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2. SÛRİYE FETİHLERİ

4.2. Buveyb Savaşı

Para os advogados de grandes sociedades, as mudanças econômicas que impactaram o mercado de serviços jurídicos no Brasil refletiram largamente em seu trabalho cotidiano, principalmente a intensificação da competição entre os escritórios estimulada e pelos próprios clientes ao buscarem alto nível de serviço e de dedicação minimizando seus custos. Dessa forma, frente a orientação para o mercado adotada pelos grandes escritórios e a sofisticação das demandas recebidas (no contexto do aumento da complexidade do ambiente de negócios brasileiro) os profissionais compreendem a necessidade de assumirem o ritmo das urgências dos negócios daqueles clientes sob pena de perdê-los e também de sua reputação no mercado, o quê implica em uma aceleração e no aprimoramento de sua capacidade de resposta, ao mesmo tempo em que se acumulam muitas tarefas de alto nível a serem realizadas em prazos cada vez mais curtos. Assim, é visto pelos entrevistados como sendo conseqüente o grande aumento da carga de trabalho que se estende por longos expedientes e que ignoram em muito madrugadas, finais de semana ou horários convencionais de trabalho, muitas vezes em sincronia com fusos horários de clientes estrangeiros. Além disso, emerge como “técnica” de atendimento de clientes, procedimentos de “gerenciamento da ansiedade” desse, de forma de mantê-los com a sensação de atenção constante.

O trabalho em equipes especializadas/segmentadas em conhecimentos e práticas jurídicas específicas (que aprofundam cada vez mais sua especialização) é a norma das grandes

sociedades de advogados, tornando a organização de seu trabalho semelhante às utilizadas em empresas industriais e são a principal mudança na organização do trabalho jurídico indicada pelos entrevistados, com vistas a atender o cliente globalmente e de forma aprofundada. Segundo os advogados, essas equipes especializadas que gozam de autonomia funcional e são formadas por trabalhadores plurifuncionais, também são chamadas eventualmente “células”. O método/processo de trabalho em seu interior é baseado na divisão/atribuição de tarefas por senioridade e controlado pelo sistema de “revisões progressivas”, onde os níveis superiores de senioridade e experiência são responsáveis pela revisão e supervisão do trabalho realizado pelo nível imediatamente inferior. Este método como aplicado atualmente apresenta muito mais uma característica de controle de qualidade do trabalho do advogado com repercussões sobre sua tradicional autonomia do que um processo de formação e aprendizado dos profissionais em formação, também dentro dessa tradição. Assim, na distribuição de tarefas, o sócio (nível máximo) é o responsável por tarefas mais administrativas e pelo contato com o cliente; rotineiramente acompanha o desenvolvimento do trabalho e não se envolve na execução operacional, a não ser em casos extra-ordinários; o advogado sênior é o responsável pela concepção intelectual do projeto e pela montagem e coordenação cotidiana da equipe. Os advogados plenos e juniores são responsáveis pelas pesquisas mais elaboradas, levantamentos de documentos e análises jurídicas de graus intermediários de complexidade.

Esse método, apesar de expressar a divisão ideal do trabalho bem como a composição ideal da equipe, constitui-se somente como paradigma, pois não é indicado pelos advogados como norma obrigatória estabelecida em qualquer política ou orientação oficial da organização. Isso porque, segundo eles, a composição das equipes pode variar, inclusive na atribuição de responsabilidades. Na prática, a definição do método de trabalho e distribuição de tarefas e responsabilidades é do sócio, que as estabelecem conforme seu estilo de liderança. Apesar de ser observada a divisão técnica por senioridade, esta não necessariamente determina hierarquias fixas na execução das tarefas e gestão de equipes. Assim, um advogado pleno poderá assumir funções de um sênior eventualmente; algo que pode causar certa confusão, mas que não é causa freqüente de conflitos, uma vez que é compreendida e pelos profissionais envolvidos. Nesse tipo de organização, abaixo do nível de sócio não existe clara atribuição de autoridade formal, permanecendo entre os advogados das classes inferiores uma percepção de “hierarquia” rarefeita e mais baseada no respeito pela “experiência” e pela própria senioridade do profissional e não na subordinação ao longo de uma “cadeia escalar” expressa oficialmente.

Da mesma forma, por não existirem regras rígidas sobre a distribuição de tarefas e de trabalho, e dessas dependerem das escolhas do sócio responsável, os critérios para a composição das equipes também são informais e contingentes, alguns casos até subjetivos e dependerão da combinação de circunstâncias como a complexidade das tarefas, o nível de experiência dos profissionais elegíveis bem como a disponibilidade destes. Também é colocado como fator de decisão, a confiança profissional ou pessoal existente entre os advogados envolvidos.

Devido à complexidade de alguns projetos, essas células, apesar de autônomas, interagem e se integram operacionalmente em equipes multidisciplinares. Este é o outro fator apontado pelos entrevistados como essencial em relação às mudanças introduzidas na organização do trabalho nas grandes sociedades de advocacia. A lógica de agregação de seus elementos constituintes das equipes multidisciplinares (as células especializadas) é variável conforme a complexidade e as necessidades, os desenhos e mesmo as intercorrências previstas nos projetos. A coordenação dessas equipes cabe à célula que captou o cliente.

Outro aspecto importante ressaltado pelos advogados foram as conseqüências da introdução de ferramentas tecnológicas que trouxe grandes vantagens na execução de seu trabalho, principalmente a rapidez e a facilidade de acesso e resgate de informações e documentos públicos e privados. Isso possibilitou mais tempo para as tarefas de maior valor agregado como as análises jurídicas, elaboração de teses e contratos e estruturação de operações. Neste sentido ainda, a tecnologia que reforçou, por um lado a divisão técnica do trabalho ao atribuir de forma mais marcante aquela tarefas mais repetitivas aos níveis inferiores em senioridade, por outro lado incrementou essas mesmas tarefas, agilizando-as e potencializando seu alcance e possibilidades. No entanto, essa mesma tecnologia não foi capaz de mudar a natureza do trabalho do advogado, pois esta permanece essencialmente intelectual, onde a aplicação do conhecimento jurídico não pode ser mecânico; isso porque normalmente muitas variáveis se apresentam exigindo do profissional um julgamento criterioso (não repetitivo e não rotineiro) sobre a melhor forma de realizar o trabalho.

Se a essência do trabalho não foi alterada, o mesmo não se pode dizer de suas tarefas que agora, além do trabalho jurídico propriamente dito, também acumula funções como a de

relacionamento com o cliente, bem como lhe são atribuídas agora decisões e atividades de caráter administrativo e operacional.

Benzer Belgeler