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Köylerde Eğitimin Kuşaklararası Değişimi ve Zaza Dili

3.2. TÜRKİYE’DE DÖNEMSEL OLARAK UYGULANAN DİL

4.1.4. Köylerde Eğitimin Kuşaklararası Değişimi ve Zaza Dili

No âmbito da AD, que também vem resgatando conceitos clássicos, principalmente as noções de ethos e de pathos vêm sendo muito exploradas, por exemplo, por Charaudeau (2008), Maingueneau (2005 e 2008) e Amossy (2008).

Em relação ao conceito de ethos, cumpre observar que, além de a noção clássica ter sido resgatada por esses analistas do discurso, resgatada também foi a discussão clássica sobre o entendimento dessa noção: são comuns hoje as expressões ethos construído e pré-construído (CHARAUDEAU, 2008), ethos discursivo e imagem prévia (AMOSSY, 2005), ethos discursivo e ethos prévio (MANGUENEAU, 2008).

6.8. O ethos para Patrick Charaudeau

Modernamente, a AD inscreve o ethos no ato da enunciação, isto é, no dizer do locutor. Dessa forma, muitos analistas do discurso consideram que o ethos está relacionado ao momento da enunciação, ou na aparência do discurso, na ação linguageira do sujeito locutor. Charaudeau, no entanto, em relação à polêmica clássica sobre a natureza do ethos assim se posiciona:

143 De fato, o ethos, enquanto imagem que se liga àquele que fala, não é uma propriedade exclusiva dele; ele é antes de tudo a imagem de que se transveste o interlocutor a partir daquilo que diz. O ethos relaciona-se ao cruzamento de olhares: do olhar do outro sobre aquele que fala, olhar daquele que fala sobre a maneira como ele pensa que o outro vê. Ora, para construir a imagem do sujeito que fala, esse outro se apoia ao mesmo tempo nos dados preexistentes ao discurso – o que ele sabe a priori do locutor – e nos dados trazidos pelo próprio ato de linguagem. (CHARAUDEAU, 2008, p.115 – grifos nossos).

Assim explica Charaudeau sua posição: a interação do ethos pré-construído e do ethos construído está inserida no discurso e se volta para a questão da identidade do sujeito. Consequentemente, a identidade do sujeito se desdobra em dois componentes: um primeiro componente no qual o sujeito se apresenta com sua identidade social, atribuindo-lhe a palavra, legitimando o interlocutor de acordo com seu estatuto e papel que lhes são reconhecidos pela situação de comunicação. E um segundo componente no qual o sujeito cria, para si mesmo, uma identidade discursiva presa ao ato de comunicação, atribuindo-lhe papéis e estratégias que deverão ser seguidos nessa situação de comunicação. Ou seja, a situação de comunicação obriga o locutor a assumir determinados papéis na enunciação, para, dessa forma, se projetar positivamente para o seu auditório.

A partir daí, o sujeito passa a se mostrar pelo olhar do outro com suas próprias características psicológicas e sociais e, por sua vez, mostra também sua identidade discursiva construída por ele, no momento da enunciação. O resultado da junção dessas identidades é o que forma o ethos.

No entanto, para esse autor, o ethos não é plenamente consciente, boa parcela dele não o é. Também a compreensão do interlocutor [ouvinte/leitor] nem sempre coincide com o que o locutor quis expressar. Ou seja, o interlocutor pode construir um ethos que não é exatamente o que o locutor deseja, como acontece muitas vezes na política. Completando suas ponderações, diz Charaudeau:

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O ethos encontra-se no centro desse paradoxo que sustenta a

filosofia contemporânea, que, mesmo sabendo que o sujeito não é um [Nietzsche], que ele é dividido [Lacan], quer fazer como se fosse ele fosse de fato um todo. Trata-se de uma concepção idealizada da existência do sujeito, que pode ser aplicada ao sujeito do discurso e que [é a nossa hipótese] guia a comunicação social na qual se constrói o ethos. (CHARAUDEAU, 2008, p.116).

6.9. O ethos para Ruth Amossy

Ruth Amossy, em sua conceituação do ethos, integra pontos de vista sobre a autoridade e a credibilidade de um orador que se originam da retórica clássica, da pragmática e da Sociologia. Com base nestes três campos teóricos ela apresenta um modelo que tenta conciliar as duas perspectivas já muito exploradas e bem conhecidas do ethos retórico: como uma linguagem relacionada com a construção discursiva e como uma posição institucional: o ethos discursivo e o ethos prévio (Amossy, 2005). Baseando-se nos modelos apresentados por Perelman e Olbrechts-Tyteca, Amossy articula a análise do discurso com a argumentação, e também retoma a noção de doxa em relação ao ethos.

6.10. O ethos para Dominique Maingueneau

O conceito de ethos aristotélico é também atualizado por Maingueneau (2008): enquanto Aristóteles o concebeu pensando em um dos seus genera causarum, o discurso jurídico oral, Maingueneau o revisita, considerando-o em diversas situações discursivas atuais.

Maingueneau, embora adote a ideia aristotélica de que o ethos é construído na instância do discurso, diferentemente de Aristóteles considera que não existe um ethos preestabelecido81. Segundo o esquema proposto por esse autor, o ethos

compõe-se de duas partes: o ethos pré-discursivo, que é a imagem do orador construída pelo ouvinte antes do início do discurso e o ethos discursivo, que, por sua

81 Como se viu, Aristóteles considera a existência e o valor de um ethos preestabelecido, só que esse é

externo à retórica. No nosso entendimento, provas não retóricas e provas retóricas podem participar de um mesmo discurso.

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vez, compreende o ethos dito [as referências diretas do enunciador] e o ethos mostrado [não explícito, conferido pelas pistas deixadas pelo enunciador]. Como não há uma clara separação entre o explícito e o não explícito, há uma relação mútua entre esses.

Na base do seu modelo estão também os estereótipos82, por meio dos quais o

ouvinte [coenunciador] se vale da doxa para atribuir características ao enunciador. Como se pode verificar, é grande o investimento da AD no conceito clássico de ethos. Embora os autores apresentem, cada um, suas especificidades, percebe-se que seus pontos de vista convergem em diversos aspectos e têm a retórica clássica por referência.