e a navalha e que mantêm a mesma dinâmica identificada na categoria anterior. O uso deste instrumento produz uma cena dramática, em geral com manchas de sangue pelo piso, paredes, móveis, numa espécie de relato do episódio trágico. Fato que pode ser ilustrado com um caso que ocorreu no início da madrugada do dia 18 de agosto de 1989, a cidade de Lagarto, distante 75 km de Aracaju, no agreste sergipano, quando o auxiliar de enfermagem Edson Santos Leal, 26, em sua residência com oito (8) golpes de faca de mesa. O crime ocorreu na residência da vítima localizada na Travessa Floriano Peixoto, nº 65, centro de Lagarto (SE). O corpo foi encontrado na cozinha lavado em sangue. A respeito da cena do crime o perito criminal em seu relatório assevera que:

Face ao que foi encontrado no local, levantamos a hipótese de que vítima e agressor se conheciam, estando ambos no interior da residência, tendo o agressor penetrado na mesma com a permissão da vítima, (não havia nenhum vestígio de arrombamento), quando por motivos e em circunstâncias que não pode-se precisar, por falta de vestígios, o agressor de posse da faca [...] passou a investir contra a mesma ainda na sala de estar, onde o primeiro esboço de defesa foi a tentativa de fuga através da porta de acesso principal deixando próximo dali suas sandálias, sendo atingido pelas costas tentou segurar a faca não conseguindo, dirigiu-se para a janela [...] através do corredor na tentativa de fuga de seu agressor, quando ao alcançá-lo foi atingido vezes consecutivas sem esboçar defesa face sua debilidade física em consequência das lesões já sofridas, tombando ao solo, levando consigo vasos ornamentais, enquanto o seu agressor usando o mesmo meio de acesso

e deixando a “faca” sobre o piso da sala evadiu-se do local (Processo nº 199355010160, p. 79).

As provas acostadas ao Processo são pertinentes quanto à sustentação do Ministério Público, mas o acusado foi absolvido pelo júri popular em 06 de novembro de 1998. O episódio guardam alguns detalhes não esclarecidos. Primeiro, porque este era gay e amigo íntimo da vítima, ou ainda por ironia do destino, na noite do crime, presenciei a última conversa pública deles, quando a vítima chegou à porta da sala do 2º no do ensino médio, onde o professor lecionava língua portuguesa. A conversa foi rápida e limitou-se a informar a vítima sua ida à frente. No dia seguinte, Gerson Fotografo esteve na residência do meu pai no povoado Colônia Treze e nos informou sobre o acontecimento. O sentimento geral foi de perplexidade. Segundo, o suposto agressor também já faleceu e, nesta condição nos resta apenas às informações presentes no Processo Judicial. Pelos dados ali contidos, pode-se supor em tese que a sociedade reunida no Tribunal do Júri considerou o histórico de serviços e laço afetivo com o mesmo a ponto de absorvê-lo, como uma espécie de perdão público. Isso seria possível porque ele era o responsável pelo coral da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, além de residir no apartamento da Paróquia, bem como professor da rede de ensino estadual e do Colégio Cenecista Laudelino Freire.

Outro tipo de arma utilizado para assassinar homossexuais, com vinte e cinco (25) recorrências são as armas de fogo (revólver). O uso de projeteis balísticos demonstra como os crimes deste segmento da sociedade também se inserem no contexto crescente da dinâmica dos assassinatos em geral. Pode-se usar como ilustração para este tipo de arma a morte do funcionário do INSS Gumercindo de Souza, 47, que foi alvejado com dois tiros de revólver a queima roupa, por um menor no interior de sua residência, localizada no Conjunto Orlando Dantas, em Aracaju, no dia 20 de outubro de 1997.

De acordo com moradores da rua onde a vítima residia, ele se encontrava com um jovem assistindo filme pornô, quando “Ceguinho” chegou ao local acompanhado por outro parceiro. Após entrarem na residência, um dos envolvidos no crime foi até um bar e comprou caldinhos e cervejas. Minutos depois, Gumercindo de Souza foi até o bar trocar R$ 50. Como a proprietária Acácia não tinha como trocar o dinheiro, ele pediu R$ 5 emprestados.

Ao retornar à residência, foi iniciada uma acirrada discussão, entre os visitantes e a vítima. Aos gritos, implorava por socorro, de acordo com uma das vizinhas que preferiu não se identificar, por temer represálias por parte dos criminosos, pelo barulho que era feito na

casa do servidor, parecia ter ocorrido antes dos tiros uma luta corporal entre Gumercindo e os jovens.

Segundo um estudante, ao tentar fugir de casa, Gumercindo foi alvejado com um tiro no tórax. Apesar de gravemente ferido, ele ainda reuniu forças para ir até o gradeado que separa o jardim da porta de entrada da casa, onde tentou inutilmente abrir o portão, enquanto continuava a solicitar socorro dos vizinhos (VIZINHOS..., 1997, p. 16).

Nota-se, também, a presença de casos isolados de vítimas de morte por perfuração com chave de fenda, espancamento, afogamento, carbonizado e esquartejado136. O caso mais

dramático é do anestesiologista José Airton Almeida Marcolino, 47, foi sequestrado, estrangulado e o corpo carbonizado. O esqueleto carbonizado fora encontrado num matagal nas proximidades da Rodovia José Sarney, no Mosqueiro, no dia 12 de agosto de 2000.

Ilustração 12 – Local de desova do corpo de José Airton Marcolino Fonte: SOUZA, 2000, p. B-5.

A Polícia identificou como sendo os assassinos Emerson Carlos Carvalho da Silva, 22, ex-presidiário, Rivaldo Matias Filho, 24, desempregado e Breno Lombard dos Anjos Santana, 18. O crime foi caracterizado como latrocínio. A respeito dos fatos, a defesa dos réus recorreu ao Egrégio Tribunal de Justiça e, o Desembargador José Alves Neto, resumiu os fatos no Acordão n. 20023975, da seguinte forma:

136

Um dos casos mais dramático diz respeito ao esquartejamento de Gilberto Nogueira Nascimento, 52, solteiro, natural de Souza (PB), advogado do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), foi encontrado na madrugada de 08 de junho de 2005, enterrado num manguezal no Povoado Aratu, no município de Nossa Senhora do Socorro, nas proximidades do Conjunto Fernando Collor. O Procurador estava desaparecido desde o dia 27 de maio de 2005. A polícia indiciou nove pessoas, das quais 07 foram condenadas pelo crime, entre os quais quatro irmãos, que matou a vitima a pauladas e depois esquartejaram e queimaram o corpo, com o objetivo de dificultar a identificação. Em seguida, pegaram o carro da vítima e foram até o seu apartamento onde procuraram objetos de valor. De posse do cartão do banco passaram a fazer saques diários, o que facilitou a polícia aprender um casal e em seguida desvendar o caso. O mentor do latrocínio foi José Wilker Moreira, 22, namorado do procurador (CORPO..., 2012).

BRENO LOMBARDI DOS ANJOS SANTANA, ÉMERSON CARLOS CARVALHO DA SILVA, ALEXANDRE CARVALHO DA SILVA e ALAN RICARDO DE MOURA CARDOSO, devidamente qualificados nos autos, foram denunciados como incursos nas sanções do art. 157, § 3º, do Código Penal c/c o art. 29 do mesmo diploma legal, com a agravante do art. 61, I, em relação ao segundo denunciado, e a do art. 62, I, para o primeiro, pelo fato de terem sequestrado e matado o médico anestesiologista JOSÉ AIRTON DE ALMEIDA MARCOLINO com o intuito de obter dinheiro através de saques em caixas eletrônicos da conta da vítima. De acordo com a denúncia, no dia 12 de agosto do ano p. pretérito o primeiro denunciado BRENO LOMBARDI DOS ANJOS SANTANA convidou o segundo e terceiro denunciados (ÉMERSON e ALEXANDRE) para participarem do crime, sendo que o quarto denunciado (ALAN RICARDO) fora convidado por ÉMERSON. Para realizar tal intento o primeiro denunciado telefonou para a vítima, com quem mantinha um relacionamento amoroso homossexual e marcou um encontro no Terminal de ônibus da Atalaia e, na noite do dia 12 de agosto de 2000, encontrou-se com a vítima no Posto de Gasolina, ao lado do referido Terminal, dirigindo-se, inicialmente, para o "MORANGO’S BAR" e de lá para o Bar do Nélson, na orla da Atalaia, onde ingeriram bebidas alcoólicas. Prossegue: "(...) ao saírem do Bar do NÉLSON, ainda na Atalaia, perto do Bar Capitão Cook, o denunciado ÉMERSO pediu que o médico parasse o veículo, pois queria urinar e, uma vez atendida o pedido, o denunciado ALAN aplicou na vítima uma ‘gravata’, passando ALAN e BRENO a espancá-la, tendo os denunciados imobilizado suas mãos e amordaçado sua boca com fita crepe, obtendo da vítima a sua senha bancária". Logo após, os denunciados levaram a vítima amordaçada e amarrada para um local próximo à Rodovia José Sarney, jogaram-na dentro de uma poça d’água, espancando-a, deixando-a inerte, pois amarraram os seus pés. Continua: Após deixarem a vítima desfalecida, subtraíram da mesma o relógio, aliança, celular, carteira de dinheiro e documentos e o seu veículo Vectra branco, dirigindo-se à casa do denunciado EMERSON, onde ficou para pegar umas roupas especialmente para ALAN, para trocar com as que sujaram de sangue durante o fato, indo os outros três denunciados ao Posto de gasolina, em frente ao SHOPPING JARDINS, para comprar gasolina em bolsas e vasilhames plásticos. Consta ainda que após estes fatos os quatro denunciados dirigiram-se à Agência do BANESE da Av. Francisco Porto, onde efetuaram saques de mais de mil reais da conta da vítima. Em seguida, retornaram ao local onde tinham deixado a vítima e, sem saber se a mesma já estava morta, jogaram gasolina sobre o seu corpo e atearam fogo. Após, dirigiram-se à cidade de Estância (SE) e no caminho jogaram fora as roupas sujas de sangue e documentos da vítima. Fizeram um saque de R$ 90,00 no BANESE daquela cidade, partilharam o dinheiro e foram se refestelar [...] (PROCESSO n. 2001303091).

Os fatos narrados no Acordão dão uma dimensão da perversidade cometida contra o anestesiologista. Possivelmente a vítima teve o corpo carbonizado ainda vivo. E, diante dos relatos impetrados nos autos demonstra o grau de frieza dos réus e o motivo fútil que os impeliram a cometer tamanha barbaridade.

Outro item importante para a composição deste estudo é a identificação dos veículos de comunicação que noticiaram casos de assassinatos de homossexuais em Sergipe. Isso pode ser visualizado através do Gráfico 10.

Gráfico 10 – Veículos de comunicação e outros meios que registraram e divulgaram

os casos de assassinatos de LGBT em Sergipe, entre 1980 e 2010

Fonte: Pesquisa de Campo.

A informação relativa à categoria “Outros” se refere àqueles meios de comunicação e/ou outras formas de divulgação da informação. Entre eles destacam-se: a TV Atalaia, parentes da vítima, site Mix Brasil, Processo na Justiça, Jornal de Aracaju e Diário de Aracaju. É difícil mensurar as razões que levam um veículo a aparecer com recorrência deste tipo de informação. Poderíamos afirmar que ele explora de forma sensacionalista o que não seria inverídico em quase todos, ou ainda, que este tipo de matéria faz parte da política do veículo de comunicação, que mantém uma página voltada para os casos policiais. Entretanto, outro aspecto que também se soma a este debate é o fato de que o Jornal da Manhã mudou de nome em 2001 e passou a chamar-se Correio de Sergipe. Nota-se também que alguns dos periódicos foram extintos a exemplo do Diário de Aracaju.

As explicações acima não justificam o fato de que muitos casos passaram despercebidos da mídia e, em geral, tomei conhecimento dos mesmos através de conversas com serventuários da Justiça de Sergipe, nos balcões de atendimento dos Cartórios criminais, ou ainda, por meio da internet e parentes das vítimas.

Cabe ressaltar a dificuldade do movimento LGBT sergipano em registrar, acompanhar e debater este fenômeno. Dificuldade que remonta a pouca aproximação com o fenômeno

através da coleta direta de dados junto às autoridades policiais, Instituto Médico Legal, ou ainda Varas do Poder Judiciário. Isso iria oferecer aos militantes outra visão acerca destes eventos. Isso pode ser comprovado pela inexistência de qualquer mobilização nos dias de realização de júri popular, ou mesmo na reivindicação quando ocorre absolvição. Pode-se considerar que em alguns episódios por iniciativa da imprensa local ocorre a divulgação da reprovação, acompanhada de reivindicação pela apuração e cobrança por punição dos culpados. Esta apatia custa muito caro à comunidade LGBT e impede de ampliar o debate contra o preconceito e a discriminação que ainda aflora e cresce nas redações de jornais e nos Tribunais do Júri.

No episódio da morte da travesti Benny Fontes (Benilton da Silva Fontes)137, na

cidade de Tobias Barreto, uma liderança do Movimento LGBT Sergipano, arvorou-se a noticiar a morte e cobrar punição para os culpados. A matéria tomou os sites da internet e os jornais locais (MARTINS, 2011). Passado algum tempo e com as devidas apurações e ponderações, descobriu-se que a mesma morreu de forma acidental em um rio e que a informação sobre escoriações e violência que havia sido vítima decorria de um episódio ocorrido algum tempo antes, ou seja, duas histórias foram mescladas para formar um episódio dramático de assassinato de LGBT, quando na realidade não tinha nada de real. Assim, o Promotor de Justiça, ao observar a inexistência de indícios de crime, emendou manifestação em juízo justificando o arquivamento do Processo n. 200885090005138.

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Benny Fontes (Benilton da Silva Fontes), 26, professora no município de Tobias Barreto (SE), foi encontrada sem vida num rio Jabeberi, no dia 15 de janeiro de 2007. O fato foi apurado pela Justiça através do Processo nº 200885090005. Assim, no dia 01 de abril de 2008, os Promotores de Justiça Raimundo Bispo Filho e Carlos Cezar Souza Soares manifestaram-se pelo arquivamento do Processo, ao afirmarem que: “[...] Concluindo seu relatório pela morte acidental por afogamento, dado o caráter atípico da conduta, a autoridade policial remeteu os autos à Escrivania do 2º Ofício, sendo dado vista ao Ministério Público [...] Compulsando-se os autos, a toda evidência percebe-se inexistir tipicidade na conduta investigada por falta de justa causa. Com efeito, o mero fato de a vítima se achar inicialmente acompanhada por amigos ou possível amante nas imediações do local onde o corpo fora encontrado, não recebe sanção penal, salvo quando existem razoáveis indícios de que estas pessoas tenham contribuindo de alguma forma pelo desfecho morte. Não se verifica, outrossim, essa última hipótese no caso em tela, pelo conjunto probatório existente. Urge salientar que os relatos apontam que a vítima passara horas ingerindo bebidas com alto teor alcoólico, conduta que, como é consabido, é causa frequente de afogamentos acidentais. A prova pericial indicou como causa do óbito o afogamento, ocasionado por ação de meio líquido, conforme fls.13, nada indicando o exame necroscópico que a vítima tenha sido alvo de qualquer violência ou sofrimento físico provocado por terceiros que resultasse no seu afogamento. Destarte, diante da reconhecida inexistência de prova no sentido de que fora a vítima auxiliada ou induzida por terceiros em seu lamentável passamento, senão que houve morte acidente por afogamento, resta configurada a atipicidade da conduta em exame, restando inviável a instauração da ação penal respectiva. Ante o exposto, ausente a tipicidade e impossível a propositura da ação penal, forte nos artigos 28, 41 e 43, I, todos do CPP, requer o Ministério Público por seu agente signatário, no uso de suas atribuições legais, seja determinado o ARQUIVAMENTO do presente Inquérito”.

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Trata o presente caderno investigatório da apuração dos fatos envolvendo a morte por afogamento de BENILTON DA SILVA FONTES, encontrado sem vida no dia 15 de janeiro do ano de 2007, no leito do Rio Jabeberi, em um local denominado também como Rio das Pedras, situado próximo à pousada trindade, neste Município e Comarca. A comunicação da ocorrência foi levada a efeito pelo genitor da vítima, o senhor Beneval Menezes Fontes, após tomar conhecimento que o seu filho não tinha retornado de um banho no

Uma das dificuldades para compor um quadro mais geral das vítimas é ter acesso a dados específicos, a exemplo do nível de escolaridade, como se pode visualizar no Gráfico 8, quando o número de inexistência de informação chega a quase 90% em relação a este item. Isso decorre da falta de cuidado por parte do presidente do inquérito em responder a todas as perguntas, apesar do formulário apenas perguntar se o indivíduo sabe ou não ler.

5.2 – Dos Processos na Justiça

Nem sempre a Polícia sergipana conseguiu identificar a autoria dos crimes contra LGBT em Sergipe, entre 1980 e 2010. Neste período, a Justiça instaurou 63 processos. Quantitativo que representa 64% dos casos desta natureza elucidados, contra 36% daqueles

Benzer Belgeler