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4. IRAK VE İRAN FETİHLERİ

4.3. Kâdisiye Savaşı

Os advogados associam os eventos ocorridos a partir dos anos 1990 no Brasil como indutores não só das grandes oportunidades e do período de vertiginoso crescimento mas também das grandes mudanças no próprio mercado de prestação de serviços jurídicos empresariais. Dentre eles, a abertura de mercado, as privatizações e a crescente inserção da economia brasileira no contexto internacional atraíram empresas e investidores estrangeiros que vislumbravam as oportunidades aqui existentes e que se tornaram os grandes clientes em potencial das bancas. Assim, o crescimento rápido, porém desordenado das grandes bancas no período e o surgimento de novos players de mesmo nível, tornou ostensiva e mais agressiva, segundo os entrevistados, a competição entre os grandes escritórios de advocacia empresarial pelos novos e rentáveis clientes globalizados.

Paralelamente à tendência de aumento da complexidade dos grandes negócios realizados no Brasil devido à introdução pelos clientes estrangeiros de formatos de negócios e de operações

de alto nível que até então não encontravam paralelo no Brasil, os profissionais consideram também que o próprio cenário legal e jurídico nacional se renovou, aprimorando-se e adaptando-se àquelas mudanças econômicas mas também ao próprio aumento da complexidade das relações sociais e jurídicas no país, por meio do surgimento e/ou modernização de marcos legais e instituições de Estado (ou da sociedade civil) fiscalizadoras e/ou reguladoras.

A crescente integração do Brasil na rede de negócios internacionais e a exposição a práticas jurídicas estrangeiras devido ao aumento do intercâmbio com outros profissionais, além do próprio aumento das oportunidades para empresas brasileiras no exterior provocaram, segundo os entrevistados, dois fenômenos importantes: a influência estrangeira no Direito Brasileiro e a internacionalização da advocacia de ponta brasileira. No primeiro caso, esta influência deu-se principalmente pela absorção (e não uma incorporação pura e simples) de soluções e formatos jurídicos estrangeiros em direito empresarial mas também na inspiração para elaboração de novos marcos legais ou mesmo para a criação de novas instituições, aproveitando experiências já existentes em países com mercados mais maduros. No segundo caso, os próprios escritórios nacionais expandiram sua atuação para outros países tanto para continuar apoiando seus clientes em novos mercados como para aproveitar por si próprios, as eventuais novas oportunidades.

Em função dessas mudanças verificadas tanto no âmbito da economia, dos negócios e do Direito, vivenciadas em seu trabalho cotidiano, os advogados reconhecem os benefícios da adoção de uma mentalidade empresarial por parte dos escritórios com o intuito de gerir suas operações numa perspectiva de negócio (como orientação para lucro) e também para potencializar sua atuação competitiva em um mercado altamente concorrencial, onde clientes altamente exigentes quanto à qualidade e custo trazem novas oportunidades de ganhos com demandas altamente sofisticadas e lucrativas na mesma proporção. O exercício dessa nova mentalidade envolve uma maior diferenciação e dinamização das estruturas organizacionais daquelas entidades com a criação de áreas especificamente administrativas a serem gerenciadas por administradores profissionais vistos como os mais aptos para tais funções.

Tais atitudes refletem o fato de que as questões administrativas e de controle passam para outro nível de importância para as grandes sociedades. Além de aumentar a diversidade profissional no interior dos grandes escritórios, abrem-se novas possibilidades para o

relacionamento intra-organizacional inclusive com a ocorrência eventual de conflitos entre perspectivas (como relatado nos depoimentos), principalmente envolvendo decisões gerenciais operacionais por parte dos administradores que passam a decidir inclusive sobre certas circunstâncias e recursos do trabalho dos advogados. Essa situação, juntamente com a orientação ostensiva para o lucro e para o mercado indica mais um ponto de rompimento com a tradição do Profissionalismo (FREIDSON, 1996), uma vez que traz repercussões sobre a questão da tradicional autonomia do trabalho, algo que é destacado quando se observa a disseminação como norma do vínculo empregatício (CLT) entre aqueles profissionais e a organização, que assim, agora passam a ter seu trabalho controlado avaliado externamente, algo que é percebido pelos advogados. Mais do que a reedição de um tradicional conflito, isso atesta a aproximação das grandes bancas com os princípios e práticas do gerencialismo como modelo mais eficiente de gestão em ambientes competitivos e traz indícios que as aproximam das formas mais evoluídas de organizações de serviços profissionais, as MPBs (COOPER et al., 1996).

Os profissionais também reconhecem que a mentalidade empresarial, influenciada pelo gerencialismo, também se reflete nas formas e métodos de organização do trabalho que, como resposta ao novo grau de complexidade de suas tarefas e de seus projetos e visando atender o cliente corporativo em todas as suas necessidades de uma perspectiva global e ao mesmo tempo aprofundada, agora se fragmenta em “células” especializadas (ou segmentadas) em áreas do conhecimento e práticas jurídicas.

No entanto, esse esforço de “organização” não transmite consistência de todo para os profissionais advogados que nela trabalham, uma vez que enxergam algumas lacunas e em políticas internas e em procedimentos percebidos por eles como críticos, principalmente em relação aos planos de carreira que, apesar estar relativamente formalizados e divulgados na maioria das grandes firmas, ainda não são visto como suficientemente explícitos ou mesmo objetivos em seus critérios de promoção. Outros conflitos e descontentamentos entre os advogados estão relacionados às atitudes e/ou ás políticas da gestão que dizem respeito às práticas de avaliação e de remuneração, que ao tomar por base a segunda como medida para a primeira, é vista pelos profissionais como danosa ao bom andamento do trabalho, ao estimular a competividade entre os colegas.

Benzer Belgeler