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4.3. Batman Kara Şövalye (The Dark King) & Joker Karakteri Gibi Davranan Genç

4.3.4. Joker gibi Davranan James Holmes

A Revolução Francesa tinha ocorrido sob os auspícios do liberalismo político e econômico, influenciando os ordenamentos jurídicos posteriores de quase todos os países. Muitas Constituições reconheceram os direitos do homem e do cidadão, estruturando uma forma democrática de governo, organizando o poder de acordo ao princípio da divisão de poderes e consagrando a ideia de que a soberania emana do povo. Em grande medida, estes textos favoreciam a livre iniciativa econômica, sem intervenção estatal (CAMARENA, 1984).

Como foi salientado, no começo do século XX eclodiram diversos conflitos sociais relacionados à organização, às condições do trabalho e à qualidade de vida das pessoas. Havia, nessa época, uma grande necessidade de “estabilidade, de progresso e de justiça”. A Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII, por outro lado, tinha começado a produzir efeitos. Todo esse sentimento inspirou juristas de vários países nas reformas das suas respectivas Constituições, como uma expressão

desse espírito profundo de transformações sociais, com vistas à possibilidade de trabalho para todos, ao progresso e à justiça social (SODERO, 1968). Paulatinamente, foram incorporados nos textos constitucionais os direitos de segunda geração, ou seja, aqueles econômicos, sociais e culturais, constituindo um movimento que foi chamado de “Constitucionalismo Social”.

O constitucionalismo pode ser visto como um movimento social e político, que tem uma finalidade personalista34, que tenta atingir seus objetivos mediante a vigência de um tipo determinado de Constituição (BADENI, 2006). Tendo em vista que a Constituição Nacional35 reflete os ideais e valores da sociedade que a sanciona, o constitucionalismo representa o processo mediante o qual esse conjunto de valores é definido e elaborado, constituindo um conceito dinâmico que pretende estabelecer mecanismos de limitação e vinculação entre a cidadania e o poder (PEDROL, 2009).

Numa primeira fase, o constitucionalismo foi claramente liberal e individualista, estreitamente relacionado ao momento histórico e político. Os direitos consagrados nesta etapa eram impostos frente ao Estado, procurando limitar sua atuação. Paulatinamente, foi sendo transformado num constitucionalismo social, que reconhece o ser humano como imerso na convivência em sociedade, o que leva a regulamentar os direitos individuais com base no interesse social ou bem comum (BADENI, 2006). Nesta fase, o poder público abandonou seu papel de “inimigo dos direitos fundamentais”, passando a desempenhar uma função de promotor daqueles direitos (CARBONELL, 2008).

Assim, este processo constituiu uma verdadeira mudança de paradigma constitucional (SANCHEZ VAZQUEZ, 2012), pois esta aspiração de promover um Estado social de direito se consolidou em grande processo de expansão, tanto em conteúdo como em abrangência geográfica (CARBONELL, 2008).

Contudo, o constitucionalismo social não deve ser entendido apenas como um reconhecimento de direitos de prestação. As disposições contidas nestas Constituições respondem às demandas de proteção dos grupos sociais marginalizados e de equilíbrio e justiça nas relações sociais. Portanto, além de

34 Finalidade personalista se refere à ideia segundo a qual o homem é artífice da vida política. Essa

vida política tem como objetivos últimos a liberdade e dignidade humanas (BADENI, 2006).

35 A Constituição Nacional é a Lei Suprema de uma Nação (BIDART CAMPOS, 2006), na qual “são

expostos de maneira orgânica os princípios fundamentais do ordenamento normativo de uma organização política” (BADENI, 2006),

consagrar direitos sociais concretos, o constitucionalismo social representa uma mudança de concepção profunda a respeito da organização da sociedade política. Em relação à propriedade, este movimento apresenta pelo menos duas implicações principais. Por um lado, em várias Constituições, tem-se consagrado o direito à propriedade ou, também, o direito à moradia digna, estreitamente relacionado ao primeiro. Por outro lado, a maioria dos textos tem relativizado o direito de propriedade, notadamente, através da inclusão do princípio da função social da propriedade (SANCHEZ VAZQUEZ, 2012). A propósito, admitindo que uma das principais finalidades do constitucionalismo social é a oposição ao caráter absoluto outrora conferido à propriedade privada (PEDROL, 2009), o reconhecimento da sua função social constitui uma das expressões essenciais deste movimento reformador (BALLARIN MARCIAL, 1965).

Na Europa, considera-se que o constitucionalismo social tenha se iniciado com a Constituição da Revolução Russa de 1918 e, principalmente, com a Constituição Alemã de Weimar, de 1919 (SANCHEZ VAZQUEZ, 2012). A respeito da propriedade, esta última estabelecia que “a Constituição garante a propriedade, cujo conteúdo e limites serão fixados em lei. Não se procederá a qualquer desapropriação senão por utilidade pública e em virtude de disposição legal”. E logo acrescentava: “A propriedade obriga. Seu uso constitui, consequentemente, um serviço para o bem comum”. Posteriormente, a Constituição da Espanha de 1931 e da Itália de 1947 também consagraram a ideia de que a propriedade deve atender sua função social. Em 1949, a Constituição da República Federal da Alemanha, no seu artigo 14, reconheceu o mesmo princípio (MONREAL, 1977).

Na América Latina, a Constituição Mexicana de 1917 foi a primeira a incorporar estes conceitos, depois da sua Revolução. Assim, na segunda parte do seu artigo 27 dispunha

A Nação terá o tempo todo o direito de impor à propriedade privada as modalidades que ditar o interesse público, assim como o direito de regular, em benefício social, o aproveitamento dos elementos naturais suscetíveis de apropriação, com o objetivo de realizar uma distribuição equitativa da riqueza pública, cuidar de sua conservação, conseguir o desenvolvimento equilibrado do país e o melhoramento das condições de vida da população rural e urbana (trad. nossa).

A partir de então, a maioria das constituições da América Latina incorporaram o princípio da função social da propriedade, algumas de modo mais explícito do que outras. Assim, por exemplo, a Constituição boliviana do ano 1938 estabeleceu que a

propriedade é inviolável, sempre que cumpra sua função social, e que sua desapropriação poderá impor-se por causa de utilidade pública, qualificada conforme à lei e mediante previa indenização justa. Na Costa Rica, a Constituição de 1949 incorporou um dispositivo muito parecido. A Venezuela, por sua vez, a adota em 1949, através do seu artigo 65. Em 1957, a República de Honduras também incluiu o conceito no artigo 157 da sua Constituição.