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Küçük ve Orta Ölçekli ĠĢletme (KOBĠ) Kavramının Tanımı

2.2. KOBĠ Tanımı ve Sınıflandırması

2.2.1. Küçük ve Orta Ölçekli ĠĢletme (KOBĠ) Kavramının Tanımı

O quarto e último bloco do questionário tratou do manejo dos recursos naturais no assentamento. Objetivou-se identificar as estratégias de conservação do ambiente, dos recursos naturais, e da paisagem, bem como apreender aspectos da percepção ambiental dos assentados.

Percepção ambiental:

Num primeiro momento, buscou-se verificar qual é a percepção dos entrevistados acerca de dois recursos fundamentais para a agricultura: água e solo. Os assentados classificaram qualitativamente estes dois recursos, conforme demonstrado na Tabela 15:

Tabela 15. Percepção da qualidade do solo e da água.

Categoria Solo (%) Água (%)

Bom 43,5 87,1

Médio 25,6 7,6

Ruim 30,7 5,1

Total 100 100

Fonte: pesquisa de campo (2009).

A maioria dos entrevistados (43,5%) considerou o solo do assentamento como sendo bom, isto é, fértil, capaz de proporcionar uma boa produção para

os cultivos, e resistente à erosão. Alguns entrevistados afirmaram que foi a agricultura que melhorou a qualidade dos solos, como nos depoimentos “o solo é bom porque melhoramos, antes era terra de eucalipto”, “o solo é bom, mas tem que cuidar dele” e “solo é médio porque foi terra de eucalipto, então tem que zelar para garantir produção”. Uma parcela (30,7%) classificou o solo como ruim, “muito ácido”, “com pouca matéria orgânica e precisa de muito esterco para produzir”, ou “muito arenoso”. Alguns destes entrevistados, oriundos de outros estados como Minas Gerais ou Paraná, chegaram a esta classificação ao compararem o solo do assentamento com os solos de suas regiões de origem. Conforme afirmou um assentado: “Quando cheguei aqui no assentamento fiquei assustado, não era igual ao Paraná. Tudo o que plantava lá, dava, aqui não dá não. Aqui, se quiser ter um retorno, precisa investir muito, porque aqui era terra de eucalipto, terra ruim. As terras de lá servem de adubo para essa daqui”.

Em relação à água, a imensa maioria (87,1%) considerou que o assentamento dispõe de recursos hídricos de qualidade: “água boa”, “água bem clara”, “água sem gosto de cloro” e “água sem sal” foram algumas das observações que acompanharam esta classificação da água pelos assentados. É interessante notar que, apesar da percepção de qualidade dos recursos hídricos, análises de qualidade da água em poços e reservatórios do assentamento Monte Alegre mostraram que em 2001, 95% dos poços examinados se encontravam contaminados por coliformes fecais (ROSA, 2002) devido a disposição inadequada dos esgotos domésticos. Mesmo conhecendo estes dados de contaminação, alguns assentados consideraram a água como sendo de qualidade, como indicam os depoimentos “a água é contaminada, mas é boa” e “a água não é muito boa, está contaminada, mas se filtrar pode consumir”.

O assentamento Monte Alegre possui 1.043,53 ha de área de reserva legal (RL) e de preservação permanente (APP), sendo que esta última se situa ao longo dos cursos d‟água sob a forma de mata ciliar (CAMPOI, 2005). As áreas de RL são coletivas e estão situadas fora dos lotes, sendo compostas de

fragmentos de eucaliptais da época em que o assentamento era um horto florestal. Já as APPs se encontram em alguns dos lotes que margeiam córregos (caso do córrego Monte Alegre), e estão sob responsabilidade dos assentados, sendo constituídas de replantio de árvores nativas.

Dos 39 entrevistados, 09 (23%) afirmaram ter realizado algum plantio de árvores nativas no lote. Destes, 07 plantaram as mudas nas APPs que integram os seus lotes, enquanto os outros 02, mesmo não tendo a obrigação legal de recompor uma parte do lote com espécies florestais, o fez por livre iniciativa, como indicam os depoimentos “plantei mudas nativas e quero ampliar porque elas ajudam a manter a natureza”, ou “plantei um bosque de nativas para segurar a água e o solo que antes escorria numa ribanceira. Também tenho a fossa séptica, que impede a poluição de mananciais”.

“O sr. Milton entrou no programa microbacia e vai cercar e ampliar a APP. Disse também que pretende fazer no lugar aonde está o milho – “uma das minhas melhores terras” – um bosque, com árvores frutíferas e nativas”. (DIÁRIO DE CAMPO, 04/02/2009).

A maioria que não fez nenhum reflorestamento de áreas no lote justificou seu posicionamento com as falas “não plantei nativas porque o governo não deu mudas”, “recompor florestas é responsabilidade do governo”, “não plantei mudas por falta de dinheiro e de mão de obra, mas tenho interesse em plantar”, “não plantei nativa porque depois não posso derrubar para usar a madeira” e “não plantei porque não tem necessidade, já tem a reserva legal no assentamento

Independentemente da presença ou não de APPs ou áreas florestadas nos lotes, procurou-se identificar a percepção dos assentados sobre os fragmentos florestais dentro dos agroecossistemas, e os possíveis papéis desempenhados por eles para o ambiente, para a agricultura e para o ser humano (Figura 18).

Figura 18. Funções das áreas florestais nos lotes.

Fonte: pesquisa de campo (2009).

Aqui, cada entrevistado pode responder com mais de uma alternativa à questão. Observamos que, na percepção dos assentados, a principal função dos fragmentos florestais é a de conservar a água, com 32% de citações. 8% dos assentados relacionaram a presença destas áreas com a conservação do solo, que influencia diretamente a conservação dos recursos hídricos.

Uma parcela de 22% afirmou que a manutenção de um micro clima mais úmido e de temperaturas amenas é um papel importante desempenhado pelas áreas florestadas nos lotes, como em “as áreas de floresta cria o oxigênio, deixa o ar bom”. Outra parcela (17%) dos entrevistados colocou que os fragmentos atraem animais – “a mata atrai tatu, bugio e pássaros”, “já vi tamanduá e jacu por aqui” - considerando esta uma função importante da manutenção destas áreas. 8% consideraram a beleza cênica como uma função desempenhada pelos fragmentos florestais nos lotes. Houve ainda os que não

32% 8% 22% 17% 2% 2% 9% 8% conservar água conservar solo manter microclima atrair animais fornecer produtos controle biológico não sabe/nenhum/não respondeu beleza cênica

souberam responder ou afirmaram que as áreas florestais não desempenham função nenhuma: “A mata no lote não traz beneficio nenhum, só tira a nossa terra que já é pouca. Com a APP que o governo me obrigou a ter, perdi 30 metros do meu pasto”.

Uso e conservação da biodiversidade local:

Além do plantio ou não de árvores nativas, em APPs ou outras áreas, e das funções desempenhadas por estes fragmentos, investigou-se se os assentados fazem uso de algum recurso da flora e/ou da fauna existente no assentamento. Em relação a este manejo da biodiversidade local, 41% dos entrevistados afirmaram utilizar algum recurso da flora/fauna disponível, seja nas áreas de preservação permanente, de reserva legal, nas áreas dos lotes ou em outros espaços existentes no assentamento, como represas e córregos.

Um assentado coleta sementes da árvore guanandi (Calophyllum brasiliense) para produção de mudas, que são vendidas para projetos de recomposição florestal. A espécie, não pioneira e característica de solos úmidos e de brejos, está medianamente ameaçada de extinção (LORENZI, 2002), e é muito plantada no assentamento, principalmente em áreas de mata ciliar ou no entorno de poços cacimba pois, segundo o agricultor, “chama água para perto dela, além de ter a madeira boa”.

Outro coleta e comercializa em feiras frutos de gravatá (Araeococcus parviflorus), uma bromélia que pode ser utilizada como ornamental, alimentícia ou, segundo o assentado, medicinal, em xaropes para o tratamento de doenças respiratórias. O mesmo agricultor também coleta para o consumo da família castanhas de baru36 (Dipteryx alata), árvore leguminosa nativa do cerrado, rica em óleos e proteínas, e de sabor semelhante ao do amendoim.

Observou-se ainda o consumo, entre alguns assentados, de caruru (Amaranthus viridis), de ingá de metro (Inga edulis), e de frutos da palmeira macaúba (Acrocomia aculeata), de jaracatiá (Jacaratia spinosa), de marolo

36 O baru é reconhecido e protegido através do “programa de Fortalezas” como produto da biodiversidade

(Annona crassiflora), de goiabinha ou araçá do cerrado (Psidium firmum), e de pequi (Caryocar brasiliense), espécies abundantes no assentamento. Também há o aproveitamento desta biodiversidade no processamento de produtos, conforme o depoimento de um entrevistado: “pego sementes de cicupira e folhas de imburana para curtir na pinga. Também pego jaracatiá, ralo o tronco dele e misturo na rapadura. Na falta, uso mamão, pois fica melhor que coco ralado”.

A pesca em córregos e represas existentes no assentamento também é comum, e o consumo de peixe representa, para algumas famílias, um importante complemento na dieta alimentar. Também houve relatos de assentados que caçam tatus e lebres.

Outros entrevistados coletam plantas medicinais, como o chapéu de couro (Echinodorus macrophyllum), a jurubeba (Solanum paniculatum), a azedinha do cerrado (Oxalis hirsutissima), o barbatimão (Stryphnodendron barbatimam), o picão preto (Bidens pilosa) e a erva de santa maria (Chenopodium ambrosioides) para o preparo de pomadas, chás e xaropes (Figura 19), ou para o uso em compressas cicatrizantes, caso do barbatimão.

Figura 19. Preparado de plantas medicinais.

Encerrando o quarto bloco de questões, perguntou-se se a agricultura praticada no assentamento ajuda na conservação da natureza e dos recursos naturais.

A maioria dos entrevistados (87%) respondeu que a agricultura realizada no assentamento colabora para a manutenção dos recursos naturais. Afirmações como “conservo a natureza porque uso esterco e farinha de osso em vez de adubo”, “ajudo a conservar a natureza porque evito usar veneno. Tenho medo”, “ [a agricultura] conserva desde que não use agrotóxico” “depende da agricultura, eucalipto acaba com a terra, já as hortas ajudam porque utilizam bastante esterco”, “eucalipto não ajuda a natureza...depois que criou assentamento, a agricultura conservou o solo”, “o assentado conserva a natureza porque usa menos agrotóxico que a usina” acompanharam esta resposta positiva.

8% responderam negativamente, considerando que a agricultura faz uso de agrotóxicos, queimadas, desmatamentos e monocultivos, e por isso não pode ser compatibilizada com a conservação da base de recursos naturais, como apontam os depoimentos “não ajuda a natureza porque o assentado não faz rotação e faz queimada”, “queimada na agricultura prejudica natureza”. 5% não souberam responder.

A partir deste bloco de questões pode-se observar que a situação de assentamento parece favorecer a preocupação com o ambiente por parte dos assentados. 87% dos entrevistados afirmaram que a agricultura praticada no assentamento ajuda a conservar a natureza. A maioria dos entrevistados também reconheceu a qualidade dos solos, atribuindo isto ao fato de conservarem com terraços e praticarem agricultura na terra que antes era ruim por ser de eucalipto. Os benefícios das áreas florestais também foram citados, incluindo ai a conservação dos recursos água e solo, manutenção de microclima e da avifauna. Como relatou um agricultor visitado durante as entrevistas, as áreas florestadas além de “ajudar a refrescar o clima e atrair a passarada” também exercem influencia no combate às pragas e doenças de lavouras próximas, pois “tudo quanto é mata é cheia de bicho, inseto, besouro,

que comem as lagartas que atacam o milho e a horta”. De fato, a manutenção de áreas ricas em biodiversidade em torno das áreas cultivadas aumenta a diversidade beta do sistema, e podem servir para atrair e fornecer habitats a organismos benéficos (GLIESSMAN, 2001, p.452).

Apesar destas declarações animadoras do ponto de visa ambiental, as ações concretas no que tange a conservação dos recursos são escassas. Uma parcela pequena dos assentados (23%) fez plantio de mudas nativas ou florestou áreas. Os entrevistados reconhecem ainda os efeitos positivos de incrementar os níveis de matéria orgânica dos solos, através da adição de estercos e palhadas, considerando o solo não como mero suporte das plantas, mas como um local rico em vida. Entretanto, as práticas efetivas de plantio direto ou adubação verde são poucas, e os relatos de decréscimo de produtividade são freqüentes, bem como os sinais de erosão nos lotes visitados.

O manejo da biodiversidade local observado em alguns casos, revela uma aproximação dos agricultores com o entorno ecológico em que vivem, engendrando um uso racional e inteligente da flora nativa na alimentação, nos cuidados com a saúde e como fonte de renda. Neste sentido, os agricultores assentados apresentam um comportamento semelhante ao de populações tradicionais que, ao manejar os recursos naturais, conservam e incrementam a biodiversidade, em uma relação de influências mútuas entre natureza e cultura (LEONEL, 2000).

Benzer Belgeler