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1. BÖLÜM

2.4. Kültür ve Kültür İle İlgili Temel Kavramlar

Por trás dos argumentos apresentados acima é promovida uma ideologização da educação profissional em torno do discurso contemporâneo da centralidade da educação e de valorização do humano. Tal discurso coloca sobre a educação a força para promover o progresso econômico, a democratização social, a diminuição de desigualdades e a felicidade dos homens. Resgatam-se, assim, os velhos discursos do entusiasmo pela educação e do otimismo pedagógico presentes no ideário do escolanovismo19.

Por trás desta retórica, subjaz a idéia de que a democracia liberal é o contexto apto à constituição dos sujeitos, à construção da solidariedade aos outros e à redução das

19 O escolanovismo pode ser identificado como um movimento de reforma da educação, que ganhou força, no

Brasil, a partir da década de 20 do século passado, inspirado nas idéias pragmáticas de Dewey, crítico da pedagogia tradicional que prevalecia no país até este período e defensor da centralidade da criança no processo educativo. Seu “otimismo” revelava-se na crença no poder da escola e em sua função de

equalização social. (Tinha) esperanças de que se pudesse corrigir a distorção expressa no fenômeno da

marginalidade, através da escola (Saviani, 1995:11). Pistrak (1981) também destacava que certos representantes do pensamento pedagógico da América imaginam que somente através da escola, “pela via

pacífica do progresso gradual”, é que se pode alcançar um futuro melhor, realizar a felicidade dos homens

(Pistrak, 1981:88). Para este autor, a obra cultural da escola não constitui um sistema completo em si mesmo,

destinado a corrigir as injustiças do regime social “por meios intelectuais” (Pistrak, 1981:92). A obra cultural da escola não pode ser efetivada sem que esteja ligada ao trabalho geral de transformação social.

desigualdades, tal como defendida atualmente por neopragmatistas20 como Rorty (apud Ghiraldelli, 1999).

A valorização do humano é tratada como resultado da individualização das ações formativas. Desta forma, coloca-se o indivíduo no centro dos processos de formação e se priorizam estratégias de autovalorização. Considera-se, entretanto, o indivíduo isolado, apartado da sociedade, estabelecendo-se uma dicotomia entre indivíduo e sociedade, supondo-se que possa haver individuação numa sociedade dividida em classes. Ora, falar em individualidade humana pressupõe a existência de indivíduos autônomos e o que pretendemos problematizar nesta tese é que a Pedagogia das Competências, sob referenciais pragmatistas, busca formar para o ajustamento das pessoas, e não para a sua autonomização, em relação à realidade social.21

Monta-se um novo edifício ideológico sobre o qual se procura justificar as políticas de desenvolvimento de competências, a integração dos trabalhadores aos objetivos das empresas, associando a possibilidade de permanência no mercado de trabalho ao desenvolvimento das chamadas competências profissionais. A formação profissional, sob a idéia de centralidade da educação, como diz Franco (1996), está deixando de ser apenas um subsistema de preparo técnico que proporciona conhecimentos e habilidades para execução de um trabalho ou de tarefas específicas. A ela tem se imputada a força para promover a empregabilidade e o relaxamento das tensões sociais originadas pelo fim da ilusão do pleno emprego.

20 O pragmatismo de Dewey e James se propôs superar as dualidades presentes em filosofias anteriores

(sujeito e objeto, natureza e história, mente e corpo, aparência e essência) a partir do estabelecimento do conceito de experiência como elemento de mediação entre essas dualidades. Os neopragmatistas, como Rorty, em contato com a filosofia analítica, substituem a noção de experiência pela de linguagem (Ghiraldelli, 1999). Este movimento teórico ganha força na atualidade associado à idéia de fim da história, em um quadro internacional onde, novamente, os EUA são apresentados como possibilidade de sociedade capaz de garantir amplos direitos sociais, políticos e civis. Ele se associa, ainda, às retóricas do pós-modernismo, do irracionalismo e do fim das classes sociais, ajudando a constituir o quadro ideológico que dá sustentação à atual fase do capitalismo.

21 Ver Sève (1989) que, ao discutir sobre a personalidade humana, enfatiza que só numa sociedade de iguais

pode desenvolver-se a individualidade humana (que pressupõe a existência de indivíduo autônomo), onde o homem passa a dominar as contingências de suas condições de existência, diferente do capitalismo, sob o qual o homem se encontra divorciado de suas condições de existência.

É falso, no entanto, atribuir à educação um peso fulcral na competitividade da economia nacional, pois a possibilidade de superação desse desafio esbarra, sobretudo, na condição de subordinação do país ao capitalismo central, ao padrão de acumulação implementado e à lógica de reprodução das desigualdades (Machado, 1998c).

Tanguy (1997b) também verificou que o uso da noção de competência nas instituições de formação e até mesmo nas empresas é associado à idéia de justiça social, pois a formação por competências, por substituir a hierarquização vertical de saberes e práticas por uma diferenciação horizontal, respeitaria mais as individualidades de cada um garantindo a igualdade de todos (Tanguy, 1997b). Essa concepção, diz Tanguy, é adequada ao sentido democrático moderno, em que a igualdade entre todos os indivíduos combina-se com a possibilidade de singularizar-se com toda justiça (Tanguy, 1997b:54).

Segnini (1998), ao debater sobre o atual discurso que coloca numa relação direta educação, trabalho e desenvolvimento, defende que este discurso legitima as mudanças no mercado de trabalho, via desemprego e precarização social. É um discurso ideológico que busca construir o consenso no interior de conflitos e interesses antagônicos e dissimular a ordem social existente.

Promove-se a ilusão de uma convergência entre trabalhadores e empresários, sem que tenham ocorrido efetivas transformações das relações de trabalho ou uma real mudança nas condições de trabalho e de vida (Franco, 1996). A função desse discurso parece ser a de formar cidadãos participativos e favorecer a introjeção da ideologia da empresa-família.

É neste contexto de ideologização do papel da educação que vem se colocando a perspectiva de formação profissional apoiada na idéia de competência.