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Kültürel Değerlere Yabancılaşma

2. BÖLÜM

4.5. Kültürel Değerlere Yabancılaşma

Segundo Ely (1995), a automação bancária divide-se em três momentos. Inicia-se na primeira metade dos anos 1960, quando parte dos serviços de retaguarda nos bancos (serviços administrativos e documentais) que eram executados pelos trabalhadores bancários em cada agência, passaram a ser processados pelos CPDs- os Centros de Processamento de Dados -, que executava o processamento de dados durante a noite para que as informações que chegavam das agências pudessem ser devolvidas à própria agência na manhã do dia seguinte antes do início do expediente. O processo de trabalho antes executado por inteiro nas agências que

17 O Conglomerado B foi o maior Banco Privado do Brasil desde 1951 até o ano de 2008, quando perdeu a posição, quando Itaú e Unibanco se fundiram formando, não apenas o maior banco privado do Brasil, mas de todo o hemisfério Sul.

garantiam um caráter de auto-suficiência, perdem essa característica com a irrupção do CPD alterando radicalmente a organização do trabalho.

No início dos anos 1980 a automação bancária entra na sua segunda fase. Surgem os chamados bancos eletrônicos com a implantação do sistema online nas agências. Nessa fase, as máquinas informatizadas invadem o universo das agências e dos setores administrativos, permitindo a atualização imediata das operações realizadas diariamente. A superação das limitações da fase anterior tornou-se possível com a substituição das máquinas registradoras dos caixas por terminais de computador, conectados aos equipamentos centrais dos CPDs através da rede nacional de telecomunicações. Assim, ao executar uma transação junto ao cliente, o caixa realiza o lançamento automaticamente no terminal interconectado ao computador central, atualizando, no exato momento do atendimento, as contas movimentadas (ELY, 1995).

A digitação e atualização imediata das operações financeiras proporcionaram aos bancos condições para ampliar seus negócios e oferecer novos produtos e serviços a seus clientes. Todo o processamento de dados passou a ser executado durante o dia, ao longo da jornada de trabalho dos bancários. As agências bancárias, distribuídas por todo o território nacional, passaram a operar interligadas entre si. O período que marca a implantação do sistema

online nos bancos coincide com um cenário econômico marcado por uma conjuntura recessiva

e inflacionária e pela instabilidade financeira. Apesar disso, o capital financeiro bancário crescia extraordinariamente com a chamada ciranda financeira, um movimento especulativo baseado no ritmo inflacionário, no aumento dos custos financeiros e nas altas taxas de juros.

O aumento do lucro possibilitou altos investimentos dos conglomerados financeiros em informática, mesmo no período em que a taxa de lucro diminuiu com a implantação do Plano Cruzado em 1986. Dentre outras medidas, o plano congelou os preços, extinguiu a correção monetária e proibiu contratos com prazos inferiores a um ano. Segundo Nise Jinkings (1995), para compensar a queda na taxa de lucro os bancos reduziram seus custos operacionais, fecharam mais de mil agências, demitiram aproximadamente 120 mil trabalhadores e adotaram políticas mais rigorosas na seleção de clientes. É importante ressaltar que nos anos 1980 o movimento sindical ficou conhecido pela sua combatividade na defesa dos interesses da classe trabalhadora. De certa forma, essas medidas também foram uma resposta ao crescimento desse movimento na categoria dos bancários. Foi nesse cenário de queda da taxa de lucro que os bancos estenderam o sistema online para a maioria das operações internas das agências e setores dos conglomerados financeiros. A partir de então, a estratégia do capital financeiro bancário foi de racionalizar o uso dos equipamentos eletrônicos para alcançar maior produtividade da força

de trabalho com o menor custo possível. Assim, com a queda do Plano Cruzado e com a volta de altos índices inflacionários mensais, os bancos retomaram os mecanismos especulativos e aumentaram a taxa de lucro, mesmo sem precisar repor os postos de trabalho que foram eliminados em 198618.

Este movimento de automatização, efetuado em meio a um processo de reestruturação produtiva dos bancos nos anos 1990, gera operações financeiras cada vez mais complexas, estrategicamente utilizadas pelos bancos para reduzir custos e atrair clientes. Em todas as fases que compreende o processo de automação bancária houve inúmeras mudanças nas condições, na natureza e no perfil do trabalho, assim como houve, também, subemprego e a dispensa de um grande contingente de força de trabalho.

Antes da reestruturação bancária, os bancos se estruturavam basicamente pela direção geral e pelas agências. No interior das agências, o gerente era responsável pela parte comercial e respondia perante a diretoria do banco e perante os clientes. Por outro lado, as agências realizavam toda a contabilidade internamente, o contador era o profissional responsável pela parte administrativa, um profundo conhecedor de todos os setores e rotinas da agência (conta corrente, desconto de títulos, cadastro e contabilidade). Por isso mesmo, esse profissional exercia um papel muito importante na organização do trabalho bancário. Os escriturários, por sua vez, desenvolviam atividades nestes setores, respaldando as atividades dos caixas.

Anteriormente à onda mais intensa de automação bancária, iniciada no Brasil nas décadas de 1980/1990, o trabalho bancário tinha uma conotação diferenciada da atual. A natureza do trabalho, o seu produto e o status da função de bancário proporcionavam a esse trabalhador a percepção de que o seu trabalho tinha uma importância elevada para a sociedade (GRISCI; BESSI, 2004, p. 172).

Com o processo de automação bancária, mudaram-se as formas de organização do trabalho bancário. O papel-moeda, a tradicional matéria-prima do trabalho bancário, é substituído pelos dados armazenados e manipulados em sistemas eletrônicos. O trabalhador bancário, protagonista deste cenário de transformação intensa, já não manipula prioritariamente papéis em seu cotidiano de trabalho, e a digitação de dados toma o lugar das anotações manuais ou mecânicas dos números representativos das somas de valor em circulação (JINKINGS, 1995). No último capítulo, trataremos melhor da adaptação dos antigos trabalhadores aos

18Ely (1995) explica que 600.000 trabalhadores bancários realizavam 480 milhões de transações por mês em 1987; no ano seguinte, 570.000 trabalhadores realizavam 550 milhões de transações por mês.

processos da automação bancária. Agora analisaremos o trabalho dos bancários antes do advento do neoliberalismo dos anos 1990 que alterou a forma do trabalho bancário.

Benzer Belgeler