İZMİR YÜKSEK TEKNOLOJİ ENSTİTÜSÜ Bu bir MMO
4. JEOTERMAL KAYNAKLARIN MEVZUATTAKİ YERİ
Barthes (1988) revelou uma crise do autor e, consequentemente, da crítica, ainda em 1968, sentenciando inclusive a necessidade da morte do autor para que o leitor ocupasse o espaço que lhe cabe e usufruísse daquilo que possui de fato significado: a linguagem. No ano seguinte, Foucault (2002) decreta que o autor não morreu, mas que necessitamos compreender os seus significados sociais.
Com a evolução dos suportes técnicos de copiagem até o advento da Internet, observa-se que o leitor vem, de fato, transcendendo a sua relação com as obras e passa também a interferir nos processos de criação, tornando-se ele também um autor. O fato não é visto com o mesmo entusiasmo por todos os membros envolvidos neste processo. Há uma visível resistência às novas formas de produção cultural que são confrontadas a partir das possibilidades que a Internet oferece ao indivíduo para que este opine e discuta publicamente sobre o que lê, ouve, assiste.
Keen (2009) é um pessimista em relação a este novo papel dos indivíduos e a reconfiguração da idéia de autoridade na produção de conteúdo. O autor acredita que é necessário manter a institucionalização e os intermediários para garantir a qualidade da informação, pois, para ele, os novos suportes midiáticos como blogs e redes sociais estariam destruindo não apenas a nossa economia como também nossa cultura e os valores.
Ironizando o poder atribuído ao indivíduo nas plataformas midiáticas participativas e o papel dele na formação de uma cultura, Keen (2009) destaca as ações de empresas em que o indivíduo ocupa papel central. Em julho de 2006, a revista Business 2.0, uma publicação do grupo CNN, perguntou quem eram as pessoas mais importantes da nova economia e as respostas apontaram para “você”, o consumidor-criador21. Também em 2006, a revista Time elegeu “você” como personalidade do ano.
Figura 3 – Capa da Time (2006). Criticada por Keen (2009)
por eleger “você” como a personalidade do ano.
Fonte - www.lyingmediabastards.com/pix/timeman.jpg
A possível transferência do poder da comunicação para o indivíduo, podendo este produzir e publicar conteúdos, é questionada pelo autor. Ele defende que tamanha democratização tem um custo: “o declínio da qualidade e da confiabilidade da informação que recebemos, distorcendo assim, se não corrompendo por completo, nosso debate cívico nacional” (KEEN, 2009, p.30).
Isto significa uma mudança não apenas de comportamento, mas, sobretudo, de posição ocupada na sociedade. Se diante de televisores, jornais ou rádio tratávamos de uma massa de receptores, com a Internet emerge o indivíduo e suas características peculiares. A forma como se dá a presença das pessoas nesses novos espaços de comunicação é avaliada de maneira crítica por alguns autores.
21 O texto sobre a eleição do consumidor-criador como personalidade do ano da revista Business 2.0 pode ser encontrado no site da revista:
http://money.cnn.com/magazines/business2/business2_archive/2006/07/01/8380208/index.htm. Acesso em 28 de janeiro de 2010.
Bauman (2008) sugere que estar na rede é praticamente uma obrigação para o indivíduo contemporâneo22. O autor diferencia a sensação das pessoas de localidades que possuem diferentes níveis de imersão tecnológica. Para ele, indivíduos residentes em um lugar onde a presença de aparatos eletrônicos no cotidiano é inferior se comparado a outros locais, “podem acreditar que as ‘redes sociais’ expressam sua liberdade de escolha” (BAUMAN, 2008, p.8). Continuando o seu argumento, o autor cita a Coréia do Sul, “onde grande porção da vida social já é, como parte da rotina, mediada eletronicamente [...] é óbvio para os jovens que eles não têm sequer uma pitada de escolha” (Idem).
Neste ponto, é preciso retomar o caso do Brasil, país onde os usuários residenciais gastam um dia por mês navegando na rede, segundo o Ibope/NetRatings (G1, 2008), número este que vem aumentando a cada pesquisa. Ainda sobre o perfil do comportamento do brasileiro em relação à Internet, Castro (2009, p.51) explica que a rede é utilizada mais como meio de comunicação entre os indivíduos, ou seja, o perfil do internauta no Brasil é de “alguém que utiliza a rede primordialmente para estabelecer ou consolidar laços e relacionamentos interpessoais”.
O internauta no Brasil, portanto, se insere nos espaços virtuais de maneira a ter uma identidade enquanto ser social. Outra crítica levantada por Bauman (2008) reside no fato de que atualmente há uma dificuldade em diferenciar o sujeito do que é consumido. O autor explica que a expressão “sociedade de consumidores” é comumente dividida em dois elementos que a compõem: os objetos que são consumidos e àqueles que escolhem tais objetos. O que se constata, porém, ainda segundo o autor, é que atualmente há um embaçamento entre as duas categorias, não havendo, assim, diferenciação entre consumidor e objeto de consumo.
Nas palavras de Bauman (2008, p.20), “a característica mais proeminente da sociedade de consumidores – ainda que cuidadosamente disfarçada e encoberta – é a transformação dos consumidores em mercadorias”. Neste sentido, o valor de mercado do indivíduo transcenderia à autoria de produtos culturais, pois, nessa nova formação social não é preciso criar um produto quando se pode ser um.
Primo (2009, p.3), ao explorar aspectos sobre o narcisismo e a necessidade da fama entre os indivíduos, aponta para aspectos interessantes ao nosso debate:
22 Bauman trabalha com a idéia de Modernidade Líquida para descrever o momento atual. Contudo, a partir de autores como Lemos (2007) e Silva (2006), adotamos o conceito de Pós-Modernidade e no decorrer desta dissertação trabalhamos sob esta perspectiva.
A rigor, o desejo por fama vem crescendo entre as gerações mais novas. Uma pesquisa de 2006 da Pew Research Center encontrou que 51% dos jovens de 18-25 anos afirmaram que “ser famoso” é um dos objetivos de sua geração. Essa alternativa perdeu apenas para “ficar rico”, que alcançou 81% das respostas.
O autor trabalha sob a perspectiva do sujeito-mercadoria, na qual ser celebridade é tornar-se um produto rentável e próprio da lógica dos MCM. Conforme explica Bauman (2008, p.20), nesta sociedade, definida como uma sociedade de consumidores, “ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria”. A prateleira da Internet apresenta-se, dessa maneira, como um lugar de reconfiguração desse sujeito, ou, como destaca Perniola (apud SODRÉ, 2002, p.156):
o eu que se espelha no monitor não é, com certeza, a consciência entendida pela tradição filosófica como interioridade, e sim o resultado do trabalho desenvolvido pela personalidade narcísica na construção da sua própria imagem. É necessário todavia evidenciar desde já que o narcisismo não é de forma alguma o amor por si próprio: a deslocação do interesse libidinal para a própria imagem realiza-se em troca de uma completa anulação da vida interior e do próprio eu real.
O sujeito-mercadoria transforma-se, portanto, em conteúdo, e aquilo que é sua produção cultural, passa a ser replicado dentro da lógica da rede, com um status da autoria que ele assume naquele ambiente. Keen (2009) é enfático ao afirmar que, dentro dessa dinâmica de produção voltada para o ego, nossa cultura tem muito a perder.
Utilizando notícias do New York Times (NYT) que afirmam que 50% dos blogueiros publicam conteúdos sobre suas vidas pessoais e que o canal de vídeos do YouTube convida, em seu slogan, o internauta a transmitir-se a si mesmo, Keen (2009, p.12) conclui: “em vez de usá-la [a Internet] para buscar notícias, informação ou cultura, nós a usamos para SERMOS de fato a notícia, a informação, a cultura”.
A auto-inserção nos ambientes mediados é um dos aspectos que envolve o tipo de relacionamento desenvolvido em ambientes virtuais que entendemos como redes sociais. Todavia, como destaca Recuero (2009), o relacionamento entre os indivíduos baseado no que a autora chama de “capital social” passa por sistemas bem mais complexos, podendo
favorecer o interagente, mas ainda assim, possui bases amplamente solidificadas na idéia de coletividade.
Isto quer dizer que é possível o ator social utilizar a estrutura da rede para benefício próprio, mas a característica de ser um ambiente coletivo baseado na reciprocidade para a construção da confiança e da credibilidade é mantida. Neste sentido, para que um indivíduo se torne mercadoria aceitável e consumida na rede é necessário passar por um processo complexo de estruturação de uma reputação, esta, conseguida após um árduo trabalho, mas que pode ser facilmente perdida por apenas um post que de alguma maneira desagrade o público já consolidado.