DOKUZ EYLÜL ÜNİVERSİTESİ Bu bir MMO
2. ÇALIŞMA ALANININ ÖZELLİKLERİ 1. Jeolojik ve Tektonik Yapı
2.2. Hidrojeokimyasal Özellikleri
Os conteúdos radiofônicos têm características diferenciadas em relação aos demais veículos de comunicação. Eles são, em sua maioria, produzidos, veiculados e recebidos de acordo com a lógica da instantaneidade, da credibilidade, da mobilidade, da portatibilidade, da linguagem simples, interativa e diversificada. Essas características singulares demandam, com a digitalização, a adoção de uma nova práxis no modo de se pensar, fazer, veicular, receber e interagir com a mensagem de tal meio. De acordo com Lopez:
A caracterização das rotinas produtivas de uma emissora de rádio age diretamente sobre a configuração estética e editorial do meio de comunicação. No ambiente contemporâneo, envolto em um processo de tecnologização e convergência, as emissoras, ao repensarem suas rotinas e sua relação com o público, repensam sua produção jornalística (LOPEZ, 2010a, p. 93).
À medida que o rádio se estabeleceu como veículo de comunicação, produtor e disseminador de conteúdos 24 horas por dia, a mensagem radiofônica foi também tendo que se adaptar aos diversos cenários e momentos de sua trajetória dinâmica. No momento atual a grande mutação diz respeito às implicações da digitalização.
Reinventar a práxis radiofônica significa perceber inicialmente que o processo comunicacional desenvolvido por esse meio em suas etapas de produção, transmissão, recepção e também de interação, captam, consideravelmente, estratégias em outros veículos, como na mídia televisiva, online e até mesmo na impressa, por exemplo. Na era da digitalização, apostar na intensificação desse diálogo e no entrecruzamento do rádio com essas e outras mídias – preservando-se a essência sonora do meio – significará a potencialização de sua reinvenção e permanência no cenário cultural e midiático contemporâneo.
A implantação constante de modernas tecnologias no cenário comunicacional contemporâneo estabelece a necessidade de se adotar essa “nova práxis”, ou seja, esse “novo fazer” radiofônico, que pode ser compreendido, conforme já assinalamos, como as próprias mutações ocorridas nas etapas de produção, transmissão, recepção e interação dos conteúdos midiáticos, incluindo-se a reconfiguração da atuação dos profissionais, e do público (usuários-ouvintes), em cada uma delas.
Nesse sentido, o potencial tecnológico e comunicacional atribuído ao rádio pela digitalização não deve alterar de forma “automática” ou “descontextualizada” os conteúdos. É preciso que os comunicadores, sobretudo os produtores de conteúdos, sejam eles radialistas, jornalistas ou publicitários, acompanhem essas transformações no fazer radiofônico, primando pela qualidade das mensagens veiculadas, garantindo a apuração isenta e ética da informação e a produção inventiva dos gêneros e formatos radiofônicos digitais.
Múltiplas mutações ocorrerão nos conteúdos e, consequentemente, na práxis radiofônica digital. Entre as reinvenções basilares estão a democratização/descentralização das etapas de produção, a customização ou personalização dos conteúdos, a hipertextualidade, a capacidade de armazenamento da informação (memória), a interatividade, a convergência midiática (Cf. PALACIOS, 1999, 2002, 2003) e a transmidialidade.
Apesar de a maioria dessas características já atuarem em muitas mídias onlines como em algumas web-radios, por exemplo, haverá um reflexo incontestável delas no
rádio plenamente digital, fato esse que implica na necessidade de profissionais habilitados, conhecedores multifacetados e conectados com essas propriedades.
A ideia de transmidialidade citada anteriormente, por exemplo, de acordo com Jenkins (2008, p. 24), “refere-se a uma nova estética que faz novas exigências ao consumidor e depende da participação ativa de comunidades do conhecimento”. Ou seja, tal possibilidade comunicacional está sujeita à necessidade dos usuários-ouvintes, porém, está atrelada à capacidade de atuação dos produtores radiofônicos.
Ainda de acordo com os parâmetros estabelecidos por Jenkins (idem, ibidem), entendemos a noção de transmidialidade aplicada ao rádio como sendo um conjunto de mídias, onde cada uma oferece um conteúdo novo e original relacionado ao conteúdo principal, em nosso caso a mensagem radiofônica.
Em termos práticos, um determinado conteúdo veiculado pelo rádio digital pode ganhar, por exemplo, outras interfaces no blog do programa ou do comunicador/apresentador ou no site da própria emissora; pode ser reverberado em perfis ou comunidades de redes de sociais; pode pautar conteúdos complementares em emissoras parceiras da mídia televisiva; enfim, o autor enfatiza que nessa realidade cada meio deve atuar com o que faz de melhor, de maneira autêntica, ou seja, com suas características intrínsecas, mas visando complementar e/ou enriquecer o conteúdo da mídia de origem (idem, p. 135).
É interessante ressaltar que a nova práxis radiofônica é alterada nesse sentido, na medida em que o profissional do rádio terá que obter conhecimento sobre essas possibilidades, e mais do que isso, saber utilizá-las contextualmente a favor do fluxo principal da informação, que é a mensagem radiofônica, expressa primordialmente através de gêneros e formatos específicos.
Também é importante salientar que não compreendemos a transmidialidade aplicada ao contexto radiofônico digital como uma “adaptação” de conteúdos. Segundo Fechine (2009, p. 04), adaptação “designa a passagem de um texto reconhecido por uma determinada substância da expressão num outro caracterizado pela convergência de substâncias da expressão diferentes daquelas que formaram o arranjo original”. Isso implica dizer que a adaptação se refere à reformulação/reinterpretação de um mesmo conteúdo, como acontece com as obras literárias que são adaptadas para o cinema.
No caso da transmidialidade radiofônica digital, sugerimos que ela aconteça a partir da convergência com outras mídias para transmitir a mesma mensagem, porém cada mídia o faz por meio de suas características distintas. Essa prática será capaz de
dinamizar os processos comunicativos inerentes à práxis radiofônica a partir do favorecimento de uma construção conteudística estruturada e potencializada por diversas mídias, as quais apesar de apresentarem características diversas, podem contribuir de modo específico para a completude da “nova práxis” radiofônica.
O rádio não está à margem dos acontecimentos, não está sendo deixado para trás pela evolução tecnológica e pela velocidade da sociedade contemporânea. Ao contrário, apresentasse hoje como um meio de comunicação fundamental, por aliar suas características iniciais – de mobilidade e factualidade – com as geradas pelas inovações tecnológicas, como a narrativa multimídia e a produção e transmissão multi-plataforma. Trata-se, sim, de um novo rádio, com novas estratégias narrativas, com novas possibilidades e potencialidades (grifos nosso) (LOPEZ, 2010a, p. 124).
Nesse sentindo, propor a reconfiguração e/ou criação de gêneros e formatos para a programação radiofônica em suporte digital é, necessariamente, conceber técnicas, práticas e métodos produtivos inovadores. Tal realidade não pode, no entanto, deturpar hábitos comunicacionais elementares como a apuração da informação. Segundo Bahia:
A apuração é o mais importante para a notícia, da mesma forma como a notícia é o mais importante para o jornalismo. Elemento essencial no processo da informação, a apuração em jornalismo quer dizer o completo levantamento dos dados de um acontecimento para se escrever a notícia. É o processo que antecede a notícia e que leva à formulação final do texto (BAHIA apud PEREIRA, 2004, p. 103)
A presença do jornalista no palco dos acontecimentos, sugerida constantemente nos estudos de Ortriwano (1985)50, é fundamental. Sendo assim, as rotinas produtivas reconfiguradas pelo suporte digital não podem se desvencilhar dessa premissa. Ou seja, mesmo que o rádio digital ofereça a possibilidade de convergência com outras mídias e ambiências interativas em diversos níveis, os comunicadores não poderão abrir mão de características como a apuração da informação diante da nova práxis na produção de conteúdos digitais. Segundo Lopez, eles precisam estar cada vez mais cientes das mudanças, as quais, para a autora, não podem mais ser negadas.
O jornalista de rádio, além de compreender que seu principal compromisso é com a informação e com a narrativa sonora, deve compreender a importância da construção de uma narrativa multimídia [...]. E deve ter em mente que esta nova configuração altera a sua
50 Sobre esse assunto consultar: ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A informação no rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. São Paulo: Summus, 1985.
rotina de produção. Isso porque a estrutura de organização e a forma como os profissionais de comunicação e os empresários dos grupos de mídia veem o jornalismo neste contexto também passa por alterações (grifo nosso) (LOPEZ, 2010a, p. 117).
Vale ressaltar que conceber esse novo “fazer radiofônico” é tarefa ampla e complexa nesse momento em que as discussões sobre o rádio digital ainda pairam sobre questões técnicas, sobretudo em relação ao padrão a ser adotado. Bem certo é que cada emissora, com suas peculiaridades, inclusive as públicas, educativas e comunitárias, pouco a pouco terá que se adequar às novas rotinas propiciadas pela digitalização, principalmente no que diz respeito às mutações nas etapas de produção, veiculação, recepção dos conteúdos.
Lopez (2010a), em seus estudos, dedica-se à compreensão e à concepção de novos hábitos de produção para emissoras do estilo all news, cujas rotinas jornalísticas voltam-se para informação e opinião dos fatos durante vinte e quatro horas por dia, como é o caso da Central Brasileira de Notícias (CBN) e da BandNews, analisadas em sua pesquisa. A referida autora (idem, p. 65) estabelece como ponto de partida o fato de que “jornalismo 24 horas pressupõe – ou deveria pressupor – interpretação e análise”. Nesse sentido, ela busca refletir como as reconfigurações advindas da digitalização permitirão a atuação dessa especificidade do jornalismo na mídia radiofônica, focando inclusive o que isso acarreta no próprio desenvolvimento da informação, consequentemente, na práxis radiofônica.
Notícias 24 horas pressupõem uma potencialização de algumas das características do jornalismo radiofônico, como o imediatismo e a informação de serviços. Mas não se trata unicamente de uma potencialização. Características de outras mídias – e demandas de um público habituado a um amplo fluxo de informações – agregam-se ao rádio. A velocidade, por exemplo, é vista como pressuposto do radiojornalismo all news. As notícias precisam ser apresentadas aos ouvintes no momento em que ocorrem, analisadas e discutidas. Entretanto, devem ser breves. São análises pontuais, para consumo rápido (LOPEZ, 2010a, pp. 65-66).
É preciso que façamos uma ressalva no seguinte ponto: na visão de Lopez, a reinvenção da práxis radiofônica em emissoras all news implica na adoção de critérios diferentes dos que poderiam ser aceitos em rotinas de emissoras de rádios convencionais. No entanto, consideramos que, de certa forma, as reflexões da referida autora podem nortear a concepção de outros fazeres específicos. Sendo assim,
apresentamos alguns pontos abordados pela pesquisadora, os quais nos ajudam a entender parte dos elementos responsáveis pelas mutações na práxis radiofônica, são eles:
A reportagem assistida por computador, o uso da Internet como fonte, a intensificação e facilitação do uso do material de assessorias de comunicação com o advento do e-mail, além do aumento na quantidade de informações disponíveis ao jornalista nas redações devido às ferramentas disponíveis na world wide web e também o crescimento dos dados oferecidos ao sujeito através de inúmeros suportes tecnológicos em seu cotidiano (LOPEZ, 2010a, p. 66-67).
Uma questão recorrente quando se pensa em um novo “fazer radiofônico” é o papel do áudio na mensagem reconfigurada. Ressaltamos que ele continua sendo fundamental para o meio. Mesmo diante das mutações na linguagem, no suporte e nas formas de interação, com o intuito de reinventar a práxis do meio, não se pode abrir mão de sua ação e funcionalidade. Como analisa Lopez (2010a, p. 119), “o áudio precisa ser independente e, ao mesmo tempo, complementar. Nem todo ouvinte pode – ou quer – buscar um aprofundamento, uma multiplicidade de linguagens – seja através do rádio digital ou do suporte web da emissora”.